Diamantina, Veadeiros, Guimarães e Mesas: o mapa de cada chapada

Nestas quatro chapadas brasileiras, boas pousadas, restaurantes, lojas e festivais culturais, além de uma natureza esplendida, estão à sua espera

Chapadas nada mais são do que áreas de terra elevada, com dimensões consideráveis e topo relativamente plano. Essa formação de relevo tão marcante no Brasil compõe alguns dos nossos parques nacionais mais especiais. Neles você encontra natureza quase intocada, pousadas que vão do confortável ao rústico, restaurantes, lojas e festivais culturais.

Eu estive nas quatro principais chapadas brasileiras e tracei um panorama de cada uma delas: trilhas por vales imensos, cachoeiras com mais de 80 metros de quedas, grutas com lagoas azuladas, pores do sol inesquecíveis e cidadezinhas pitorescas. Confira:

Chapada Diamantina, Bahia

Chapada Diamantina, Bahia Nadar nas águas cristalinas do Poço Azul, na Chapada Diamantina, é uma experiência única

Nadar nas águas cristalinas do Poço Azul, na Chapada Diamantina, é uma experiência única (Franco Hoffchneider/Divulgação)

Onde fica: no interior da Bahia, o Parque Nacional da Chapada Diamantina cobre uma área de mais de 152 000 hectares. A principal cidade-base é Lençóis, a 430 km de Salvador, e, secundariamente, Mucugê e Caeté-Açu (mais conhecida como Vale do Capão).

Como é: possivelmente a mais impressionante e a mais preservada das chapadas. Tem pelo menos três cachoeiras com mais de 80 metros de altura, uma coleção de grutas com lagoas azuladas, uma área de planície alagada que é a cara do Pantanal e ainda é lar de um dos trekkings mais cênicos do Brasil: a travessia do Vale do Pati. As cidadezinhas também são uma graça: Lençóis e Mucugê com seus cenários coloniais, Capão com seu astral hippie.

Como chegar: Lençóis tem aeroporto onde chegam voos da Azul, mas os preços são salgados. É mais econômico voar de Salvador e de lá alugar um carro ou pegar um ônibus com a empresa Rápido Federal.

Quanto tempo ficar: no mínimo uma semana, idealmente de oito a dez dias. As atrações ficam distantes e é preciso fazer três bases diferentes: Lençóis para ver atrações como o Morro do Pai Inácio, a Cachoeira do Mosquito e o Poço Azul; Mucugê (a 146 km), para a Cachoeira do Buracão; e Capão (a 90 km de Mucugê e 74 km de Lençóis), para a Cachoeira da Fumaça. Você pode fazer o circuito no sentido Lençóis – Mucugê – Capão – Lençóis ou Lençóis – Capão – Mucugê – Lençóis.

Quando ir: não tem época ruim, cada período do ano tem suas peculiaridades. O verão é chuvoso, mas o calor incentiva banhos gelados de cachoeira. No inverno faz friozinho e tem dias nublados, mas é mais agradável para caminhadas sem sol na cabeça. Outono e primavera vão bem. Em feriados algumas atrações podem ficar muito cheias, como a gruta Lapa Doce e o Morro do Pai Inácio.

Onde se hospedar: a Alcino Estalagem, em Lençóis, fica num casarão colonial e com decoração caprichada. O melhor upgrade de Lençóis são as hospedagens Canto das Águas e o Hotel de Lençóis. Em Mucugê, o Refúgio na Serra tem jardim bem-cuidado e quartos gracinha. No Vale do Capão, a Pousada do Capão oferece uma área enorme com pizzaria, piscina de rio e salas de massagem.

Três passeios imperdíveis: a Cachoeira do Buracão tem uma queda de 85 que deságua dentro de um cânion com paredes que parecem ter sido esculpidas à mão. A trilha até a cachoeira passa por campos de cerrado e caatinga. Outra atração é a Cachoeira da Fumaça, uma das maiores do Brasil, com mais de 300 metros. Entre as grutas, a mais bacana é o Poço Azul, onde você nada com snorkel numa água azul límpida.

Como circular: é fácil (e barato, principalmente para quem está em grupo) rodar de carro pela região, ainda que o acesso à maioria das atrações seja por trechos de estrada de terra. Quem está sozinho pode tentar se encaixar nos tours das agências, mas não há garantia de que vai ter saída quando você quer. Para mais comodidade você pode fechar um pacote já com todos os transportes e guias em agências como a Venturas e a Chapada Adventure.

Onde comer: o restaurante mais descoladinho da região é o Cozinha Aberta, em Lençóis, que usa ingredientes locais e orgânicos. Em Mucugê, a Pizza da Garagem tem pizzas sensacionais. Por toda região há restaurantes de comida caseira barata, como o Dona Beli, no Capão.

Algo a mais: é a chapada mais “completa” de todas: tem boa estrutura de pousadas e restaurantes, cidadezinhas adoráveis e natureza belíssima.

Algo a menos: a distância de Salvador e a imensidão da região dificultam viagens curtas porque deixam o roteiro mais cansativo. Se tiver pouco mais que um fim de semana na região, eleja uma única base e explore seus arredores.

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Chapada dos Veadeiros, Goiás

Um dos poços da trilha do cãnion do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros

Um dos poços da trilha do cãnion do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (Willian Gulgielmin/Wikimedia Commons/Wikimedia Commons)

Onde fica: a 225 km de Brasília, o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros ocupa uma área recentemente ampliada para 240 mil hectares – mas há também muita chapada fora do parque. São três cidades principais que acolhem o turismo: Alto Paraíso de Goiás, a vizinha São Jorge e, a mais distante, Cavalcante.

Como é: com um belo leque de cachoeiras e formações rochosas curiosas, trata-se de uma chapada vasta conhecida pela comunidade riponga e esotérica que fincou bases ali e também por eventos culturais como o Encontro das Culturas, que congrega indígenas de várias tribos. Alto Paraíso é uma cidade de sete mil habitantes com comércio, pousadas, restaurantes e tendências ufólogas. Com ruas majoritariamente de terra, São Jorge, a 36 km em estrada de terra de lá, é um vilarejo rústico e mochileiro colado à entrada do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. Cavalcante, a 90 km, é menos visitada mas também tem atrações próximas.

Como chegar: é preciso voar até Brasília e lá alugar um carro ou pegar um ônibus da Real Expresso.

Quanto tempo ficar: pelo menos quatro dias inteiros. A maior parte das atrações mais visitadas fica mais perto de São Jorge, então é possível montar base somente ali. Se tiver mais tempo, é interessante ficar duas noites em Cavalcante para ver a Cachoeira de Santa Bárbara (quem ficar em São Jorge tem que encarar 5h de estrada, na ida e na volta, para chegar até ela).

Quando ir: de outubro a março pode chover muito e enlamear as estradas, além de causar trombas d’água nas cachoeiras, mas não é impossível de ir (tanto que a chapada tem sido procurada para viagens de réveillon). No resto do ano, o clima é seco, quente e ensolarado.

Onde ficar: uma das mais sofisticadas da região é a Pousada Maya, em Alto Paraíso, com suítes espaçosas e enxoval Trussardi. Em São Jorge, há pedidas como a confortável Baguá Pousada, bem integrada à natureza, e a mais simples Alecrim do Campo.

Três passeios imperdíveis: a Cachoeira de Santa Bárbara, a uma hora de Cavalcante e duas de Alto Paraíso, é a mais fotogênica da região, com seu poço azulado. Ícone da Chapada, o Vale da Lua guarda uma interessante formação de pedra acinzentada com poços para banho. Já a Catarata dos Couros tem quedas de até 100 metros de altura e faz parte de um circuito com outras quatro cachoeiras.

Como circular: é quase obrigatório alugar carro para transitar por ali. Se não quiser dirigir, contrate passeios com transporte por agências como a Travessia e a Alternativas, mas prepare-se para pagar caro se não estiver em grupo para dividir os valores.

Onde comer: em São Jorge, a Santo Cerrado tem risotos preparados com ingredientes da região (pequi, galinha caipira, castanha de baru). Em Alto Paraíso, o Jambalaya Espaço Gastronômico propõe um ambiente romântico à luz de velas. Instituição da região, o Rancho do Waldomiro serve cachaças artesanais e matula, um prato típico à base de frango, servido com fartura.

Algo a mais: é uma das chapadas com acesso mais fácil (já que está próxima de Brasília) e amiga do bolso (há muitas pousadas baratinhas e muitas atrações que não precisam de guia).

Algo a menos: em feriados, pode lotar. Prepare-se para dirigir bastante por estradas de terra.

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Chapada dos Guimarães, Mato Grosso

Cachoeira Véu de Noiva, no Parque Nacional da Chapada dos Guimarães (MT) Cartão-postal de Mato Grosso, a Cachoeira Véu de Noiva (86 m) pode ser observada do mirante, a 550 m do estacionamento do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães (MT)

Cartão-postal de Mato Grosso, a Cachoeira Véu de Noiva (86 m) pode ser observada do mirante, a 550 m do estacionamento do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães (MT) (Divulgação/Divulgação)

Onde fica: a 67 km de Cuiabá. O Parque Nacional da Chapada dos Guimarães protege 33 000 hectares da região. A cidade-base também é chamada Chapada dos Guimarães.

Como é: chapada mais “fácil” do Brasil pela proximidade com Cuiabá, também capricha nas belezas naturais, com paredões rochosos alaranjados, cachoeiras e cavernas de arenito. A cidade da Chapada não é propriamente charmosa, mas tem lá sua simpatia interiorana.

Como chegar: alugue um carro em Cuiabá ou pegue um ônibus com a CMT.

Quanto tempo ficar: pelo menos três dias inteiros. Aqui vale mais a pena ficar nas pousadas integradas à natureza do que no centrinho da cidade.

Quando ir: de abril a setembro, fora da época das chuvas, é o ideal. Na Chapada dos Guimarães sempre faz calor – a temperatura só cai um pouco à noite.

Onde ficar: a melhor escolha é a Pousada do Parque, dentro do Parque Nacional, com mirante e cachoeira. A Bosque da Neblina faz estilo pousadinha de serra, com noites de queijos, vinhos e fogueira. Mais modesta, a Pousada das Orquídeas tem uma casa lindinha com quintal florido.

Três passeios imperdíveis: o cartão-postal é a Cachoeira Véu da Noiva, uma queda de 86 metros que você observa de um mirante. Leva um dia inteiro visitar o Vale do Rio Claro, com poços para nadar nas corredeiras; e a Cidade das Pedras, com impressionantes formações moldadas pelo vento e pela chuva que lembram ruínas de uma cidade. Fora do parque, vale fazer o circuito de cavernas Aroe Jari, que culmina na maior gruta de arenito do Brasil, com 1 550 metros de extensão.

Como circular: o ideal é alugar carro e contratar guias (dentro do Parque Nacional é obrigatório). Algumas atrações precisam de veículo 4×4 (veja na sua pousada se tem mais gente para formar um grupo e dividir o valor do passeio em agências da cidade, como a Chapada Off Road).

Onde comer: para almoçar com vista para a chapada, vá ao Morro dos Ventos, de comida pantaneira, ou ao Bistrô da Mata. O melhor restaurante da cidade é o Pomodori, que apesar de servir massas e carnes é conhecido mesmo pela empada.

Algo a mais: a Chapada dos Guimarães é bem posicionada para você unir com outros dois destinos bacanas do Mato Grosso: Nobres (uma espécie de Bonito com rios para fazer flutuação) e o Pantanal Norte (cortado pela Estrada Transpantaneira).

Algo a menos: a paisagem natural é menos impressionante do que nas outras chapadas.

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Chapada das Mesas, Maranhão

Chapada das Mesas, Carolina (MA) Poço Encantado na Chapada das Mesas, Maranhão

Poço Encantado na Chapada das Mesas, Maranhão (Otávio Nogueira/Flickr)

Onde fica: no sul do Maranhão, quase na divisa com Tocantins, a cerca de 200 km da cidade de Imperatriz, numa área que abrange quatro municípios. A cidade-base é Carolina.

Como é: apesar de Carolina ser uma cidade bem simples (que carece de gastronomia e hotelaria de charme), o turismo ali é relativamente bem estruturado. Falta a atmosfera descoladinha das outras chapadas, mas a natureza também dá um show de formações rochosas, cachoeiras e vegetação (majoritariamente do cerrado) preservada.

Como chegar: o jeito mais em conta é comprar um voo para Imperatriz e de lá alugar um carro ou pegar um ônibus da JR4000 para ir até Carolina.

Quanto tempo ficar: para valer o deslocamento, pelo menos cinco dias inteiros. Durma em Carolina.

Quando ir: na época da seca, que vai de maio a setembro, não cai um pingo d’água, o sol brilha e a temperatura chega aos quarenta graus. As chuvas vêm entre outubro e maio, mas são pancadas rápidas – e, para quem gosta de caminhar, é bom saber que nessa época o calor é mais ameno. Evite março e abril, quando o calor é mais intenso.

Onde ficar: a Pousada dos Candeeiros, numa casa colonial da cidade, é confortável, com piscina e café da manhã farto. Outra opção é a Pousada do Lajes, com chalés dispostos num jardim.

Três passeios imperdíveis: o Portal da Chapada tem um visual deslumbrante para os platôs avermelhados da região – entre eles o cênico Morro do Chapéu. Dentro do Parque Nacional da Chapada das Mesas fica a Cachoeira de São Romão, uma cortina espessa de 36 metros de largura, a maior em volume de água do Maranhão – é possível remar com o caiaque bem perto das quedas. Também impressiona a queda d´água da Cachoeira do Santuário, dentro de um cânion. Quando a luz entra, das 11h às 14h, ela ganha ares místicos.

Como circular: a não ser que você feche um passeio já com todos os transportes inclusos em uma agência como a Torre da Lua, é preciso alugar carro. Para visitar o Parque Nacional, é preciso veículo 4×4. Acaba sendo imprescindível contratar uma agência.

Onde comer: não há grande oferta gastronômica em Carolina, apenas restaurantes simples que servem pratos regionais. Um exemplo é o arroz de Maria Isabel (feito com carne seca) do Mocotozin e do Espaço Gourmet. Para comprar doces regionais, passe na loja da Dona Elza.

Algo a mais: ali a água das cachoeiras e poços é morninha, o que faz uma baita diferença para curtir os passeios.

Algo a menos: o acesso é difícil para quem vem do sudeste e sul do país, já que as passagens para Imperatriz podem sair caras. Aproveite a localização para unir o destino com outros dois lugares relativamente vizinhos: o Jalapão (pegando um voo ou ônibus de Araguaína, a 110 km de Carolina, até Palmas) e os Lençóis Maranhenses (com um voo de Imperatriz a São Luís).

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