Seis tendências no turismo depois do coronavírus

Interesse das pessoas por viagens até aumentou, mas preço e condições de segurança estão mais importantes para os viajantes

Por Da Redação Atualizado em 8 Dec 2020, 10h45 - Publicado em 27 Oct 2020, 19h19
Viagens para destinos de natureza são uma das maiores preferências dos brasileiros durante a pandemia. Na foto, Porto de Galinhas, um dos lugares mais procurados Pollyana Ventura/Getty Images

Uma pesquisa da plataforma Booking.com com 20 mil viajantes em 28 países, entre eles o Brasil, mostra que, depois de meses de isolamento e incerteza, as pessoas mantêm o desejo de viajar – e querem até recuperar o tempo perdido. A maior parte (67%) dos viajantes brasileiros disse estar animada para voltar ao turismo e 64% afirmaram que desejam viajar mais no futuro para compensar o tempo perdido em 2020.

Apesar do entusiasmo, dois a cada três brasileiros dizem que não vão se sentir confortáveis para viajar até que haja uma vacina ou tratamento para o novo coronavírus. Enquanto isso não acontece, porém, muitos dão aquela pesquisada no próximo destino. Quase todos (98%) fizeram uma busca sobre viagem durante o isolamento. E quase metade (46%) disse pesquisar possíveis destinos pelo menos uma vez por semana.

A pesquisa da empresa – além do comportamento das pessoas nas buscas e reservas da plataforma de acomodações – mostra seis tendências para o turismo pós-pandemia. Veja abaixo as mudanças de destinos, prioridades e propostas dos viajantes do Brasil:

Preços menores

A crise gerada pela pandemia, que agravou a situação econômica do país, que já não vinha muito bem, aumentou a importância do preço na decisão de compra dos brasileiros. Grande parte (84%) passou a prestar mais atenção ao preço na hora de planejar uma viagem e 78% estão mais propensos a procurar promoções e descontos.

  • Transparência

    Se antes já era importante ficar de olho nas letras miúdas, agora, 82% dos brasileiros dizem esperar mais clareza nas políticas de cancelamento, processos de reembolso e seguro-viagem, por exemplo. Para 36%, ter reembolso na hospedagem é essencial para decidir a próxima viagem; e para 40%, é essencial ter flexibilidade para alterar datas sem multa. Mas essas políticas não podem encarecer demais as viagens, visto que o preço é um fator muito importante para o mercado brasileiro.

    Proximidade

    Mesmo que as empresas aéreas estejam reafirmando a segurança de andar de avião neste momento de pandemia, a preferência é por deslocamentos mais curtos, de preferência de carro. Esse meio de transporte – junto com o crescimento de adoção de cães e gatos na quarentena – fez dobrar o uso do filtro por acomodações que aceitam pets. Segundo a pesquisa, metade (55%) dos brasileiros quer conhecer um novo destino na região onde mora e 59% pretendem ir para um destino de natureza próximo. Num momento de incerteza, 63% também disseram que planejam viajar a algum lugar que já conhecem, independentemente da distância.

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  • Na lista de desejos de viagens feitas pelos usuários da Booking.com, os destinos domésticos ganharam espaço. Aparecem em 83% das wish lists criadas entre maio e junho – no mesmo período de 2019, apareciam em 68% delas. Entre os mais buscados pelos brasileiros na última semana de agosto, estão Campos do Jordão (SP), Rio de Janeiro (RJ), Porto de Galinhas (PE), Ubatuba (SP) e Gramado (RS).

    Catedral de Gramado
    Igreja Matriz São Pedro em Gramado, uma das cidades mais buscadas pelos brasileiros para futuras viagens em tempos de pandemia Turismo de Gramado/Reprodução
  • Medidas sanitárias

    Se a limpeza já era um fator importante na escolha de uma acomodação, agora 91% dos viajantes brasileiros dizem que tomarão mais precauções para evitar a contaminação pela covid-19. Assim como a maioria diz que vai evitar certos destinos e espera que as atrações sejam adaptadas para garantir o distanciamento físico, 81% só vão reservar a hospedagem se tiverem clareza das medidas de higiene e saúde adotadas. Mesmo assim, 53% vão evitar o uso de transporte público – reforçando a tendência de viagens de carro, próprio ou alugado.

    A maioria dos participantes da pesquisa disseram preferir viajar de carro na pandemia Nathalia Segato/Unsplash/Reprodução
  • Natureza

    A pandemia teve como efeito ressaltar a importância do contato com a natureza e os espaços abertos – especialmente para quem passou meses dentro de um apartamento numa cidade grande. No mundo todo, desde o início da pandemia, aumentaram as recomendações de atividades ao ar livre por hóspedes que passaram por acomodações da Booking.com: fazer trilhas (95%), aproveitar a natureza (44%) e respirar ar puro (50%). A tendência é buscar prazeres simples e relaxar. Por isso, também aumentou a busca por destinos rurais, junto com a família.

    Destinos rurais e isolados são um dos preferidos de quem quer viajar na pandemia Airbnb/Reprodução

    E, para 71%, também contam mais opções sustentáveis de turismo, que fujam da alta temporada e dos lugares superlotados. Outra mudança é no tipo de acomodação buscada. Se, em 2019, 60% dos brasileiros preferiam se hospedar em hotéis, 43% dos viajantes que estão indo para um destino próximo escolhem casas de temporada ou apartamentos.

  • “Bleasure”

    Com a adoção do trabalho remoto por um contingente maior de pessoas, deve aumentar a tendência de misturar viagens de trabalho (business) e de lazer (pleasure). Por isso, as plataformas de busca de acomodações devem passar a destacar informações como presença de home office e qualidade da conexão de internet. Já há resorts no Nordeste investindo nessa tendência – além de atividades para crianças, enquanto os pais trabalham. Segundo a pesquisa, 43% dos brasileiros consideram reservar um lugar onde também possam trabalhar e 58% vão estender suas viagens de trabalho para aproveitar a folga.

    Sobre a pesquisa
    Encomendada pela Booking.com, foi aplicada em julho com uma amostra de adultos que viajaram a negócios ou lazer nos últimos 12 meses e que planejam viajar nos próximos 12 meses (se/assim que as restrições de viagem forem suspensas). No total, 20.934 pessoas de 28 países foram entrevistadas (incluindo 999 do Brasil).

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