Passeio de trem pelo Equador tem abismos e cânion assustadores

O trem parte todo dia de Alausí, cidade do centro-sul do país, para explorar o Nariz del Diablo e o Cânion do Rio Chanchán

Por Daniel Nunes Gonçalves Atualizado em 26 jun 2018, 14h47 - Publicado em 27 jan 2016, 17h11

No interior do Equador, um desafio prazeroso de encarar é a viagem de trem entre os abismos de mais de 700 metros de profundidade do chamado Nariz del Diablo.

O formato do maciço de pedra assusta, seu nome mete medo e a história por trás da construção de seus curtos 6 quilômetros chega a arrepiar: 2500 trabalhadores teriam morrido durante a sua construção na virada do século 19 para o 20.

A descida em ziguezague, de duas horas e meia de duração, foi durante anos uma oportunidade para os passageiros viajarem a céu aberto, observando o cenário do espetacular cânion do Rio Chanchán do telhado do comboio. Até que um acidente fatal em 2008 pôs fim à aventura.

Restaurado e com vistas igualmente lindas através de suas janelas, o trem vermelho soa seu apito de partida duas ou três vezes ao dia na bucólica Alausí, no ponto em que termina a Avenida dos Vulcões e começa a região sul equatoriana.

Trem do Cânion do Rio Chanchán, em Alausí
Trem do Cânion do Rio Chanchán, em Alausí, no Equador: um passeio assustador, e por isso mesmo, encantador Daniel Nunes Gonçalves/Viagem e Turismo

Com 120 passageiros a bordo, o comboio ruma para a estação de Sibambe, no fundo do vale, onde há um pequeno museu, apresentações de danças típicas e uma lanchonete.

Lá, come-se iguarias como o tigrillo, feito com banana cozida, ovo e queijo, ou o quimbolito, bolo doce que vem enrolado em folha de bananeira.

Na volta para Alausí, ainda dá tempo para apreciar seus sobrados seculares feitos de adobe, supercoloridos. O lugar fica especialmente movimentado aos domingos, dia de um mercado de rua que atrai gente de toda parte.

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O trem mais badalado do Equador

O comboio do Nariz del Diablo é apenas o mais pop dos nove roteiros ferroviários que podem ser feitos no país.

Desde junho de 2013, o Tren Crucero se tornou o mais badalado – e caro – deles.

A jornada sai por US$ 1735 e acontece duas vezes por mês em cada sentido: o comboio viaja entre Quito e Guayaquil por quatro dias e quatro noites com todos os confortos de um trem de luxo.

São quatro classes de cabine, além de vagões-restaurante, bar-cafeteria, loja e terraço.

A cada parada, os passageiros são transferidos em ônibus para diferentes pontos de interesse, privilegiando o contato com a gastronomia e o artesanato típicos.

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