Quer conhecer o Equador? Veja um roteiro completo, de Quito a Galápagos

Comece a sua viagem admirando a arquitetura barroca das ruas históricas de Quito, a segunda capital mais alta do planeta

Cortado pela linha que separa o planeta em dois hemisférios e lhe empresta o nome famoso, o Equador é um país minúsculo, discreto, mas palco de marcos históricos e encantos naturais. Dos resquícios das antigas culturas pré-colombianas à deslumbrante herança arquitetônica dos conquistadores espanhóis; da vertiginosa paisagem andina no continente à riqueza da fauna do Arquipélago de Galápagos, berço da teoria evolucionista de Charles Darwin. Por terra e mar, conheça os caminhos desse destino fora do comum na América do Sul.

Quito é o ponto de partida estratégico para quem quer chegar a Galápagos pelo caminho mais longo e belo: pela estrada, percorrendo 450 quilômetros na Avenida dos Vulcões até a charmosa Cuenca; depois, são mais 200 quilômetros até Guayaquil, metrópole onde se pega o avião até o arquipélago no Pacífico.

O tempo de voo é de duas horas – seriam três se o embarque fosse em Quito. Para quem não tem pressa, gastar uns dias na estrada tem a enorme vantagem de conhecer o continente por terra. O ponto de partida para explorar o Equador não poderia ser mais fácil: a capital.

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Quito, a capital, tem uma trilha de tirar o fôlego

A 2850 metros do nível do mar, Quito, a segunda capital mais alta do planeta (só perde para a boliviana La Paz, que esnoba do alto de seus 3650 metros) tem o privilégio de aliar o visual dos vulcões a um conjunto histórico e arquitetônico ímpar – além de uma autêntica e preservada cultura indígena.

Superado o eventual mal-estar físico causado pelo estranhamento da altitude, todo visitante logo corre para experimentar o ângulo dos condores andinos. A opção é se posicionar nos terraços de restaurantes transados; a outra, mais tradicional e popular, é embarcar no TelefériQo (escrito assim mesmo, com “Q”), que leva ao Mirante Cruz Loma – um platô localizado ao lado do Vulcão Pichincha.

Ao fim da subida de 2,5 quilômetros, na vertigem dos 4100 metros (de onde até La Paz pareceria baixinha), dá para conferir quão plana é a metrópole de 2,2 milhões de habitantes. Ali, caminha-se para conhecer a pequena capela construída no local, come-se um algodão-doce, monta-se a cavalo. E, para os muitos ciclistas e mountain-bikers locais, o teleférico é apenas o acesso ao início da trilha para um downhill radical.

A capital do Equador tem um conjunto arquitetônico peculiar

Lá embaixo, bem perto do parquinho infantil instalado na base do teleférico, está o conjunto arquitetônico do Quito antigo que fez do velho lar dos índios quitus a primeira cidade do planeta tombada como Patrimônio Mundial pela Unesco, em 1978. No centro histórico mais bem preservado da América Latina, o espetáculo é do barroco, como se pode notar no interior da Igreja La Compañía de Jesús, praticamente toda coberta de ouro.

Diferentemente do barroco que os brasileiros se acostumaram a ver nas igrejas de Ouro Preto e Tiradentes, a escola barroca de Quito se distingue por misturar elementos mouros, italianos, espanhóis e até indígenas. Tanto primor se espalha por algumas das 40 igrejas da cidade, erguidas em meio a várias construções dos séculos 16 e 17, e também nas cercanias de praças como a San Francisco, charmosíssima com suas ruas de pedra iluminadas à noite por luzes amareladas.

Entre elas está a Calle La Ronda, a rua mais boêmia do pedaço. Sua vocação turística é inegável, com shows de música e dança regionais, lojas de design e restaurantes de comida típica. Mas quem faz La Ronda ferver mesmo, especialmente nas sextas e nos sábados, são os quitenhos. É o que torna esse programa no centro histórico revitalizado mais autêntico que a fake gringolândia de La Mariscal, a 2,5 quilômetros, que fica na porção nova e mais urbana da capital.

Explore a linha do Equador em passeios curiosos

Alguns passeios nos arredores de Quito se tornaram clássicos para quem passa mais de dois dias na cidade. O primeiro leva ao lugar que demarca o centro do mundo, a linha imaginária das duas metades da laranja da Terra, que divide-a em Hemisfério Norte e Hemisfério Sul.

A 1h30 do Centro, a latitude zero do planeta é celebrada no monumento La Mitad del Mundo e nos museus kitsch do seu entorno. Ali a brincadeira é observar fenômenos como a água que desce no ralo correndo para lados opostos dependendo do hemisfério em que está. Outro programa famoso aos sábados é a feira indígena de Otavallo, que reúne comerciantes de várias cidades da região.

Revista Viagem e Turismo — Janeiro de 2016 — Edição 243

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