Moqueca capixaba ou baiana? Descubra os sabores e as diferenças

Cada moqueca no seu galho! Encontre as informações para diferenciá-las e para prová-las, tanto no Espírito Santo, quanto na Bahia

Não existe rivalidade na culinária brasileira como a das moquecas. Quer tirar um baiano ou um capixaba do sério? Diga que o guisado do vizinho é melhor que o dele. Derivação, para uns, do tupi pó-kêca (ou “embrulho”, do hábito nativo de enrolar peixes em folhas e assá-los na brasa), e, para outros, de mu’keka, vocábulo da língua africana quimbundo, a receita mostra sua riqueza hereditária na farinha indígena do pirão, na cebola, no alho e no coentro das panelas portuguesas, e no dendê africano, que tomou o lugar do azeite europeu nas cumbucas baianas no século 18 – o leite de coco, asiático, só seria adicionado no século 20. 

A seguir, semelhanças, diferenças e curiosidades das duas delícias. E bons lugares para provar a moqueca perfeita. 

Bahia

Salvador reúne o mais interessante conjunto de restaurantes para se esbaldar com moquecas. Na Praia de Armação, garçonetes de saia rendada e turbante (acima) reforçam o clima típico do Yemanjá, onde a receita mais pedida é a que leva camarão.

Na mesma região, o Bargaço costuma ser muito associado ao prato baiano – prove a versão de badejo e camarão. Na cozinha da chef Tereza Paim, no Rio Vermelho, tradição e inovação se revezam no cardápio. O rol de moquecas do seu Casa de Tereza inclui uma receita que mescla peixe, camarão, polvo e banana-da-terra.

Mulher vestida de baiana, com um grande sorriso no rosto, oferecendo uma panela de barro com uma moqueca Garçonete do restaurante Yemanjá com uma moqueca

Garçonete do restaurante Yemanjá com uma moqueca (Inácio Teixeira/Dedoc Abril)

No quesito criatividade, porém, é difícil superar Beto Pimentel, chef e proprietário do Paraíso Tropical, no Cabula. Em um bairro afastado do circuito turístico (melhor ir de táxi), Pimentel serve ótimas moquecas adicionadas de ingredientes como lascas de coco verde, frutos de dendê, maturi (castanha de caju verde) e biri-biri (fruta cítrica da família da carambola). A calapolvo, com camarão, lagosta e polvo, ainda ganha o reforço de palmito de coqueiro, pitanga e amora.

Fora da capital, no litoral norte, a Vila do Diogo, próxima a Imbassaí (a 88 quilômetros de Salvador), abriga o Sombra da Mangueira, que entrega o que promete sob a árvore frondosa e prepara uma moqueca de camarão com extras inusitados: requeijão e cobertura de queijo.

No sul do estado, Arraial d’Ajuda, famosa vila de Porto Seguro, é sede do Morena Flor. Localizado na badalada Rua do Mucugê, sua moqueca de badejo com camarão pode ser precedida de um bom acarajé.

Espírito Santo

Em Vitória, a grande referência moquequeira é o Pirão, na Praia do Canto. O nome homenageia tanto o acompanhamento famoso quanto o proprietário da casa, Hercílio Alves da Silva – apelidado de Pirão por causa de seu talento na execução da receita. Sua moqueca de badejo ainda se destaca pelo peixe fresco e tempero bem equilibrado. A irmã de Hercílio, Ruth, é responsável por outro ícone da cozinha capixaba, o restaurante São Pedro, fundado em 1952.

Moqueca dentro de um panela de barro, ao lado de outras que servem arroz e molho de camarão. À esquerda, azeite e um potinho com pimenta capixaba Moqueca capixaba de badejo com molho de camarão, do restaurante Pirão

Moqueca capixaba de badejo com molho de camarão, do restaurante Pirão (Valter Monteiro/Dedoc Abril)

Próximo dali, na Enseada do Suá, o Papaguth prepara uma moqueca de camarão médio para dois. A bela vista para a entrada da Baía de Vitória está incluída no preço.

Fora da capital, o melhor polo de moquecas capixabas fica em Guarapari. Ali, as duas referências gastronômicas estão na Avenida Beira-Mar da Praia de Meaípe. No Cantinho do Curuca, a moqueca de dourado com camarão médio tem boa saída e muita fama.

No Gaeta, a mais procurada reúne badejo e camarão VG. Em ambos, versões pequenas de moqueca de banana e torta de coco chegam à mesa como cortesia aos clientes.

Infográfico matéria moquecas Viagem e Turismo 255 Janeiro 2017Clique na imagem para ampliar

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Texto publicado na edição 255 da revista Viagem e Turismo (janeiro/2016)

 

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