10 motivos para visitar Goiás

Cachoeiras, termas, cavernas, gastronomia, festas populares... tudo vale a pena no planalto central do país

1. Esquadrinhar a Chapada dos Veadeiros

Até o apocalíptico ano 2000, várias comunidades esotéricas habitavam a região para esperar o fim do mundo, acreditando na energia especial que, supostamente, emanava da Chapada dos Veadeiros. Só que, como já dizia aquela canção, o mundo não se acabou. Fato é que os caras escolheram um lugar lindo de morrer, à espera do final dos dias.

Em meio ao Cerrado, rios de águas cristalinas serpenteiam pelas montanhas, resultando em um sem-fim de cachoeiras. Alcançá-las, principalmente as mais espetaculosas, exige perseverança e preparo físico. Planejamento, vale dizer desde já, é fundamental para se dar bem por lá. Guias não são obrigatórios, mas, sem eles, se perde o melhor da festa.

Distante 230 quilômetros de Brasília, quase todos chegam ali por Alto Paraíso de Goiás, espécie de capital da chapada, onde estão a maioria das pousadas e dos restaurantes. Impossível não notar as lojas de artigos esotéricos e as construções em forma de pirâmide ou gota, legados da passagem dos místicos pela região. Aliás, muitos dos que ficaram se tornaram guias turísticos cheios de história para contar.

Natureza de Alto Paraíso (Daniel Poletti/Flickr)

O distrito de São Jorge, a 38 quilômetros de Alto Paraíso e porta de entrada para o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, e a cidade de Cavalcante, mais isolada, a 90 quilômetros, completam o circuito.

Quem vai de carro ganha pontos, melhor ainda se a bordo de um 4×4. Para chegar a muitas atrações, dirige-se quilômetros por estradas de chão – caso das Cataratas dos Couros e do Vale do Rio Macaquinho, as melhores atrações mais próximas de Alto Paraíso. Em comum, o grande número de cachoeiras com poço para banho e piscinas naturais ao longo dos rios. Mas, além do acesso de carro, caminha-se bastante dentro do terreno. Quem não quiser andar muito e/ou estiver com crianças, deve rumar para a Cachoeira Loquinhas – a trilha de 2 quilômetros que ladeia o córrego é quase toda feita de passarela de madeira.

Entre as poucas atividades que não envolvem água, figuram o trekking de 16 quilômetros pelo Sertão Zen, em terreno pouco sombreado, mas com vista deslumbrante; e o Voo do Gavião, uma tirolesa de 850 metros, dentro da Pousada Fazenda São Bento. Ou você fecha os olhos e grita ou curte o belo visual frontal das montanhas.

Rancho do Waldomiro (Betina Neves/Dedoc Abril)

Na estrada para São Jorge, duas paradas que valem a pena. O simples Rancho do Waldomiro serve a matula, um prato típico feito com tutu de feijão-mulatinho misturado com linguiça e carne de porco na lata. Mais adiante, surge o Jardim de Maytreia, repleto de buritizais junto à vegetação rasteira e às montanhas ao fundo: um oásis.

Vilarejo com pouco mais de dez ruazinhas de terra, São Jorge esbanja charme com suas casinhas coloridas. Sem contar que fica ao lado da portaria do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. É a atração mais visitada, com três trilhas abertas ao público (a Sete Quedas, uma travessia de dois dias, só opera entre junho e novembro, época de seca). Com dificuldade acentuada, a trilha mais procurada é a que vai para os Saltos do Rio Preto, que, com seus 120 metros, é o cartão-postal mais famoso da região – só não dá para nadar.

Ok, sem problema, o acidentado caminho de 11 quilômetros ainda passa pela Cachoeira do Garimpão, com 80 metros e um belo poço para banho. Com distância um pouco mais longa, porém em terreno mais amistoso, uma trilha leva ao Cânion 2, do Rio Preto, e à Cachoeira das Cariocas. Pergunta óbvia: e o Cânion 1? Está fechado para visitas devido à presença do pato-mergulhão, uma espécie em extinção. Completando o menu de atrativos do parque, a Trilha da Seriema é plana e bem leve, recomendada para crianças e pessoas com dificuldade de locomoção.

Pedras do Vale da Lua localizada próximo á Vila de São Jorge. O nome Vale da Lua vem da aparência que lembraria uma paisagem lunar, com pequenas crateras escavadas pelo atrito da areia levada pela água com as rochas, nas curvas onde as corredeiras são mais fortes, dando origem a pequenos rodamoinhos e funis. (Lucia Horta/Wikimedia Commons)

Quer avistar os Saltos do Rio Preto de outra perspectiva e ainda ver mais duas quedas-d’água? Siga para as cachoeiras do Abismo e da Janela. A trilha é moderada e, mais que as cachoeiras, vale a vista do mirante.

Das poucas atrações que podem ser feitas sem guia, o Vale da Lua honra o nome. A impressão é a de estarmos caminhando em cima de crateras. Mas as piscinas naturais no meio das fendas remetem novamente à Terra.

Depois de um dia de aventuras, vale dar uma passada no Ateliê Preguiça e conferir o artesanato típico do Cerrado. Na parte norte do parque nacional, mas sem nenhuma atração aberta à visitação por lá, Cavalcante é garantia de tranquilidade. Muita estrada de terra há aqui também.

Para chegar à Cachoeira do Prata, por exemplo, são 60 quilômetros. Distância que é esquecida logo ao entrar na primeira da sequência de quatro quedas. Com um cinematográfico poço de água cristalina em tons azuis, a Cachoeira Santa Bárbara é a campeã das selfies.

Distância de Goiânia: Alto Paraíso de Goiás (423 km), São Jorge (460 km), Cavalcante (513 km)

Como chegar: siga pelas BRs 153 e 060 até Brasilia; depois, pela BR-020. Após Planaltina, pegue o trevo que indica São Gabriel e Alto Paraíso. Pouco antes de Alto Paraíso está a estrada para São Jorge. Para Cavalcante, siga pelas GOs 118 e 241

Quando ir: as cachoeiras estão mais volumosas entre outubro e março. Para caminhadas, o melhor é entre abril e setembro, com pouca chuva

2. Banhos termais em Rio Quente e Caldas Novas

Cascatinhas no Ecologic Resort (divulgação/Divulgação)

O maior manancial de água hidrotermal do mundo faz a alegria das famílias que procuram a cidade de Caldas Novas e o complexo Rio Quente Resorts para passar momentos – com o perdão da repetição – quentes. Muito quentes. Capriche no filtro solar, no boné e nos óculos escuros e bora tomar o solzão no Cerrado.

Em Caldas Novas, quase todos os hotéis e condomínios de médio porte para cima têm um parque com piscinas termais. Mas lotados mesmo ficam seus seis parques termais: Water Park, diRoma Acqua Park, Náutico Praia Clube, Club Privé, Ecologic Ville Resort & Spa e Lagoa Termas Park. Este último, aliás, foi o local em que o bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva Filho encontrou a primeira fonte de água quente da região, a Lagoa de Pirapitinga, em 1772. A temperatura da água chega a desumanos 57ºC.

O arborizado Hot Park (Otávio Nogueira/Flickr)

A 27 quilômetros dali, do outro lado do Parque Estadual da Serra de Caldas Novas, está o complexo Rio Quente Resorts, que começou, em 1964, como Pousada do Rio Quente, mas, por causa do gigantismo do projeto, ficou bem melhor com o nome atual. É formado por sete hotéis, entre eles os míticos Pousada e Turismo (com paisagismo de Burle Marx), e dois parques aquáticos: o das Fontes, aberto 24 horas e exclusivo aos hóspedes dos hotéis, e o majestoso Hot Park, com atrações diversas. As principais são a Praia do Cerrado, com areia e ondas artificiais, e o Xpirado, um toboágua com 32 metros de altura e 142 metros de comprimento. A atração não se resume a isso: para chegar até ele, o visitante atravessa uma “vila abandonada” e um túnel envidraçado com piranhas ao redor.

O Parque Estadual da Serra de Caldas Novas serve como antídoto para quem se cansou das águas termais. As trilhas levam até uma cascata (de água fria, importante ressaltar) e a um mirante, de onde você pode ver o Rio Quente Resorts de outra perspectiva.

Distância de Goiânia: Caldas Novas (169 km) e Rio Quente Resorts (174 km)

Como chegar: siga pela BR-352, via Bela Vista de Goiás e Cristianópolis. Três quilômetros depois dessa cidade, entre na GO-139 até desembocar na GO-213. Vire à esquerda se for para Caldas Novas ou à direita se seu destino for o Rio Quente Resorts

Quando ir: o ano todo, mas lembre que os meses de janeiro e julho são muito movimentados devido às férias escolares

3. Caminhar pelas serras, cachoeiras e casario histórico de Pirenópolis

A Matriz de Nossa Senhora do Rosário (Victor Camilo/Flickr)

A combinação entre casario colonial e montanhas ao redor sempre provoca um misto de encantamento e afeição na mente do brasileiro. Destinos como a fluminense Paraty e a mineira Tiradentes são bons exemplos. A representante goiana na lista é Pirenópolis, que, inclusive, tem seu nome atrelado aos Pireneus, cadeia de montanhas entre a Espanha e a França, herança dos ibéricos que imigraram para a região.

Em 1989, seu harmônico casario foi declarado Patrimônio Arquitetônico, Urbanístico, Paisagístico e Histórico, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). E, se você tem as palavras tranquilidade e relaxamento em mente, fuja da temporada de férias e dos fins de semana – Pirenópolis fica relativamente próxima a Goiânia, Anápolis e Brasília, que despejam milhares de turistas ali.

No alto da cidade, a Matriz de Nossa Senhora do Rosário dá as boas-vindas. Mais antiga igreja de Goiás, foi reduzida a cinzas em um incêndio em 2002, e alguns altares ainda estão vazios. Externamente, é fotografia na certa. A matriz fica no cruzamento em que tudo acontece no centrinho: a colorida Rua do Rosário, também chamada Rua do Lazer, é repleta de restaurantes, que colocam suas mesas no meio da via nos fins de semana. Já a charmosinha Rua do Bonfim tem lojinhas de artesanato, doces e roupas. Caminhar por entre as coloridas construções, apreciando a Serra dos Pireneus ao fundo, é reconfortante.

A Cachoeira do Abade (Os Rúpias/Flickr)

Feito o contato inicial, você já pode chamar a cidade de “Piri” e sair para explorar o seu rico entorno. Apenas uma atração está aberta a visitantes no Parque Estadual da Serra dos Pireneus. Mas ela é bem completa, passando pelo Mirante do Ventilador, com 1 150 metros, pelas cachoeiras da Garganta e do Coqueiro, culminando no Pico dos Pireneus, a 1 385 metros. No retorno do pico, ainda é possível curtir algumas piscinas naturais. Como o parque está a 20 quilômetros da cidade, 11 deles de terra, o passeio é bem intenso.

Mais próximo do Centro, a apenas 6 quilômetros, o Santuário de Vida Silvestre Vagafogo chama a atenção pelo pomposo nome. Fica dentro de uma reserva ecológica particular cheia de exemplares da flora do Cerrado que podem ser vistos em uma trilha tranquila, com piscinas naturais no caminho. Quem prefere atividades mais radicais pode encarar um circuito com tirolesa, arvorismo e rapel.

As melhores cachoeiras ficam distantes, em média, 15 quilômetros de “Piri”. Todas com acesso por estrada de chão. Para curtir as oito cachoeiras da Várzea do Lobo, é cobrado um pequeno preço, além da entrada: uma caminhada de quatro horas em meio à vegetação. Sem tanto sofrimento, chega-se facilmente à Cachoeira do Abade, com poço natural e prainha.

Mascarados de Pirenópolis

“Cristãos” e “mouros”prontos para a Cavalhada (Mauro Cruz/Wikimedia Commons)

História com gastronomia é o mote para visitar a Fazenda Babilônia, um dos maiores engenhos de açúcar que funcionou no Centro-Oeste. Assim como ocorre nas antigas fazendas do Vale do Café, no Rio de Janeiro, o tour começa com uma explanação contextualizando a economia goiana dos séculos 18 e 19, seguida de uma volta pelo interior da casa-sede e dos ambientes externos. Ao final, é servido um vigoroso café sertanejo com cerca de 40 receitas da época – fazem muito sucesso o biscoito de queijo na folha de bananeira e a carne de porco na banha. Nem pense em outra refeição nesse dia.

Festas do Divino Espírito Santo existem em várias partes do país, mas nenhuma se compara com a de Pirenópolis. O evento acontece 50 dias após a Páscoa e dura 12 dias, mobilizando toda a cidade. Tem procissões urbanas e rurais levando a bandeira do Divino, novenas, peça das Pastorinhas encenando o nascimento de Jesus, mascarados a cavalo assustando pedestres, queima de fogos… Mas o ápice ocorre na Cavalhada, uma batalha equestre entre “cristãos” e “mouros”, que duelam por três dias no Campo das Cavalhadas. Para quem não pode presenciar o festejo, sua história é contada no Museu das Cavalhadas.

No segmento dos museus, e bem combinado com a história, o Rodas do Tempo exibe uma coleção de 140 veículos em duas rodas, que mostra asua evolução ao longo dos anos, parando na década de 1980. Aficionados por Harley-Davidson e Indian encontram três modelos de cada uma. Scooters e bicicletas – algumas motorizadas – completam o acervo.

Distância de Goiânia: 129 km

Como chegar: pegue a duplicada BR-153 até Anápolis, seguindo pela Belém-Brasília até o trevo da cidade. Em 40 km, você chegará a “Piri”

Quando ir: entre maio e julho, quando há mais água nas cachoeiras. Geralmente, a Festa do Divino Espírito Santo acontece em maio

4. Pescar no Araguaia

Rio Araguaia, Goiás

Fora a época de piracema, entre outubro e janeiro a pesca é livre (Silvio Quirino/ Goias Turismo/Divulgação)

Quem visita o Rio Araguaia entre outubro e janeiro vê um curso d’água volumoso e pouca gente – apenas os ribeirinhos que têm no rio sua forma de subsistência. É a época da piracema, em que os peixes sobem o rio para se reproduzir. A pesca não é proibida, mas, como é limitada a 3 quilos, que devem ser consumidos imediatamente, fica restrita aos ribeirinhos.

Fevereiro chega trazendo de volta os turistas que querem aproveitar esse rio que nasce próximo ao Parque Nacional das Emas e deságua 2 600 quilômetros depois do Rio Tocantins, na tríplice fronteira entre Pará, Maranhão e Tocantins. Em Goiás, os dois lugares mais estruturados para receber os visitantes são Aruanã e Luís Alves.

Os pescadores são os primeiros a dar as caras logo quando as águas começam a baixar. A variedade é impressionante: piranha de vários tipos, pintado, pacu, corvina e pirarucu são algumas das mais de 30 espécies que desfilam pelo Araguaia, garantindo as histórias dos pescadores que encostam os barcos perto dos barrancos bem cedinho, abrem sua cervejinha e só vão embora na hora do (belíssimo) pôr do sol. Lembrando que é preciso tirar uma licença de pescador amador, com validade de um ano, no site do Sistema Nacional de Informações da Pesca e Agricultura.

Nos meses mais fortes de seca, entre junho e setembro, formam-se verdadeiros bancos de areia no Araguaia, com famílias de tudo quanto é canto invadindo a praia dos pescadores. Além das pousadas, acampamentos são montados nas praias de água doce. A maioria é de palha mesmo, mas já existem habitações de lona, em que as barracas possuem ar-condicionado e guarda-roupa. O Araguaia se transforma, assim, numa enorme colônia de férias, com vôlei de praia, jet-ski, banana boat e muitas outras atividades.

Distância de Goiânia: Aruanã (314 km) e Luís Alves (519 km)

Como chegar: deixe Goiânia pela GO-070 até Goiás, prosseguindo a partir daí pela GO-164. Em Araguapaz, os caminhos se dividem. Quem segue para Aruanã deve virar à esquerda, no trevo. Quem tem Luís Alves como destino, prossiga pela GO-164 até São Miguel do Araguaia e pegue a estrada que leva ao vilarejo

Quando ir: entre abril e julho, para quem for pescar, e durante a estiagem, entre junho e setembro, para se esbaldar nas praias

5. Comer receitas regionais em Goiânia

Fogão a lenha do Restaurante Chão Nativo I

Fogão a lenha do Restaurante Chão Nativo I (Divulgação/Divulgação)

Pegue um tanto da culinária mineira, junto com outro bocado da cozinha tropeira e acrescente ingredientes do Cerrado. Dessa mistura surge a culinária goiana. Em todos os cantos do estado pode-se provar as vigorosas receitas, mas, como a maioria dos restaurantes regionais da capital funciona no sistema self-service, Goiânia é o melhor lugar para se esbaldar nos pratos típicos – e, de quebra, ganhar alguns quilos. Entre as casas que trabalham no sistema de bufê estão a Chão Nativo Bueno, a Chão Nativo I e a Cabeça de Mel.

Fruto natural do Cerrado, o amarelado pequi está presente em várias receitas. Profundamente aromático, ele jamais deve ser cortado ou mordido inteiro – é pronto-socorro certo para tirar os espinhos do caroço da língua. Quando não vier em lâminas, deve ser roído até começar a endurecer. O pequi está presente fazendo companhia ao arroz, na galinhada e também no licor.

Galinhada, do restaurante Fogão Caipira (Romero Cruz/Dedoc Abril)

Espécie de palmito bem amargo, a guabiroba conquista a medalha de prata no coração dos goianos. Sua presença mais marcante está no empadão goiano, feito com frango desfiado, linguiça, ovo cozido e – de novo ele – o pequi.

Antigamente, conta-se, as prostitutas pobres se alimentavam de arroz e dos restos que os clientes deixavam. Até uma cafetina francesa revolucionar a receita, colocando açafrão, costelinha defumada, linguiça, frango, milho e legumes. Surgiu aí o arroz de puta rica. Finalizando o capítulo arroz, há ainda a receita com a espinha dorsal do porco conhecida como arroz de suã.

Um estado tão majestoso em rios não poderia deixar de oferecer um peixinho na telha. Geralmente, os restaurantes goianos servem surubim.

Pamonha do Restaurante Frutos da Terra

Pamonha do Frutos da Terra, no setor Coimbra (Romero Cruz/Dedoc Abril)

Se você acha que pamonha famosa é a de Piracicaba, dez minutos em Goiânia mudarão o seu conceito. Praticamente, há em cada esquina uma pamonharia.

Com duas lojas na cidade e outras espalhadas pelo estado, Brasília e Minas Gerais, a sorveteria Frutos do Brasil honra o nome. Mais próximos do universo goiano, vendem picolés de pequi, cagaita, baru e guabiroba, entre outros sabores locais.

Quando ir: o ano todo

6. Voltar ao passado com a poesia de Cora Coralina e o Casario de Goiás

Praça do Coreto, Goiás Velho

Praça do Coreto no centro histórico. (Fellipe Abreu/Dedoc Abril)

Você não precisa de um adjetivo para diferenciar o estado e a cidade de São Paulo, correto? O mesmo acontece com o Rio de Janeiro, certo? Então, nada de “Goiás Velho” – muitos torcem o nariz para o termo, e você pode ganhar um inimigo novo. Simplesmente, Goiás. No máximo, cidade de Goiás.

Após o pequeno mas necessário aviso, prepare-se para explorar a, literalmente, mais doce cidade histórica do país, tombada como Patrimônio Histórico e Cultural Mundial, pela Unesco, situada aos pés da Serra Dourada e com um vale bem verde no outro extremo. Fruto de uma cultura passada de geração a geração desde o século 18, doceiras são encontradas em cada canto de Goiás. Com uma particularidade interessante: não existem grandes lojas vendendo as gostosuras, e cada doceira prepara uma determinada guloseima diretamente em sua casa.

É o caso de Dona Augusta, que faz seu caprichado pastelinho (ou pastelim) na Rua Eugênio Jardim, 23. O quitute é recheado com doce de leite e canela antes de ir ao forno. Outro doce tradicional, a rosa de coco, é especialidade de Dona Divina, na Travessa do Carmo, 2. Como o nome sugere, são lascas da fruta esculpidas no formato da flor.

Cozinha da casa da doceira e poetisa Cora Coralina. (Franco Hoffchneider/Dedoc Abril)

O que falar de uma cidadã ilustre que foi mestra no tacho de cobre e na caneta de pena? Pelo nome, Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, você provavelmente não fará ideia de quem seja. Mas, revelado o pseudônimo Cora Coralina, todos reverenciam a poetisa que tão bem versou sobre sua terra natal. “Goiás, minha cidade, eu sou aquela amorosa de tuas ruas estreitas, curtas, indecisas.”

Às margens do Rio Vermelho, ao lado de uma ponte, a casa em que Cora Coralina viveu se transformou em um museu, onde estão expostos seus livros e suas cartas manuscritas, além dos tachos de cobre na cozinha. Seu quarto foi mantido exatamente como era.

A casa da escritora pode ser um bom ponto de partida para um giro pelo centrinho histórico. A pé, de preferência. As ruas são bem estreitas com calçamento de pedras, não há grandes aclives e o miolo não é muito grande. Do outro lado da ponte, a Cruz de Anhanguera serve de porta de entrada para o núcleo mais importante do Centro, com as construções mais relevantes. Cinco minutos de caminhada e estamos em uma típica praça do interior, com coreto e uma sorveteria que vende picolé de frutas do Cerrado.

Ruas de pedra de Goiás

Ruas de pedra e casario colonial da cidade (Adelano Lazaro/Wikimedia Commons)

Lá fica o Palácio Conde dos Arcos, que foi sede do governo estadual até a transferência para Goiânia, em 1937. Porém, todo ano, entre 24 e 27 de julho, o governador despacha no palácio e Goiás volta a ser, simbolicamente, a capital. Visita interna? Sim, com tudo aquilo que um museu histórico tem: mobília e louça do século 18, documentos e fotografias.

Próxima parada: Praça Brasil Caiado, a maior da cidade, endereço do Quartel do 20, um batalhão do Exército que lutou na Guerra do Paraguai, e do Museu das Bandeiras, instalado na antiga cadeia, que conta a história da chegada dos bandeirantes àquelas bandas.

A Igreja de São Francisco de Paula (Janine Moraes/Ministério da Cultura/Flickr)

Uma forma diferente de percorrer os caminhos do centro histórico é estar na cidade à meia-noite da quinta-feira da Semana Santa. Nesse momento, as luzes das ruas são apagadas e 40 homens encapuzados acendem suas tochas, dando início à Procissão do Fogaréu. Representando soldados romanos, eles saem à captura de Jesus Cristo, ao som dos tambores e um coro cantando em latim. O povo vai atrás, levando tochas menores. A encenação termina uma hora depois, ao som dos clarins, na Igreja de São Francisco de Paula, que representa o Jardim das Oliveiras.

Realizado, desde 1999, no fim de junho, o Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental junta cinéfilos com entusiastas da natureza na cidade. Na programação deste ano, foram oito mostras, com 25 filmes na competição oficial.

Ao contrário de outros destinos goianos com muita natureza ao redor, não há nenhuma cachoeira digna de registro. O único passeio natural mais relevante é pelo Parque Estadual da Serra Dourada. Ainda assim, aportaria fica em Mossâmedes, a 44 quilômetros de Goiás, sendo os 4 últimos de terra, recomendados apenas para veículos 4×4. Com a ajuda de um guia, que deve ser contratado em Goiás, percorre-se uma trilha até a Cidade de Pedras e um mirante com vista da região.

Distância de Goiânia: 142 km

Como chegar: não tem segredo, basta pegar a GO-070, que, em pouco mais de duas horas, você chega lá

Quando ir: o ano todo, mas quem passa a Semana Santa por ali pode assistir à Procissão do Fogaréu

7. Professor a fé Católica em Trindade e espírita em Abadiânia

Basílica de Trindade

Basílica de Trindade (Adelano Lazaro/Arquivo pessoal)

Viajantes desembestam para conhecer Goiás não só à procura de belezas naturais, águas quentes e charmosas cidades históricas. O turismo religioso também atrai uma multidão ao estado, representado na romeira cidade de Trindade, coladinha a Goiânia, e na figura do médium João de Deus, que atende em Abadiânia, vizinha a Anápolis.

Semelhante à história de Aparecida do Norte, a de Trindade começa quando, em 1843, um casal de garimpeiros encontrou um medalhão com a imagem do Divino Pai Eterno dentro do Córrego do Barro Preto. Daí, já é possível imaginar o que veio pela frente. Foi erguida uma igreja matriz/santuário, que passou a receber um número cada vez maior de romeiros, obrigando a construção de um santuário bem maior, visto dos quatro cantos da cidade. Em 2006, o templo ainda foi agraciado com o título de Basílica Menor.

Centro espírita Casa Dom Inácio de Loyola, do médium João de Deus.

Centro espírita Casa Dom Inácio de Loyola, do médium João de Deus. (Mario Rodrigues/Dedoc Abril)

Muitos romeiros percorrem a pé os 27 quilômetros que separam Goiânia da Trindade – na rodovia, sete estações representam a via-sacra. No primeiro domingo de julho, a Festa do Divino Pai Eterno atrai uma multidão para acidade (na verdade, as celebrações têm início nove dias antes) – em 2016, foram 2,7 milhões de visitantes).

João de Deus não pode ser considerado um sucessor de Chico Xavier, mesmo porque começou a atender em Abadiânia em 1976. Mas é inegável que ganhou maior destaque após a morte do amigo. Hoje, entre quarta e sexta-feira, dias em que João de Deus atende na Casa de Dom Inácio de Loyola, Abadiânia vira o maior polo espírita do país – são quase mil pessoas trajando branco que encontram o médium para buscar conforto pela perda de alguém querido ou a cura de enfermidades.

Distância de Goiânia: Trindade (27 km) e Abadiânia (93 km)

Como chegar: a duplicada GO-060 liga Goiânia a Trindade – nesse trecho, é chamada de Rodovia dos Romeiros. Abadiânia é cortada pela BR-060, entre Anápolis e Brasília, também em caminho todo duplicado

Quando ir: o ano todo

8. Explorar as cavernas do Parque Estadual de Terra Ronca

Espeleólogo na Caverna Terra Ronca. (Caio Ribeiro/Wikimedia Commons)

Explorar as cavernas do Parque Estadual de Terra Ronca, na divisa com a Bahia, é para fortes. Tanto pela dificuldade de se locomover pelas cavernas (guias são essenciais) como pela precariedade de acesso e estrutura. Uma estradinha de terra de 58 quilômetros liga Guarani de Goiás a São João Evangelista, o povoado mais próximo, lá onde celular não pega, caixas eletrônicos inexistem e postos de combustível ninguém sabe, ninguém viu. Mas é um paraíso para quem curte cavernas: estima-se que existam cerca de 300 delas, sendo 49 catalogadas e 17 abertas para a visitação.

Ao lado da estrada e com uma enorme boca de 96 metros, a caverna que dá nome ao parque é a única em que crianças não sofrerão – ao menos até o primeiro salão, totalmente plano e onde existe um altar. Lá, no dia 6 de agosto, ocorre a Festa de Bom Jesus da Lapa. Daí para a frente, é atravessar rios com água na cintura e apoiar-se em cordas para vencer os desníveis até chegar ao Salão dos Namorados, o quarto maior do mundo.

Para se emocionar com os espeleotemas da Caverna São Mateus, é preciso se cansar um bocado. Primeiro, nos 5 quilômetros de trilha em mata fechada, seguidos de um desnível de 200 metros até a entrada da caverna, uma fenda estreita. Rios estão no caminho dos diversos salões – consta que a gruta tenha 24 quilômetros, no total.

Sem grandes percalços para alcançá-la e com uma prainha na entrada para quem não quer explorá-la, a Caverna Angélica é mais light, porém extensa. São 14 quilômetros, passando por dez salões ricos em formações. Aqui não há rios para atravessar, substituídos por algumas passagens mais estreitas.

Anjos da guarda na região são as pousadas São Mateus e Estação Lunar, que, além de acomodar os visitantes, ajudam na contratação de guias.

Distância de Goiânia: 618 km

Como chegar: pegue as BRs 153 e 060 até Brasília, continuando pela BR-020 até Posse. Siga para Guarani de Goiás por 37 km asfaltados. Até São João Evangelista, restam 58 km de terra.

Quando ir: na época da seca, entre abril e setembro

9. Tomar banho de cachoeira em Caiapônia

Cachoeira São Domingos, (Reynaldostein/Wikimedia Commons)

O Morro do Gigante Adormecido dá boas-vindas a quem chega à pequena Caiapônia, incrustada no sudoeste goiano. Quem caiu de paraquedas no local pensará que a elevação é o grande atrativo da cidade – é possível chegar ao topo e curtir a vista após dirigir por 27 quilômetros e caminhar por mais 4. Mas quem comanda mesmo o turismo na região são as cachoeiras, distribuídas pelos quatro cantos da antiga terra dos índios caiapós. Dizem que o número delas pode chegar a mais de 100, graças à grande quantidade de rios que cortam Caiapônia.

No alto do pódio no quesito altura e plasticidade está a Cachoeira de São Domingos, com portentosos 96 metros – na verdade, a queda fica na vizinha Piranhas, mas o acesso mais tranquilo é por Caiapônia. A chegada é pelo alto, exibindo toda sua exuberância. Quer vê-la a partir da base? Prepare-se para enfrentar uma íngreme e escorregadia trilha ao longo de uma hora e 20 minutos.

Uma das mais de 100 quedas locais (Silvio Quirino/Goiás Turismo/Wikimedia Commons)

Distantes 500 metros uma da outra, as cachoeiras Abóbora e Samambaia têm cerca de 35 metros, mas muito volume d’água. Além do poço para banho, são muito procuradas para a prática de cascading. Para as famílias, a melhor opção é a Cachoeira do Sereno. Não é alta, mas está a apenas 2 quilômetros do Centro e tem uma providencial prainha com areia. Outra que ganha pontos para quem viaja em família é a Cachoeira da Jalapa: fica relativamente próxima ao Centro – 18 quilômetros -, tem queda com vários degraus, bom poço para banho e, o melhor, a temperatura da água é amais quente da região.

A tranquilidade de Caiapônia só é quebrada uma vez, durante o Carnaval, quando sedia um dos festejos mais animados de Goiás, com direito aos blocos do Zé e da Maria Pereira, em que os homens se fantasiam de mulheres e vice-versa.

Distância de Goiânia: 346 km

Como chegar: deixe Goiânia pela GO-060, seguindo até Iporá. Depois, siga pela GO-221 para os derradeiros 100 km, via Palestina de Goiás

Quando ir: o ano todo

10. Pegar praia em três Ranchos

Casa à beira da Represa Emborcação (Goiasturismo/Flickr)

O banho nas salgadas águas do mar está bem distante do goiano. Por vias terrestres, na melhor das hipóteses, são 750 quilômetros até alcançar o Oceano Atlântico. Entretanto, Goiás é um estado bem servido de água doce, e represas são uma boa oportunidade para dar uma refrescada.

Na divisa com Minas Gerais, barragens foram construídas no leito do Rio Paranaíba. Com pouco menos de 3 mil habitantes, Três Ranchos está às margens da Represa Emborcação, em um trecho conhecido como Lagoa Azul.

A quantidade de água determina o sucesso da temporada: com a capacidade lá embaixo, pouca gente se atreve a dar as caras; se estiver cheia, a invasão é iminente, especialmente nas férias de janeiro e julho e durante o Carnaval, quando a cidade sedia um festival de motocross. Gente proveniente de todos os lados ocupa as poucas pousadas e aluga casas. Ou se hospeda em Catalão, a 32 quilômetros, e se desloca diariamente para Três Ranchos.

Diversão com hits sertanejos na represa (goias turismo/Flickr)

Nas praias artificiais, famílias e grupos de amigos lagarteiam na areia. Dentro do Lago Azul, lanchas, jet-skis e catamarãs deslizam pela água como se fosse uma procissão. Invariavelmente ao ritmo dos hits sertanejos da época.

Para ter a melhor panorâmica da Represa Emborcação, vale subir até o Mirante do Cristo, local bem disputado principalmente nos fins de tarde ensolarados.

Distância de Goiânia: 292 km

Como chegar: siga pela BR-352 até Pires do Rio. De lá, continue pela GO-330, passe por Catalão até chegar a Três Ranchos

Quando ir: entre janeiro e março, época em que a represa pode estar mais cheia

Publicado na edição 262 da Revista Viagem e Turismo

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