“Bolha de viagem” é tendência para a retomada do turismo

A abertura seletiva das fronteiras entre países vizinhos criaria uma zona de visita segura para viajantes e ajudaria a retomar a economia no curto prazo

Com a pandemia do coronavírus, centenas de países fecharam suas fronteiras internacionais em uma tentativa de conter a disseminação da doença – e abri-las amplamente não parece estar perto de acontecer. Enquanto isso não é viável, o conceito de “bolha de viagens” ganha força, principalmente em alguns países da Europa e também entre Austrália e Nova Zelândia

Ao abrir suas fronteiras para um número restrito de países, as nações criariam zonas seguras para a prática do turismo entre os envolvidos, as chamadas “bolhas de viagens”. Isso porque o controle sanitário e alfandegário entre nações vizinhas pode ser algo muito mais viável de ser implementado e gerido. Até que uma vacina exista, especialistas acreditam que esse modelo seria a única alternativa para que viagens internacionais aconteçam no futuro próximo. 

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A bolha Austrália e Nova Zelândia

Na Oceania, Austrália e Nova Zelândia estão em fase de conversas. Donos de uma relação bem próxima, os países estão negociando a abertura das fronteiras, especialmente por razões econômicas. O mercado do turismo de cada um depende fortemente do outro: a Nova Zelândia é a segunda maior fonte de visitantes da Austrália, enquanto os australianos são os viajantes número um do país vizinho. 

Ambas nações mostraram uma política bem-sucedida de controle do coronavírus, com a adoção de medidas rigorosas logo cedo. Atualmente, a Austrália registra 97 mortes e a Nova Zelândia 21 por Covid-19 e ambas já estão aplicando estratégias graduais para colocar fim ao isolamento.

No entanto, não há nenhuma previsão oficial de quando as fronteiras seriam reabertas para a “bolha”, especula-se que seja a partir de agosto. “Uma coisa que não estou disposta a fazer é colocar em risco a Nova Zelândia, abrindo cedo demais nossas fronteiras, até para a Austrália”, afirmou Jacinda Ardern, primeira-ministra neozelandesa.

Atualmente, os dois países ainda mantêm restrições de voos domésticos e todos que chegam do exterior precisam fazer uma quarentena de 14 dias – na Austrália, até deslocamentos entre certos estados exigem o auto-isolamento. Dessa forma, talvez seja preciso primeiro restabelecer as viagens nacionais (por questões de segurança, especialistas acreditam que os turistas começariam a viajar internamente), antes de pensar nas internacionais.

Mas para que o turismo possa voltar a acontecer, uma série de normas de segurança e logística precisa ser pensada, especialmente nos aeroportos e aviões, como testes rápidos para Covid-19 e medições de temperatura. Caso o plano, se posto em prática, for bem-sucedido, outros países poderão integrar esta “bolha” futuramente – e o resto do mundo pode adotar o projeto como modelo para outras “bolhas”.

Bolha na Europa

Entre os países bálticos, o conceito já é uma realidade. Letônia, Lituânia e Estônia abrirão suas fronteiras umas às outras a partir de 15 de maio – as primeiras nações da União Europeia a permitir a entrada de estrangeiros em seus territórios. Segundo o governo da Lituânia, o acordo pôde ser feito entre os três países já que eles “confiam nos seus sistemas de saúde”. 

Com a convicção de que controlaram a propagação do vírus, cidadãos dos três países poderão viajar livremente. “É um grande passo em direção à vida normal”, escreveu o primeiro-ministro da Estônia, Juri Ratas, no Twitter. Já quem vier de fora da “bolha” precisará ficar isolado por 14 dias.

De maneira geral, a abertura seletiva de fronteiras pode ser a única saída para retomar o turismo internacional – já que abrir amplamente a entrada para todas as nações não é possível diante do cenário que estamos agora. É provável que ideias de outras “bolhas” surjam pelo mundo. Mas, mesmo com grandes interesses econômicos por trás, a questão é criá-las no tempo certo, com países que estão prontos para isso, tendo a segurança e saúde como prioridades. Agir com cautela é essencial para tentar evitar ao máximo novas ondas de contaminações.

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