Tudo que você precisa saber para viajar de avião com pets [ATUALIZADO 2025]

Passagem, documentação, dicas de preparo e outras informações para considerar antes de embarcar nessa

Por Da Redação
Atualizado em 28 fev 2025, 10h36 - Publicado em 28 jul 2021, 16h13
Cachorro
São permitidos apenas o transporte de gato e cachorros. E o que define se ele vai na cabine ou no porão são as medidas da caixa e o peso do animal. Crédito: (PETZ/Reprodução)
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A decisão de levar o seu animal de estimação com você em uma viagem nem sempre é a mais sábia, mas vem se tornando cada vez mais comum com o aumento no número de hotéis e restaurantes pet-friendly. O deslocamento, por outro lado, continua sendo um entrave, especialmente no caso de viagens de avião. As companhias já reconhecem que alguns cães e gatos são como verdadeiros membros da família, mas ainda impõem uma série de requisitos a serem cumpridos – por questão de segurança e conforto dos demais passageiros.

Depois da morte do cão Joca em um voo da Gol em abril de 2024, o Governo Federal lançou o Plano de Transporte Aéreo de Animais (Pata), que propõe assistência veterinária em aeroportos, monitoramento em tempo real do animais, disponibilização de equipes para acompanhar os pets nos voos e criação de um canal de comunicação direta com o tutor. A adesão às normas, no entanto, não é obrigatória e as regras servem mais como recomendação.

O resultado é que cada aérea continua com suas próprias regras. Daí nascem as dúvidas. As viagens de avião são seguras para os animais? Quais documentos devo providenciar? O pet vai no bagageiro ou na cabine junto com o seu dono? Essas perguntas foram respondidas durante um episódio do podcast “Bichos na Escuta”, que teve a participação da consultora veterinária Rita Ericson e do especialista em manutenção de aeronaves Lito Souza, além da repórter Giuliana Girardi no comando. Confira as dicas a seguir:

ANIMAIS DE SERVIÇO

É possível viajar com cães-guia sem custo adicional na cabine, abaixo do assento, mas os bichos precisam seguir algumas regras.

A Gol permite embarques gratuitos de cães-guia e cães-ouvintes, desde que sejam apresentadas carteira de identificação com nome e foto do tutor e do cão, além do nome do centro de treinamento e CNPJ da instituição; plaqueta de identificação no pescoço do animal com os mesmos dados, exceto a foto; e carteira de vacinação atualizada com as vacinas múltipla e antirrábica e comprovação de tratamento anti-helmíntico. É preciso solicitar o serviço por telefone no mínimo 48h antes do voo.

A Latam pede atestado de saúde do animal, carteira de vacinação antirrábica atualizada e certificado oficial de treinamento com nome do cão e do treinador ou tutor. Caso o dono prefira, o animal pode viajar gratuitamente no bagageiro, desde que cumpra os requisitos da caixa de transporte (leia abaixo). Cães e gatos de apoio emocional também podem ser transportados sem custo adicional se o tutor apresentar atestado de saúde e carteira de vacinação do pet junto com um formulário médico que justifique a necessidade da companhia do bicho. O serviço deve ser solicitado com ao menos 48 horas de antecedência pelo telefone.

Os documentos exigidos pela Azul são carteira de vacinação atualizada com as vacinas múltipla e antirrábica, que deve ter sido aplicada há mais de 30 dias e menos de um ano; carteira de identificação com nome e foto do tutor e do cão, além de nome e CNPJ do centro de treinamento do animal; e plaqueta de identificação, que deve ser colocada no pescoço do pet, com as mesmas informações, exceto a foto. Para solicitar, é preciso selecionar a opção “Assistência Especial” no momento da compra da passagem.

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ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO

Passagem

O dono deve comprar a sua própria passagem e na sequência ligar para a companhia em questão para reservar também o lugar do seu pet. É importante fazer isso com antecedência porque a disponibilidade é limitada. A taxa cobrada varia de acordo com a aérea.

A Gol transporta até oito animais por voo, sendo que eles devem ter no mínimo seis meses de idade. O transporte de animais no porão está suspenso desde a morte do cão Joca em abril de 2024, mas a companhia continua transportando pets de até 10kg na cabine – o peso é sempre a soma do pet + a caixa de transporte – por valores que variam entre R$ 250 nas viagens nacionais e R$ 650 nas internacionais. O serviço não está disponível para voos com origem ou destino aos Estados Unidos, Aruba, Cancún e Caracas.

A Latam não tem limite de peso para viagens na cabine, os animais devem conseguir ficar de pé e se movimentarem livremente dentro da caixa com 5 cm de folga da cabeça até o teto do kennel. No bagageiro, os pets podem ter até 45kg, exceto em voos de, para ou via Europa, Argentina ou Venezuela, nos quais o peso máximo é de 32 kg. Os preços ficam em torno de R$ 200 a R$ 900 nas rotas domésticas e de US$ 50 a US$ 300 nas com destino ao exterior. 

A Azul, por fim, só faz o transporte de pets dentro da cabine –  são três por voo nacional e 5 por voo internacional. A idade mínima é 10 meses e o peso máximo, 10 kg. Custa R$ 300 o trecho para viagens na América do Sul e até R$ 1,575 para quem embarca rumo à Europa. O serviço não é oferecido em viagens do Brasil para os Estados Unidos.

Em todos os casos, é importante saber que só podem viajar de avião gatos e cachorros, sendo que algumas raças são proibidas. Os cães que são popularmente conhecidos pelos seus focinhos achatados – como pugs, bulldogs e boston terriers – não são aceitos pelas companhias aéreas, assim como os gatos do tipo burmês, exótico, himalaio e persa.

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A consultora veterinária Rita Ericson explica que estes animais, que já não respiram bem quando estão no solo, podem até asfixiar quando são colocados dentro do avião, onde há pressurização e menor concentração de oxigênio. 

Documentação 

Em voos nacionais, as companhias aéreas exigem os seguintes documentos: 

  • Certificado de vacinação antirrábica para animais com mais de 3 meses de idade, aplicada de 30 dias a um ano antes da data do embarque
  • Atestado de saúde do animal comprovando que ele está apto a realizar a viagem, emitido por um médico veterinário no máximo 10 dias antes do voo

Em voos ao exterior, o passageiro pode ter que apresentar ainda outros documentos, como o Certificado Zoossanitário internacional (CVI), expedido pela Vigilância Agropecuária Internacional do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

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A documentação também está condicionada à companhia escolhida e ao país de destino, que pode considerar perigosas algumas raças de cachorro. O fila brasileiro, por exemplo, não pode ser criado no Reino Unido. 

Cabine ou porão?

Segundo o especialista em manutenção de aeronaves Lito Souza, é sempre preferível que o animal fique junto com o seu dono na cabine, onde ele certamente se sentirá menos estressado. Porém, nem sempre é possível fazer essa escolha. Além do peso, o que vai determinar onde o cão ou gato viajará é a dimensão do kennel onde ele está sendo transportado.

A Gol transporta animais somente na cabine: os pets devem ser acomodados em caixas rígidas (dimensões máximas de 22cm de altura x 32cm de largura x 43cm de comprimento) ou em bolsas flexíveis (24cm x 32xm x 43cm), sendo que o peso somado não deve ultrapassar os 10kg.

Na Latam, as dimensões máximas para transporte na cabine são de 19cm x 33cm x 36cm para caixas rígidas e 25cm x 28cm x 40cm para bolsas flexíveis. No bagageiro, o tamanho da caixa aumenta para até 115cm de altura e 300cm lineares (soma da altura, largura e comprimento) e ela obrigatoriamente deve ter dois recipientes na porta para água e comida.

A Azul, por fim, só transporta animais na cabine. Eles devem estar acomodados em caixas ou bolsas com peso máximo de 10kg e dimensões de até 20cm x 31,5cm x 43cm.

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Preparo

Para tornar a experiência mais tranquila para o pet, independente de onde ele viajará, a consultora veterinária Rita Ericson aconselha os donos a fazerem com que o cão ou gato se acostume com a caixa onde ele será transportado – um processo que deve começar ao menos 15 dias antes da data do embarque.

No dia da viagem em si, é importante forrar a caixinha com tapete higiênico. Mesmo os animais acostumados a fazerem suas necessidades sempre no mesmo lugar podem acabar deixando escapar xixi ou cocô devido ao estresse. A alimentação neste dia deve ser leve e é importante hidratar o animal duas horas antes do embarque.

Rita também alerta que as companhias aéreas proíbem que sejam administrados calmantes e tranquilizantes, que podem causar efeitos colaterais nos bichos. Ela alerta que os antidepressivos e os ansiolíticos podem até ser uma alternativa, mas devem ser avaliados junto com um veterinário, que levará em conta a saúde do pet e pesará os prós e contras. “Não é uma receita de bolo, precisa estudar o animal”, ressalta.  

Embarque e desembarque

Os cães e gatos menorzinhos fazem todo o percurso dentro do aeroporto junto com os seus donos, como se fossem parte da bagagem de mão. A diferença é que eles não passam pelo raio-X: ao invés disso, é feita uma inspeção do kennel no momento do check-in. Os pets não podem ser retirados de suas bolsas ou caixinhas em nenhuma circunstância e, dentro do avião, eles devem ser acomodados abaixo do assento.

Já os animais de grande porte, que serão transportados no porão do avião, devem ser admitidos no check-in. Eles também não passam pelo raio-X e nem são levados até a aeronave pela esteira de bagagens. Um funcionário da companhia aérea será designado para fazer a inspeção do kennel e levá-lo até uma parte específica do aeroporto, onde o bicho será mantido até o momento do embarque. Para poupá-los do barulho, os animais são os últimos a entrar no compartimento de carga.

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Eles viajam na parte da frente de aviões maiores e na de trás em aeronaves menores. O piloto fica responsável por ligar o aparelho que vai ventilar o porão e mantê-lo sempre a 22°C. No momento do desembarque, os pets serão levados para a mesma área onde serão retiradas as bagagens. Mais uma vez, isso será feito manualmente por um funcionário, e não pela esteira.

Segurança

A consultora veterinária Rita Ericson, alerta que é necessário avaliar se o cachorro ou gato de estimação tem condições de viajar, sendo que fatores como temperamento, peso e raça devem ser sempre levados em consideração.

Já o especialista em manutenção de aeronaves Lito Souza garante que as viagens de avião são seguras, mas ressalta que eventos inesperados sempre podem acontecer durante o voo. “Eu viajaria com um animal como última opção, porque o estresse que o bichinho passa é muito alto”, opina.

Confira o podcast ‘Bichos na Escuta’:

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