48 horas em Buenos Aires: roteiro com os passeios mais clássicos

É sua primeira vez na capital argentina? Veja um roteiro para não perder o melhor de Buenos Aires, com dicas de passeios, tango, comida, cafés e futebol

Por Da Redação Atualizado em 8 out 2021, 11h01 - Publicado em 25 nov 2020, 16h20

Às margens de um rio que parece mar, quente no verão e gélida no inverno, Buenos Aires é o cruzamento de diferentes culturas e tipos humanos.

Muito além do gaúcho dos pampas e dos bravos vaqueiros da Patagônia, seu movimentado porto acolheu (e viu passar) cargueiros ingleses, exploradores nórdicos, imigrantes italianos e espanhóis.

Essa confluência de idiomas e gostos dotou a capital argentina de um ar notadamente cosmopolita, com refinados teatros, inúmeras livrarias e uma distinta arquitetura neoclássica.

A presença britânica se faz notar na preferência por esportes como polo, hóquei na grama, rúgbi e, é claro, futebol, a paixão que mais nos une do que nos distancia. 48 horas em Buenos Aires não são suficientes, mas já vale uma grande visita. Veja um roteiro com os passeios mais clássicos para um fim de semana na capital da Argentina:

Dia 1: de Maradona ao tango, passando por Puerto Madero e centro de Buenos Aires

A Buenos Aires de clichês pode render, no mínimo, boas fotos. Portanto, não a despreze. O nosso roteiro começa justamente no cartão-postal mais manjado da capital, o Caminito. As fachadas coloridas do curto calçadão, de cerca de 150 metros, é o centro de uma colônia de artistas encravada no bairro operário de La Boca. Há muita pobreza aos olhos, mas sente-se também um ar misteriosamente melancólico.

A famosa ruela virou um museu à céu aberto que, além das casas coloridas, possui artes de diferentes artistas. Um dos principais responsáveis pelo estilo do Caminito foi Benito Quinquela Martín, pintor que tem um museu dedicado à sua vida e obras de arte, o Museu Benito Quinquela Martín, nos arredores. Por ali também acontece diariamente a Feira de Caminito, que expõe o trabalho de artistas locais.

É possível percorrer o Caminito em menos de uma hora e daí seguir para a próxima parada, o lendário estádio La Bombonera, casa do Boca Juniors e do inigualável Maradona. Para conhecer a claustrofóbica arena por dentro, vá até o Museo de la Pasión Boquense.

O bairro de La Boca, perto da Bombonera: casinhas coloridas e uma devoção ao Boca Juniors em cada esquina
O bairro de La Boca, perto da Bombonera: casinhas coloridas e uma devoção ao Boca Juniors em cada esquina. Crédito: ilkerender/creative common/Flickr

Na hora do almoço, nem saia do bairro e entre de vez no espírito portenho com uma refeição tradicional. A parrilla do bodegón rústico El Obrero já serviu famosos como o cineasta Francis Ford Coppola. Os brasileiros costumam sentir falta do sal grosso na carne argentina – se for o seu caso, corrija o tempero na mesa mesmo. Para não errar, vá de bife de chorizo e tortilla com batatas e cebola.

Devidamente refestelado, sigamos para Puerto Madero, um boa solução urbana para uma péssima obra pública. Na virada do século 19 para o 20, a Argentina era um dos maiores produtores de grãos do mundo e boa parte da produção era escoada por Buenos Aires.

O aguardado porto de Eduardo Madero, inaugurado em 1897, tornou-se obsoleto em poucos anos quando confrontado a cargueiros cada vez maiores. Abandonado e decadente, hoje suas antigas docas e armazéns abrigam escritórios de multinacionais, lofts charmosos e restaurantes bacanas.

Puerto Madero abriga uma grande variedade de restaurantes, bares e museus – entre eles, o Fragata A.R.A Sarmiento, um navio que foi transformado em museu flutuante, e o Museo Fortabat, com grande acervo nacional e estrangeiro. Além disso, o único cassino da Argentina está no local, em um navio ancorado no porto. O Casino Puerto Madero é um luxuoso estabelecimento flutuante, que funciona 24 horas por dia.

Não deixe de ver a ponte suspensa de Santiago Calatrava, os guindastes e embarcações históricas ancoradas por lá. É uma ótima caminhada para fazer a digestão.

Puerto Madero tem restaurantes, bares, gelaterias e um ar chic adornado pela Puente de la Mujer, obra do arquiteto Santiago Calatrava
Puerto Madero tem restaurantes, bares, gelaterias e um ar chic adornado pela Puente de la Mujer, obra do arquiteto Santiago Calatrava. Crédito: Anton Petrus/iStock

Próximo dali está a Casa Rosada, de onde despacha o presidente da república e de cujas sacadas eles (de Perón a Evita, de Menem aos Kirschner) lançaram famosos discursos populistas. Possui um museu de mais de 10 mil objetos históricos de todos os presidentes argentinos. É possível fazer visitas guiadas aos sábados, de graça, das 10h às 18h. O agendamento pode ser feito aqui.

Na praça onde ela se localiza, a Plaza de Mayo, um grupo de mães de desaparecidos do período da ditadura militar – que se estendeu por dois períodos entre as décadas de 1960 e 1980 – se reúne todas as quintas-feiras, em comovente e desafiante manifesto. A praça é a mais antiga de Buenos Aires e foi cenário de acontecimentos políticos importantes. Em seu centro, a Pirâmide de Mayo celebra o centenário da Revolução de Maio.

Logo ao lado está a Catedral Metropolitana, com seu interior escuro e silencioso, que agora contém várias referências ao Papa Francisco, pontífice argentino que, antes de mudar-se para Roma, tinha a Catedral como endereço. O local também vale a visita por guardar o mausoléu do general José de San Martín, um dos maiores líderes revolucionários da América Latina.

Suba agora pela Avenida de Mayo, apreciando joias da arquitetura dos tempos gloriosos de Buenos Aires, como o Palácio Barolo e o Teatro Avenida.

Parada obrigatória: uma medialuna con queso caliente (croissant recheado com queijo derretido) para acompanhar o chá com leite no Café Tortoni. O lugar ainda guarda os espelhos, lustres e cristais franceses da época de sua inauguração, em 1858.

O Café Tortoni, um dos mais tradicionais (e mais turísticos) de Buenos Aires
O Café Tortoni, um dos mais tradicionais (e mais turísticos) de Buenos Aires. Crédito: Sebastián Dario/creative commons/Flickr

Um pouco mais à frente, está a Plaza del Congreso e a cúpula do Congresso Nacional, um dos prédios mais imponentes da cidade. Quando a noite ameaçar cair, siga para a Avenida Nove de Julio, principal artéria viária da cidade, e veja as luzes iluminando a mais larga avenida da América do Sul e seu grande símbolo, o obelisco.

Agora, prepare-se que, quando a noite chegar, é hora de tango. Há as opções almost-Broadway, como o Piazzolla, dramático e belo, e o Señor Tango, um show espetaculoso, com direito a cavalo no palco.

Para quem quiser uma experiência mais intimista, a pedida é o Bar Sur. Não é muito sofisticado, funciona em um bar de esquina pequeno, com salão apertado (para umas 30 pessoas, no máximo).

O esquema é igual ao dos tangos mais manjados (pacote com jantar ou sem jantar), mas o roteiro é um pouco mais autêntico, com dois excelentes casais de bailarinos revezando-se durante a apresentação.

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Cada dupla dança umas três músicas e depois eles convidam os turistas para dançar! O acompanhamento musical é perfeito: apenas um bandoneon, um celo e um pianista. Emocionante. Ah, mas não se esqueça de fazer reserva. O cultuado cineasta Wong Kar-Wai filmou algumas cenas de um dos seus melhores filmes, Happy Together, no Bar Sur.

Dia 2: é dia de comer! Café, empanada, helados, parrilla e boa cozinha

O café da manhã pode estar incluído na diária, mas conhecer uma cafeteria típica tem de estar nos planos: os endereços mais clássicos funcionam em imóveis antigos e contam um pouco da história da cidade. Se for domingo, emende com um passeio pela tradicional Feira da Plaza Dorrego, mais conhecida como Feira de San Telmo, onde quase 300 barracas vendem de tudo – antiguidades, souvenires, roupas.

Turistas se agrupam em multidão durante a feira de San Telmo, aos domingos
Turistas se agrupam em multidão durante a feira de San Telmo, aos domingos. Crédito: Holger Mette/iStock

O passeio por San Telmo pode terminar antes do almoço, na Calle Defensa. É um pedaço repleto de antiquários, cerca de 200 lojas diversas, entre móveis, decoração, prataria. Mais recentemente surgiram diversos coletivos de moda.

Que tal trocar um almoço completo por uma boquinha rápida? Uma preciosa certeza: a melhor empanada de Buenos Aires é a do El Sanjuanino, restaurante tradicionalíssimo que serve também suculentos cortes de carne e saladas. Uma empanada quentinha acompanhada de uma cerveja Quilmes é garantia de sucesso!

De lá siga para o Malba, o Museo de Arte Latinoamericano, a maior referência da pulsante vida cultural da capital argentina. Seu acervo é instigante: telas importantíssimas, que retratam nossa história – como o Abaporu, de Tarsila do Amaral, um autorretrato de Frida Kahlo e trabalhos de Di Cavalcanti.

Perca-se entre suas galerias antes de finalizar a visita com uma taça de vinho no café charmoso no interior do museu.

De lá, aproveite para experimentar os sorvetes do Persicco ou do Chungo. Afinal, impossível deixar Buenos Aires sem provar um de seus famosos helados.

Hora da encruzilhada. Uma opção é passar o resto do dia em Palermo Viejo, passeando de loja em loja, de café em café. Aqui estão ateliês interessantes e o gueto gastronômico de Palermo SoHo.

Já para quem quer seguir um ritmo mais calmo, que tal a infalível dupla Teatro Colón e a livraria Ateneo Grand Splendid? O grande teatro é um elegante espaço das artes, considerado um dos teatros líricos mais importantes mundo, e vale a visita guiada.

A magnífica livraria Ateneo, onde funcionou um cine teatro, é um templo da literatura, uma sucessão de prateleiras repletas de tesouros, que vão de tiras de Mafalda ao provocante La Vida del Che, de Héctor Oesterheld, Victor e Alberto Breccia.

O dia terminou, as pernas clamam por descanso, mas nada como celebrar nossa rápida visita por Buenos Aires com uma bela comilança.

Em Palermo Viejo você pode optar pelo competente Don Julio, que serve parillas tradicionais. Quem quer sofisticação e cozinha estrelada, pode seguir para o Tomo I ou o Oviedo.

Uma esquinita charmosa no bairro de Palermo Viejo, Buenos Aires
Uma esquinita charmosa no bairro de Palermo Viejo, Buenos Aires. Crédito: Joel Mann/creative commons/Flickr

Mais dicas de Buenos Aires

Aproveite para comprar no aeroporto: reservar um tempinho para passar no freeshop do aeroporto de Ezeiza pode ser uma boa. Salva os presentinhos esquecidos e tem maquiagem, produtos de beleza, perfumes e até vinhos argentinos.

Como escolher o melhor alfajor: não vale sair de Buenos Aires com a mala cheia de alfajor. A dica é perguntar aos locais qual é a sua marca favorita e se surpreenda com a variedade de respostas. Estas marcas podem ser encontradas em lojas de guloseimas e supermercados em Buenos Aires. Nossa dica? Vá de Cachafaz.

Para quem tiver um tempinho a mais: os preços não costumam ser mais os mesmos, mas vale dar uma passada nas Galerias Pacífico ver as últimas ofertas. O passeio no Delta do Tigre também costuma receber avaliações positivas, assim como o Museo de los Niños, para aqueles que viajam com crianças.

Aproveite para seguir duas contas no Instagram que trazem o melhor de Buenos Aires: VivamosBA traz ótimas dicas de passeios, bares e restaurantes do momento; e Creme de la Crema, conta de uma inglesa que vive na capital portenha e tem um olhar singular para a arquitetura.

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