Parrilla? Não! Em Buenos Aires, comida boa é no lar de argentinos

Este site oferece jantares originalmente argentinos nas casas de hermanos em Buenos Aires; veja como foi a minha experiência

A minha melhor refeição em Buenos Aires não foi uma parrilla. Apesar da suculência da carne que comi no La Cabrera e do couvert generoso do Cabaña Las Lilas, dois bastiões da gastronomia portenha, o jantar que ficou pra memória foi na casa de Camila, Tanya e Juliana, três adoráveis argentinas.

Foi assim: uma semana antes de embarcar, eu e minha amiga reservamos pelo CookApp um jantar na casa de locais. O site reúne, em vários lugares do mundo, pessoas que cozinham e topam abrir suas casas para que desconhecidos como eu e você possam ter uma experiência gastronômica incomum. Nosso único requisito de escolha foi o bairro: Palermo.

Cada uma desembolsaria menos de R$ 40, então não esperávamos nada muito além de comida mediana, compartilhada com gringos mochileiros. Mas a coisa toda foi muito mais profissional do que pensávamos. O que encontramos no charmosérrimo apartamento foi atendimento impecável mais um menu de quatro etapas caprichado.

As bruschettas da entrada eram montadas em pães feitos em casa, e os raviólis recheados de abóbora defumada também eram artesanais. A sala mais parecia um bistrô bem decorado. O serviço não era nada caseiro: a chef e suas duas assistentes, sempre uniformizadas, passavam servindo vinho e água. Os pratos vinham montados individualmente em louças delicadas.

Ainda mais surpreendente foi dividir a mesa comunitária com gente tão receptiva e interessada em fazer daquele jantar uma boa sessão de conversa fiada. Um casal de argentinos, cada um com seus 30 anos, era tão meigo que parecia saído do filme Medianeras. Estavam lá ainda duas senhoras de meia-idade, elegantes moradoras da Recoleta, e mais um senhor que as acompanhava, todos viajados e que acabaram conduzindo o papo com descontração.

Meu portunhol não pareceu incomodar ninguém e no fim da noite já soava mais natural (pelo menos aos meus ouvidos) – se o site anunciasse algo como “compre um jantar, ganhe uma aula de espanhol” não seria de todo mentiroso. Fiz amigos, ganhei dicas para a minha próxima visita e ainda comi muito, muito bem. Tomara que a moda pegue.

Patrícia Figueiredo quer agora descobrir um alfajor caseiro (foto: arquivo pessoal) Patrícia Figueiredo quer agora descobrir um alfajor caseiro

Patrícia Figueiredo quer agora descobrir um alfajor caseiro (Arquivo pessoal/Arquivo pessoal)

Texto publicado na edição 227 da revista Viagem e Turismo (setembro/2014)

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