A situação das praias do Nordeste atingidas pelas manchas de óleo

Mais de 500 praias foram afetadas, inclusive do Sudeste. Consumidor que comprou pacote para os destinos atingidos pelo óleo pode remarcar a viagem sem multa

Atualizada em 14/11/2019, às 18h40

A contagem oficial, feita pelo Ibama, é implacável: 546 praias em 112 municípios e 10 estados, todos do Nordeste e o Espírito Santo, foram atingidas por manchas de petróleo. Um descalabro que chegou a cerca de 2.500 quilômetros de faixa litorânea. Em extensão, é o maior derramamento de petróleo da costa brasileira nos últimos 30 anos – e maior acidente ambiental da história do nosso litoral. De acordo com a Marinha, cerca de 4 mil toneladas de óleo já foram recolhidos. Testes confirmaram que o petróleo não é brasileiro e a mais recente hipótese divulgada pela Polícia Federal é de que o derramamento teve origem em um navio grego

O trecho que vai do sul no Alagoas até o norte da Bahia foi o mais atingido. As primeiras manchas apareceram na Paraíba, mas se espalharam tanto para o norte quanto para o sul por conta do movimento das marés e dos ventos – o que continua a acontecer. Os grandes blocos de petróleo foram percorrendo o litoral de maneira desigual e imprevisível. Ao logo dos dias, foram pipocando os alertas, em pontos distintos.

A notícia mais recente é que as manchas chegaram ao Espírito Santo, o primeiro estado do Sudeste a ser atingido pelo vazamento. Ao longo de mais de dois meses, traços de petróleo chegaram à praia de Morro de São Paulo, depois foram vistos em Salvador e na praia dos Carneiros, em Pernambuco. Em seguida, grandes blocos de óleo foram retirados de Ilhéus e Itacaré, mais ao sul do litoral baiano, até chegarem ao Parque Nacional de Abrolhos, na Bahia, importante centro de conservação marinha.

 (Adema/Governo do Sergipe/Divulgação)

O Ibama publica periodicamente atualizações sobre a situação das praias. Elas são classificadas em três categorias: “Não observado”, “Oleada – Manchas” e “Oleada – Vestígios/Esparsos”. Nos relatórios anteriores, havia a categoria “Em limpeza”, que indicava locais em processo e higienização. A classificação foi removida e não existem mais dados oficiais sobre isso nas atualizações mais recentes. 

    • Não observado: não foi visto nenhum vestígio de óleo, o que pode significar que ele foi eliminado de maneira natural.
    • Oleada – Manchas: a porcentagem de cobertura de óleo no local varia de 11% a 50%. É a categoria mais grave.
    • Oleada – Vestígios/Esparsos: a porcentagem de cobertura de óleo pode ser menor que 1% e no máximo 10%. 

     (Adema/Governo do Sergipe/Divulgação)

    A seguir, confira um resumo da situação das praias em cada estado. Você pode acessar o relatório completo aqui.

    Espírito Santo

    Desde o dia 7 de novembro, as manchas de óleo ultrapassaram a região Nordeste e chegaram ao Sudeste, sendo o Espírito Santo o primeiro estado afetado. O Ibama confirmou que os fragmentos são os mesmos encontrados nas praias nordestinas. De acordo com o mais recente relatório, não existem praias registradas com manchas, e sim vestígios. São, no momento, 21 pontos afetados, entre eles a Praia de Guriri, do Bosque, Barra Nova, Itaúnas, Regência, Barra Seca e Pontal do Ipiranga.

    Bahia

    De acordo com o relatório do Ibama, a Bahia é o estado mais afetado. 

    No sábado, dia 2 de novembro, pequenos fragmentos de petróleo foram identificados no Parque Nacional de Abrolhos, importante santuário de conversação marinha do país que abriga a maior biodiversidade oceânica do Atlântico Sul. Visitas ao parque foram suspensas no dia 4, mas o local já foi reaberto. No relatório mais recente do Ibama, o local foi classificado com vestígios.

    No dia 31 de outubro, as manchas de óleo avançaram ainda mais ao sul do litoral baiano e chegaram ao município de Porto Seguro. As praias de Arraial D’Ajuda e Trancoso foram atingidas. No momento, as praias de Itapororoca, do Taipe e Itaquena estão com vestígios. Na limpeza, estima-se que 200 quilos de petróleo foram retirados da região.

    Na capital, Salvador, os registros do Ibama mostram que óleo não foi mais observado no momento. No dia 16 de outubro, mais de 22 toneladas de petróleo foram retirados das praias da capital em oito horas, de acordo com a prefeitura.

    Na madrugada do dia 22 de outubro, grandes manchas de petróleo foram vistas na praia de Morro de São Paulo, grande destino turístico do estado. Foi o primeiro registro de vazamento de maior quantidade no litoral sul baiano. Traços menores de óleo também foram identificados nas paradisíacas praias de Cueira, em Boipeba, e na Ponta do Quadro, na vila de Garapuá. Funcionários e voluntários mobilizaram, limparam as praias e elas foram liberadas para os banhistas.  Óleo não foi mais registrado nessa região nos relatórios mais recentes do Ibama.

    Manchas de óleo atingiram o Morro de São Paulo no dia 22 de outubro

    Manchas de óleo atingiram o Morro de São Paulo no dia 22 de outubro (Guardiões do Litoral/Divulgação)

    Ainda no litoral sul, o óleo havia invadido jóias turísticas como Ilhéus Itacaré – mas não foram mais observados, segundo o Ibama.

    Em pequenas quantidades, apareceu também em Comandatuba e Canavieiras. No dia 17 de outubro, o óleo chegou à Baía de Todos-os-Santos, maior baía do Brasil e segunda do mundo. Pedaços de óleo foram observadas nas pedras na região do Farol da Barra (ainda em quantidade menor), em Salvador, e na cidade de Vera Cruz, na ilha de Itaparica – mas relatórios mais recentes do Ibama informam que o vazamento de petróleo não foi mais identificado na região.

    A Praia do Forte, que antes estava classificada na categoria mais grave (manchas), já passou por processo de limpeza e substâncias não foram mais observadas. Mais acima, a Praia de Imbassaí apresentou vestígios de óleo. No extremo litoral norte do estado, próximo a Sergipe, a região da cidade Jandaíra é uma das mais afetadas do estado: a Praia de Jandaíra tem manchas de óleo e Mangue Seco e Costa Azul, vestígios. 

    O estado da Bahia decretou estado de emergência, com o objetivo de auxiliar de forma mais eficiente os locais afetados pelo vazamento. O governo baiano estima que, até agora, 155 toneladas de óleo foram retirados de todos os municípios afetados. 

    Sergipe

    Entre as praias atingidas, Jatobá e do Porto (ambas na Barra dos Coqueiros) estão com manchas e Caueira (Itaporanga D’Ajuda), do Saco e Abais (Estância), com vestígios. Antes atingida de forma mais severa, óleo não foi mais observado na Foz do Rio São Francisco – ao contrário do Mangue de Itaporanga d’Ajuda, com manchas.

    Em Aracaju, as praias de Tecarmo, dos Artistas, Atalaia, Aruanãda Cinelândia, Mosqueiro, Viral e Sarney foram classificadas com vestígios de petróleo e a Ilha dos Namorados, com manchas.

    Manchas de óleo espalhadas por praia do Sergipe

    Manchas de óleo espalhadas por praia do Sergipe (Adema/Governo do Sergipe/Divulgação)

    Alagoas 

    Em Maceió, foram observados vestígios nas praias de Guaxuma e Angra de Ipioca. Não houveram mais registros, até o momento, de vazamento nas praias de Pajuçara, Ponta Verde e Ipioca. Mais ao sul do litoral alagoano, na famosa Praia do Gunga foi constatado trações de óleo, assim como na Foz do São Franciscoe, Piaçabuçu.

    Na direção contrária, ao norte de Maceió, a praia da Barra do Santo Antônio e a Ilha da Croa estão classificadas com manchas e vestígios, respectivamente. No litoral norte, os paradisíacos municípios de Maragogi (nas praias de Maragogi, Peroba, Ponta do Mangue Barra dos Coqueiros) e Japaratinga também foram atingidos. O município de Maragogi decretou estado de alerta máximo por conta do vazamento

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    Pernambuco

    As manchas de óleo chegaram na Praia de Carneiros, mas rapidamente um mutirão de limpeza organizado por voluntários e pela prefeitura de Tamandaré retirou os blocos de petróleo da faixa de areia. No relatório mais recente do Ibama, a praia ainda está classificada como “óleo não observado”.

    A Praia de Carneiros amanheceu no dia 18 de outubro assim

    A Praia de Carneiros amanheceu no dia 18 de outubro assim (Associação dos Moradores de Muro Alto/Divulgação)

    Nas proximidades do município de Ipojuca, outras praias também estão com vestígios, caso da Praia da Nossa Senhora do Ó, da Praia do Cupe, Saupe, Praia do Muro Alto e da Praia da Gamboa. Em Porto de Galinhas, petróleo foi encontrado, mas em quantidade bem menor do que em Carneiros – mas a região continua com vestígios de piche, de acordo com a classificação do Ibama.

    Recife e Olinda também tiveram traços do óleo, em praias como da Boa Viagem e Del Chifre, mas não foram mais observados nas últimas análises.

    Paraíba

    Antes afetadas, as praias de Tambaba (a primeira oficial de nudismo do país), GramameTabatinga, do Amor e Jacumã, todas no município de Conde, não têm mais óleo no momento.

    Em João Pessoa, o fenômeno não foi mais observado nas praias de Tambaú e do Cabo Branco. Bem próximo da capital, em Cabedelo, as praias do Poço, de Camboinha e Intermares também não tiveram traços do material identificados. A famosa Praia Bela, no litoral sul, não foi atingida.

    Rio Grande do Norte

    Entre os lugares com traços de petróleo estão a praia das Minas, do Madeiro e Pirambu, em Tibau do Sul. 

    Em Natal, as praias do Meio e Alagamar estão com indícios de óleo. As icônicas Praia da Pipa, do Amor e do Giz, em Tibau do Sul, a Barra do Cunhaú e Praia de Perobas, em Touros, também não têm registros das manchas. 

    Ceará 

    Não foi encontrado petróleo na Praia da Malhada, no cobiçado destino de Jericoacoara. Em Fortaleza, a Praia do Futuro chegou a ser interditada por estar imprópria para banho, mas também foi salva por um mutirão de limpeza.

    Vestígios do óleo foram encontrados na Praia de Lagoinha, no litoral norte. O vazamento não foi mais observado na Praia de Sabiaguaba, em Fortaleza, na Praia da Prainha, em Aquiraz, na Barra de Sucatinga e em Morro Branco, em Beberibe – previamente afetadas.

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    Piauí

    O único local atingido por vestígios de óleo é a Praia do Pontal, em Ilha Grande, de acordo com o relatório mais recente do Ibama. Na Praia de Luís Correia, do Pontal, do ArrombadoAtalaia e do Coqueiro, o fenômeno não foi observado.  

    Maranhão

    Santo Amaro do Maranhão, a Praia dos Lençóis Maranhenses e Paracuru estão com vestígios. Na capital São Luís, o trecho da Avenida Litorânea havia sido atingida, mas óleo não foi mais observado. Felizmente, essa é a mesma situação do destino paradisíaco da Praia Canto do Atins (em Barreirinhas), não afetado até o momento. 

    Confira todas as praias afetadas aqui

    Atenção

    É altamente recomendável evitar o contato com as manchas. De acordo com o Procon, consumidores que tiverem comprado um pacote de viagem ou hospedagem para as praias atingidas pelo vazamento têm o direito de cancelar ou remarcar a reserva, sem multa, conforme matéria publicada pela Agência Brasil.

     

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    1. é uma tragedia sem fim, e infelizmente poderá chegar no rio de janeiro

      https://www.enquantoissonorj.com/

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