10 museus sobre escravidão, racismo e cultura negra

Coleções pelo mundo revelam a arte africana, o preconceito sofrido pelos negros e as lutas pelos direitos civis ao longo da história

O racismo estrutural vitima pessoas negras todos os dias no Brasil e no mundo. Viajar e conhecer realidades diferentes das que estamos acostumados é ter a chance de tornar o mundo mais tolerante.

A seguir, 9 museus espalhados pelo mundo que ensinam sobre a história da escravidão, o racismo estrutural, a arte e a cultura negra:

1. Apartheid MuseumJohannesburgo, África do Sul

Na bilheteria, os ingressos são distribuídos aleatoriamente e dividem os visitantes em dois grupos: os brancos e os “não-brancos”. Cada um faz um percurso diferente dentro do museu, que busca ilustrar, desde o início da experiência, como era o apartheid. Através de recursos multimídia, a exposição conta em ordem cronológica a história do regime de segregação racial, que perdurou na África do Sul de 1948 a 1994, e revela como era a vida ultrajante dos sul-africanos naquele período.

2. Brooklyn Museum of ArtNova York, Estados Unidos

O museu de arte do Brooklyn foi um dos primeiros dos Estados Unidos a exibir peças de arte africana. Hoje, sua coleção permanente continua sendo uma das principais do país, com cerca de 4 500 obras. Ali, os visitantes podem conhecer desde artefatos antigos encontrados por todo o continente – especialmente no Congo, na Nigéria e em Gana –, até quadros e esculturas contemporâneas de artistas negros, como Bob Thompson, Mickalene Thomas e Michael Richards.

3. Casa do BeninSalvador, Bahia

Durante o período oficial da escravidão no Brasil, milhares de negros que viviam no Benim foram traficados para a Bahia. Essa migração forçada causou um impacto cultural nos dois lugares, como procura mostrar a Casa do Benin, no Pelourinho. O acervo, composto por 200 peças originárias do país africano, foram colecionadas pelo fotógrafo francês Pierre Verger ao longo de suas viagens. O espaço também foi decorado com tecidos coloridos da designer e artista plástica negra Goya Lopes, uma das primeiras a trabalhar com a moda afro-brasileira.

4. District Six MuseumCidade do Cabo, África do Sul

Durante o regime do apartheid, os bairros da Cidade do Cabo foram divididos entre aqueles que deveriam ser habitados por brancos e aqueles que deveriam ser habitados por negros. Nessa nova organização, o District Six acabou sendo designado como um bairro exclusivo para pessoas brancas e, por isso, mais de 60 mil pessoas negras foram expulsas e direcionadas para as townships (forma como são chamadas as favelas na África do Sul) a 25 quilômetros de distância. O District Six Museum serve como um memorial desses tristes acontecimentos na década de 1970, sendo que o acervo foi montado com a ajuda dos antigos residentes – e alguns deles são guias do lugar.

5. International Slavery MuseumLiverpool, Inglaterra

O Museu da Escravidão, de Liverpool, fica a uma curta distância das docas de onde os navios eram preparados para o comércio de pessoas no século 18. Fundado em 2007, no bicentenário da abolição do comércio britânico de escravos, o espaço recebe os visitantes com máscaras tradicionais de Serra Leoa, tecidos coloridos de Gana, adornos de Camarões e o som dos tambores do Congo. Tudo para mostrar que, antes da escravidão, a África era um continente com tradições artísticas e religiosas de longa data. Só então os turistas seguem para salas que abordam o comércio de negros, as ideologias racistas e o desconhecimento dos europeus em relação às culturas africanas. O passeio termina em uma área dedicada aos heróis da luta pelos direitos humanos, como Martin Luther King Jr.

6. Museu Afro BrasilSão Paulo, SP

Dentro do Parque do Ibirapuera, o Museu Afro Brasil destaca a maneira que as influências africanas ajudaram a construir a identidade e a cultura brasileira. O acervo de mais de seis mil peças aborda temas como escravidão, religião, trabalho e arte em vários períodos da história – do século 18 aos dias de hoje. Dessa forma, o visitante aprende como os conhecimentos africanos foram determinantes no desenvolvimento da economia rural e urbana, como a cultura desse continente se mesclou com a do Brasil para criação das nossas festividades e também sobre a competência técnica e a diversidade da arte africana.

7. National Civil Rights Museum – Memphis, Estados Unidos

Um dos eventos mais marcantes da luta pelos direitos civis nos Estados Unidos foi a morte de Martin Luther King Jr em 4 de abril de 1968. O ativista político foi assassinado em frente ao Lorraine Motel, em Memphis, que depois se transformou no Museu Nacional dos Direitos Civis. O espaço utiliza objetos, filmes, gravações e mídias interativas para guiar os visitantes ao longo de cinco séculos da história da luta dos negros no país. A exposição começa com os primeiros sinais de resistência durante o período da escravidão, passa pela Guerra Civil dos Estados Unidos e termina com os últimos eventos do século 20, que inspiraram as pessoas do mundo inteiro a lutarem por igualdade racial.

8. National Museum of African American History and CultureWashington D.C.,Estados Unidos

Após 13 anos de construção, a inauguração em 2016 do Museu Nacional da História e Cultura Afro-Americana, em Washington D.C., marcou um momento importante na história dos Estados Unidos. O espaço de mais de 37 mil metros quadrados fica no National Mall, área que concentra os mais importantes museus e monumentos do país. O lugar abriga cerca de 3 500 artefatos, que representam os últimos 400 anos em que os negros estão vivendo na América, da escravidão aos direitos civis, terminando com o movimento “Black Lives Matter” dos dias de hoje. Após a onda de protestos pela morte de George Floyd, o museu também criou uma ferramenta online para fomentar a discussão sobre racismo.

9. National Museum of African American Music – Nashville, Estados Unidos

Gospel, jazz, hip hop, rap, soul… A música afro americana, que se popularizou no mundo inteiro, será homenageada nesse museu em Nashville, que está previsto para inaugurar em setembro de 2020. Em construção há vinte anos, o espaço mostrará as tradições musicais negras de 1600 aos dias de hoje, passando por 50 gêneros e subgêneros musicais.

10. Philadelphia Museum of Art – Philadelphia, Estados Unidos

O afro-americano Julian Abele foi um dos arquitetos que projetou o Museu de Arte da Filadélfia, que também guarda obras de artistas negros em seu interior: na coleção permanente há pinturas, fotografias e até móveis dos anos 1800 aos dias de hoje. Um bom exemplo é o pintor William Henry Johnson, que possui onze quadros expostos ali. Para mais obras de artistas africanos e afroamericanos, vale visitar, também na Filadélfia, o African American Museum, a Barnes Foundation, o The Colored Girls Museum, o Penn Museum e o Art Sanctuary.

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