Museu monumental dedicado à Edvard Munch é inaugurado em Oslo

O novo complexo, que está entre os maiores museus do mundo dedicados a um único artista, vai muito além d'O Grito

Por Bárbara Ligero Atualizado em 19 nov 2021, 14h29 - Publicado em 26 out 2021, 14h38

Um edifício monumental homenageando a vida e a obra de Edvard Munch foi inaugurado na orla de Oslo, capital da Noruega, no dia 22 de outubro. Um dos maiores museus do mundo dedicados a um único artista, o complexo levou mais de uma década para ser construído e possui 13 andares distribuídos em 26 mil m², que abrigam 11 galerias conectadas por escadas rolantes em zigue-zague. Com essas dimensões, a nova sede do MUNCH, em Bjørvika, é quase cinco vezes maior do que a antiga, que ficava no bairro periférico de Tøyen.

O principal motivo da mudança, porém, foi a preocupação com a segurança. Das quatro pinturas que compõem a famosa série “O Grito”, considerada a obra mais importante do expressionismo, duas pertencem ao museu MUNCH e uma delas foi roubada em plena luz do dia em 2004. O quadro em questão só foi recuperado dois anos depois, o que gerou bastante debate em torno da necessidade de construir uma instalação mais protegida.

Agora, duas das pinturas de “O Grito”, além de uma reprodução da imagem em litografia, estão sãs e salvas no novo edifício do museu (as outras duas versões se encontram respectivamente em coleção particular e na Galeria Nacional da Noruega, também em Oslo). No entanto, as três imagens que pertencem ao MUNCH nunca serão expostas ao público ao mesmo tempo e o visitante só descobrirá qual delas verá quando chegar ao sétimo andar. O diretor do museu, Stein Olav Henrichsen, justificou a decisão limitando-se a dizer que as peças “são muito frágeis”.

Por outro lado, o rosto atormentado aparece em abundância na loja de souvenires: de canetas e estojos a caixas de tinta e bolsas, passando ainda por um anel de diamante no valor de R$ 137 mil. Porém, o MUNCH não se resume à sua obra mais icônica: o acervo é composto por 26.700 peças relacionadas ao artista, incluindo os quadros “Puberdade” e “Madonna”.

Para apresentar as diversas facetas do precursor do impressionismo e do expressionismo, foram montadas cinco exposições temáticas que expõem telas e xilogravuras. Outra exibe os seus primeiros experimentos com as selfies, feitos após ele adquirir uma câmera fotográfica da Kodak em 1902: em uma das fotos, o pintor aparece usando apenas uma tanga e com um pincel na mão na praia alemã de Warnemünde. Há ainda um andar inteiro dedicado a recriar a casa e o estúdio do arista, onde estão objetos pessoais como pincéis, paletas e até mesmo o aparelho de respiração que ele usava para aliviar seus problemas pulmonares.

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A primeira exposição temporária da casa, que ocupa dois andares, estabelece um diálogo entre as obras Munch e as da artista inglesa Tracey Emin, que é uma grande fã no norueguês. Entre várias de suas obras autobiográficas e confessionais, uma das mais polêmicas é “My Bed”, que reproduz a cama da artista britânica com lençóis manchados, preservativos usados e garrafas de bebidas alcóolicas vazias. A exposição ficará em cartaz até o final de 2021. De 30 abril de 2022 em diante, os visitantes poderão traçar um paralelo entre Munch e o black metal da banda norueguesa Satyricon.

A vista ao MUNCH termina em um terraço ao ar livre, com vista para o Fiorde de Oslo, flanqueado por um bar e um restaurante. Os ingressos custam NOK$ 160 (cerca de R$ 107) e devem ser adquiridos com antecedência pelo site.

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