Roteiro: um fim de semana perfeito em Gramado e Canela

O melhor dos dois destinos mais charmosos da Serra Gaúcha

Por Fernando Leite Atualizado em 5 fev 2019, 14h58 - Publicado em 22 jun 2012, 19h12

Atualizado em fevereiro de 2019

Destino serrano bom é aquele que não depende exclusivamente do frio para viver sempre cheio. Gramado faz parte dessa estirpe. Menos populosa que as “rivais” Campos do Jordão (SP) e Petrópolis (RJ), a cidade encanta não somente pombinhos apaixonados, mas também famílias que, ao ultrapassar os pórticos de entrada, tiram a primeira e tradicional foto de Gramado.

O destaque da vizinha Canela está nas construções bávaras que recheiam as principias avenidas – Hortênsias e Borges de Medeiros.

Bolamos um roteiro para um fim de semana com o essencial para aproveitar a cidade de Gramado e ainda dar um pulo na charmosa Canela.

DIA 1 – Gramado: Lago Negro, Minimundo, Cristais e fondue

Manter o peso em Gramado é tarefa que nem Ethan Hunt, o agente secreto interpretado por Tom Cruise em Missão Impossível, conseguiria cumprir. A orgia calórica começa no café da manhã. Por mais simples que seja o hotel ou a pousada, o desjejum assume ares de mini-café colonial, com itens a encher a barriga de qualquer um.

Nada como uma boa caminhada para servir de antídoto. Melhor ainda se for em volta do romântico Lago Negro. Ladeado por pinheiros provenientes da germânica Floresta Negra, o lago tem uma curiosa peculiaridade: em nenhum ponto, conseguimos observá-lo por inteiro, deixando a impressão de ser maior do que realmente é.

O carinho e dedicação de um avô por seus netos rendeu uma das atrações mais inusitadas e queridas de Gramado, a agradar adultos e crianças: o Mini Mundo, uma cidade em miniatura, onde castelos, aeroportos, prefeituras, igrejas e outras tantas construções foram reduzidas em 24 vezes do seu tamanho original.

Para dar vida à maquete, 2 500 habitantes miniaturizados participam da cena. Reserve ao menos uma hora para contemplar as construções e se ater aos minuciosos detalhes das mais diversas cidades do mundo.

Mini Mundo em Gramado, Rio Grande do sul
A ideia do Mini Mundo em Gramado (RS) originou-se do carinho de Otto Höppner por seus netos Leonid-Streliaev/Divulgação

Concluído o período matinal, hora de pensar no almoço. Filial da premiadíssima galeteria de Bento Gonçalves, o Casa di Paolo é certeza de boa e muita comida. A saborosa sopa de capeletti, o galetinho bem crocante, o queijo à dorê bem derretido e as massas caseiras circulam à vontade pelas mesas.

A fábrica Cristais de Gramado é um programão para a família. Usando a mesma técnica criada na ilha italiana de Murano, os objetos coloridos expostos no show room fazem coçar as carteiras dos adultos. Enquanto isso, a criançada se agita observando a confecção das peças.

A noite chega e é quase inevitável a associação com fondue. Ninguém sai de Gramado sem tê-la provado ao menos uma vez. Pela cidade, o que mais se vê são faixas anunciando rodízios do prato predileto dos casais. Carne, queijo, chocolate e, pasmem, até truta está dentro do esquema.

Aqui vale uma regrinha básica: quanto mais barato, pior é a qualidade dos ingredientes – que inclusive costumam fugir da receita clássica. Se você quiser gastar mais e comer uma fondue dos deuses, os restaurantes Belle du Valais e Le Petit Clos são endereços certos, combinando aconchego, romantismo e esmero na finalização dos pratos.

Belle du Valais, Gramado, Rio Grande do Sul
O restaurante Belle du Valais é uma das opções certeiras para provar uma fondue em Gramado, Rio Grande do Sul Felipe Ramalho/Divulgação

DIA 2 – Canela: Cascata do Caracol, Alpen Park, Harley Motor Show e chocolates

Acorde cedinho para o desjejum, pois hoje o dia será bem intenso, explorando o que Canela tem de melhor e retornando pela avenida que liga os dois municípios – não faltarão atrações bacanas nos meros sete quilômetros da via.

Se o dia estiver com o sol claro, dê uma paradinha no Mirante do Vale do Quilombo para contemplar a vista que inspirará sua manhã.

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Prossiga pela Avenida das Hortênsias até o trevo de Canela, entrando à esquerda da Estrada do Caracol, que vai até justamente a maior e mais famosa queda d’água gaúcha – a Cascata do Caracol e seus imponentes 131 metros de desnível.

Um mirante e um elevador panorâmico garantem a melhor foto, mas os mais audazes – e bem-preparados fisicamente – podem descer a escadaria de 750 degraus até a base. Lembrete importante: leva-se em média 40 minutos para subir de volta.

A Cascata do Caracol, Parque Caracol em Canela, Rio Grande do Sul
A Cascata do Caracol, localizada no parque homônimo, é uma das principais atrações de Canela (RS) Marcelo Curia/Dedoc Abril

Retornando ao Centro de Canela, no meio da estrada há um castelinho que naturalmente chamaria a atenção.  Saiba que dentro do Castelinho Caracol é servido um fantástico apfelstrudel (torta de maçã) que recebe a companhia de um inesquecível creme de nata.

Inesquecível também será a descida de trenó, uma das atividades existentes no Alpen Park, no outro lado da cidade. Individual ou em dupla, a descida de 900 metros proporciona momentos de muita diversão. O frio na barriga inicial vira vontade de quero mais na segunda curva do passeio.

Uma paradinha para um almoço rápido no Centro de Canela. Quase em frente à Igreja Matriz de Nossa Senhora de Lourdes, a popular Catedral de Pedra, o Empório Canela serve sanduíches, massas e cafés. Enquanto espera, que tal pegar um livro na prateleira?

O caminho de volta a Gramado leva alguns poucos quilômetros, mas tem tanta coisa no meio do caminho que a tarde será curta. Não falamos ainda do famoso chocolate gramadense. Chegou a hora. Caracol, Florybal e Prawer – três das gigantes de Gramado – possuem loja e fábrica aberta à visitação na avenida.

 

Chocolate da Florybal, Gramado, Rio Grande do Sul
Chocolates da Florybal, uma das melhores marcas de Gramado Divulgação/Divulgação

A sequência que vem agora leva à loucura qualquer ser humano que goste um pouquinho de veículos motorizados – tudo num raio de menos de dois quilômetros. Anexo ao apenas razoável Dreamland Museu de Cera, o Harley Motor Show exibe uma respeitável coleção de motos da marca norte-americana.

A joia da coroa é o modelo Knucklehead 1946, imortalizado na película Sem Destino (1969). Dentro do museu funciona um bar com o rock correndo solto – repare nas pias do banheiro, feita com o funil usado para trocar óleo.

Ferrari, Porsche, Lamborghini, Rolls-Royce: veículos em exibição nos dois andares do Super Carros. Exibição apenas não, o grande lance aqui é dar uma voltinha em alguns dos 30 modelos – de carona ou guiando as máquinas. Mas prepare-se para abrir a carteira.

Fachada do Super Carros, Gramado, Rio Grande do Sul
Fachada do Super Carros, Gramado, Rio Grande do Sul Super Carros/Divulgação

Embalada pelos hits de Elvis Presley, Chuck Berry, Bill Halley e toda trupe que escandalizou os anos 1950, a visita ao Hollywood Dream Cars fica mais harmonizada. Nada como caminhar ao som dos ídolos do rock’n roll enquanto curte uma profusão de Cadillacs rabos-de-peixe e outros vários veículos que fizeram sucesso entre os anos 1930 e 70.

Depois de um dia intenso, é hora de relaxar na iluminada noite gramadense. Cheque as lojas da Avenida Borges de Medeiros e garanta um lugar no burburinho da Rua Coberta – um calçadão de 100 metros da rua Madre Verônica, com teto de vidro e ladeado por trepadeiras.

Cafés e restaurantes montam mesinhas no meio do calçadão, que fica de frente ao Palácio dos Festivais, sede do importante evento cinematográfico. É só sentar e pedir um caldo acompanhado de um vinho da Serra Gaúcha. Terminar o dia, comendo, em Gramado: faz todo o sentido.

Rua coberta, Gramado
A rua coberta, em Gramado: reservada apenas para pedestres, é perfeita para ver e ser visto (e também sentar-se em um dos cafés) Divulgação/Divulgação

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