Imagem Blog Flanando por Paris Karina Jucá é escritora bissexta, tradutora e produtora cultural. Graduada em Letras, vive em Paris há mais de 4 anos e faz curso de história da arte no Museu de Belas Artes do Petit Palais. Aqui, ela vai ajudar a fazer seus euros renderem
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Paris é sempre uma festa no Serpent à Plume, na Place de Vosges

No Marais, um francês e um americano organizam noites que vão da música de câmara à ferveção a la Factory, de Andy Warhol, passando por brasilidades

Por Karina Jucá
Atualizado em 17 out 2022, 11h46 - Publicado em 13 out 2022, 13h08

Paris tem coisa pra fazer à beça: é uma das capitais mundiais da gastronomia, tem um conjunto arquitetônico majestoso, tem parques e bosques bucólicos e um museu pra cada dia do ano. Como se não bastasse, não falta vida noturna. A youtuber paraense Leona Vingativa, em um bordão que se tornou viral, se diz “conhecidíssima como a noite de Paris” em uma clara referência à fama de cidade fervida, coisa que vem desde os Anos Loucos, na década de 1920, e que culminou com o livro Paris é uma Festa, do Hemingway. Mas só uma retificação: Paris não é uma festa, são várias. De todos os tipos. Afinal, apesar de notoriamente ranzinza, o francês é sobretudo um hedonista.

Pra começar, destaco um lugar que faz festa quase de segunda a segunda, e com uma diversidade de estilos típica da Paris que já foi a melhor convergência de artistas egressos do mundo inteiro. Localizado no bairro festeiro do Marais, e próximo de quartiers jovens da Republique e do Canal Saint Martin, o Serpent à Plume é um dos lugares especiais a se conhecer.

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Pra começar, o Serpent à Plume, ou SaP, fica muito bem localizado, em um dos glamourosos prédios históricos da praça mais antiga da cidade, a Place des Vosges, um antigo largo simétrico cercado de hotéis particuliers anteriores à arquitetura hausmanianna (a arquitetura padrão predominante em Paris). O complexo de prédios da antiga aristocracia francesa tem uma imponente estrutura de arcadas no térreo, hoje tomada de galerias de arte de gosto duvidoso ao estilo Jeff Koons, além de cafés, casas de chás, boutiques e restaurantes. A mistura original de idiossincrasias aristocratas com toque hipster fazem o Serpent a Plume destoar em conceito e charme das galerias comerciais do entorno e é um espaço digno para o dandismo 2.0. 

Essa combinação se deve à união de duas cabeças díspares, mas complementares: Maître Binoche e Alexandre Rash. O primeiro, um veterano marchand e leiloeiro francês especialista em arte pré-colombiana. E, o segundo, um esguio jovem norte-americano que estudou em Aix-en-Provence e anda de skate em costume de veludo cotelê. Binoche se apresenta como descendente do Conde de Botafogo, o desbravador português que também deu nome ao poderoso barco de guerra utilizado entre os séculos 16 e 18 para o transporte de cargas de alto valor, o vulgo contrabando. Rash, por sua vez, se autodenomina um enfant-trouvé (menino achado), um título que ostenta e performa em sua empresa, a Mogli Projects. A soma deu certo e o espaço, que tem restaurante no térreo e cocktail bar na cave, reúne os mais diferentes tipos.

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Batizado com o nome de um personagem mitológico pré-colombiano, a comunicação da Serpente com Pluma une o universo artístico etnográfico da era de ouro das Américas com as vogas contemporâneas do Novo Mundo, de reproduções de estátuas sagradas no foyer às câmeras analógicas e música indie. O restaurante e o bar são desses lugares para ver e ser visto e para todos os gostos e idades. A narrativa (ou como se diz hoje, o storytelling) do SaP emula o da Factory de Andy Warhol, famosa balada novaiorquina do inventor da Pop Art na qual transitavam de celebridades a outsiders, uma turma ao mesmo tempo transgressora e elitista. Transpondo para a frequência da Place des Vosges de hoje, enclave rico e gay, caberia ainda a fina ironia de Oscar Wilde: “está cada dia mais difícil viver à altura da minha porcelana”. O resultado é uma excentricidade divertida que vai parar também no Instagram em mini-filmes cômicos, como este abaixo: 

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A cada dia da semana, o SaP vai do jazz à música eletrônica, da música de câmara à mais nova aquisição da casa: música brasileira. Esta que vos escreve é a nova criança encontrada da SaP e irei produzir uma soirée mensal por lá (a próxima será no dia 28 de outubro). Sob direção da recém criada produtora Rouge Brésil (como os franceses batizaram o Pau-brasil), a soirée Brésil Beyond fura uma bolha antiga e apresenta a nova música brasileira ao público francês. Pra conferir a programação e as datas, acompanhe neste link

Serpent à Plume
Aberto de quarta-feira a domingo das 11h até 2h.
24 Place des Vosges; reserve aqui.

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