Belo Horizonte: atrações, mercados, botecos, hotéis

Site: http://portalpbh.pbh.gov.br/pbh/ População: 2.479.165 hab DDD: 31 Distância de outras cidades: Rio de Janeiro, 444 km, Vitória, 544 km, São Paulo, 602 km, Brasília, 747 km, Goiânia, 896 km, Porto Alegre, 1724 km, Recife, 2074 km, Fortaleza, 2527 km, Belém, 2844 km

Atenção: a pandemia pode ter afetado o funcionamento de atrações e restaurantes. Antes de sair de casa, pesquise nas redes sociais ou ligue para confirmar o funcionamento 

Por Mirela Mazzola

A capital mineira concentra tantos predicados que a tornam um destino incomparável: a despeito da ausência de litoral, o turismo de BH se concentra na hospitalidade, na cena cultural, na botecagem e, claro, na gastronomia. Engana-se quem pensa que a cidade tem apenas representantes da cozinha do estado. Se por um lado o tradicional Xapuri segue um belo exemplar da mesa mineira de raiz, o chef Léo Paixão, dono do Glouton e de outras casas, carrega essas referências para criar um menu contemporâneo muito inventivo. Essa miscelânea rendeu à BH, em 2019, o título de Cidade Criativa da Gastronomia, concedido pela Unesco (além dela, Florianópolis, Paraty e Belém detêm a honraria no Brasil). Além da mesa farta, sobram motivos para ficar alguns dias e não usá-la apenas como trampolim para escapadas à Brumadinho, onde fica o Instituto Inhotim, e às Cidades Históricas.

Entre as atrações culturais, há dois polos principais: o Conjunto Moderno da Pampulha (a Igreja de São Francisco de Assis, joia de Oscar Niemeyer com murais de Portinari concluída nos anos 1940, teve o interior reaberto após um restauro em 2019) e a Praça da Liberdade, um dos maiores conjuntos de museus do país. Mas também vale prestar atenção nos murais do CURA, festival que coloriu a cidade com um circuito de arte urbana em empenas (as laterais sem janelas dos prédios) e vem se espalhando por outras áreas desde a primeira edição, em 2017. O melhor mirante para observá-lo é a Rua Sapucaí, charmoso reduto boêmio com bares ocupando os antigos casarões. 

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Falando em botecagem, tema incontornável quando se fala em BH, o Mercado Novo (que, ao contrário do que nome sugere, foi inaugurado em 1963) passou por uma interessante revitalização que obriga os novos estabelecimentos que se instalaram ali a manter o estilo retrô da época da inauguração. Com bares e restaurantes descolados, o lugar tem atraído o público hype e se tornou uma opção inusitada de happy hour para quem visita a cidade. Ah, e não pense que a novidade tirou o lugar do clássico Mercado Central – o passeio continua indicadíssimo para degustar e trazer as delícias mineiras na mala. 

Melhor época para visitar Belo Horizonte

Durante a semana, a ocupação dos hotéis fica por conta do público executivo. A chuva cai mais forte de novembro a fevereiro. Vale ficar atento à programação do concorrido Comida di Buteco, concurso gastronômico em que os botequins da cidade disputam pelo voto do cliente em categorias como o melhor petisco (em 2021, o evento ocorreu entre julho e agosto). A Empresa de Turismo de Belo Horizonte (Belotur) mantém um calendário de eventos atualizado. 

Como chegar a Belo Horizonte

Quatro estradas ligam São Paulo, Rio de Janeiro, Vitória e Brasília à capital mineira – todas conectadas pelo anel viário da cidade. Para quem chega de ônibus, a rodoviária tem localização central. Se vier de avião, o desembarque é no Aeroporto Internacional de Confins, a 38 km do Centro. É possível sair de lá de táxi credenciado, Uber ou, ainda, ônibus executivos que levam à região central (empresa Conexão Aeroporto). De ônibus, a Viação Cometa faz o trajeto até BH desde São Paulo (8h30 de viagem) e Rio de Janeiro (6h30 de viagem). 

Como circular em Belo Horizonte 

A Avenida do Contorno, com seus 12 km, cerca os principais bairros da região central. Mas circular de carro pela capital mineira não é tarefa fácil: o Centro tem trânsito pesado e um emaranhado de ladeiras e cruzamentos diagonais que confundem os motoristas. Para evitar transtornos, há táxis e Uber. A partir da Praça 7 de Setembro (na esquina das avenidas Afonso Pena e Amazonas), há ônibus urbanos até a Pampulha. Desde 2014 há ainda o Move, sistema de corredores de ônibus e estações de transferência em que é possível fazer vários itinerários pagando apenas uma passagem (para que isso ocorra, é preciso embarcar dentro das estações e adquirir um cartão, que pode ser unitário). Veja o mapa das estações, aqui.  

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O que fazer em Belo Horizonte

Compras

Ícone da capital, o Mercado Central, de 1929, reúne quase 500 barracas em 14 mil metros quadrados e vende de tudo um pouco: panelas, peças de ágata, temperos, compotas e, claro, queijos e cachaças. O lugar é, aliás, um dos melhores pontos da cidade para adquirir essas duas últimas iguarias locais (duas sugestões: Ronaldo Queijos & Cachaças e Roça Capital, com uma seleção premium de queijos do estado). Também chamam a atenção os botecos (o Casa Cheia e o Bar da Lora, que serve um famoso fígado com jiló, são emblemáticos) e a controversa área de venda de pets. Duas paradas imperdíveis para um lanche: a Tradicional Limonada, que funciona desde 1938 servindo o refresco geladinho com açúcar na medida, e o Comercial Sabiá, onde os clientes se acotovelam no balcão para comer a deliciosa broa com queijo e o pão de queijo recheado com pernil.  

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A tradicional Feira da Afonso Pena ocorre aos domingos, das 7h às 14h, e enfileira mais de 2 mil barracas de expositores que vendem móveis, artesanatos, bolsas, bijuterias e enxoval de bebê. Na mesma avenida, dentro do Palácio das Artes, o Centro de Artesanato Mineiro (Ceart) é uma vitrine que busca promover e desenvolver o artesanato do estado. Entre tapetes, peças de cerâmica, tecidos, esculturas e móveis, estão representados os trabalhos de mais de 600 artesãos. 

Circuito Liberdade 

Com jardins inspirados no francês Palácio de Versalhes e prédios históricos como o icônico Edifício Niemeyer, com sua fachada curvilínea, a Praça da Liberdade foi, por muito tempo, o centro do poder político mineiro. A partir de 2010, tornou-se o centro da cultura da cidade – edifícios públicos do século 19 começaram a ser convertidos em centros culturais e museus, em uma parceria bem-sucedida entre o governo e empresas com sede no estado. No Palácio da Liberdade, de 1897, guias explicam a história de Minas Gerais a partir de sua vida política e apresentam 30 cômodos do palácio, prédio central do conjunto arquitetônico da praça e residência de diversos governadores. Os jardins também podem ser visitados, às 10h15 e às 13h15, com agendamento. No Palácio dos Despachos, nos fundos, está o centro cultural Casa Fiat de Cultura, com programação gratuita. Na entrada, o quadro Civilização Mineira, de Candido Portinari, recebe os visitantes – o  lugar já recebeu, ainda, obras de ícones da história da arte, como Caravaggio, Chagall, Rodin, Aleijadinho e Tarsila do Amaral, além de artistas contemporâneos. Já uma das quatro unidades do CCBB em funcionamento no país (além de São Paulo, Rio e Brasília), o Centro Cultural Banco do Brasil ocupa o bonito prédio da antiga Secretaria de Estado de Defesa Social. Com 1 200 metros quadrados, o imóvel abriga um teatro e espaços para exposições temporárias. 

No Memorial Minas Gerais Vale, o cenógrafo Gringo Cardia concebeu espaços para homenagear seis grandes nomes mineiros: a artista plástica Lygia Clark (1920- 1988), o escritor Guimarães Rosa (1908-1967), o poeta Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), o cineasta Humberto Mauro (1897-1983), o fotógrafo Sebastião Salgado e o músico Milton Nascimento. Dos três andares do prédio de 1897 (onde foi lançada a pedra fundamental da cidade), dois são dedicados às representações artísticas do estado e um deles tem foco na história de Minas, contada de forma criativa e interessante – na sala Panteão da Política Mineira, você acompanha uma conversa entre os inconfidentes, reproduzida em telões.

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O planetário com projeção digital é a principal atração do Espaço do Conhecimento UFMG. No último andar, o terraço astronômico tem teto retrátil que possibilita a observação dos astros por telescópios. A exposição Demasiado Humano explica de forma didática a origem do universo e da vida na Terra (informe-se sobre limite de pessoas e horários das sessões antes de visitar). No casarão que abrigou a Secretaria da Educação está o Museu das Minas e do Metal – sobre o hall, com uma escadaria alemã, colunas neoclássicas e azulejos centenários, o espaço expositivo exibe um grande acervo de minerais e pedras preciosas, com apresentação didática. A três quarteirões, o Museu Mineiro ocupa uma construção eclética de 1897 com três salas abertas à visitação: uma guarda artefatos da família imperial, como cachimbos, espadas e armas de fogo e retratos, e as outras duas são dedicadas à arte sacra colonial e ao mobiliário dos séculos 18 e 19. O acervo tem mais de 2,5 mil peças, incluindo telas de Mestre Athaíde, um dos maiores nomes do barroco. 

O Centro de Arte Popular ocupa o belo casarão do antigo Hospital São Tarcísio, de 1928. A arte popular mineira é representada por esculturas de madeira e cerâmica, instrumentos musicais e telas – os objetos estão divididos nas categorias arte e fé, tradição mineira, arte rupestre e sala dos grandes mestres. A Praça da Liberdade abriga, ainda, a Biblioteca Pública, prédio projetado por Oscar Niemeyer e inaugurado em 1961. 

Conjunto Moderno da Pampulha

Na década de 1940, Juscelino Kubitschek, então prefeito de Belo Horizonte, fez um pedido a Oscar Niemeyer: um projeto para a região, que deveria se transformar no mais belo bairro do país. Assim nasceu a Pampulha, a 10 km do Centro, um complexo arquitetônico que contorna os 18 km de extensão da lagoa e que, em 2016, foi declarado Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO. O maior ícone do conjunto é a Igreja São Francisco de Assis, que une a genialidade do célebre arquiteto à de Candido Portinari. O resultado da ousadia de Niemeyer e da sensibilidade do pintor, que criou o painel de azulejos azuis para adornar a construção, é um dos templos mais admirados de Minas Gerais, estado famoso pelas igrejas barrocas. O interior, reaberto em 2019 após uma reforma, acolhe os 14 painéis retratando a Via Sacra, uma das obras mais importantes de Portinari. 

A 1 km da igreja, contornando a orla pela Avenida Otacílio Negrão de Lima, chega-se à Casa Kubitschek, de 1943. Projetada por Oscar Niemeyer e com jardins de Burle Marx, foi residência de fim de semana do ex-presidente nos anos 1940, quando ele ainda era prefeito de BH. Móveis e fotografias – além de painel de Alfredo Volpi e mosaicos de Paulo Werneck –, distribuídos pelos cômodos narram o modo de habitar a cidade entre as décadas de 1940 e 1960, sob a influência do movimento modernista. Para a esquerda, ficam a Casa do Baile, joia modernista que parece flutuar sobre o lago (o lugar hoje recebe exposições temporárias), e o Museu de Arte da Pampulha, que funcionou até 1946 como um cassino (apenas visita externa; o prédio está fechado para restauro). 

Tour no Mineirão  

Inaugurado em 1965, o Estádio Governador Magalhães Pinto, o Mineirão, é o principal palco do futebol mineiro – e do fatídico 7×1 contra a Alemanha na Copa de 2014. Na visita guiada, você conhece as cadeiras especiais, os camarotes, desce até a beira do campo e percorre os vestiários e a sala de aquecimento. É possível aterrissar no gramado de tirolesa a partir do alto da arquibancada (reserve antes). O estádio abriga ainda o Museu Brasileiro do Futebol: cheio de recursos multimídia, é um tributo ao estádio e à maior paixão dos brasileiros. Objetos históricos, fichas digitalizadas de muitos dos quase 4 mil jogos realizados aqui e fotos que registram a transformação para a Copa do Mundo de 2014 contam a história do Mineirão. A sala Campos Gerais destaca o futebol mineiro, com camisas e informações sobre os clubes do estado.

O lado B de BH – o legado do CURA e o Rolezin Lagoinha

Desde 2017, o festival de arte pública CURA (Circuito Urbano de Arte) colore a capital mineira com obras de arte urbana espalhadas pela cidade e que continuam expostas depois do fim do evento. Na primeira edição, criou seu primeiro circuito de pintura em empenas (as laterais sem janelas dos prédios) voltado para a cênica Rua Sapucaí, repleta de bares em antigos casarões e melhor mirante para contemplar as obras, que têm entre 450 e 1.700 metros quadrados – entre elas os murais mais altos pintados por mulheres na América Latina e a maior obra de arte pública realizada por uma artista indígena, Daiara Tukano. 

Em 2019, o festival extrapolou as fronteiras da região central rumo ao bairro da Lagoinha, reduto com raízes operárias e boêmias – ali viviam os trabalhadores que ajudaram a construir BH e é onde nasceu o primeiro bloco de Carnaval da cidade, o Leão da Lagoinha. Com a construção do complexo ferro-rodoviário, nos anos 1980, o bairro passou por uma fase de decadência e degradação do patrimônio histórico. Hoje, a Lagoinha vive um novo momento e, além de ser conhecido por sediar a Igreja Batista da Lagoinha, com filiais em todo o país, empresta o nome ao célebre copo americano, chamado na capital de “copo lagoinha”. É possível conhecer o bairro e sua história no Rolezin Lagoinha, idealizado em 2017 pelo empreendedor social e morador do bairro, Filipe Thales. O passeio, mensal, inclui paradas em praças, mirantes, no Cemitério do Bonfim, inaugurado no fim do século 19 e repleto de obras de artes nos mausoléus, e, claro, em pontos gastronômicos.  Entre eles estão estabelecimentos com herança imigrante, como o Prazer da Esfiha, de uma família de origem síria, e com alma mineira, a exemplo do tradicional Casa Velha e do pitoresco Quintal do Degas

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Mais museus, parques e centros culturais

Em uma moderna construção circundada pelo Parque Municipal, com mata densa, lago e orquidário em plena região central, o Palácio das Artes recebe apresentações de importantes grupos, como o Corpo (de dança), o Galpão (de teatro) e o Giramundo (teatro de bonecos). Um dos principais centros de arte e cultura da capital, também abriga boas exposições, sala de cinema, galeria de arte, biblioteca e o Ceart. 

Também no Centro, dentro da bela estação de trem construída em 1922 e ainda ativa, o Museu de Artes de Ofícios é um verdadeiro tributo aos trabalhadores brasileiros. O acervo ultrapassa 2 mil peças dos séculos 18 ao 20 e conta a história de vários ofícios – ambulantes, fotógrafos lambe-lambe e até carranqueiros são retratados. Vídeos explicativos e jogos deixam o passeio mais interativo. 

A história de BH é contada no Museu Histórico Abílio Barreto, que fica em um casarão de 1883 no bairro Cidade Jardim. Peças do início do século 20, como um bonde e um elevador antigo, ficam espalhadas nos jardins. Há também exposições temporárias. O Museu Inimá de Paula, no Centro, reúne cerca de 100 obras do pintor modernista mineiro Inimá de Paula (1918-1999) – outros 2 mil quadros podem ser projetados em um telão, numa espécie de galeria virtual (o espaço também recebe exposições temporárias). 

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Com projeto paisagístico de Burle Marx e encravado entre o bairro nobre de Mangabeiras e a Serra do Curral, o Parque das Mangabeiras é patrimônio cultural de BH. Dentro de seus 2,8 milhões de metros quadrados, há trilhas em meio à floresta nativa, lago e quadras de esportes, enquanto as ruas do entorno são bastante usadas pelos moradores para correr e caminhar.

Conhecida como Praça do Papa – o logradouro recebeu o apelido após a visita do papa João Paulo II, em 1980 – a Praça Israel Pinheiro, no mesmo bairro, é palco de shows e tem um mirante que proporciona uma das mais belas vistas da cidade. Ao lado fica a folclórica “Rua do Amendoim”, onde uma ilusão de ótica faz parecer que carros desligados sobem uma ladeira ao invés de descê-la.

BH com crianças

O Museu de Ciências Naturais da PUC Minas apresenta fósseis de mamíferos – muitos já extintos – encontrados nas cavernas da região de Lagoa Santa (a 40 km de BH) pelo naturalista dinamarquês Peter W. Lund, considerado o pai da paleontologia brasileira. Há também esqueletos originais de elefante, girafa e baleia, além de réplicas de ossadas de dinossauros. É preciso agendar a visita por telefone (31/3319-4520). Outra boa opção de passeio com as crianças é o Museu dos Brinquedos, com um acervo de cerca de 700 brinquedos antigos. Vale conferir a programação para os pequenos, como oficinas e brincadeiras guiadas por monitores. Às margens da Lagoa da Pampulha, o Zoológico da cidade abriga cerca de 3 mil animais de 250 espécies. Dentro do parque, o Aquário Bacia do São Francisco tem tanques que reúnem espécies do maior rio que corre exclusivamente pelo território brasileiro. 

De trem até o Espírito Santo

A viagem ferroviária mais longa do país parte de BH até Cariacica, na região metropolitana de Vitória – mais de 12 horas e 664 km separam as duas cidades. No caminho, cidades históricas mineiras são deixadas para trás, margeando rios como o Doce e o Piracicaba – são 28 paradas para embarque e desembarque. Além da paisagem, o passageiro pode aproveitar os vagões restaurante e lanchonete. O trem parte da capital mineira diariamente às 7h30 e quem faz o trajeto é a Vale.   

Passeio até Inhotim

A Belvitur, agência oficial de turismo e eventos do Inhotim, oferece transporte aos sábados, domingos e feriados partindo do hotel Holiday Inn Belo Horizonte Savassi (Rua Professor Moraes, 600, Funcionários). É preciso comparecer 15 minutos antes para o procedimento de embarque e conferência do voucher e a saída acontece às 8h (duração estimada da viagem: 1h30). Horário de retorno: 17h30. Valor: R$ 95 (ida e volta). Contatos: 31 3290-9180; inhotim@belvitur.com.br. Veja mais informações sobre o transfer aqui.

Outra opção é o ônibus da Saritur com saída da Rodoviária de Belo Horizonte de terça a domingo às 8h15 e retorno às 16h30 (no finais de semana e feriados o retorno acontece às 17h30). R$41,50 (ida) e R$37,15 (volta).

Hotéis em Belo Horizonte

A hotelaria da capital viveu um boom há quase uma década, em 2014, quando foi uma das sedes da Copa do Mundo – na época, foram 20 inaugurações. Com a concorrência acirrada, os hotéis tradicionais promoveram reformas para não ficar para trás, e as tarifas tornaram-se mais sedutoras, especialmente nos fins de semana, quando a ocupação é menor (já que a rede tem foco no público executivo). A maior concentração está nos bairros Centro, Lourdes e Savassi. 

Aberto um pouco mais tarde, em 2018, o Fasano Belo Horizonte trouxe o padrão de luxo do grupo à cidade, a poucas quadras da Praça da Liberdade. A gastronomia conta com o Gero e o Baretto, restaurante italiano e bar também presentes na unidade paulistana – com a diferença de que, aqui, há uma carta de cachaças que podem ser harmonizadas com os pratos. O projeto, do arquiteto carioca Thiago Bernardes (o mesmo do Fasano Angra dos Reis), tem a assinatura elegante e sóbria do grupo, mas com toques mineiros, vide os quartos com móveis garimpados de Tiradentes. 

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A localização conveniente e o padrão dos quartos, com bom espaço, iluminação modulada, enxoval e amenities de qualidade, fazem do Novotel BH Savassi uma escolha acertada no bairro. Outro trunfo: apesar de ser pago à parte, o café da manhã tem uma ótima variedade de itens, entre frutas, pães, granolas e uma pequena degustação de queijos mineiros. 

Bem maior e mais afastado do Centro (mas relativamente próximo à Pampulha), o Ouro Minas Palace tem um Health Center com piscina coberta, hidromassagem, salas de massagem, academia e sauna. Há serviço de concierge disponível e vários quartos foram renovados para a Copa de 2014. 

No mais, bandeiras com bom padrão executivo, como Mercure (bem-localizado, próximo ao polo gastronômico de Lourdes), Holiday Inn (na Savassi), Caesar Business (em Belvedere), Quality (na Pampulha), Intercity (em Gameleira, próximo à Expominas) e Ramada (em Lourdes), estão presentes na cidade. Dos econômicos, destaque para o Ibis (são três; o Ibis Liberdade fica a poucos passos da praça homônima e está entre os mais charmosos hotéis da marca no país, graças ao casarão de 1935 que compõe a fachada), o Ibis Budget (em uma travessa da Av. Afonso Pena e em Lourdes) e a local rede Bristol (com duas unidades na Pampulha).  

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Onde comer em Belo Horizonte*

Restaurantes

Conhecida como capital dos botecos, Belo Horizonte também se revela um ótimo destino para os gourmets. O bairro de Lourdes concentra os endereços mais sofisticados, a exemplo do Glouton, primeira casa do chef-estrela Léo Paixão – formado em Paris, o mineiro é jurado do programa Mestre do Sabor, da Globo. O salão elegante fica mais descontraído graças à cozinha envidraçada, de onde sai um menu fechado no jantar, sob reserva. Entre os pratos podem aparecer o gaspacho amarelo com sorbet de pepino, sunomono (a conserva japonesa desse vegetal) e melão ao perfume de menta, e o camarão com ravióli de foie gras ao molho bisque cremoso com pimenta-verde. Paixão ainda está à frente do italiano Ninita, da sanduicheria Nico e dos bares Nicolau Bar de Esquina, de tapas criativas, e Mina Jazz Bar, com apresentações do ritmo norte-americano. 

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Também do elenco do Mestre do Sabor, mas como competidor, o chef Caio Soter é outra promessa da gastronomia de BH. À frente do Pacato, aberto no fim de 2021, ele busca trazer toques inventivos à cozinha mineira. No almoço, é possível optar por pratos do dia, como o costelão braseado, o frango assado e a picanha do sol com guarnições a exemplo do mexidinho com ovos confit e da farofa com talos de verdura. Há ainda o cardápio regular e menu-degustação, à noite. Boa parte do cardápio do Turi, do chef Cristóvão Laruça, é dedicada aos pescados – algo não tão comum na gastronomia de BH. O uso da brasa é outro trunfo e dá origem a pratos como o polvo braseado com lardo (embutido italiano à base da gordura das costas do porco e especiarias) e o camarão grelhado com manteiga de gengibre. A brasa também é a estrela no descontraído Noca, com mesas dobráveis ao ar livre no bairro Floresta. 

Em meio a tantas novidades, o Taste-vin, na ativa desde 1988, se mantém como o melhor francês da cidade e tem espaço para criações inventivas sem deixar de honrar as técnicas da cozinha do país (vide a sopa de rabada com torradas de baguete e os afamados suflês, que aqui ganham versões como surubim defumado e Queijo da Serra do Salitre). A cozinha europeia também está bem-representada nos restaurantes italianos: vale apostar na já tradicional Cantina Piacenza – o salão, bem-iluminado e com decoração moderna, mas repleta de memórias familiares do chef Américo Piacenza, fica em uma região de prédios corporativos do bairro de Santo Agostinho, o que justifica o menu executivo com bom custo-benefício (a casa também funciona à noite). Paredes de pedra e jardim com fonte são alguns elementos da decoração caprichada do disputado O Italiano. O menu lista, por exemplo, tagliolini artesanal com ragu de cogumelos trufados e gema curada. No Est! Est!! Est!!!, o chef Simoni Biondi propõe clássicos, como o nhoque à pescadora (com frutos do mar), o espaguete à carbonara e o tiramisu.  

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Entre os japoneses, o despojado Okinaki, em uma esquina em Lourdes, serve receitas menos usuais da especialidade no Brasil, como o ebiyaki (bolinho recheado de camarão típico da cidade de Osaka) e o oniguiri (bolinho de arroz triangular, recheado e envolto em alga, muito popular em todo o Japão); enquanto o Taika Izakaya propõe um toque contemporâneo aos pratos dos típicos botecos japoneses – no cardápio aparecem, por exemplo, o sushi de vieira com creme trufado e alho negro e o tempurá de milho-doce. 

Na ativa desde 1987 em uma agradável chácara na Pampulha, o Xapuri é o lugar para provar um banquete mineiro de raiz. Frango caipira, carne de panela, tutu, lombo assado, torresmo, pastel de angu e outras delícias servidas à la carte antecedem um inevitável bufê de sobremesas com mais de 30 variedades, todas produzidas na casa. O doce de casca de limão com doce de leite é uma perdição. 

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Um interessante menu brasileiro é o chamariz do Cozinha Santo Antônio, aberto só no almoço no bairro de mesmo nome. Os pratos mudam todos os dias, de acordo com os ingredientes mais frescos – as receitas são fruto da pesquisa da chef e historiadora Juliana Duarte. É possível se deparar com, por exemplo, carne de panela com purê de abóbora e taioba, pernil com tutu e sobrecoxa de frango cozida ao vinho com batatas coradas e milho. No mesmo bairro, o Quina também aposta em brasileirices inventivas – de entrada, o menu lista croquete de sobrecoxa de frango, angu e taioba; entre os pratos principais, o dourado grelhado recebe molho de moqueca e chega à mesa com banana-da-terra grelhada, farofa de pimenta-de-cheiro e arroz de coco. 

No bairro de Santa Efigênia, Zona Leste, o galpão que abriga o Querida Jacinta lembra o de uma casa de shows – à noite, o lugar costuma receber apresentações musicais. Mas não se engane com a atmosfera de balada: a cozinha, aberta, libera um cardápio de respeito, além de cervejas artesanais. O arroz de costela, com bacon, linguiça, couve refogada, ovo com gema mole e banana grelhada é uma saborosa pedida.

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Santa Tereza, bairro ao norte com boas opções gastronômicas, foi o local escolhido pela chef Bruna Martins para abrir seu Birosca S2, em uma charmosa casa com avarandado e decoração retrô. Ex-participante do programa Mestre do Sabor, da Globo, ela propõe um menu sazonal com criações como a broa de fubá dourada na manteiga com tartar de pupunha, de entrada, e o nhoque de batata-baroa com polvo, molho pesto, queijo de cabra e picles de beterraba. De sobremesa, o bolo de côco com abacaxi, úmido e saboroso, chega à mesa com creme inglês.

No OssO, do chef Djalma Victor (ex-reality ​​Top Chef Brasil, da Record), a pedida são as carnes na parrilla –  o flat iron (corte retirado da paleta do boi) com tagliatelli fresco, bechamel de mandioquinha cítrico e molho roti, o galeto ao limão-siciliano e o angus a cavalo com arroz de cogumelos estão entre os destaques. São duas unidades, em Lourdes e no Serena Mall, em Nova Lima. Outra sugestão na mesma especialidade é o Parrilla del Mercado, na ativa há mais de duas décadas no Mercado do Cruzeiro. 

Na charmosa Rua Sapucaí, com bares e restaurantes instalados em casarões históricos de frente para a linha do trem e para as obras do CURA, o Salumeria Central investe na charcutaria italiana para criar pratos como a porchetta romana com arroz, farofa de bacon e maionese caseira e o risoto de linguiça artesanal com tomatinhos e folhas mineiras. Quase ao lado está a Panorama Pizzaria, que preservou o estilo art-déco do salão, mas com toques moderninhos (as paredes são pintadas de rosa com desenhos florais). As pizzas têm forte sotaque mineiro – a de quatro queijos, por exemplo, leva exemplares premiados de Canastra, do Serro, d’Alagoa e azul de Cruzília. Se você não dispensa as redondas durante a viagem pode considerar também a Domenico, na Savassi, com ambiente mais tradicional – há bancos estofados e adega no salão – e massas complementando o cardápio.

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O histórico Edifício Maletta, no Centro, enfileira bares na varanda que vendem cerveja barata e petiscos triviais, atraindo um público eclético para a happy hour. No térreo, a tradicional Cantina do Lucas, aberta em 1962, faz sucesso desde então com receitas como o filé à parmigiana e o bacalhau grelhado com brócolis, arroz, batata e amêndoas. Ali perto, e também bastante emblemático, o Café Palhares serve o famoso kaol – sigla para cachaça (isso mesmo, com K) arroz, ovo e linguiça caseira desde 1938. Com o tempo, a receita passou a ser servida em outros restaurantes e incorporou couve, farofa de feijão, torresmo e molho de tomate.

(*agradecimento ao jornalista Rafael Rocha pelas dicas gastronômicas)

Bares em Belo Horizonte

É impossível abraçar todo o universo botequeiro de BH – há opções para absolutamente todos os gostos e novidades pipocando sempre. Uma delas é o Mercado Novo, revitalizado recentemente e que, a despeito do nome, foi inaugurado em 1963 (o Mercado Central é de 1929). Antes da ocupação dos novos estabelecimentos, o lugar era conhecido pelas gráficas no térreo (muitas ainda estão lá) e por pequenos comércios. Os bares, restaurantes e lojas descoladas que vem se instalando nos últimos anos devem manter o estilo retrô da época da inauguração, o que dá ao lugar um quê nostálgico e que lembra um set de filmagem. Do almoço à happy hour é possível provar pratos do dia e comidinhas, além de fazer paradas, por exemplo, na Cachaçaria Lamparina, que se resume a um balcão com uma seleção rotativa de rótulos de pequenos produtores do estado e alguns drinques no menu, e na Odeon Bebidas a Granel, com 14 torneiras de chope frutos da parceria entre as cervejarias locais São Sebastião e Mills.

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Para bons petiscos, rume para o Chico Dedê, ou o Bitaca Capetinga, ambos em Anchieta, e para o Boteco Nada Contra, em Funcionários. No Prado, as cozinhas do Patorroco e do Agosto Butiquim liberam tira-gostos criativos. O Santo Boteco, em São Pedro, celebra a resistência feminina (é comandado por duas mulheres, Aline Soares e Aline Elias) com rodas de choro. Entre os petiscos, há pastéis de angu com carne seca, linguiça com jiló e queijo Canastra. Na histórica Rua Sapucaí, entre tantas opções, vale a parada no Dorsê, com pratos do dia no almoço e petiscos como as brusquetas de pão de queijo. 

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Quem curte um boteco raiz, com rabada, dobradinha e petiscos como torresmo e pastel de camarão na estufa, ruma para o Bolota’s Bar, em Serra. Com seis décadas recém-completadas, o Bolão, em Santa Tereza, é conhecido por clássicos, como o espaguete à bolonhesa, e pelo fim de noite  – membros do Clube da Esquina, na década de 1970, e de bandas como Sepultura, Skank e Patu Fu já encerraram a madrugada aqui. Para uma carta de cachaças de respeito (são cerca de 300 rótulos), chopes artesanais e petiscos – joelho de porco e torresmo pururuca entre eles – a pedida é o Köbes, no mesmo bairro.

Comidinhas

Como é de se imaginar, o tradicionalíssimo pão de queijo é presença fácil em cafés, empórios e lanchonetes da capital – mas há quem diga que as autênticas receitas estão cada dia mais difíceis de encontrar e restritas às mesas caseiras. Um dos lugares mais incensados para provar esse patrimônio é A Pão de Queijaria, com unidades na Savassi e no Mercado Novo. A qualidade e a pegada gourmet parecem justificar os preços acima da média, já que os quitutes da casa são produzidos à base de queijos do estado, como d’Alagoa, Canastra e do Serro, e importados, caso do gruyère. Há ainda versões recheadas inventivas, como a vegetariana (de mix de cogumelos, gruyère e cebolete) e a de lagarto desfiado, requeijão de rapa e ovo de codorna confitado.

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Uma publicação compartilhada por Quitanda, Sobremesa e Bolo. (@copa_cozinha)

Também com dois endereços (no Mercado Novo e em Floresta), o Copa Cozinha é uma sugestão charmosa para o café da manhã e o lanche da tarde, com quitutes como bolos, tortas e apetitosos combos. Com filial em Inhotim, o descolado Oop Café tem boa oferta de cafés especiais, em versão coada ou expressa – a torrefação dos grãos é feita pela própria loja. Em um salão gracioso no bairro São Pedro, com piso de taco e muito verde graças às plantas e à pintura das paredes, a doceria O Granulado serve tortas caprichadas e um espesso chocolate quente.

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Uma publicação compartilhada por Grande Hotel Ronaldo Fraga (@grandehotelronaldofraga)

Uma pausa inspiradora para o café pode rolar no bistrô do Grande Hotel Ronaldo Fraga, espaço colaborativo do estilista mineiro em um lindo casarão dos anos 1920, no bairro Funcionários. Há lojas de marcas convidadas e rola programação que inclui lançamentos de coleções e bate-papos. Ótimas receitas sírias são a especialidade do Sítio Sírio, no mesmo bairro – shawarma de cordeiro, halawi (doce de gergelim com pistache), coalhada e babaganuche entre elas. Aberta em 1929, a Sorveteria São Domingos, na Savassi, está entre as mais tradicionais da cidade – os gelados de manga, acerola, jabuticaba, jaca e framboesa são produzidos a partir de frutas cultivadas na fazenda dos proprietários.

 

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