Paraty: pousadas, praias, centro histórico, passeios de barco

Edição: Bárbara Ligero

O município de Paraty exibe uma rara combinação de belezas: praia e patrimônio histórico. Difícil dizer qual o melhor. A riqueza do casario compete com as mais importantes cidades seculares de Minas Gerais. E basta uma esticada de barco para topar com uma profusão de praias de águas cristalinas, ilhas e enseadas de mar verde-esmeralda. Durante o dia, o programa consiste em passear de barco e curtir as praias. À noite, caminhar pelo centro histórico é imperdível: as preservadas casas coloniais abrigam hoje lojas charmosas, bares com música ao vivo, restaurantes e pousadas.

QUANDO IR PARA PARATY

Mesmo chuvoso, o verão turbina o movimento. Durante o Carnaval, blocos percorrem as ruas do centro com bonecos gigantes de papel machê. Outra tradição é o Bloco da Lama, no qual moradores e visitantes cobrem-se com a lama da Praia do Jabaquara.

Entre março e abril, ainda faz calor na região e as diárias são um pouco mais baixas em relação à alta temporada. O período geralmente coincide com a Festa do Divino, que termina sempre 50 dias após o Domingo de Páscoa. Trazida pelos colonizadores portugueses no século 17, ela celebra o Divino Espírito Santo por meio de procissões e missas, além de jogos entre as escolas da região e shows gratuitos. Em 2022, Zeca Pagodinho abriu os festejos.

Os meses de maio e junho são marcados pelo Bourbon Festival Paraty, que recebe em um palco montado na Praça da Matriz grandes nomes do jazz nacional e internacional.

Os preços mais altos são praticados em julho, durante a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) , quando escritores e especialistas se reúnem para debater literatura – reserve pelo menos seis meses antes. Em agosto, as hospedagens também ficam lotadas com o Festival da Cachaça, Cultura e Sabores de Paraty, que monta barracas de comidas e bebidas na Praça da Matriz.

COMO CHEGAR EM PARATY

Saindo do Rio de Janeiro, toda a viagem é feita pela Rio-Santos (BR-101). A partir de São Paulo, pegue a Rodovia Ayrton Sennna-Carvalho Pinto (SP-070) e, no trevo de São José dos Campos, entre na Rodovia dos Tamoios (SP-099). Ao fim dessa estrada, vire à esquerda. A Rio-Santos (SP-055, depois BR-101) atravessa a divisa com o Rio de Janeiro e leva até Paraty. 

=> COMO ESTÁ A CUNHA-PARATY? O percurso foi reinaugurado com calçamento de paralelepípedos em 2016, mas ainda há quem tenha receio de percorrê-la. A reportagem da VT encarou a rota em junho de 2022 em um Peugeot 208 Hatch 1.6. Saindo de São Paulo, o primeiro trecho da Cunha-Paraty está em ótimas condições, pois faz parte da asfaltada SP-171. Logo adiante, o segundo trecho corta o belíssimo Parque Nacional da Serra da Bocaina – prefira fazer o trajeto de dia para não perder a vista. É ali que começa o calçamento de paralelepípedos, que obriga reduzir a velocidade, mas não representa nenhum perrengue. O último trecho, já quase chegando em Paraty, é o pior de todos, muito esburacado e estreito. Como as curvas são acentuadas e a estrada é bem fechada pela mata, é preciso estar atento com os carros que vêm na direção oposta, principalmente à medida que vai anoitecendo. Programa-se para passar por ali ainda com a luz do dia. Em dias de muita chuva, deslizamentos de terra ou quedas de galhos podem acabar bloqueando parte da pista, o que exige cuidado redobrado. As mesmas dicas se aplicam na subida para Cunha, que não é muito íngrime e pode ser percorrida mesmo com carros 1.0. Leia um guia completo de Cunha.

COMO CIRCULAR POR PARATY

A única via para entrada de veículos no centro histórico é a Avenida Roberto Silveira, que faz a ligação com a BR-101 e concentra bancos, mercados, farmácias e agências de turismo. A rodoviária fica em uma via paralela, e dela dá para ir a pé ao centro. A circulação de carros na área histórica é restrita às ruas Domingos Gonçalves de Abreu, Josefina G. da Costa, Aurora e Fresca, que contornam o bairro e têm áreas para estacionar. Só evite parar nos arredores do cais, zona sujeita a alagamento por causa das chuvas e da maré. Além disso, não desobedeça as placas de proibido estacionar porque há muitos fiscais na região e a multa é certa. O melhor jeito para conhecer o centro histórico é a pé, com distâncias relativamente curtas. Para alcançar as melhores praias e cachoeiras, vá de carro ou barco.

Paraty, Rio de Janeiro, Brasil
Na maré alta, as ruas do centro histórico são invadidas pela água. gshinza/Pixabay

HOTÉIS E POUSADAS EM PARATY

O centro histórico reúne boa parte das pousadas mais charmosas – e caras – de Paraty. O luxo despretensioso está presente na Casa Turquesa, que não aceita menores de 14 anos: cada suíte possui uma decoração diferente e algumas contam com banheira de hidromassagem, mas todas possuem roupa de cama de 600 fios e amenities Granado. Já na Pousada Literária, o diferencial está no café da manhã servido na hora e no local que o hóspede preferir e nos livros deixados no quarto, selecionados de acordo com a preferência de leitura.

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Presença constante nas propagandas de filmes em VHS dos anos 1980 e 1990, a Pousada do Sandi se expandiu de lá para cá e passou a ser chamada de Sandi Hotel. Instaladas em um imponente solar do século 18, as 26 suítes possuem uma decoração moderna e colorida e mimam os hóspedes com enxoval e amenities Trousseau, além de brigadeiros deixados todas as noites na mesa de cabeceira. A vista dos janelões pode ser para a lateral da Igreja Nossa Senhora do Rosário ou para o jardim no pátio interno, onde também fica a jacuzzi, que deve ser reservada para garantir a privacidade de cada casal. Pelos corredores, os hóspedes param para admirar painéis e memorabilia de filmes antigos, incluindo uma cristaleira repleta de objetos pessoais de Carmen Miranda.

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Mas também é possível encontrar endereços de bom custo-benefício no centro histórico. A Pousada Arte Urquijo, ao lado da Igreja Santa Rita de Cássia, tem luz baixa e quadros coloridos da argentina Luz Urquijo nas paredes de pedra. A Pousada da Marquesa, por sua vez, fica na frente da Praça da Matriz e tem áreas sociais repletas de antiguidades e quartos simples, mas confortáveis. A Pousada Flor do Mar está numa rua de pouco barulho, apesar de estar próxima do agito dos bares e restaurantes do cais.

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Hospedagens econômicas ficam em bairros vizinhos, como Pontal, Caborê e Portal, de onde se chega ao centrinho caminhando. Feita com madeira de reflorestamento, a Pousada Águas de Paratii tem deque à beira do Rio Perequê-Açu e serve café da manhã em uma varanda. Também próxima do rio, a Pousada Corsário é uma boa opção para famílias com crianças: conta com piscina, salão de jogos e kid’s club. Outra é a Pousada Doce Paraty, a cinco minutos a pé do centro histórico, com piscina e uma pequena sala com brinquedos. Por fim, o Che Lagarto é um hostel que oferece tanto quartos compartilhados com beliches quanto quartos privativos com cama de casal. Busque outras opções de hospedagem em Paraty.

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ONDE COMER EM PARATY

Dentre os restaurantes mais sofisticados de Paraty, o Banana da Terra serve uma culinária caiçara requintada idealizada pela chef Ana Bueno. Proposta semelhante está presente no cardápio do Quintal das Letras, restaurante dentro da Pousada Literária que utiliza ingredientes frescos e sazonais vindos de uma fazenda nos arredores. 

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Já o restaurante da Pousada do Sandi é o Pippo, do chef siciliano de mesmo nome, que possui a sua própria criação de vieiras no Saco do Mamanguá e uma fábrica artesanal de frios em Cunha. É ele quem costuma pescar os peixes que serão servidos na casa, onde as paredes são decoradas com pôsters de filmes clássicos italianos. Também tem origens sicilianas a gastronomia do Punto di Vino, que assa pizzas no forno a lenha e serve massas com frutos do mar.

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Para quem busca um cenário diferente sem sair do centro histórico, o Refúgio fica em frente ao cais e possui mesas ao ar livre. Ali, mais uma vez, o foco são os frutos do mar. Se a ideia é variar, o Peró incorpora influências indígenas na elaboração de pratos à base de ingredientes nativos. Já o Thai Brasil prepara boa comida tailandesa utilizando ervas cultivadas em seu jardim, apesar de ser comandado pela chef alemã Marina Schlaghaufer.

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Opções mais econômicas no centrinho existem. O Quintal da Vó e o Van Gogh são hamburguerias artesanais. Para pizzas, considere o Da Cidade e o La Dolce Vita. Esse último também serve massas. Com mais jeito de barzinho, o Prosa na Praça tem menu executivo durante o almoço. Outro restaurante custo-benefício é o Arte e Sabor, onde são servidos PFs como o de picadinho e o de bobó de camarão.

Apesar da maioria das opções gastronômicas ficarem no centro histórico, há boas alternativas fora dele. O “franco-tropical” Le Gite d’Indaiatiba, a vinte quilômetros, serve peixes e frutos do mar realmente frescos: o chef francês Oliver de Corta busca robalos e camarões pescados na baía. Também merece destaque o ótimo Sancho Pança, no começo da estrada Paraty-Cunha, cujo carro-chefe é o prato de costela bovina que chega desfiando na chapa quente, acompanhado de queijo coalho, creme de aipim e feijão (que pode ser substituído pelo tutu de feijão). 

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=> COMIDINHAS Os pães recheados e doces regionais do Café Pingado são perfeitos para ganhar fôlego e partir para uma caminhada pelo centro histórico. Outra entidade na cidade é o Bombom da Maga, de chocolates artesanais. Não muito longe dali, a Casa das Latas também vende bombons, com a diferença de que eles podem ser levados para casa em latas decorativas – algumas delas, com desenhos dos cenários de Paraty. A Miracolo, que faz parte da Pousada do Sandi, prepara gelatos artesanais desde 1999. 

O QUE FAZER NO CENTRO HISTÓRICO DE PARATY

Um dia é suficiente para conhecer a pé todas as principais atrações do centro histórico de Paraty, que é fechado para carros. O ponto de partida pode ser o Forte Defensor Perpétuo, que foi construído em 1793 para proteger o escoamento de ouro da Estrada Real. Para chegar até ele, é preciso subir um morro a pé por um caminho pavimentado em meio à mata. Lá no alto, há uma belíssima vista da baía de Paraty e algumas peças originais, como canhões importados da Grã-Bretanha. 

Atravesse o Rio Perequê-açu e, de volta ao centro e seu calçamento irregular de pedras, admire a fachada da Igreja de Nossa Senhora das Dores, construída em 1800 de frente para a baía por mulheres da aristocracia local. Se for sábado, único dia em que ela abre para visitação, veja também o seu interior. Um pouco mais adiante, na mesma rua, fica um bonito sobrado do Período Imperial que pertence a Dom João de Orleans e Bragança.

Paraty, Rio de Janeiro, Brasil
O centro histórico de Paraty visto de cima. Jaume Galofré/Unsplash

Duas quadras para trás, a Igreja Matriz Nossa Senhora dos Remédios, inaugurada em 1873 e restaurada em 2011, é palco da principal festividade religiosa do município, a Festa do Divino. A poucos passos dali, o Cinema da Praça exibe filmes dentro de um casarão histórico revitalizado (consulte a programação no perfil do Instagram).

Numa esquina da Rua Doutor Samuel da Costa, a Casa da Cultura de Paraty recebe exposições temporárias (consulte a programação pelo site). A via desemboca na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos e São Benedito, construída em 1725. 

Percorra então a Rua do Comércio que, apesar da chegada de marcas como Hering, Osklen e Kopenhagen, ainda enfileira lojinhas de artesanato local. Vire na Rua Santa Rita para ver a Igreja de Santa Rita de Cássia, voltada para o mar. De 1722, ela abriga o Museu de Arte Sacra, com peças dos séculos 17, 18 e 19 que foram encontradas na região. Virado à direita na Rua Dona Geralda, o Teatro Espaço exibe um espetáculo com bonecos às 21h dos sábados.

Igreja de Santa Rita de Cássia, Paraty, Rio de Janeiro, Brasil
Igreja de Santa Rita de Cássia vista da baía. Auluz/Pixabay

 

=> FREE WALKING TOUR Várias histórias cercam o espetacular conjunto colonial de Paraty. Suas esquinas desencontradas facilitariam a defesa da cidade de ataques piratas. Como a área destinada à construção da vila era alagadiça, as ruas foram projetadas em formato de canal para ajudar no escoamento das águas. O calçamento, que torna difícil a tarefa de andar sem olhar para baixo, foi feito de pedras retiradas das cachoeiras da região. As fachadas de muitos casarões exibem símbolos maçônicos: desenhos geométricos, a cor azul e abacaxis, que representavam a nobreza por serem amarelos como ouro e terem coroas. Além disso, cada uma das igrejas da cidade eram destinadas a uma classe social: a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos e São Benedito recebia os negros, a Igreja Santa Rita de Cássia, os mulatos, a Igreja Matriz Nossa Senhora dos Remédios, os populares brancos e a Igreja de Nossa Senhora das Dores, a elite branca. Para saber mais detalhes de curiosidades como essas, vale embarcar em passeios guiados pelo centro histórico. O Free Walking Tour Paraty parte de quinta a terça-feira da Praça da Matriz, às 10h30 e às 17h, e tem duração de duas horas. Não é necessário reservar e, ao final, os participantes dão uma gorjeta no valor que quiserem para o guia.
Paraty, Rio de Janeiro, Brasil
Símbolos maçônicos na quina de sobrado em Paraty. Charles Assunção/Unsplash

PRAIAS E ILHAS EM PARATY

As praias mais próximas do centro histórico de Paraty, do Pontal, da Boa Vista e Jabaquara, têm mar escuro e de fundo lodoso que fica impróprio para banho em algumas épocas do ano. Por isso, quem deseja se banhar segue de carro para o bairro de Trindade, mais ao sul.

A primeira praia que se vê ao chegar no vilarejo é a do Cepilho, com ondas que arrebentam do lado direito e são palco para campeonatos de surfe. Porém, as mais concorridas são a de Fora, com uma profusão de bares e pousadas, e a do Meio, com barracas na areia que enchem de famílias. Dessa última saem a trilha (20 minutos) e os barcos (5 minutos) para a Praia do Cachadaço, onde a orla cercada de vegetação nativa tem areia branca e fininha. Apesar da sua localização mais isolada, ela lota durante o verão por causa das piscinas naturais. 

Praia do Cachadaço, Paraty, Rio de Janeiro, Brasil
Piscina natural na Praia do Cachadaço. Chostakovis/Wikimedia Commons

Quem busca tranquilidade pode preferir a Praia do Sono: o visual é imperdível por causa das águas esverdeadas, mas o mar é agitado e tem correnteza. Para chegar ali, é preciso pegar uma trilha de cerca de uma hora ou um barco na Praia do Meio (20 minutos). Algumas agências combinam a Praia do Sono em passeios para Antigos e Antiguinhos, duas enseadas separadas por uma ilhota de pedras onde não há sequer estrutura de barracas – só areia fofa, água transparente e montanhas contornando o desenho da praia. Elas também podem ser alcançadas a pé a partir da Praia do Sono  (30 minutos) ou de barco da Praia do Meio (30 minutos).

Outra possibilidade é pegar a Rio-Santos rumo ao norte. A maior praia da região é a de São Gonçalo, com uma orla extensa para fazer caminhadas e águas calmas. Dali partem táxi boats que realizam a travessia para duas ilhas logo em frente: a Ilha do Cedro e a Ilha do Pelado, ambas com águas transparentes e estrutura de restaurantes.

Demais praias e ilhas são visitadas em passeios de barco que saem do cais de Paraty. As escunas costumam visitar a Lagoa Azul, onde os tons verdejantes da baía ganham cores azuladas, a Praia da Lula, que tem águas claras e faixa de areia fofa parcialmente sombreada, e a Praia Vermelha, de areia avermelhada e pontilhada por coqueiros que garantem sombra natural. Em alguns casos, para-se também em Jurumirim para ver tartarugas-marinhas, que vez ou outra vêm à tona.

Lagoa Azul, Paraty, Rio de Janeiro, Brasil
Traineira faz parada para banho na Lagoa Azul. Vilamir Azevedo/Wikimedia Commons

Embarcar em uma traineira ou lancha pode dar mais flexibilidade para incluir no roteiro lugares como a Praia da Preguiça, ótimo ponto para mergulho com snorkel, e a Ilha dos Cocos, onde a água esverdeada é tão transparente que dá para ver os raios de sol refletindo no fundo do mar e, com sorte, arraias e tartarugas marinhas.

As lanchas, especificamente, também podem alcançar o imperdível Saco do Mamanguá. Com 33 praias e 8 quilômetros de extensão, a formação geográfica única no país se assemelha aos fiordes nórdicos: um braço de mar avança no continente entre duas montanhas, formando uma paisagem muito bonita. Além desse exuberante cenário, as mansões também chamam atenção: uma delas foi cenário das gravações de Amanhecer, da Saga Crepúsculo, e hoje se encontra escondida por árvores recém-plantadas para evitar os olhares de fãs curiosos. Logo acima dessa mansão fica uma formação rochosa apelidada de “Pão de Açúcar do Mamanguá”, que pode ser alcançado por uma trilha bastante íngrime de 1,4 quilômetro.

Saco do Mamanguá, Paraty, Rio de Janeiro, Brasil
Saco do Mamanguá visto de cima do “Pão de Açúcar do Mamanguá”. Eduardo Fonseca Arraes/Getty Images
=> TRAINEIRA, ESCUNA OU LANCHA? Existem três tipos principais de embarcações que fazem passeios em Paraty. Mais tradicionais, as chamadas traineiras são barcos pequenos, de madeira e geralmente coloridos. Nesse caso, a combinação dos passeios costuma ser informal: você acerta o roteiro e o valor direto com o barqueiro e na hora já sobe no barco para aproveitar o dia em alto-mar. Ao percorrer a Avenida Roberto Silveira, vários panfletos anunciando passeios de escuna serão estendidos a você. Bem maiores, esses barcos são divididos com outros turistas e tocam música alta. Os roteiros costumam ser parecidos, variando apenas a ordem das paradas: o mais comum vai para Lagoa Azul, Praia da Lula e Praia Vermelha. Com um orçamento mais alto, é possível contratar um passeio de lancha. Mais rápidas e exclusivas, essas embarcações garantem mais flexibilidade de roteiro e conseguem alcançar o Saco do Mamanguá. Algumas agências que oferecem o serviço são Nectar, Paraty Tours e Paraty Adventure.

CACHOEIRAS, TRILHAS E OUTROS PASSEIOS EM PARATY

Afastando-se do centro de Paraty, existem outras possibilidades de passeios de natureza. A cachoeira mais famosa da região é a do Tobogã, que recebe esse nome por ter uma enorme pedra onde a água escorre naturalmente até cair num poço de água fria: como ela é lisinha, é possível escorregar sentado ou deitado. O acesso é feito por carro: são cerca de vinte minutos saindo do centro histórico. Subindo uma trilha de cem metros, chega-se ao Poço do Tarzan, uma piscina natural. 

Cachoeira do Tobogã, Paraty, Rio de Janeiro, Brasil
Na Cachoeira do Tobogã, pedra lisa permite escorregar até o poço. Mike Peel/Wikimedia Commons

Porém, em termos de beleza, ganham as cachoeiras da Usina e Pedra Branca, também alcançáveis de carro (30 minutos). A primeira queda possui um poço para banho, mas exige mais conhecimento sobre a correnteza. É mais seguro e gostoso se banhar na segunda cachoeira, subindo por uma trilha de cinco minutos, que tem ducha e piscinas naturais. 

As experiências também são tranquilas no Poço da Laje e no Poço das Andorinhas, piscinas naturais cercadas por pedras que acabam servindo para tomar sol. Elas ficam a cerca de 20 minutos de carro do centro da cidade e, do estacionamento, basta fazer uma curta caminhada para chegar ao Poço da Laje. O Poço das Andorinhas fica 200 metros acima.

Entre as trilhas, se destaca a do Caminho do Ouro, que passa por um trecho da estrada construída por escravos nos séculos 18 e 19 para o transporte do ouro entre Minas Gerais e Paraty. O percurso possui 2,5 de extensão, dura cerca de duas horas e deve ser feito com o acompanhamento de um guia. O acesso fica em frente à Igreja de Nossa Senhora da Penha, no bairro da Penha, próximo à Cachoeira do Tobogã.

Caminho do Ouro, Paraty, Rio de Janeiro, Brasil
O Caminho do Ouro passa pela Mata Atlântica e tem calçamento de pedras (escorregadias). Glauco Umbelino/Wikimedia Commons

Outro passeio permite conhecer uma comunidade quilombola. Fundado no fim do século 19 por três ex-escravas, o Quilombo do Campinho abriga cerca de 120 famílias e recebe visitantes, que podem conversar com os membros mais antigos da comunidade, comprar o artesanato em palha e provar a culinária típica quilombola durante um almoço servido no local. Fica no quilômetro 584 da BR-101

Já a visita à Fazenda Bananal, do século 17, possui foco em sustentabilidade: é possível conhecer a horta e o pomar, que não utilizam agrotóxicos; a agro-floresta, com espécies frutíferas, madeireiras, palmitos, legumes, raízes e grãos cultivados em meio à mata nativa; e uma queijaria que utiliza o leite das vacas e cabras criadas no local. O espaço oferece ainda atividades de observação de aves e sessões de yoga, além de um restaurante que prepara pratos a partir do que é cultivado e produzido in loco. Ela fica no caminho para as cachoeiras da Usina e Pedra Branca.

CACHAÇARIAS EM PARATY

Paraty foi a grande produtora de cachaça durante o Brasil Colônia e Império. Histórias contam que os mineiros, hoje mestres no assunto, teriam aprendido os segredos da produção da bebida justamente na cidade carioca, quando passavam ali para transportar ouro entre os dois estados. Alguns alambiques podem ser visitados. No Coqueiro, o tour guiado conta a história da família, que está na quinta geração e produz cachaça desde 1803. O Engenho D’Ouro pode ser encaixado em um passeio até a cachoeira do Tobogã, que fica próxima. Já a Paratiana fica no caminho para as cachoeiras Poço da Usina e Pedra Branca e produz a famosa cachaça Gabriela, com cravo e canela. A Maria Izabel, por sua vez, é a cachaçaria mais artesanal de Paraty, comandada pela paratiana de mesmo nome, que recebe os visitantes e explica sobre o processo de produção. As lojas Armazém da Cachaça e o Empório da Cachaça, ambas no centro histórico, reúnem esses e outros rótulos.

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ONDE COMPRAR EM PARATY 

O Armazém Santo Antônio vende os balões coloridos de papel machê e cabaça tão associados à cidade. Marisa Bidone lapida joias e bijuterias. O Ateliê Aracati transforma moedas antigas do mundo todo em pingentes. Patrícia Sada usa folhas e galhos de árvores para criar objetos de decoração. Aécio Sari exibe em sua galeria pinturas de figuras humanas alongadas. A Livraria das Marés destaca livros sobre Paraty e região. O Cestarias Regio vende uma cesta mais linda que a outra, além de bolsas e cachepôs. O Ao Cubo é o lugar para comprar lembrancinhas, como chaveiros, imãs e afins.

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