Ouro Preto ganha museu de arte barroca

O Museu Boulieu conta com 1.500 peças em exposição e traz uma visão internacional do movimento artístico

Por Agência Brasil Atualizado em 19 abr 2022, 11h14 - Publicado em 19 abr 2022, 10h24

Mais nova atração de Ouro Preto, o Museu Boulieu foi inaugurado no dia 13 de abril nas instalações do antigo Asilo São Vicente de Paulo, que fica bem na entrada da cidade, com a coleção do casal que dá nome à instituição.

A recuperação do imóvel e a montagem da exposição levou quatro anos para ser concluída devido à pandemia e foi realizada pelo Instituto Pedra, organização sem fins lucrativos que desenvolve ações na área do patrimônio cultural. O patrocínio foi do Instituto Cultural Vale, que investiu R$ 8 milhões no projeto por meio da Lei Rouanet.

A edificação tem área de quase 400m² para exposição no pavimento superior, compreendendo seis salas. A coleção foi doada pelo casal de colecionadores Jacques e Maria Helena Boulieu e reúne, em sua maioria, obras de origem asiática e latino-americana, com destaque para o período barroco.

Museu Boulieu, Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil
O museu está instalado no casarão que era o antigo Asilo São Vicente de Paulo. Crédito: Museu Boulieu/Divulgação

Tendo vivido boa parte da vida entre o Brasil e a França, o casal decidiu doar a coleção para a criação do museu em Ouro Preto devido ao seu apreço pessoal pela cidade. A ideia era deixar o legado como parte do patrimônio local que, com o acervo, ganhará uma visão internacional do barroco.

“Principalmente o que a gente pode chamar de diáspora do barroco ibérico para a Ásia e para a América Latina. É um museu raro no Brasil , porque o acervo dele é mais internacional do que brasileiro. É importante, porque está em Ouro Preto e contextualiza o que a gente tem como fenômeno universal”, descreve Nando Almeida, diretor-presidente do Instituto Pedra. 

Museu Boulieu, Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil
Museu Boulieu/Divulgação

Segundo Almeida, as peças expostas também mostram o sincretismo religioso na representação artística. “Determinados elementos indianos estão na tipologia imaginária cristã da Ásia, determinados elementos incas estão na tipologia da pintura andina. Tudo isso permite que a gente tenha uma leitura mais complexa desse processo de extensão dos impérios e da fé dos europeus”, explica.

Além de esculturas e pinturas, há ainda móveis, utensílios domésticos, pratarias, vasos de cerâmica, tecidos antigos e um pequeno conjunto de peças arqueológicas pré-colombianas. O curador da exposição e atual prefeito de Ouro Preto, Angelo Oswaldo, decidiu expor apenas 1.050 das 2.500 peças que compõem a Coleção Boulieu. A ideia é que os itens restantes façam parte de exposições temporárias.

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No saguão, o visitante conhece a história do casal Boulieu e a origem da coleção. No piso superior, ele é recebido por poemas de Fernando Pessoa e Luiz de Camões, na voz da cantora Maria Bethânia. O restante da exposição foi idealizado como uma viagem da Índia ao Brasil, passando por diferentes civilizações que tiveram contato com o barroco (para se aprofundar na vertente brasileira do movimento artístico, confira o livro Barroco e Rococó no Brasil de Myriam Ribeiro de Oliveira, uma das principais especialistas em Barroco no mundo).

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Exposição temporária

A abertura do novo espaço será marcada pela mostra temporária Aleijadinho – Fotografias de Horacio Coppola, feita em parceria com o Instituto Moreira Salles. O conjunto de fotografias retrata as obras do escultor brasileiro Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, a partir da viagem feita por Coppola a Minas Gerais, em 1945. As imagens ficarão expostas até 30 de julho.

Serviço

O Museu Boulieu fica na Rua Padre Rolim, 412. Ele funciona de quarta-feira a segunda-feira das 10h às 18h. O ingresso custa R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia), sendo que às quartas-feiras a entrada é gratuita das 13h às 22h. Maiores informações no site do museu.

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