Roteiro de 48 horas em Ouro Preto e Mariana

História, cultura, boa comida e lindas paisagens na Estrada Real

Por Eduardo Jun Marubayashi Atualizado em 11 set 2021, 00h01 - Publicado em 21 fev 2012, 16h29

Quem adentra a nave da Igreja de Nossa Senhora do Pilar, em Ouro Preto, terá uma visão inesquecível. O rebuscamento de suas formas, numa miríade infindável de anjos, santos e motivos florais preenche a vista do turista como poucos lugares no mundo. O ambiente escuro, repleto de jogos de sombra e luz, deixa transparecer os adornos folheados em ouro e o impactante movimento dos volumes. Simplesmente inesquecível.

Tesouros como este fizeram a fama de Ouro Preto e tornaram-na o primeiro sítio brasileiro listado como patrimônio da humanidade pela Unesco, em 1980. De lá para cá, algo da paisagem urbana foi bastante prejudicada e edifícios históricos ruíram ou foram incendiados. No entanto, um dos melhores conjuntos do barroco nacional ainda atrai turistas de todo o mundo – com muito vigor.

Não é para menos: não bastasse o fausto de suas igrejas, suas ruas ainda conservam o charme da antiga Vila Rica e seus restaurantes trazem surpresas deliciosas, tudo com um toque de irreverência conferido por seus milhares de universitários. Este é um pequeno roteiro de 48 horas em Ouro Preto e Mariana para aproveitar esse tesouro de todos nós.

Dia 1

Poucas coisas se comparam a abrir a janela do quarto de seu hotel e ver torres de igrejas e telhados coloniais envoltos em uma suave bruma. Com os raios do sol vencendo a névoa, descortina-se ao longe a Pico do Itacolomi. Com uma xícara de café fumegante e um pãozinho de queijo em mãos, isso é quase a definição de felicidade. Mas vamos deixar de preguiça e começar o nosso roteiro.

Comece com a Igreja de São Francisco de Assis. Estudantes de história da arte e de arquitetura vão chegar ao êxtase com o lavabo em pedra-sabão da sacristia e o medalhão do santo dos animais na fachada, obras de Aleijadinho. O forro da nave, de Mestre Ataíde, é de uma arrebatadora inspiração.

Na saída, cheque a feira de artesanatos no Largo de Coimbra, repleto de ofertas de produtos esculpidos na onipresente pedra-sabão, incluindo panelas, cumbucas e esculturas. Ladeira acima, conheça a Praça Tiradentes, onde está o Museu da Inconfidência. A antiga Casa de Câmera e Cadeia de Vila Rica hoje abriga os restos mortais de alguns inconfidentes, o panteão dos participantes do movimento e objetos históricos.

Alguns passos para o lado e você encontrará a bela Igreja de Nossa Senhora do Carmo, um pouco menos ornamentada que suas irmãs, em estilo barroco-rococó. De lá siga para o curioso Museu do Oratório e sua magnífica coleção de mais de 160 oratórios dos séculos 17 ao 20 e o Teatro Municipal, considerado o mais antigo do Brasil ainda em funcionamento.

Pausa para o almoço: aqui ou você se rende à tríade arroz-tutu-couve (o que é tentador) ou tenta variar um pouco. Levemente lesado depois de se fartar com feijão tropeiro, linguiça e torresmos, vá queimar calorias caminhando até a Casa dos Contos.

A antiga casa de pesagem e fundição de ouro era onde o quinto era recolhido. O local serviu de prisão para alguns inconfidentes e foi o local onde morreu o poeta Claudio Manuel da Costa. Veja as exposições de instrumentos da época. Agora suba outra rua bem íngreme, a Henrique Adeodato, para chegar à Igreja de São Francisco de Paula e curtir a melhor vista da cidade.

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Dia 2

Acorde cedinho para conhecer a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição. Projetada por Manuel Francisco Lisboa, pai de Aleijadinho, em sua nave encontram-se as sepulturas de ambos.

Reserve agora um tempinho para ir até Mariana. Vizinha de Ouro Preto, uma das formas mais curiosas de se chegar lá é com a maria-fumaça. Tente um assento do lado do direito e você será recompensado por belas vistas de montanhas e cachoeiras que pontilham o trajeto.

Mariana foi outrora uma das mais ricas cidades de Minas Gerais, ocupando o privilégio de ser sua capital. Um pouco desse passado importante permanece na – sede da arquidiocese de Mariana.

Outras atrações bacanas estão todas em torno da praça Minas Gerais: as igreja de São Francisco de Assis e Nossa Senhora do Carmo e a Casa de Câmera e Cadeia. Esta tríade, juntamente com o pelourinho, contam um pouco da história da cidade e seu passado colonial.

Ao voltar para Ouro Preto, siga agora para a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. Por séculos, aos escravos e negros libertos era negada a entrada em igrejas. Para tanto, irmandades de ‘homens pretos’ construíram templos para seu uso, quase todas dedicadas a Nossa Senhora do Rosário, como é o caso das que se encontram em Tiradentes (MG) e Salvador (BA). Essa é uma das razões para ela ser uma das menos ornamentadas da cidade, mas sua fachada curva e elegantes formas valem a visita.

Por fim, vamos a uma das maiores joias da arquitetura brasileira, a Igreja de Nossa Senhora do Pilar. A fachada um tanto sem graça e oblíqua (em relação à rua) não nos prepara para o que iremos presenciar. Este é um dos exemplos máximos da arte barroca brasileira e um dos pontos altos de toda a Estrada Real. Vale a pena contratar um guia para não perder detalhes de sua construção e decoração.

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