Giverny e Chantilly: dois belos passeios nos arredores de Paris

Esqueça a muvuca de Versailles. Giverny e Chantilly ficam pertinho da capital francesa e reúnem arte, charme e belíssimas atrações

O lindo Castelo de Chantilly: cenário de contos de fadas longe da muvuca de Versailles

O lindo Castelo de Chantilly: cenário de contos de fadas longe da muvuca de Versailles (Rachel Verano/Reprodução)

Paris está a um pulinho de Lisboa – são pouco mais de duas horas de voo e dezenas de saídas diárias (apenas a TAP opera nada menos que até sete voos diretos por dia, além de cias como Air France e as low-cost Transavia, Ryanair ou Easyjet). Não é raro encontrar promoções a cerca de € 100 pelo bilhete de ida e volta, o que faz da capital francesa uma bela escapada quando se está na Terrinha.

A ruinha principal de Chantilly: um charme de cidade

A ruinha principal de Chantilly: um charme de cidade (Bruno Barata/Reprodução)

Da última vez que caí em tentação, algumas semanas atrás, estávamos no auge do verão, Paris estava lo-ta-da e resolvi me dedicar a explorar seus arredores. Há inúmeros passeios interessantíssimos de bate-e-volta, mas eu tinha alguns pré-requisitos: não estarem entupidos de gente; serem tranquilos para passar a noite; estarem a até uma hora de distância; terem uma componente artística.

Cantinhos especiais de Giverny: cidade jardim

Cantinhos especiais de Giverny: cidade jardim (Rachel Verano/Reprodução)

E foi assim que fui parar em duas verdadeiras joias: Giverny, a cidade do pintor Claude Monet que eu já conhecia por ter ido passar um dia quase uma década atrás; e Chantilly, dona de um castelo de cinema que abriga a segunda maior coleção de arte antiga da França, depois apenas do Museu do Louvre (não, eu também não sabia disso antes de começar a pesquisar! Aliás, preciso confessar que a primeira coisa que me vinha à cabeça era o casamento de Ronaldo e Daniela Cicarelli, que aconteceu ali em 2005). A elas!

Giverny ao fim do dia: adeus, multidões, bem-vindo pôr-do-sol

Giverny ao fim do dia: adeus, multidões, bem-vindo pôr-do-sol (Rachel Verano/Reprodução)

Giverny, um imenso jardim

Como chegar: são 75 quilômetros desde Paris e a melhor maneira é ir de trem (veja mais informações sobre horários e preços no site da SNCF). Basta embarcar na estação de Saint-Lazare (conectada ao metrô) em direção a Vernon. A viagem dura cerca de 45 minutos. Cada vez que o trem chega em Vernon há saídas de ônibus casadas rumo à vizinha Giverny, a menos de 10 quilômetros de distância. Os horários de volta também são combinados com as saídas de trem de volta a Paris.

A casa onde Monet viveu por maus de quatro décadas: museu vivo

A casa onde Monet viveu por maus de quatro décadas: museu vivo (Rachel Verano/Reprodução)

Principal atração: a Fondation Claude Monet, um museu instalado na casa onde o pintor viveu por 43 anos, entre 1883 e 1926. Ali as grandes atrações são os jardins, verdadeiras paixões do mestre, que foram parar em dezenas de telas. Uma equipe de 15 jardineiros cuida para deixá-lo impecável diariamente – são milhares de espécies de plantas. O cantinho mais famoso  – e instagramável! – é o do lago, onde ficam as ninféias e a linda ponte japonesa. A casa, com cômodos que reproduzem fielmente como era o imóvel quando o pintor e sua família estavam por lá, também é linda. A visita termina em uma das mais saborosas lojinhas de museu da França (além de objetos relacionados ao pintor e seu acervo, há artigos ligados ao mundo da jardinagem, das plantas, dos animais…).

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Moet na entrada de Giverny: filho ilustre

Moet na entrada de Giverny: filho ilustre (Bruno Barata/Reprodução)

O que mais? A pequenina Giverny soma apenas cerca de 500 habitantes, e passear por suas ruas é como entrar em outro mundo. Todas as casas cultivam enormes jardins coloridos e perfumados. Há antiquários, lojinhas, bons restaurantes e o ótimo Museu dos Impressionismos.

Noodles com lagosta doLe Jardin des Plumes: estrela Michelin

Noodles com lagosta doLe Jardin des Plumes: estrela Michelin (Bruno Barata/Reprodução)

Momento especial: quando a casa do Monet fecha as portas, às 18h, todo mundo corre de volta para Paris. É quando a cidade fica ainda mais mágica, sem quase ninguém nas ruas e mais linda do que nunca. Inesquecível sair para jantar quase 21h com o sol se pondo e dourando todo o casario de pedra.

Pratos do menu do La Musardière: grand finale

Pratos do menu do La Musardière: grand finale (Bruno Barata/Reprodução)

Onde comer: há poucos e bons restaurantes em Giverny. Um deles, o Le Jardin des Plumes, tem uma estrela Michelin e menus a € 55 (três etapas), € 92 (cinco etapas) e € 105 (sete etapas). O menu infantil sai a € 22 com entrada, prato principal e sobremesa.  Entre os pratos, que mais parecem obras de arte, há combinações com leve sotaque asiático, caso dos noodles udon com lagosta e shitake, ao molho de gengibre. Todos os vinhos servidos são orgânicos e naturais. Com a consultoria do mesmo chef (o jovem David Gallienne), o La Musardière é uma opção mais informal e também mais em conta (o menu de dois pratos – entrada e prato principal ou prato e sobremesa sai a € 23; e o de três, com entrada, prato e sobremesa, a € 29; o menu infantil custa € 11). Entre as criações, gazpacho de pepino com menta e queijo de cabra e um saboroso porco laqueado.

Há ainda uma terceira boa opção, mais tradicional, no coração da cidadezinha: o Ancien Hôtel Baudy, cuja história remonta aos últimos anos do século 19. Ali, o menu de entrada, prato e sobremesa custa € 29,90 (o infantil, € 11,50). Há terrine de foie de aves ou de queijo fresco de cabra, brochette de cordeiro, confit de pato ao molho de mel e, para encerrar, maçã assada com calda de caramelo e sorvete de baunilha.

O Jardin des Plumes visto de cima: oásis

O Jardin des Plumes visto de cima: oásis (Bruno Barata/Reprodução)

Onde ficar: sobram guesthouses e bed & breakfasts pela vila – quase toda casinha tem uma placa na porta avisando que recebe hóspedes. Mas verdade seja dita: não é um destino barato; mesmo as opções muito simples rondam os € 100 por noite. Para uma experiência especial, vale ficar hospedado no Le Jardin des Plumes, onde está também o único restaurante estrelado da região. Dono de um gostoso jardim com direito a um pequeno lago e espreguiçadeiras, tem quartos com banheira junto à cama, um ótimo e aconchegante café da manhã e diárias desde € 170.

O Castelo de Chantilly: conto de fadas

O Castelo de Chantilly: conto de fadas (Rachel Verano/Reprodução)

Chantilly, um castelo de conto de fadas

Como chegar: Chantilly está a apenas 40 quilômetros de Paris e a melhor maneira de ir até lá é de trem. A viagem dura só 25 minutos e parte da supercentral Gare de Lyon (veja mais informações sobre horários e preços no site da SNCF). Uma vez na cidadezinha, desça na estação Chantilly-Gouvieux, a mais perto de tudo.

A biblioteca do Castelo de Chantilly: 30 mil volumes

A biblioteca do Castelo de Chantilly: 30 mil volumes (Bruno Barata/Reprodução)

Principal atração: o Castelo de Chantilly, erguido na segunda metade do século 16, que mais parece cenário de contos de fadas, com direito a torres pontiagudas, lagos, florestas e um belo jardim assinado por ninguém menos que André Le Nôtre, o mesmo nome por trás do paisagismo do Palácio de Versailles e do Jardin des Tuileries, de Paris. A maior vantagem: ter tudo aquilo só para você, inexplicavelmente com pouca gente por perto (e ainda a possibilidade de explorar tudo num carrinho de golfe alugado a € 25 por hora, para até quatro pessoas). Vale reservar um dia inteiro para explorar os cantinhos mais especiais – a biblioteca com estantes recheadas com 30 mil volumes; o acervo de obra de arte, que só rivaliza com o do Louvre; a imensa floresta antigamente usada como campo de caça, hoje dona de belas trilhas e pequenas surpresas (há uma criação de cangurus!).

A coleção de arte do castelo: só perde para o Louvre

A coleção de arte do castelo: só perde para o Louvre (Rachel Verano/Reprodução)

O que mais? O Domaine de Chantilly (toda a área oficial ao redor do castelo) é famosíssimo pelos estábulos, construídos em 1740. Ainda hoje a cidade é palco de nobres eventos do mundo equestre e referência no tema em todo o mundo. Os Grand Écuries (Grandes Estábulos) abrigam dezenas de animais (muitos da raça lusitana) e há lindas apresentações diariamente. Há bilhetes combinados com a entrada do castelo. Além disso, a cidadezinha é uma graça, com suas lojinhas e cafés.

O espetáculo dos estábulos: imperdível

O espetáculo dos estábulos: imperdível (Bruno Barata/Reprodução)

Momento especial: o pôr-do-sol nos jardins do castelo durante o verão. Depois que as portas do castelo se fecham (às 18h entre os meses de abril e outubro), os jardins ainda ficam abertos por um tempinho (até às 20h). O espaço fica ainda mais vazio e mágico, com uma luz que tinge tudo de dourado, e é o cenário ideal para um piquenique.

Tarte tatin com creme chantilly no La Capitainerie

Tarte tatin com creme chantilly no La Capitainerie (Bruno Barata/Reprodução)

Onde comer e ficar: O restaurante La Capitainerie, dentro do Castelo, ocupa as antigas cozinhas da propriedade que inventou o creme chantilly (não há melhor lugar para prová-lo!). Durante o almoço, serve pratos tradicionais da cozinha francesa. À tarde é a vez de tortinhas e guloseimas para acompanhar o chá. Perfeito para quem está praticando a política do “eu mereço”, o melhor hotel da cidade é o Auberge du Jeu de Paume (diárias desde € 306), cujos fundos se abrem para os domínios do castelo. Parte da rede Relais & Châteaux, ocupa um edifício histórico e tem ambientes clássicos e pomposos, além de um bom spa. Um de seus restaurantes, o Table du Connetable, tem uma estrela Michelin. O outro, chamado Le Jardin d’Hiver, é mais informal e tem simpáticas mesinhas espalhadas pelo pátio interno. Uma boa opção mais econômica é o Manoir des Cavaliers (diárias desde € 123), uma linda propriedade de ares campestres com paredes cobertas de hera, um gostoso jardim com piscina e interiores superfranceses, com toques florais e de cor.

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