Abu Dhabi não oferecerá vacina contra Covid-19 a turistas

Além de não ser tão simples quanto parece, o chamado "turismo de vacinação" esbarra em dilemas éticos; entenda

Por Bárbara Ligero Atualizado em 30 jun 2021, 13h40 - Publicado em 23 jun 2021, 12h30

No dia 11 de junho, correu a notícia de que a partir de então as vacinas contra a Covid-19 estavam sendo disponibilizadas de maneira gratuita a todas as pessoas que possuíam um “visto de entrada” em Abu Dhabi, o que inevitavelmente abria a possibilidade de imunizar turistas estrangeiros. Para se tornar apto a receber as doses da Pfizer-BioNTech ou da Sinopharm, bastava se inscrever no aplicativo da Autoridade Sanitária de Abu Dhabi, o SEHA. Na ocasião, a mudança foi interpretada como um lançamento discreto do chamado “turismo de vacinação” nos Emirados Árabes, apesar da vizinha Dubai ter mantido a sua orientação de que apenas cidadãos e residentes permanentes poderiam ser vacinados.

No dia 24 de junho, no entanto, o Comitê de Emergência, Crise e Desastres de Abu Dhabi deixou claro que tudo não passou de um engano. A informação errada teria sido provocada por uma atualização no aplicativo de agendamento de vacinação do emirado, que passou a permitir que os usuários inserissem o número de vistos de turismo válidos no momento cadastro. No entanto, a intenção do governo era permitir apenas o cadastro que pessoas que já estão no país com o seu visto de turismo expirados. Isso porque muitos novos residentes entram no país com vistos de turismos, que expiram antes deles receberem os de residência.

Mesmo que Abu Dhabi realmente estivesse imunizando turistas, a viagem até lá não seria nada simples. Para entrar nos Emirados Árabes em um voo do Brasil com destino a Abu Dhabi e conexão na Europa, por exemplo, os viajantes devem realizar pelo menos três testes RT-PCR: o primeiro até 96 horas antes do embarque, o segundo na chegada ao aeroporto e o terceiro no sexto dia de uma quarentena de dez dias. No caso de viagens mais longas, é necessário fazer um quarto teste no 12º dia no país.

A entrada de passageiros vindos do Brasil por Dubai é mais comum, já que a Emirates possui voos diretos de São Paulo, e relativamente mais simples. É preciso realizar um teste RT-PCR até 72 horas antes do embarque e outro na chegada ao aeroporto, mas caso os dois resultados sejam negativos, não é necessário cumprir quarentena ou fazer mais exames. Se o turista quiser seguir de lá para Abu Dhabi por via terrestre sem ter que cumprir quarentena, é preciso passar dez dias em Dubai e só então seguir para o emirado vizinho com um teste RT-PCR realizado até 48 horas antes. Mas, ainda assim, será necessário fazer novos exames no sexto e no 12º dia em Abu Dhabi. Ou seja, é uma função daquelas.

Turismo de vacinação

Além de não ser tão simples quanto parece, o chamado “turismo de vacinação” esbarra em dilemas éticos. Além da problemática de viajar para o exterior em meio à pandemia do novo coronavírus, existe o apelo da Organização Mundial da Saúde (OMS) para que qualquer dose excedente seja doada ao Covax Facility, que faz a redistribuição às nações mais pobres. Também é indiscutível que a prática é altamente elitizada, já que é preciso dispor de tempo e dinheiro para viajar com o intuito de ser vacinado. Ainda assim, o “turismo de vacinação” é uma realidade entre alguns países que já imunizaram boa parte da população e agora usam as suas “sobras” para tentar recuperar o abalado setor do turismo, como é o caso da Rússia, Cuba, San Marino, Panamá e, futuramente, das Ilhas Maldivas.

O destino queridinho, porém, tem sido os Estados Unidos. Apesar da determinação oficial da Casa Branca ser de que apenas cidadãos norte-americanos e residentes do país podem ser vacinados contra a Covid-19, cabe a cada estado decidir que documentos serão solicitados nos postos de imunização. Os relatos são de que em cidades altamente turísticas como Nova York, Orlando e Miami, as doses estão sendo aplicadas sem grandes burocracias. Como continua proibida a entrada de qualquer viajante que esteve no Brasil nos últimos 14 dias, brasileiros endinheirados têm passado duas semanas em países fora do bloqueio sanitário, principalmente o México.

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