Será que Porto Seguro vai ter Réveillon?

Um dos destinos mais importantes para o turismo no Brasil está pronto para a alta temporada, mas moradores temem as aglomerações e uma possível quarentena

Porto Seguro é um dos destinos que mais dependem do turismo no Brasil e os cinco meses em que permaneceu fechado por conta do pandemia foi um baque para hoteleiros, guias e toda uma cadeia de fornecedores. Moradores da cidade e também de Arraial D’Ajuda, Trancoso e Caraíva foram obrigados a se virar nos trinta. Quem trabalhava com turismo se viu de um dia para o outro tendo que recorrer à ajuda do governo ou fazer algum bico na construção civil, setor que aqueceu durante a pandemia.

No último fim de semana estive em Arraial D’Ajuda e em Trancoso e o que vi foram vilarejos com quase tudo aberto, vivos e com pessoas muito otimistas com a retomada. Os hotéis podem funcionar com 70% da ocupação e muitos estão próximos a essa marca. É o caso do Club Med, em Trancoso. Em julho, quando passou a aceitar novas reservas, a direção do resort acreditava que seria um processo lento, que as pessoas demorariam para criar coragem e sair de casa. Não foi o que ocorreu. O call center da empresa, que estava reduzido, não deu conta do número de ligações e de pedidos insistentes de gente que implorava por uma reserva.

Agora que estamos nas barbas do Ano Novo, começam a pipocar anúncios de festas privadas, algumas em lugares sem estrutura porque essa ainda é a razão de ser de alguns poucos destinos (ainda bem!). Um deles é Santo André, pequeno vilarejo ao norte de Porto Seguro onde uma empresa do Rio de Janeiro está organizando seis dias de festas a partir de 27 de dezembro em um bar de praia com capacidade para receber até 600 pessoas (a população do vilarejo é de 800 habitantes). Sempre é bom lembrar: a Europa está em pleno repique de contaminações por conta das aglomerações que ocorreram no verão.

Mas neste momento a preocupação de pessoas ligadas ao turismo com quem eu conversei não é se vai haver festa, mas se o Sul da Bahia não estará no auge de uma nova onda de contaminações e, portanto, em toque de recolher.

Neste momento, há uma tendência de queda de novos casos de covid, mas há uma preocupação em vista. Estamos na reta final do primeiro turno das eleições e não é difícil perceber como algumas prefeituras afrouxaram as medidas com o intuito de ganhar a simpatia do eleitorado. No último sábado em Trancoso topei com uma carreata de candidatos a vereador na dispersão do Quadrado. Muita gente não usava máscara.

Porto Seguro foi rigorosa na condução da pandemia, tanto que o número de casos foi pequeno por muito tempo. Junho chegou e com ele os folguedos de São João, que deixou muitos baianos com o pé que é um leque. As festas oficiais foram canceladas, mas as pessoas viajaram e se reuniram e o resultado foi 100% dos leitos de UTI ocupados em Porto Seguro, tanto que a reabertura programada para 15 de julho precisou ser adiada para 5 de agosto (Caraíva só reabriu em 1º de setembro).

Outra questão é que, a essa altura, a maioria das pousadas está lotada para a virada do ano. Uma pesquisa rápida no Booking trouxe que 90% das hospedagens em Arraial D’Ajuda, por exemplo, não tem mais vagas para o Réveillon. Quem já fechou a viagem, é torcer para que as restrições não sejam totais. E a recomendação é evitar aglomerações, sobretudo no miolo das barracas de praia no Mucugê, que até o último fim de semana não sabiam o que era distanciamento entre espreguiçadeiras. Por sorte, praia linda e deserta é o que não falta por lá.

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