Será que Porto Seguro vai ter Réveillon?

Um dos destinos mais importantes para o turismo no Brasil está pronto para a alta temporada, mas moradores temem as aglomerações e uma possível quarentena

Por Fabricio Brasiliense Atualizado em 11 nov 2020, 10h28 - Publicado em 10 nov 2020, 18h34

Porto Seguro é um dos destinos que mais dependem do turismo no Brasil e os cinco meses em que permaneceu fechado por conta do pandemia foi um baque para hoteleiros, guias e toda uma cadeia de fornecedores. Moradores da cidade e também de Arraial D’Ajuda, Trancoso e Caraíva foram obrigados a se virar nos trinta. Quem trabalhava com turismo se viu de um dia para o outro tendo que recorrer à ajuda do governo ou fazer algum bico na construção civil, setor que aqueceu durante a pandemia.

No último fim de semana estive em Arraial D’Ajuda e em Trancoso e o que vi foram vilarejos com quase tudo aberto, vivos e com pessoas muito otimistas com a retomada. Os hotéis podem funcionar com 70% da ocupação e muitos estão próximos a essa marca. É o caso do Club Med, em Trancoso. Em julho, quando passou a aceitar novas reservas, a direção do resort acreditava que seria um processo lento, que as pessoas demorariam para criar coragem e sair de casa. Não foi o que ocorreu. O call center da empresa, que estava reduzido, não deu conta do número de ligações e de pedidos insistentes de gente que implorava por uma reserva.

Agora que estamos nas barbas do Ano Novo, começam a pipocar anúncios de festas privadas, algumas em lugares sem estrutura porque essa ainda é a razão de ser de alguns poucos destinos (ainda bem!). Um deles é Santo André, pequeno vilarejo ao norte de Porto Seguro onde uma empresa do Rio de Janeiro está organizando seis dias de festas a partir de 27 de dezembro em um bar de praia com capacidade para receber até 600 pessoas (a população do vilarejo é de 800 habitantes). Sempre é bom lembrar: a Europa está em pleno repique de contaminações por conta das aglomerações que ocorreram no verão.

Mas neste momento a preocupação de pessoas ligadas ao turismo com quem eu conversei não é se vai haver festa, mas se o Sul da Bahia não estará no auge de uma nova onda de contaminações e, portanto, em toque de recolher.

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Neste momento, há uma tendência de queda de novos casos de covid, mas há uma preocupação em vista. Estamos na reta final do primeiro turno das eleições e não é difícil perceber como algumas prefeituras afrouxaram as medidas com o intuito de ganhar a simpatia do eleitorado. No último sábado em Trancoso topei com uma carreata de candidatos a vereador na dispersão do Quadrado. Muita gente não usava máscara.

Porto Seguro foi rigorosa na condução da pandemia, tanto que o número de casos foi pequeno por muito tempo. Junho chegou e com ele os folguedos de São João, que deixou muitos baianos com o pé que é um leque. As festas oficiais foram canceladas, mas as pessoas viajaram e se reuniram e o resultado foi 100% dos leitos de UTI ocupados em Porto Seguro, tanto que a reabertura programada para 15 de julho precisou ser adiada para 5 de agosto (Caraíva só reabriu em 1º de setembro).

Outra questão é que, a essa altura, a maioria das pousadas está lotada para a virada do ano. Uma pesquisa rápida no Booking trouxe que 90% das hospedagens em Arraial D’Ajuda, por exemplo, não tem mais vagas para o Réveillon. Quem já fechou a viagem, é torcer para que as restrições não sejam totais. E a recomendação é evitar aglomerações, sobretudo no miolo das barracas de praia no Mucugê, que até o último fim de semana não sabiam o que era distanciamento entre espreguiçadeiras. Por sorte, praia linda e deserta é o que não falta por lá.

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