Nova York: as novidades de Manhattan

Os mercados de comida, os museus, as lojas, os novos points e os modismos que a cidade vive inventando

Quem consegue lidar com o ritmo desenfreado de Nova York? Se você vai pela primeira vez, topa com a complexa decisão entre conferir os encantadores programas clássicos ou dar uma olhada nas novidades. E, a cada retorno à cidade, quando você pensa que já a conhece, acaba com uma nova lista incumprível de lugares para visitar, comer, beber, subir, assistir.

Terraço Bethesda, no Central Park (Andrés Nieto Porras/Flickr)

Veja bem, não é uma reclamação, é uma constatação. O mundo gira e, bem no centro dele, Nova York rotaciona em velocidade máxima.

Nas bordas do Central Park

Ao mesmo tempo que a gentrificação pede que se explore outros boroughs, como são chamadas as cinco “partes” de Nova York, o lugar que se recusa a ficar parado no tempo continua sendo Manhattan, mais especificamente da Rua 59th, bem na bordinha sul do Central Park, para baixo. Ali é só piscar que você já perdeu alguma coisa.

Mas comecemos um pouco mais para cima. É impossível que você consiga ver em uma só vida toda a coleção do espantoso Metropolitan Museum of Art (MET). Por essas, é interessante aderir às novas empresas de tours artísticos que aparecem na cidade.

Olhada no acervo do monumental Metropolitan Museum of Art (Phil Roeder/Flickr)

A Walk of Art, por exemplo, oferece passeios guiados com uma expert. O tour denominado Impressionist Painting ensina sobre Monet, Degas, Van Gogh e Cézanne. Uma hora e meia para entender, de fato, o que você está vendo.

Escorregando ao Columbus Circle, na quina do parque, está um dos mais novos food halls, aqueles mercadões com tipos mil de comidinhas, uma mania atual nova-iorquina. Eles são bastante convenientes para nós, turistas, economizarmos tempo e dinheiro.

O TurnStyle, um food hall no subterrâneo do metrô Columbus Circle (Instagram @turnstylenyc/Reprodução)

O TurnStyle abriu no subterrâneo da estação de metrô do Columbus Circle, num longo corredor com 30 restaurantes: pare para um saquinho de minidonuts no The Doughnuttery ou uma salteña (tipo uma empanada) no Bolivian Llama Party. Perfeito para, se for um turista zen, comprar um lanchinho e levar ao gramado do Central Park ou, mais provável, comer rapidinho porque ainda tem muita coisa para ver.

Batatas do Bolivian Llama Party (Instagram @bolivianllamaparty/Reprodução)

Compras na Quinta Avenida

Continuemos até a Quinta Avenida – a gente veio pra comprar também, como não? Na esquina da 46th, a perdição é a flagship da Adidas, que abriu, no fim de 2016, a maior loja da marca no mundo: tem mais de 4 mil metros quadrados.

Com visual meio industrial, meio tecnológico, tem telões com jogos ao vivo e quadrinhas em que você pode testar produtos chutando bolas ou correndo em pistas. E todos os produtos que você possa querer, inclusive a coleção da Stella McCartney para a marca.

O brilho da Times Square

A muvuca das redondezas indica que a Times Square está logo ali. O show mais desejado do momento na Broadway é Anastacia, lançado em abril de 2017.

O musical mistura as adaptações da história feitas na animação de 1997 e no filme de Ingrid Bergman de 1956, mostrando a jornada da sobrevivente do massacre da família Romanov na Revolução Russa. O figurino é suntuoso e as lindas músicas devem ficar na sua cabeça durante algum tempo.

Corre-corre da Times Square: se você entrar numas de ver tudo, vai ter de ser assim (Mlenny/iStock)

Bem ali, no miolinho dos teatros, foi inaugurado em 2017 um museu simpático chamado Gulliver’s Gate, que custou 40 milhões de dólares e quatro anos de trabalho.

Numa alusão à ilha encontrada por Gulliver onde as pessoas são minúsculas, mais de 600 artistas de todo o globo foram convidados a criar miniaturas de locais emblemáticos, como a Cidade Proibida de Pequim, o Arco do Triunfo de Paris e a nossa Baía de Guanabara.

Além da riqueza de detalhes, há miniaturas engraçadinhas, como um Homem-Aranha escalando a Ponte do Brooklyn ou uma moça fazendo topless nas escadas de incêndio de um prédio.

O rififi urbanóide da Times Square (ferrantraite/iStock)

A Times Square tem ainda duas novidades de peso. O National Geographic Encounter: Ocean Odyssey, aberto em outubro de 2017, é um espaço de 5 500 metros quadrados para uma viagem digital ao fundo do mar, com projeções, hologramas e animações de bichões aquáticos.

Já o NFL Experience Times Square, parceria da liga de futebol americano com o Cirque du Soleil, é um museu esportivo tecnológico, onde é possível, entre outras coisas, assistir a jogos num cinema em 4D.

Programas em NoMad

Agora deixemos o enxame de turistas de Midtown para adentrar uma microrregião (Nova York adora nomear microrregiões) chamada NoMad. Ali está uma das inaugurações hoteleiras mais bacanas de 2017: o Life, aberto num prédio Beaux-Arts do fim do século 19 que já abrigou a redação da icônica revista Life.

O hotel-butique é decorado com mais de 200 obras de artistas contemporâneos nova-iorquinos e conta com o restaurante do chef Michael Vignola, de outras casas de sucesso, e um bar underground no lugar onde o staff da redação bebia na época da Lei Seca nos EUA.

O Life Hotel, hospedagem cool na antiga redação da revista Life (Divulgação/Divulgação)

Em NoMad também está o nosso velho conhecido Eataly, que, mesmo depois de abrir uma filial em São Paulo, continua sucesso entre a brasileirada, por ótimas razões.

E o burburinho gastronômico mais quente de Manhattan está a duas quadras dali, perto do Gramercy Park. Vide o Sugarfish, com preços relativamente baixos; o novo abcV, restaurante vegetariano do super-chef Jean-Georges Vongerichten, que serve vinhos e destilados orgânicos; e o Nur, com culinária do Oriente Médio, onde o prato da casa é o beef tartare, com iogurte de ovelha e alcachofras. Nova York é eclética assim.

O High Line

Percorra alguns quarteirões para oeste e suba as escadas do High Line, o famoso ex-“minhocão” que virou um parque descoladex suspenso. É programaço para o ano inteiro.

Até março de 2018, está em cartaz a Mutations, com uma dúzia de instalações que exploram a relação do homem com a natureza, entre elas a escultura muito doida do artista Jon Rafman, que mostra um homem engolindo uma baleia engolindo um porco engolindo um lagarto engolindo um cachorro.

Também tem festas, palestras e outras atividades, é só ficar de olho no calendário. Toda hora tem um restaurante da vez por ali.

Do outro lado de Manhattan

Pulemos então para o lado oposto da ilha, na Bowery, onde está instalado o International Center of Photography Museum, aberto num prédio todo envidraçado em 2016.

Até maio, as exposições em curso são Edmund Clarke: The Day the Music Died, que explora as medidas tomadas na chamada Guerra ao Terror e seus efeitos, como retratado no trabalho do fotógrafo britânico e Then They Came For Me, que examina o período em que japoneses e americanos descendentes de japoneses foram presos nos Estados Unidos, durante a Segunda Guerra Mundial, através das lentes de gente como Dorothea Lange e Ansel Adams.

O International Center of Photography Museum (Divulgação/Divulgação)

Eu já mencionei a obsessão de Nova York por food halls, né? Pois nossa próxima parada é o Canal Street Market, em Chinatown. Num galpão espaçoso e bonito, com piso de madeira e pé-direito alto, ele oferece principalmente estações de comida asiática: no Nom Wah Kuai, se come dumpling; no Ippudo Kuro-Obi, ramen dos bons; no Oppa, churrasco coreano. Tudo em porções módicas a preços amigos.

Churrasco coreano, no Oppa do Canal Street Market, em Chinatown (Instagram @oppanewkoreanbbq/Reprodução)

Se você já subiu no observatório no topo do novo World Trade Center e visitou o museu às vítimas do atentado, saiba que, nesse complexo no sul de Manhattan, abriu também um shopping, o Westfield.

Ele está dentro da Oculus, a estação de trem mais cara de Nova York, projetada por Santiago Calatrava, e que rivaliza com a Grand Central Station pelo título de mais fotogênica também. Porque sempre tem espaço para mais uma Victoria Secret’s e mais um Eataly na cidade.

Westfield, shopping ainda com cheiro de novo (Pedro Szekely/Flickr)

Daí em diante, o negócio é pular nas balsas. Quem sabe para visitar a Ellis Island, onde o museu Peopling of America Center, de 2015, reconta a imigração aos Estados Unidos desde os colonos ingleses até os dias de hoje. Ou então a Governors Island, ilha de 70 hectares, antiga base militar, que foi transformada em um oásis verde aberto à população nos meses de verão.

 

Quando ir: Já sabe, é aquele friozão no inverno e aquele calorão no verão. Prefira as estações intermediárias.

Dinheiro: O dólar

Língua: O inglês

Comunicação: A empresa EasySim4u vende chips pré-pagos da T-mobile com atendimento em português e entrega em casa no Brasil. O plano de dados que dura 10 dias com 4G ilimitado custa US$ 50.

Fuso:  – 1h (no verão dos EUA)

Documentos: Brasileiros precisam de visto.

Como circular: O transporte público e os táxis funcionam que é uma beleza, e os apps Uber e Lyft também.

Publicado na edição 263 da Revista Viagem e Turismo

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