Courchevel, na França, é um dos resorts de esqui mais luxuosos do planeta

No sudeste da França, fica o resort luxuoso fundado em 1946 que atrai milionários russos

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O sol dourava as montanhas que cercam o lago de Annecy, quase na fonteira com a Suíça, quando a temperatura entrou em contagem regressiva no painel do carro (3, 2, 1, 0…). A cordilheira nevada dava razão ao GPS, aquilo só poderia ser os Alpes, apesar de a rodovia continuar rápida como uma highway. Até Moûtiers. Então, uma estradinha íngreme, sinuosa e sem proteção me tirou do relax.

Já era noite quando passei por Le Praz e, a seguir, por Courchevel 1550, Courchevel 1650 e Courchevel 1850, cada número, uma altitude. Na vila principal, a última, pinheiros com lâmpadas coloridas ressuscitavam lindamente o Natal em janeiro, decoração que, percebi depois, dura toda a estação de esqui, e não só lá.

Pousadas, casas e chalés de madeira lembravam Gramado – até eu entrar neles. Por trás de cada fachada rústica havia um hotel-butique caprichado, cuidadoso nos detalhes, com muito conforto, spa de grife, cozinha gourmet e diária acima dos R$ 3 000.

De olho no mesmo público, lojas da Dior, Prada, Louis Vuitton e Lacroix dividiam parede na Rue du Rocher, perto das gôndolas Jardin Alpin e Verdons, na maior concentração dessas etiquetas em um lugar tão pouco habitado – 6 mil pessoas no inverno, não mais que 2 mil no restante do ano, quando tudo fecha.

Resort de esqui de Courchevel, na França Resort de esqui de Courchevel, na França

Resort de esqui de Courchevel, na França (/)

Cansou de esquiar? Dá para comprar!

Muita riqueza, muito russo

Criada exatamente para ser um resort de esqui, Courchevel ganhou seu primeiro lift em 1946, cresceu nas décadas seguintes, sediou a competição de saltos das Olimpíadas de Albertville, em 1992, e se tornou a maior área esquiável do mundo ao conectar oito resorts de quatro vales, com 600 quilômetros de pistas.

Nos últimos anos, seu posicionamento AAA, com 19 hotéis de luxo e sete restaurantes estrelados pelo Michelin, caiu no gosto dos milionários russos, para quem o destino virou fashion. Segundo maior público estrangeiro do resort, eles estão por todo lugar, desfilando suas Sharapovas e Kournikovas em looks de capa de revista.

E rasgando dinheiro. Na noite de 6 de janeiro, véspera do Natal Ortodoxo Russo, centenas de instrutores de esqui empunharam tochas para descer a montanha até a vila, um espetáculo visual criado especialmente para os abastados turistas do Kremlim.

Mais tarde, na balada La Cave, eu pagaria com dó os € 44 por uma dose de uísque (!), enquanto os filhos de Putin pediam à vonts garrafas de Dom Pérignon, Cristal e outras bebidas-que-piscam a € 700, € 1 000 o casco. Informalmente, os russos são uma espécie de “mal necessário” para Courchevel. Necessário, por motivo$ óbvio$. Mal porque, segundo o que ouvi de guias de esqui e outras pessoas que trabalham no turismo, os russos ricos são rudes e arrogantes.

Nem só de russos vive Courchevel, vide o casal real William e Kate, que está sempre lá. Os brasileiros, o décimo maior público estrangeiro, já são duas vezes mais numerosos do que há cinco anos.

Minha experiência em Courchevel

Tudo era novo para mim, que só havia visto neve em duas ocasiões, e somente por algumas horas. Com os esquis pela primeira vez nos pés, fui apresentado ao instrutor Julian, um francês gente boa cujo português é aprimorado em viagens a Itacaré, onde ele constrói uma choupana. “Snowplow!”, cansei de ouvir dele.

Snowplow é a posição de feio do esquiador iniciante. O praticante separa bem as pernas e aproxima a ponta dos esquis, em V invertido, cravando as bordas internas na neve. “Você é um craque”, ele dizia, mesmo quando eu fazia uma barbeiragem.

Motivação é a palavra-chave do aprendizado, uma das duas razões para você não arrancar aquelas botas duras, que deixam os pés doloridos nos primeiros dias. O outro motivo é o próprio esporte, a poderosa sensação de descer a montanha com controle e velocidade.

Eu fiz ainda duas refeições estreladas em Courchevel, a melhor delas no Le Chabichou, uma instituição local.

Também foi divertido o sledge (descida de trenó), apesar dos apuros. Com as pernas para fora do brinquedo, eu pisava fundo na ladeira, o que me permitia guiar e fear. Nesse movimento, muita neve entrava no carrinho, sob as minhas costas, que começaram a escorregar. Não demorou muito para que eu, mais pesado do que o trenó, deslizasse totalmente para fora dele, tornando-me o próprio sledge na neve, até parar no meio da pista.

Um molequinho passou por mim no cacete e não economizou: “Asshole!” Ah, muleque… Neve não é o nosso elemento, o nosso habitat, e era só o meu começo. Queria encontrar o guri lá embaixo, pegar uma bola de futebol e chamá-lo pra dançar. “Vem aqui, seu…!”

Ficha técnica — Courchevel, na França

• Localização

Vale de Saint-Bon, departamento de Savoie e região do Rhône-Alpes, sudeste da França. Site oficial

• Temporada

De 6 de dezembro a 24 de abril (140 dias)

• Neve acumulada (média em cm)

Courchevel França - neve e altitudes Courchevel França – neve e altitudes

Courchevel França – neve e altitudes (/)

• Montanhas

Maior área esquiável do mundo, com 490 hectares, o chamado 3 Valleys (Les 3 Vallées) conecta oito resorts (como Méribel e Val Thorens, além de Courchevel) e, originalmente, três vales, Saint-Bon, Allues e Belleville. Em 1996, o vale de Maurienne, da estação de Orelle, também foi integrado por uma gôndola, mas sem alterar o nome original do complexo.

• Pistas, Extensão e Lifts: 96 pistas, 150 km, 58 lifts (em Courchevel)

No complexo 3 Valleys, são 318 pistas (600 quilômetros) integradas por 170 lifts. Na temporada 2013/14, o chairlift Bouc Blanc tornou-se o oitavo do resort a ganhar o sistema Magnestick Kid, em que as crianças fcam presas por ímã ao encosto, sem riscos de acidente. No pico de Saulire, o segundo cable car foi renovado e agora sobe com estilo dos 2 100 para os 2 700 metros.

• Ski pass

O ski pass para seis dias custa € 240 para Courchevel e € 283 para o 3 Valleys.

• Aluguel de equipamentos

De € 32 a € 45 por dia (esquis/prancha de snow, botas e capacete) na L’Atelier du Ski e na Jean Blanc Sports, ambas na Rue Park City.

• Aulas

€ 410 (por dia, aula individual), € 356 (por seis dias, coletiva, para até oito pessoas). Reserve na EFS, a Écoles du Ski Français.

Revista Viagem e Turismo — agosto de 2014 — edição 226

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