De Aspen aos Alpes: os 10 melhores resorts de esqui nos EUA e Europa

Acompanhe nossa saga esportivo-hedonista na natureza gelada

Vamos lá, Fernando! Você consegue!”, gritava a instrutora ladeira abaixo, em Jackson Hole, nos Estados Unidos. Com os esquis travados lateralmente na encosta, perna esquerda em cima, direita em baixo, eu olhava desconfiado e imóvel para a ribanceira double blue, pista com grau de dificuldade semiavançado, enquanto outros esquiadores passavam a mil.

“Você conseeeeeegue!”, ela insistia. Como dirigir um carro, a parte mais difícil do esqui é o aprendizado, teoria que comprovei em uma inesquecível viagem pelas montanhas Rochosas americanas e pelos Alpes europeus, na temporada 2013/14.

De Courchevel, a bonequinha de luxo francesa, a Park City, em Utah, fui apresentado a restaurantes espetaculares, hotéis e paisagens deslumbrantes, exatamente como previa. Mas também ao prazer de esquiar, de caminhar em florestas com neve até o joelho, de relaxar numa hidro quentinha ao ar livre, com 0°C nos termômetros.

Enfim, de dividir os rigores e as delícias do inverno boreal com gente bacana, bonita e feliz, celebrando a vida sem culpa. Não foi a viagem-padrão dos esquiadores, que geralmente vão para um único resort por uma semana, mas foi a que me permitiu degustar dez joias de inverno, em cinco países, a ponto de elaborar um pequeno menu.

Também foi o suficiente para evoluir do nunca-pus-um-esqui-no-pé para um intermediário meio camicase, cuja elegância é a falta dela. Já somos o segundo maior público estrangeiro em Aspen e vamos cada vez mais aos Alpes, mas, pela óbvia ausência de neve no nosso país, ainda esquiamos pouco. “Calculamos em 100 mil o número de esquiadores e snowboarders brasileiros”, estima Eduardo Gaz, diretor da operadora Ski Brasil.

As 10 melhores estações de esqui do mundo

Courchevel

Chamonix

Zermatt

St. Moritz

Innsbruck

Cortina D’Ampezzo

Aspen

Vail

Jackson Hole

Park City

Nos links ao lado, você conhece não apenas dez dos mais incríveis destinos de montanha do mundo, como centenas de razões para se iniciar em um lifestyle de viagem considerado elitista, e que, de fato, nem sempre é barato, mas cujo rótulo presta um desserviço a quem curte natureza, esporte, boa vida e um friozinho com o máximo de charme.

Entre as maiores diferenças regionais, as estações americanas têm dias pouco mais longos, são mais informais e em média custam menos. Nos Alpes, a gastronomia engrandece a cena, as pessoas se vestem com glamour, e há uma sensação de exclusividade.

Para você programar a sua viagem, produzimos uma ficha das principais estações com a evolução média da neve mês a mês, as altitudes dos resorts (haja fôlego acima dos 3 000 metros), os porcentuais de pistas por grau de dificuldade e os preços dos serviços mais relevantes.

Você verá ainda que destinos como Chamonix, Jackson Hole e Innsbruck têm atrações extraordinárias fora das encostas, ideais para apreciar a paisagem e a cultura local.

Para quem quer se iniciar no esqui ou no snowboard, é bom saber que, a despeito dos riscos, ambos são esportes fascinantes, de intenso contato com a natureza, daqueles que fazem você terminar o dia feliz. O único pré-requisito é estar um pouco em forma, o que ajuda a evitar contusões e acelera o aprendizado – a parte mais difícil, lembra? Então, vamos lá? Você consegue!

Miniglossário — aprenda os termos mais comuns em resorts de esqui

  • Alpine ski (downhill) – É a modalidade de descida clássica da montanha, a praticada pela maioria dos turistas.
  • Après-ski (ou after ski) – A happy hour do esqui rola solta nos bares próximos da montanha. O dress code é a própria roupa de neve.
  • Balaclava – Gorro que cobre a cabeça e o rosto até o pescoço. É imprescindível vesti-la por baixo do capacete nos dias mais frios ou com muito vento.
  • Binding – Dispositivo preso no centro do esqui e da prancha de snow em que a bota é fxada.
  • Bowl – Extensão côncava e isolada da montanha onde a neve se acumula, o que atrai praticantes de of-piste.
  • Buckles – Presilhas de aço que prendem a bota de esqui no pé.
  • Bump – Ondulação da pista, indesejada nas descidas comuns, mas criada de propósito em áreas de prática avançada.
  • Cable car – Gôndola coletiva como o bondinho do Pão de Açúcar, para dezenas de pessoas.
  • Chairlift – Teleférico aberto com banco para entre duas e oito pessoas.
  • DIN setting – Regulagem usada para o esqui se soltar do pé nas quedas, prevenindo contusões. Na locação do equipamento, os dados do praticante (altura, peso, calçado, nível de esqui) são usados para calcular quão firme deve fcar o binding.
  • Edges – Bordas dos esquis, feitas de aço carbono e usadas nas curvas e freadas – ao incliná-las, elas arrastam neve e freiam a descida.
  • Fleece (ou polar) – Tecido de lã sintética usado em uma blusa intermediária entre a camiseta térmica e uma jaqueta.
  • Freestyle – modalidade cheia de manobras praticada por esquiadores e snowboarders avançados.
  • Goggles – Óculos especiais para esportes de inverno; protegem da claridade, do vento e da neve.
  • Gôndola – Teleférico fechado com capacidade para oito a dez esquiadores (esquis e pranchas de snow são transportados em um suporte do lado de fora).
  • Grooming – É o trabalho de aplainar a neve, feito por tratores à noite; as listras de “veludo” deixadas na pista pela manhã indicam que ela foi “groomed”.
  • Heli skiing – Esqui ou snowboard fora das pistas em locais que só podem ser alcançados de helicóptero.
  • Icy – Pista com neve empedrada, congelada. O termo também é usado para a superfície das calçadas em que a neve derreteu e depois congelou, ficando escorregadia.
  • J-bar e T-bar – Lifts em que o esquiador ou snowboarder sobe apoiado em um cabo, deslizando a prancha ou os esquis na neve. Também chamados de teleski ou surface lift.
  • Slope – É a encosta esquiável, o declive da montanha.
  • Snowboard boots – feitos de borracha, plástico e tecido, têm cadarços elásticos e são mais fexíveis do que as botas de esqui, o que permite uma caminhada prolongada com certo conforto nas ruas.
  • Snowplow – Posição dos esquis em forma de fatia de pizza, com as bordas internas inclinadas na neve, para frear. É o primeiro movimento que se aprende.
  • Trail ratings – Símbolos coloridos que sinalizam a difculdade da pista. Nos EUA, verdes são para iniciantes; azuis, para intermediários; e pretas, para avançados. Na Europa, verdes são para principiantes; azuis, para iniciantes; vermelhas, para intermediários; e pretas, para avançados.
  • Lean – É a postura corporal inclinada, usada no esqui, já que é a frente das lâminas que faz curvas e freadas – iniciantes tendem a jogar o peso do corpo para trás.
  • Lift – Qualquer meio mecânico de ascensão à montanha, como gôndolas e chairlifts.
  • Lipstick – Protetor labial (manteiga de cacau), companhia inseparável nos resorts por causa do ar seco e frio.
  • Nordic ski (cross country) – É o esqui em superfícies planas e leves aclives, que exigem grande força das pernas.
  • Off piste (backcountry) – É o esqui fora das pistas preparadas, em neve “virgem”, e que pode ter obstáculos como pedras encobertas pela neve e ribanceiras cheias de árvores. Acidentes em of piste não são cobertos pelos seguros de viagem.
  • Poles – Bastões de esqui, usados para dar impulso em áreas planas e cadenciar a descida.
  • Powder snow – É iniciante avançado a neve fresca, fofa, leve e seca. O dia perfeito de um esquiador inclui neve powder, céu azul e pouca gente na montanha.
  • Puf jacket – Jaqueta de náilon quente e fofa, muitas vezes forrada com plumas. Quando impermeável, pode ser usada para esquiar.
  • Ski boots – As botas de esqui imobilizam o pé e o tornozelo como gesso, protegendo-os de acidentes, mas gerando desconforto e difculdade de caminhar pelas ruas. Acolchoadas por dentro, elas são revestidas de um plástico duro, têm presilhas para ajuste e uma ponta que as prende ao binding do esqui.
  • Skiing in parallel – É a técnica principal do aprendizado, quando o esquiador sai da posição snowplow e passa a fazer curvas e freadas com os esquis em paralelo, pressionando e inclinando as bordas laterais para governar a descida.
  • Ski in/ski out – Hotéis com acesso direto à pista. São considerados uma comodidade porque o esquiador não precisa carregar o equipamento nem caminhar com as desconfortáveis botas de esqui para chegar à montanha.
  • Ski jacket – As jaquetas de neve são impermeáveis, evaporam o suor e têm muitos bolsos, utilíssimos (celular, lipstick, protetor solar, ski pass, dinheiro, cartões).
  • Ski pass – É o ingresso do esqui, o cartão de acesso aos teleféricos – e, por extensão, à montanha e à área esquiável.

Revista Viagem e Turismo — agosto de 2014 — edição 226

Leia mais:

Aspen: dicas para esquiar no destino dos brasileiros

Dicas para esquiar em Zermatt, na Suíça

Jackson Hole: as dificuldades de esquiar na vila dos EUA

Luxo e comodidade de esquiar em Vail, nos Estados Unidos

Park City: os perigos e atrações de esquiar na região

Cortina D´Ampezzo: belas paisagens para esquiar nos Alpes

Innsbruck: a cidade urbana do esqui

St. Moritz: esqui e frio no destino de inverno mais famoso da Suíça

Courchevel: conheça a vila criada para ser um resort de esqui

Esqui e vida selvagem na francesa Chamonix

Agosto de 2014 – edição 226

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