Aspen: o resort de esqui favorito dos brasileiros tem clima hype

O Colorado liberou o uso da cannabis e Aspen entrou na onda - mas não se engane: o resort continua fashion e friendly

As 10 melhores estações de esqui do mundo

Courchevel

Chamonix

Zermatt

St. Moritz

Innsbruck

Cortina D’Ampezzo

Vail

Jackson Hole

Park City

A minha primeira surpresa em Aspen, destino por vezes associado a uma confaria de jovens brasileiros endinheirados, foi a ausência de ostentação. Eu arriscaria dizer que a Vila Capivari, em Campos do Jordão, padece mais de vaidade. Em poucos destinos desta viagem, principalmente na Europa, minha polar cáqui passou tão despercebida. Eu até encontrei algumas dondocas em casacos de pele, mas eram elas que pareciam over.

Aqui, mesmo o vaporoso lifestyle na neve exibe contrapesos surpreendentes. Enquanto Vail espalha esculturas aos quatro ventos, quase como um atestado de culpa, Aspen preserva um hotel da legítima escola Bauhaus, o low-profle Meadows, e inaugurou recentemente o novo prédio do Art Museum, um cubo coberto com as treliças típicas do japonês Shigeru Ban, vencedor do Pritzker 2014, que assina a obra.

Mais: instrutores fazem ioga e bebem chá verde, foodies esgotam as entradas para o festival Food & Wine meses antes, a banda de reggae roots Black Uhuru faz show de graça em Snowmass.

Não exageremos, Aspen é menos hippie do que hype, mas até a fumaça das hot tubs (jacuzzis ao ar livre) está perdendo popularidade para outra, mais densa e aromática. Depois que o estado do Colorado liberou a cannabis para uso recreativo, a estação agiu rápido, e desde o começo de março qualquer cidadão com mais de 21 anos e passaporte original pode sentir-se na altitude sem subir a montanha – get high, como eles dizem.

Vila urbana e planejada, de quadras simétricas e prédios baixos, Aspen tem um comércio caprichado e charmoso, mas clean – há desde multimarcas de esqui até grifes como Prada, Gucci e Louis Vuitton. Apesar da fachada alpina de alguns hotéis, o aspecto geral é o de um meio-oeste contemporâneo, abastado e conveniente, fácil de ser percorrido mesmo a pé.

A night de Aspen

Além das noites animadas de nightclubs e casas de shows, como o BellyUp (onde vi uma banda de jazz) e o exclusivo club & lounge Caribou (que eu dispensei, apesar do nome na lista, porque era coxa demais), os bares dos locais me cativaram pela antropologia. Como o Red Onion, com noites de música ao vivo, karaokê e uma open mic night às segundas na qual gente como um pizzaiolo e um motorista de van sobem voluntariamente no palco para um improvisado voz e violão.

Junto com cinco desconhecidos, lá eu tomei um skishot, seis copinhos presos a um esqui que obrigam as pessoas a se alinhar lateralmente e entornar o uísque de uma vez, em sincronia. Outro bar bacana, com toques cinquentistas e uma infinidade de drinques mixados com apuro, é o Justice Snow’s.

No jantar, o japa Matsuhisa, do restaurateur e chef Nobu, compensa a localização subterrânea, a superlotação e os preços elevados com peixes fescos e pratos minimalistas, à altura da fama de melhor cozinha da cidade. Ao sair de lá, ainda fui matar a curiosidade no living do Hotel Jerome, ambientado à Velho Oeste como se estivéssemos na sala de uma casa aristocrática do século 19.

Red Onion, em Aspen, Colorado, Estados Unidos Red Onion, em Aspen, Colorado, Estados UnidosO Red Onion e suas noites de open mic, às segundas-feiras

O instrutor? Pode falar sua língua

Minhas aulas de esqui em Aspen tiveram o acompanhamento de luxo do instrutor brasileiro Marco Olm, especialista em snowboard (foi vice-campeão nacional de slalom gigante), mas muito eficiente também com as tabuinhas.

Como regra, a língua falada pelo professor é menos importante do que a didática que ele usa. No caso de Marco, porém, foi um diferencial. Que austríaco faria a analogia de um esqui na neve com uma faca passada na barra de manteiga? “Quanto mais você inclina, mais arrasta.” Que gringo me ajudaria na postura com a máxima “punk que é punk encoxa a mãe no tanque”?

Para completar, fazia sol em Snowmass, uma das quatro montanhas de Aspen, e a pista friendly e larga estava vazia, groomed, com o veludo deixado pelos tratores que aplainam a neve intacto. Fácil entender por que somos o segundo maior público estrangeiro em Aspen, o maior do Hotel Viceroy (em “Slowmass”) e o que mais gasta na estação – os australianos, mais numerosos, são habituados à neve, por isso trazem equipamentos e dispensam instrutores.

No dia seguinte, em Buttermilk, a montanha mais fácil de Aspen, comecei a “voar” em uma pista azul. Ao aumentar a pressão do pé na ponta dos esquis e usar o peso do corpo para empurrar mais neve, fiz curvas com confiança e velocidade, quase lateralmente, abusando das derrapadas.

Na verdade, os turns precisariam sair mais curtos, rápidos e técnicos, mas, ao ver minha felicidade em rasgar a descida de lado, Marco optou pela diversão. Ele ainda me pós-graduou ao dar dicas de como conduzir os bastões, de frear na montanha com estilo, de esquiar sem parecer um capiau.

Ficha técnica – Aspen, nos Estados Unidos

Localização

Floresta Nacional de White River, montanhas Rochosas, estado do Colorado, oeste dos Estados Unidos. Site oficial

Temporada

De 27 de novembro a 19 de abril (144 dias).

• Neve acumulada (média em cm)

Aspen - neve acumulada e altitudes Aspen – neve acumulada e altitudes

• Montanhas

São quatro: Aspen Mountain, que se ergue da vila, Aspen Highlands, para esquiadores e snowboarders avançados, a 5 quilômetros, Buttermilk, boa para intermediários, também a 5 quilômetros, e Snowmass, um amplo cardápio para iniciantes, a 14 quilômetros.

• Pistas, extensões e lifts: 76 pistas, 103 km, 8 lifts

São 335 pistas (513 km) e 42 lifts nas quatro montanhas, que não são interligadas. Em Aspen não há pista verde, e o programa Powder Toursleva num snowcat os experts para o backside da montanha. Em Buttermilk, 74% das pistas são verdes e azuis, e, em Snowmass, 53%. Snowmass ficou maior em 2013/14, com a nova área esquiável Burnt Mountain. Em Highlands, 52% das descidas são para avançados, que piram nos bowls. Em Aspen e Snowmass, o programa First Track leva você para esquiar cedinho, antes da abertura da montanha, com pista zerada.

• Ski Pass

Custa desde US$ 244 para as quatro montanhas. Veja mais aqui

• Aluguel de equipamentos

Desde US$ 74,70 por dia (esquis/prancha de snow, botas e capacete), na Four Mountain Sports, que tem lojas na base das quatro montanhas, alugando antecipadamente.

• Aulas

Reserve na Schools of Aspen/Snowmass (1-877-282-7736).

Reserve sua hospedagem em Aspen pelo Booking.com

Revista Viagem e Turismo — agosto de 2014 — edição 226

Leia mais:

Na Itália, a vila de Cortina D’Ampezzo tem pistas de esqui com belas paisagens

 

Agosto de 2014 — edição 226

 

St. Moritz: esqui e frio no destino de inverno mais famoso da Suíça

 

A estação francesa de Chamonix é uma das mais roots dos Alpes na Europa

 

Courchevel, na França, é um dos resorts de esqui mais luxuosos do planeta

 

Estação de esqui de Innsbruck, na Áustria, tem centro de compras moderno

 

De Aspen aos Alpes: os 10 melhores resorts de esqui nos EUA e Europa

 

Jackson Hole: as dificuldades de esquiar na vila dos EUA

 

Luxo e comodidade de esquiar em Vail, nos Estados Unidos

 

Park City: os perigos e atrações de esquiar na região

 

Fotos: as 25 melhores cidades de esqui do mundo

 

Verão aqui, neve lá: veja onde esquiar no Canadá e EUA

 

Comentários
Deixe um comentário

Olá, ( log out )

* A Abril não detém qualquer responsabilidade sobre os comentários postados abaixo, sendo certo que tais comentários não representam a opinião da Abril. Referidos comentários são de integral e exclusiva responsabilidade dos usuários que escreveram os respectivos comentários.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

  1. Cahê Gündel M.

    Mas que reportagem lamentável. O repórter parece mais interessado em falar que usa “polar caqui”, em chamar uma boate de “coxa” e uma desconhecida de “dondoca” ao invés de falar do que realmente interessa. RIP Viagem e Turismo.

    Curtir