Manual de fotografia de viagem
Na era da autoexposição, conheça lições básicas e truques para você fazer bonito com a câmera do smartphone em sua próxima viagem
Em tempos de celulares com câmeras poderosas e de paus de selfie em riste, clicamos e postamos instantaneamente os acontecimentos mais interessantes do dia a dia – e também os mais banais -, seja pela tentação da popularidade, seja para causar uma invejinha, seja para atualizar a família e os amigos.
As fotos de viagem, hits da era da autoexposição, têm seu protagonismo nessa nuvem de imagens, que somente no Instagram – a rede social fotográfica por excelência – gera 2,5 bilhões de likes por dia no mundo.
Fotografar bem é sinônimo de paciência, o que não combina com a volúpia de registrar cada palmo de chão das férias. Para quem preza a qualidade, vale a máxima “menos é mais”: a foto óbvia, frontal e chapada, daquele postal batido que você clicou de ângulos parecidos umas 50 vezes pode dizer menos sobre o lugar que uma esquina anônima e melancólica, mas imbatível como tradução visual da mesma cidade.
Desenvolver o olhar fotográfico não é tarefa fácil. Já dizia Henri Cartier-Bresson, uma lenda do fotojornalismo: “As primeiras 10 mil fotos que você tirar serão as suas piores”. Mas não precisam ser ruins
A seguir, confira atalhos para elevar suas habilidades na câmera do smartphone e fazer a sua viagem parecer tão interessante quanto realmente foi. Ou até um pouquinho mais 😉
Regras
Enquadramento
Ajustar um cartão-postal, uma flor ou uma pessoa, separados ou juntos, como se compusessem um quadro na tela, é o passo básico para fazer uma boa foto. Ao focalizar uma pessoa, não “decepe-a” nas articulações, e, antes de fazer o clique, veja se a foto não está estranha por causa do recorte – há alguns formatos consagrados, como o retrato com corte na altura do peito e o close apenas no rosto, sem os contornos da cabeça.
Para monumentos e afins, modifique o ângulo de forma a enquadrar todo o tema ou focalize apenas um detalhe, deixando que a parte excedente do objeto “desapareça” pelos cantos da foto.
Fundo
Subestimar a importância do fundo da imagem é um erro comum dos iniciantes apressadinhos. Preste atenção na tela, observando toda a composição. Se necessário, espere até os transeuntes indesejados se dispersarem ou dê alguns passos laterais, já eliminando aquela árvore ou a lixeira intrusa. Fotografias com muitos elementos ficam poluídas e sem enfoque.
Horizonte
Em 99% dos casos, a linha do horizonte fica melhor se bem aprumada, retinha, mas nunca no meio do quadro (deixe-a sempre na parte de baixo ou de cima). A função “Endireitar” do Instagram dá um jeito nas fotos tortas.
Foco e luz
O ponto da tela onde você toca para ajustar o foco também faz a “leitura” da intensidade de luz. O dedo no céu, por exemplo, deixa a imagem mais escura, já que, para dar contraste à parte focalizada, toda iluminada, o celular precisa de menos luz. É como franzir o olhar.
Ao tocar em uma parte sombreada, porém, a câmera deixará entrar mais luz para “iluminar” o foco escurecido. É como arregalar os olhos. Em situações com muito contraste de luz e sombra, faça um clique em cada extremo e um terceiro num ponto intermediário, escolhendo depois o que ficou melhor.
Na chamada “hora mágica” dos fotógrafos, após o sol nascente e antes do poente, a luz é quente e indireta. Quanto ao foco, o toque na tela fará a diferença naquele prato refinado que você quer postar no Face. Aproxime o aparelho e focalize a folhinha de manjericão – enfatizar objetos em primeiro plano no celular cria uma sensação de imagem com maior qualidade.
Zoom
Zoom bom é zoom óptico (por lentes objetivas), recurso ainda escasso os celulares. A esmagadora maioria, porém, tem apenas o zoom digital, de baixa resolução.
Regra dos terços
Imagine um jogo da velha dividindo a tela do seu celular, formando nove pedaços iguais. Os quatro pontos de intersecção dessas linhas são para onde os olhos vão primeiro, e, portanto, as regiões que melhor acomodam o assunto principal.
Há, claro, exceções que funcionam melhor com simetria, como a Champs-Elysées, que merece um clique central com o Arco do Triunfo ao fundo.
Contraluz
Fotos em contraluz são aquelas tiradas de frente para uma luz intensa, como a do sol, que “estoura” a imagem. Para corrigir o problema, use a luz a seu favor: gire 180 graus e, de costas para a fonte de luz, clique o objeto. Mesmo de lado, a 90 graus, a luz lateral produz um bom resultado.
Em lugares como uma montanha (em que você não dará a volta), restam duas opções: esperar o outro dia, até que o sol ilumine a face da montanha, ou fotografar contra a luz mesmo, valorizando a silhueta. Assim são feitas as fotos de pôr do sol.
Flash
Nada substitui a luz natural, mas o flash pode funcionar como último recurso em um clique noturno no Central Park, desde que o objeto fotografado esteja próximo. Ainda assim, a luz da lanterna de um segundo celular ilumina melhor a cena que o flash.
Dicas
Referências
Antes de viajar, pesquise imagens das atrações do destino, já identificando os melhores ângulos. Invista também em revistas bem visuais e siga perfis especializados no Instagram, como o da NatGeo.
Fuja do comum
Capte a vibe do destino. Se as gôndolas de Veneza são obrigatórias, as janelas com vasos de flores e as roupas penduradas no varal, tão típicas da Itália, são menos clichês.
Produção
Tente arrumar a cena. Se tem uma garrafinha de água no chão, jogue-a no lixo. Se você vai fotografar sua salada, dê um jeitinho nos tomates, arrume a mesa e os talhares. Composições caprichadas não surgem do além.
Experimente
Treine seus cliques de diversos ângulos e aproximações – tire uma foto do Empire State de longe, outra de pertinho e a última quando o edifício quase não couber mais na tela.
Selfies
Tente na horizontal, na vertical, abuse. Com a câmera da frente, você consegue visualizar a imagem antes, embora os dispositivos frontais de alguns aparelhos sejam piores que os de trás. Observe o fundo, veja se a foto não fica mais legal se você subir num banco, mova a câmera para os lados…
Não se esqueça, selfie é uma foto como outra qualquer: use as regras dos terços, do fundo, do enquadramento. Chamado, pejorativamente, de pau de selfie, o bastão que amplia o campo fotografável e proporciona outros ângulos é um ótimo aliado. Para usá-lo, acione o timer (se o celular não tiver, baixe o app TimerCam).
Tira pra mim?
Viu um casal na frente das pirâmides do Egito com cara de quem quer uma foto? Se ofereça! Com certeza a sua educação será retribuída e você já aproveita para mostrar como gostaria de sair na imagem! Só não entregue o aparelho a qualquer um e o faça com cuidado.
Preto e branco
Quando o clique for prejudicado por uma contraluz, uma luz pobre ou excesso de cores, opte por fotografar em preto e branco (ou mudar para P&B depois, com algum aplicativo). Assim, o protagonismo continuará na composição, não na luz ou nas cores.
Molduras
Utilizar galhos de árvore, pedras e outros elementos secundários para emoldurar a foto é um belo truque de composição, mas recorra a ele com parcimônia para não enjoar do recurso.
Nascer e pôr do sol
Para fotografar o nascer do sol, chegue ao local meia hora antes do alvorecer, quando o fenômeno das cores toma forma. No pôr do sol, espere até meia hora depois do ocaso para capturar as tonalidades mais acentuadas no céu.
Praia, neve e chuva
Na praia, a falta de pontos de interesse entedia quem vê a imensidão de areia e mar. Procure “pontos de descanso” para os olhos, como uma duna, um coco, uma cadeira. No começo e no fim do dia, a ausência de gente ajuda a enfatizar a beleza natural.
Para fotografar na neve, use por baixo da luva uma outra, mais fina e com um toque emborrachado, para fazer o clique na tela touchscreen. Perto do meio-dia, as imagens adquirem tons azulados; no início da manhã e no fim da tarde, tons avermelhados.
A escolha é sua. Na chuva, teste um olhar novo, focalizando as gotas caídas em um vidro, por exemplo.
Linhas e texturas
Ótimo exercício de técnica e criatividade, as linhas de uma ponte, de um fio de luz ou de uma estrada dão movimento à imagem, conduzindo o olhar. As texturas – cascalhos no chão, temperos da feira, frutas da quitanda – também são um bom motivo para sacar o celular.
Crianças e bichos
Mude a sua perspectiva ao fotografar crianças e bichos: abaixe-se e entre no mundo deles, fotografando-os de frente. Isso os torna mais reais, sem fazê-los parecer inferiores.
Câmeras
Vale comprar?
Se você gosta muito de fotografia, sim. O combo diafragma (que regula a intensidade da entrada de luz), obturador (que controla o tempo de entrada dessa luz) e ISO (que define a sensibilidade à luz) pode parecer complicado, mas se torna automático assim que você se familiariza com as combinações
A qualidade das imagens feitas pelas câmeras SLR (single-lens reflex) e o alcance de suas lentes são outros pontos viciantes. Mas, além de ser mais volumosa e pesada, uma câmera “reflex” exige paciência, já que seus recursos são melhor explorados no modo manual, que deve ser constantemente configurado. Veja alguns efeitos divertidos:
Light Painting
Para longa exposição: é quando você escreve e/ou desenha em uma imagem com a ajuda de uma lanterna.
Luzes riscadas
Cliques noturnos em que as lanternas dos carros ou as estrelas deixam um rastro de luz em sua trajetória, graças à longa exposição.
Panning
Quando o objeto fotografado aparece congelado na imagem, e o fundo, todo riscado.
Véu de noiva
Quando a queda-d”água de uma cachoeira parece constante e infinita, lembrando um véu de noiva.
Qual câmera?
Líderes do mercado reflex, as japonesas Canon e Nikon têm ótimas câmeras com lentes intercambiáveis para iniciantes.
Qual celular?
Megapixels são importantes, certo? Mais ou menos. No celular, o mecanismo que determina melhor o poderio da câmera é o sensor de luz: quanto maior, melhor.
Lançada no universo dos esportes radicais, a GoPro virou moda também entre os viajantes e foi a precursora da onda do pau de selfie – snowboarders desciam a montanha com a câmera no bastão para gravar seu desempenho. Além do tamanho portátil, a lente grande-angular (olho-de-peixe) é ótima para escancarar o mundo.
Graças à caixa estanque, o brinquedinho fotografa na água a até 60 metros de profundidade e pode ser acoplado na bike, na prancha, no skate, onde você quiser, usando um dos vários acessórios vendidos à parte – como o Fetch, para prendê-la no cachorro. Se fotografia e edição de vídeo são um hobbie pra você, não pense duas vezes.
Edite suas fotosÉ um mini-Photoshop. Sabe aquele intruso boiando na sua foto do Caribe? Você pode apagá-lo facilmente com o recurso “Remendar”. Dentes amarelados? É só branquear. Gordurinhas a mais? Pois o app vale por meses de academia, é só usar a função “Reformar”. Vem com todas as funções básicas de edição: brilho, contraste, função “Endireitar”e um bom recurso de cores seletivas (possibilita clarear apenas o azul do céu, por exemplo). Grátis. Tem os melhores filtros de cores. É grátis – mas os pacotes com os filtros mais legais são pagos. |