Além-mar Rachel Verano rodou o mundo, mas foi por Portugal que essa mineira caiu de amores e lá se vão, entre idas e vindas, quase dez anos. Do Algarve a Trás-os-Montes, aqui ela esquadrinha as descobertas pelo país que escolheu para chamar de seu

Giverny e Chantilly: dois belos passeios nos arredores de Paris

Esqueça a muvuca de Versailles. Giverny e Chantilly ficam pertinho da capital francesa e reúnem arte, charme e belíssimas atrações

Por Rachel Verano Atualizado em 9 mar 2022, 12h00 - Publicado em 2 out 2019, 16h52
O lindo Castelo de Chantilly: cenário de contos de fadas longe da muvuca de Versailles. Crédito:
O lindo Castelo de Chantilly: cenário de contos de fadas longe da muvuca de Versailles. Crédito: Rachel Verano/Reprodução

Paris está a um pulinho de Lisboa – são pouco mais de duas horas de voo e dezenas de saídas diárias da TAP e da Air France, além das low-cost Transavia, Ryanair ou Easyjet. Não é raro encontrar promoções a cerca de € 100 pelo bilhete de ida e volta, o que faz da capital francesa uma bela escapada quando se está na Terrinha.

A ruinha principal de Chantilly: um charme de cidade. Crédito:
A ruinha principal de Chantilly: um charme de cidade. Crédito: Bruno Barata/Reprodução

Da última vez que caí em tentação, algumas semanas atrás, estávamos no auge do verão, Paris estava lo-ta-da e resolvi me dedicar a explorar seus arredores. Há inúmeros passeios interessantíssimos de bate-e-volta, mas eu tinha alguns pré-requisitos: não estarem entupidos de gente; serem tranquilos para passar a noite; estarem a até uma hora de distância; terem uma componente artística.

Cantinhos especiais de Giverny: cidade jardim. Crédito:
Cantinhos especiais de Giverny: cidade jardim. Crédito: Rachel Verano/Reprodução

E foi assim que fui parar em duas verdadeiras joias: Giverny, a cidade do pintor Claude Monet que eu já conhecia por ter ido passar um dia quase uma década atrás; e Chantilly, dona de um castelo de cinema que abriga a segunda maior coleção de arte antiga da França, depois apenas do Museu do Louvre (não, eu também não sabia disso antes de começar a pesquisar! Aliás, preciso confessar que a primeira coisa que me vinha à cabeça era o casamento de Ronaldo e Daniela Cicarelli, que aconteceu ali em 2005). A elas!

Giverny ao fim do dia: adeus, multidões, bem-vindo pôr-do-sol. Crédito:
Giverny ao fim do dia: adeus, multidões, bem-vindo pôr-do-sol. Crédito: Rachel Verano/Reprodução

Giverny, um imenso jardim

Como chegar: são 75 quilômetros desde Paris e a melhor maneira é ir de trem (veja mais informações sobre horários e preços no site da SNCF). Basta embarcar na estação de Saint-Lazare (conectada ao metrô) em direção a Vernon. A viagem dura cerca de 45 minutos. Cada vez que o trem chega em Vernon há saídas de ônibus casadas rumo à vizinha Giverny, a menos de 10 quilômetros de distância. Os horários de volta também são combinados com as saídas de trem de volta a Paris.

A casa onde Monet viveu por maus de quatro décadas: museu vivo. Crédito:
A casa onde Monet viveu por maus de quatro décadas: museu vivo. Crédito: Rachel Verano/Reprodução

Principal atração: a Fondation Claude Monet, um museu instalado na casa onde o pintor viveu por 43 anos, entre 1883 e 1926. Ali as grandes atrações são os jardins, verdadeiras paixões do mestre, que foram parar em dezenas de telas. Uma equipe de 15 jardineiros cuida para deixá-lo impecável diariamente – são milhares de espécies de plantas. O cantinho mais famoso  – e instagramável! – é o do lago, onde ficam as ninféias e a linda ponte japonesa. A casa, com cômodos que reproduzem fielmente como era o imóvel quando o pintor e sua família estavam por lá, também é linda. A visita termina em uma das mais saborosas lojinhas de museu da França (além de objetos relacionados ao pintor e seu acervo, há artigos ligados ao mundo da jardinagem, das plantas, dos animais…).

Moet na entrada de Giverny: filho ilustre. Crédito:
Moet na entrada de Giverny: filho ilustre. Crédito: Bruno Barata/Reprodução

O que mais? A pequenina Giverny soma apenas cerca de 500 habitantes, e passear por suas ruas é como entrar em outro mundo. Todas as casas cultivam enormes jardins coloridos e perfumados. Há antiquários, lojinhas, bons restaurantes e o ótimo Museu dos Impressionismos.

Noodles com lagosta doLe Jardin des Plumes: estrela Michelin. Crédito:
Noodles com lagosta doLe Jardin des Plumes: estrela Michelin. Crédito: Bruno Barata/Reprodução

Momento especial: quando a casa do Monet fecha as portas, às 18h, todo mundo corre de volta para Paris. É quando a cidade fica ainda mais mágica, sem quase ninguém nas ruas e mais linda do que nunca. Inesquecível sair para jantar quase 21h com o sol se pondo e dourando todo o casario de pedra.

Pratos do menu do La Musardière: grand finale. Crédito:
Pratos do menu do La Musardière: grand finale. Crédito: Bruno Barata/Reprodução

Onde comer: há poucos e bons restaurantes em Giverny. Um deles, o Le Jardin des Plumes, tem uma estrela Michelin e menus de três, cinco ou sete etapas. O menu infantil tem entrada, prato principal e sobremesa.  Entre os pratos, que mais parecem obras de arte, há combinações com leve sotaque asiático, caso dos noodles udon com lagosta e shitake, ao molho de gengibre. Todos os vinhos servidos são orgânicos e naturais. Com a consultoria do mesmo chef (o jovem David Gallienne), o La Musardière é uma opção mais informal e também mais em conta (há menus de dois ou três pratos, além de menu infantil). Entre as criações, gazpacho de pepino com menta e queijo de cabra e um saboroso porco laqueado.

Há ainda uma terceira boa opção, mais tradicional, no coração da cidadezinha: o Ancien Hôtel Baudy, cuja história remonta aos últimos anos do século 19. Há terrine de foie de aves ou de queijo fresco de cabra, brochette de cordeiro, confit de pato ao molho de mel e, para encerrar, maçã assada com calda de caramelo e sorvete de baunilha.

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O Jardin des Plumes visto de cima: oásis. Crédito:
O Jardin des Plumes visto de cima: oásis. Crédito: Bruno Barata/Reprodução

Onde ficar: sobram guesthouses e bed & breakfasts pela vila – quase toda casinha tem uma placa na porta avisando que recebe hóspedes. Mas verdade seja dita: não é um destino barato; mesmo as opções muito simples rondam os € 100 por noite. Para uma experiência especial, vale ficar hospedado no Le Jardin des Plumes, onde está também o único restaurante estrelado da região. Dono de um gostoso jardim com direito a um pequeno lago e espreguiçadeiras, tem quartos com banheira junto à cama, um ótimo e aconchegante café da manhã.

O Castelo de Chantilly: conto de fadas. Crédito:
O Castelo de Chantilly: conto de fadas. Crédito: Rachel Verano/Reprodução

Chantilly, um castelo de conto de fadas

Como chegar: Chantilly está a apenas 40 quilômetros de Paris e a melhor maneira de ir até lá é de trem. A viagem dura só 25 minutos e parte da supercentral Gare de Lyon (veja mais informações sobre horários e preços no site da SNCF). Uma vez na cidadezinha, desça na estação Chantilly-Gouvieux, a mais perto de tudo.

A biblioteca do Castelo de Chantilly: 30 mil volumes. Crédito:
A biblioteca do Castelo de Chantilly: 30 mil volumes. Crédito: Bruno Barata/Reprodução

Principal atração: o Castelo de Chantilly, erguido na segunda metade do século 16, que mais parece cenário de contos de fadas, com direito a torres pontiagudas, lagos, florestas e um belo jardim assinado por ninguém menos que André Le Nôtre, o mesmo nome por trás do paisagismo do Palácio de Versailles e do Jardin des Tuileries, de Paris. A maior vantagem: ter tudo aquilo só para você, inexplicavelmente com pouca gente por perto (e ainda a possibilidade de explorar tudo num carrinho de golfe alugado para até quatro pessoas). Vale reservar um dia inteiro para explorar os cantinhos mais especiais – a biblioteca com estantes recheadas com 30 mil volumes; o acervo de obra de arte, que só rivaliza com o do Louvre; a imensa floresta antigamente usada como campo de caça, hoje dona de belas trilhas e pequenas surpresas (há uma criação de cangurus!).

A coleção de arte do castelo: só perde para o Louvre. Crédito:
A coleção de arte do castelo: só perde para o Louvre. Crédito: Rachel Verano/Reprodução

O que mais? O Domaine de Chantilly (toda a área oficial ao redor do castelo) é famosíssimo pelos estábulos, construídos em 1740. Ainda hoje a cidade é palco de nobres eventos do mundo equestre e referência no tema em todo o mundo. Os Grand Écuries (Grandes Estábulos) abrigam dezenas de animais (muitos da raça lusitana) e há lindas apresentações diariamente. Há bilhetes combinados com a entrada do castelo. Além disso, a cidadezinha é uma graça, com suas lojinhas e cafés.

O espetáculo dos estábulos: imperdível. Crédito:
O espetáculo dos estábulos: imperdível. Crédito: Bruno Barata/Reprodução

Momento especial: o pôr-do-sol nos jardins do castelo durante o verão. Depois que as portas do castelo se fecham (às 18h entre os meses de abril e outubro), os jardins ainda ficam abertos por um tempinho (até às 20h). O espaço fica ainda mais vazio e mágico, com uma luz que tinge tudo de dourado, e é o cenário ideal para um piquenique.

Tarte tatin com creme chantilly no La Capitainerie. Crédito:
Tarte tatin com creme chantilly no La Capitainerie. Crédito: Bruno Barata/Reprodução

Onde comer e ficar: O restaurante La Capitainerie, dentro do Castelo, ocupa as antigas cozinhas da propriedade que inventou o creme chantilly (não há melhor lugar para prová-lo!). Durante o almoço, serve pratos tradicionais da cozinha francesa. À tarde é a vez de tortinhas e guloseimas para acompanhar o chá. Perfeito para quem está praticando a política do “eu mereço”, o melhor hotel da cidade é o Auberge du Jeu de Paume, cujos fundos se abrem para os domínios do castelo. Parte da rede Relais & Châteaux, ocupa um edifício histórico e tem ambientes clássicos e pomposos, além de um bom spa. Um de seus restaurantes, o Table du Connetable, tem uma estrela Michelin. O outro, chamado Le Jardin d’Hiver, é mais informal e tem simpáticas mesinhas espalhadas pelo pátio interno. Uma boa opção mais econômica é o Manoir des Cavaliers, uma linda propriedade de ares campestres com paredes cobertas de hera, um gostoso jardim com piscina e interiores superfranceses, com toques florais e de cor.

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