Achados Adriana Setti escolheu uma ilha no Mediterrâneo como porto seguro, simplificou sua vida para ficar mais “portátil” e está sempre pronta para passar vários meses viajando. Aqui, ela relata suas descobertas e roubadas

Enchentes na Bahia: como está a Península de Maraú

Um relato em primeira pessoa da região de Barra Grande e Algodões

Por Adriana Setti Atualizado em 13 dez 2021, 17h37 - Publicado em 13 dez 2021, 17h02

Segundo as últimas notícias, 51 municípios da Bahia decretaram estado de emergência devido às enchentes e deslizamentos provocados pela tempestade subtropical Ubá. Ao contrário dos vizinhos Ilhéus e Itacaré, o de Maraú não é um deles. Mas isso não quer dizer que o cenário por aqui seja dos melhores.

Gostaria de reforçar que, diante da situação que milhares de famílias baianas estão vivendo neste momento, um perrenguinho de férias como o meu não tem a menor relevância. A intenção é apenas narrar como está a vida por aqui, já que Maraú não está no centro das atenções dos noticiários e muita gente com viagem marcada pode estar em dúvida sobre o que fazer.

Perrengue chic

Cheguei à Praia dos Algodões, que fica 22km ao sul de Barra Grande, na tarde de segunda-feira, depois de um fim de semana de chuvas torrenciais. Já na estrada de asfalto que liga Ilhéus a Itacaré (a BR-101), furamos dois pneus – ao mesmo tempo – em uma cratera cheia d’água. Mais adiante, na estrada de terra (BR-030) que leva até as praias de Maraú, a situação ainda era bem ok, com um pouco de lama. Ao entrar no vilarejo de Algodões veio a pior parte, com verdadeiras lagoas formadas pela chuva, que milagrosamente conseguimos atravessar com um Fiat Mob. Ao chegar ao meu destino final, mais uma surpresa: a ponte que ligava a rua até a casa que aluguei tinha afundado no rio. Tivemos que cruzar com a bagagem e as compras nas costas.

A Praia dos Algodões no
A Praia dos Algodões no “day after”, com muita espuma formada no ponto onde um dos rios da península deságua no mar. Crédito: Adriana Setti/Arquivo pessoal

Dois dias depois dessa primeira etapa da tempestade, criamos coragem para pegar o carro e ir até duas das maiores atrações da Península de Maraú: a piscina natural da praia de Taipu de Fora e o vilarejo de Taipu de Dentro, à beira do Rio da Serra. A situação era parecida com a de Algodões: na BR-030, um pouco de lama, mas nada grave. Já dentro do loteamento de Taipu de Fora, muitas ruas estavam alagadas e passamos por um tris.

O bicho pegou

Na noite de quinta pra sexta o bicho realmente pegou. Parte de Algodões ficou sem luz por várias horas e muitas casas foram alagadas – inclusive a da pessoa que administra o meu Airbnb. Localizada em uma parte um pouquinho mais alta do vilarejo, ficamos a salvo, apesar de goteiras mil e boa dose de perrengue. Desde então, estamos parcialmente ilhados. Pra sair, o único jeito é pela praia, ou atravessando a lama na altura do joelho. Nas ruas menos transitadas, como a minha, só os carros grandes e 4X4 conseguem passar.

A casa da pessoa que administra o meu Airbnb, aqui em Algodões
A casa da pessoa que administra o meu Airbnb, aqui em Algodões. Crédito: Adriana Setti/Arquivo pessoal

Hoje de manhã, um amigo corajoso saiu daqui a pé, pegou um transporte na parte mais seca de Algodões e seguiu até o vilarejo de Campinho para embarcar rumo à Ilha de Boipeba, onde a situação é bem mais normal. Até lá, a BR-030 está passável. Mas, segundo os taxistas, o problema vem depois, entre Taipu de Fora e Barra Grande, que sempre é o trecho mais difícil dessa estrada. Nesses dois vilarejos, que cresceram totalmente desordenados, com direito a mangues aterrados, desvio de leitos de rios e muitas outras práticas totalmente sem noção que impedem o escoamento natural da água, muitas ruas estão alagadas e o acesso está difícil.

A Bahia voltando a ser Bahia, ontem de manhã
A Bahia voltando a ser Bahia, ontem de manhã. Crédito: Adriana Setti/Arquivo pessoal
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Está de viagem marcada para a Península de Maraú? Eis o que eu recomendo:

– Entre em contato com a sua hospedagem e pergunte como está o acesso especificamente até lá. Tanto aqui em Algodões como em Barra Grande, algumas pousadas são viáveis atualmente, enquanto outras estão ilhadas e até alagadas.

– Modere suas expectativas sobre a viagem. Depois de tanta chuva, o mar não está azul como de costume, devido a tudo o que vem escoando pelos rios. Além disso, ficar circulando para fazer passeios pode significar roubada. Meus dias por aqui têm sido limitados a caminhadas na praia e refeições nos dois ou três restaurantes aos quais consigo chegar a pé. E estou feliz com isso.

– Alugue um carro alto, de preferência 4X4, ou contrate um transfer local para viajar com mais tranquilidade.

Como ajudar?

Esta reportagem do Ecoa lista uma série de formas de ajudar as pessoas afetadas pelas chuvas na Bahia

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