São Francisco Xavier: hospedagens, passeios e roteiros

Por Adrian Medeiros Atualizado em 19 jun 2023, 18h50 - Publicado em 6 jun 2023, 10h25

Por Mirela Mazzola

São Francisco Xavier ou São Xico, como é chamado o pacato distrito de São José dos Campos, é quase uma volta ao passado dos destinos de serra paulistas, que descobriram sua vocação turística como um refúgio cercado pelas montanhas. O clima de roça foi preservado, com direito a prosa na pracinha do coreto e um vaivém sossegado de cavaleiros, e há menos de duas décadas divide espaço com pousadas sofisticadas e lojas de artesanato.

Muitos casais procuram São Xico para ver o tempo passar devagar. Depois de sair da cama sem culpa e tomar um café da manhã demorado, a escolha é entre percorrer o centrinho ou se revigorar em uma trilha – há desde trajetos para iniciantes até percursos longos, como o que dura o dia todo e leva a Monte Verde

QUANDO IR

O ano todo: São Xico está mais para uma escapada de fim de semana que para um destino de inverno propriamente dito. Ou seja, diárias e horários de funcionamento oscilam mais em função do dia da semana (ou em feriados) que da estação do ano, como ocorre em Campos do Jordão, que fica muito mais cara no inverno. No caso de São Xico, enquanto no meio do ano as temperaturas baixas dão aquele charme único ao lugar, no verão o banho de cachoeira fica bem mais convidativo.

No mês de julho, como parte das comemorações do aniversário de São José dos Campos, o festival Muriqui em Festa anima o distrito com apresentações de dança, maracatu, fanfarra, jazz e cortejos, além de intervenções artísticas. Para saber sobre edições futuras, consulte o site da Fundação Cultural Cassiano Ricardo.  

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COMO CHEGAR

De São Paulo, dá para seguir pela Rodovia Presidente Dutra (BR-116) ou pelo sistema Sistema Ayrton Senna-Carvalho Pinto/SP-070 até São José dos Campos (em ambos é preciso pegar a saída 152, acessada pela Dutra). As placas ou o app de navegação vai mandá-lo para o trecho da SP-050 que liga São José ao município de Monteiro Lobato. De lá, são 20 km de pista simples e com trechos sinuosos montanha acima até São Francisco Xavier. 

COMO CIRCULAR

O carro é o meio mais viável de conhecer os atrativos de São Francisco Xavier. Embora as lojas e restaurantes fiquem no centro, as hospedagens se espalham principalmente no Vale de Santa Bárbara e na estrada para Joanópolis, muitas com acesso por estrada de terra.

O QUE FAZER

Em meio à natureza

Uma das atrações mais visitadas da cidade é o Mirante da Pedra de São Francisco, onde há escadas para subir em pedras e admirar a paisagem da Serra da Mantiqueira. Outro mirante conhecido é o da Pedra do Porquinho, que possui uma infraestrutura de restaurante e realiza passeios de cavalo.

Trilhas pontuadas por cachoeiras revigoram corpo e mente em São Xico. O CAT Ecoturismo promove as atividades, com saídas da fazenda Monte Verde, a 5 km de Centro. Iniciantes podem caminhar três horas (6 km no total) e conhecer a Toca do Muriqui – a espécie de macaco que dá nome ao lugar pode dar as caras no trajeto. Para os mais experientes, a subida de 12 km até a Pedra da Onça leva cinco horas, enquanto a trilha até Monte Verde (22 km) dura oito, percorrendo riachos e bosques.

Do Mirante do Abismo é possível avistar o Vale do Paraíba – a caminhada leva seis horas e percorre 12 km. Com trilha íngreme e difícil, a subida até o Pico Focinho d’Anta, a 1.712 metros, é indicada para quem tem bom preparo físico. Começa na Estrada dos Remédios (a 10 km do distrito) e dura cerca de cinco horas. A mesma agência também organiza o aquaride, em que você deita em um bote individual, de barriga para baixo, e segue a correnteza. A atividade é no Rio do Peixe, com corredeiras ideais para a prática do esporte. 

Algumas pousadas da cidade abrem suas propriedades com trilhas e quedas d’água para não-hóspedes, cobrando uma entrada. É o caso da Pousada Cachoeira do Roncador, cujo ingresso dá direito a usar a piscina, banheiros e estacionamento. Com 45 metros de altura, a queda no encontro do Rio do Peixe com o Ribeirão Roncador tem bom volume de água e poço para banho. Considere ainda a Cachoeira Pedro Davi, de fácil acesso.

Bem-estar

Não é preciso se hospedar em uma pousada com spa para fazer tratamentos relaxantes em meio à natureza. No espaço Bruxinhas do Mato, da massoterapeuta Adriana Alves, são oferecidos banhos de imersão com ervas e flores frescas, massagens, reflexologia e reiki. Chás, aromatizadores, óleos e sabonetes usados nas terapias são de marca própria e vendidos para levar.

ONDE FICAR

Público cativo em São Xico, os casais encontram pousadas na medida para um retiro romântico – quartos com lareira, ofurô e vista panorâmica, além de piscina e espaços para massagem, são frequentes. A maioria das hospedagens está distante do centro e com acesso por estrada da terra.

Na A Rosa e o Rei, a 11 km de distrito, há hidromassagem ou ofurô em todos os chalés. Alguns deles têm deques debruçados sobre a mata, assim como a convidativa piscina. A Chapéu de Palha tem apenas seis espaçosas unidades (chamadas de cabanas), decoradas com tijolo aparente, móveis de madeira e fibras naturais – se deixá-las pela manhã parecer um sacrifício, lembre-se que o café inclui queijos, geleias e pães artesanais. Uma vista deslumbrante da serra pode ser apreciada da piscina com borda infinita da Portal do Equilibrium, cujo lazer inclui ainda trilha e uma sequência de duas tirolesas com quase 800m de extensão sobre o Vale do Rio Mando.

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A paisagem também é ponto alto na Pousada Serra do Luar, que tem uma cascata dentro da propriedade e ofurô com vista para a mata em quase todos os chalés. Na Pousada Vila Santa Bárbara, em uma área de 150 mil metros quadrados, além de chalés com lareira e ofurô, há casas com dois dormitórios que acomodam até 5 pessoas. Pertinho do Centro, a Varandas da Mantiqueira tem unidades com hidro e varanda com rede, enquanto a Pousada Muriqui conta com serviço atencioso e piscina em meio ao jardim. 

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ONDE COMER 

No centro, a Rua 15 de Novembro concentra os restaurantes. O João de Barro tem decoração rústica e um cardápio variado – a truta aparece em bolinhos e no acompanhamento de risotos. Na Caboclo, as estrelas são as pizzas assadas no forno a lenha e servidas na pedra. Na mesma rua, o Pangea Bar serve caldos, porções, massas e sanduíches para acompanhar alguns rótulos de cerveja artesanal.

Ali pertinho, a arquitetura moderna do Villa K2 contrasta com os outros endereços da cidade. O empório e restaurante serve carnes e massas artesanais, além de petiscos para acompanhar a boa oferta de vinhos. O Neo Armazém e Restô tem proposta parecida e também vende queijos e outros produtos locais. Ao lado funciona a descolada Neo Burger & Co, que serve sanduíches altos e suculentos. 

A SP 50 Bier produz cervejas artesanais e serve um buffet de feijoadas aos sábados. Também vale visitar o Alambique Pau Oco, de cachaças artesanais.

SUGESTÃO DE ROTEIRO

Em um fim de semana é possível percorrer boa parte das atrações de São Xico. Para quem tem esse tempo e quer fazer uma trilha, vale se informar antes sobre horários de saída no CAT Ecoturismo  – isso vai definir até que horas dá pra ficar na cama. Iniciantes podem optar pelo trekking até a Toca do Muriqui, enquanto os avançados no esporte costumam ir até a Pedra da Onça ou ao Pico Focinho d’Anta. Um dia quente pode incluir o aquaride nas corredeiras do Rio de Peixe. Depois das atividades, dá para relaxar na pousada sem pressa e partir para a Rua 15 de Novembro, que concentra os restaurantes da cidade. 

O domingo pode começar preguiçoso nas cachoeiras da Pousada Cachoeira do Roncador. Depois do almoço na Rua 15 de Novembro, uma boa é conhecer as lojinhas e ateliês. Para levar delícias da roça para a casa, ou até fazer a feira da semana, passe no Neo Armazém e Restô  e na feirinha de produtos orgânicos da Praça Cônego Antônio Manzi antes de pegar a estrada.

VT RECOMENDA

O clima interiorano e a descoberta de São Xico como destino turístico atraíram artistas e artesãos ao longo dos anos. Alguns mantêm seus ateliês no distrito, e também há lojas interessantes para quem não abre mão de descer a serra com sacolinhas.

Uma cuidadosa seleção de artesanato brasileiro de várias regiões pode ser encontrada na loja Amantiquira, no centro – há de utensílios domésticos a bijuterias e objetos de decoração. Na Maly Caran, a especialidade são os cosméticos artesanais, como óleos, hidratantes e sabonetes em versões de capim-limão, lavanda, entre outras. Na Bruxinhas do Mato, um gostoso sítio cercado de verde onde são feitos tratamento holísticos, também há uma linha própria de chás, aromatizadores, óleos e sabonetes.

Quem adora voltar para a casa com quitutes na bagagem pode passar no Neo Armazém e Restô, que vende queijos produzidos na cidade, como meia-cura e de cabra, e em outras regiões, a exemplo do canastra (MG). Aos sábados e domingos, das 8h às 17h, a Praça Cônego Antônio Manzi sedia uma feirinha de produtos orgânicos e artesanato.

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