Olinda: passeios, roteiros, onde ficar, restaurantes e mais

Site: http://olinda.pe.gov.br

População: 393.115 hab

DDD: 81

Estado: Pernambuco

Distância de outras cidades: Recife, 10 km, Igarassu, 26 km, João Pessoa, 120 km, Caruaru, 145 km

Atualizado em abril de 2021

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Por Mirela Mazzola

Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade da Unesco desde 1982, Olinda é muito mais que um destino de Carnaval ou um bate e volta a partir de Recife. Nos dias de folia, as ladeiras da cidade atraem 2 milhões de pessoas, que se esbaldam entre bonecos gigantes e blocos de frevo, maracatu e outros ritmos regionais. Mas ao longo do ano a magia se mantém, com um magnífico conjunto de igrejas barrocas e um casario colonial charmoso que hoje abriga cafés, restaurantes e ateliês. No Alto da Sé, o sobe e desce é coroado pela imagem de cartão-postal, com a igreja e o mar ao fundo. 

Melhor época para visitar Olinda

Faz calor praticamente o ano todo e as chuvas costumam incomodar entre maio e julho. O Carnaval exige reserva de hospedagem com antecedência (e o preço das diárias sobe bastante). Em julho, Recife organiza a Fenearte, maior feira de artesanato da América Latina com expositores de Pernambuco e de outros estados e países, que também movimenta Olinda. 

Como chegar a Olinda

O Aeroporto Internacional do Recife/Guararapes Gilberto Freyre é o mais próximo de Olinda e recebe voos das principais cidades do país. Da capital Recife, distante apenas 10 km, o meio de transporte mais confortável é o táxi e o mais econômico, o ônibus – a linha 910 faz o trecho entre Boa Viagem e a Prefeitura de Olinda em cerca de meia hora (dali, é possível percorrer o íngreme Centro Histórico a pé). 

Como circular

O Centro Histórico é compacto e fácil de percorrer a pé. O passeio começa na Praça do Carmo, segue pela Rua São Francisco (onde vale fazer uma parada no Convento, com vista para a orla) e sobe rumo à Sé. Até lá, perca-se pelas ruas Saldanha Marinho, do Amparo e Ladeira da Misericórdia, sem se esquecer da esquina dos Quatro Cantos, epicentro do Carnaval. Por fim, a linda Basílica de São Bento encerra o passeio. Carros podem circular na área, mas é proibido estacionar em algumas ruas. Por se tratar de uma caminhada íngreme, cadeirantes ou pessoas com dificuldade de locomoção podem considerar fechar um táxi a preço fixo.

O que fazer em Olinda

Recentemente, uma iniciativa do governo estadual criou o Passaporte Pernambuco, documento fictício que pode ser carimbado nos principais pontos turísticos e se tornar uma simpática lembrança da viagem. Eles podem ser adquiridos, gratuitamente, nos Centros de Atendimento ao Turista do estado. Em Olinda, o CAT fica na esquina dos Quatro Cantos (Rua Prudente de Morais, 472), com atendimento de segunda a sexta, das 8h às 16h, e sábado e domingo das 9h às 13h30. Lá também vale se informar sobre a contratação de guias certificados.

História, cultura e fé

O casario histórico, com exemplares construídos entre os séculos 16 e 20, e as igrejas barrocas (veja endereços e horários de visitação aqui) são os maiores patrimônios de Olinda. A rica Basílica de São Bento, de 1582, ostenta um altar de madeira entalhada revestida com 28 kg de ouro. Completam o conjunto suntuoso as seis tribunas laterais cobertas por dosséis dourados, a Via Sacra alemã de madeira e gesso em alto relevo e o Cristo Crucificado no coro, de costas para o altar. Erguido em 1585, o Convento de São Francisco é o primeiro convento da Ordem Franciscana no Brasil e abriga a Igreja Nossa Senhora das Neves (séc. 16) e as capelas Capítulo (séc. 16), Sant’Ana (séc. 18) e São Roque (séc. 19), ricas em azulejos portugueses e detalhes barrocos. No pátio interno, 16 painéis retratam a vida e a morte de São Francisco. Por fim, um corredor ladeado de painéis com cenas do cotidiano da corte conduz à sacristia, onde há mobília de jacarandá e forro adornado por pinturas sacras. 

No alto da ladeira mais íngreme de Olinda, a Igreja da Misericórdia, de 1540, tem uma imagem de Nossa Senhora em painéis de azulejos portugueses, logo na entrada. Os altares rococós e a base policromada que imita mármore enriquecem o conjunto. No Alto da Sé, o pátio lateral da Igreja da Sé (ou Matriz de São Salvador do Mundo, de 1537) proporciona uma foto do cartão-postal local: em primeiro plano, igrejas e coqueiros; ao fundo, o mar e prédios de Recife. O interior exibe dois altares laterais folheados a ouro e azulejos portugueses decorativos – depois da visita, recarregar as energias em uma das barraquinhas de tapioca do entorno é um clássico. Bem pertinho, o Museu de Arte Sacra de Pernambuco reúne objetos de culto como santos populares e de procissão, relicários e pinturas religiosas. Entre os destaques deste acervo é uma coleção de imagens eruditas do século 16 e uma rara imagem de Nossa Senhora adolescente. Quase em frente, o Observatório Astronômico do Alto da Sé, em um prédio de 1890, é um dos mais antigos do país. A partir das 16h, é possível visitar o espaço expositivo e usar o telescópio com a ajuda de monitores. 

Erguida em 1580, a Igreja do Carmo é a mais antiga igreja carmelita do Brasil. Após uma longa reforma concluída em 2012, os entalhes do altar principal receberam novo douramento e afrescos foram recuperados debaixo de camadas de tinta com mais de dois séculos. A Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos de Olinda é uma das mais antigas construídas por uma irmandade de negros no país, no século 17 – o altar-mor guarda uma rara imagem de Moisés negro. Na semana que antecede o Carnaval, o pátio recebe a cerimônia Noite dos Tambores Silenciosos, com grupos de maracatu reverenciando ancestrais e pedindo proteção para a festa.

Na Igreja Nossa Senhora do Monte, mais antiga edificação religiosa de Olinda, de 1535, o interior simples divide a atenção com um quitute preparado ali pelas monjas beneditinas: o bricelet, doce de origem suíça semelhante ao biju, com um toque de limão. A receita vendida no mosteiro também é servida em restaurantes de Recife e Olinda.

Roteiro de arte e artesanato

Olinda é um polo cultural e seu epicentro fica na Rua do Amparo, com bares, restaurantes, ateliês e o Museu Regional de Olinda, que reúne belo mobiliário de jacarandá dos séculos 17 ao 19 e artefatos europeus de decoração, como porcelana inglesa e candelabros de cristal Baccarat, além de um altar que pertenceu à antiga Igreja da Sé, com detalhes de rubi e marfim. No nº 28 da rua, repare no casarão mourisco, com um balcão em madeira com muxarabis de influência árabe (outra construção nesse estilo, com raros exemplares no país, fica Praça Conselheiro João Alfredo). Alguns artistas mantêm seus ateliês em casa, como Iza do Amparo, cujas pinturas coloridas estampam telas, tecidos e camisetas. Na Ladeira da Misericórdia, o pintor e escultor recifense Di Farias cria telas figurativas que retratam pessoas comuns e artistas, além de cenas como o Carnaval. 

No Alto da Sé, o Mercado de Artesanato da Sé reúne lojas de produtos regionais, peças de madeira e roupas e enxoval de renda renascença e bordado filé. A loja Artes do Imaginário Brasileiro faz uma bela curadoria de peças de artesãos de todo o país, assim como a Sobrado 7, na Rua Prudente de Morais (há uma filial no Shopping RioMar, em Recife). Uma parte do acervo do Centro de Artesanato de Pernambuco, também na capital, pode ser encontrado no Mercado Eufrásio Barbosa – o local foi reaberto em 2018 após uma reforma e hoje abriga feiras de agroecológicas, salas de exposições e a nova sede do Museu do Mamulengo. O espaço reúne centenas de mamulengos, fantoches de madeira e pano usados no teatro popular de rua desde o século 19. 

Onde ficar em Olinda

A maioria das pousadas fica no Centro Histórico, com fácil acesso a pé para as atrações. Maior da cidade, o Hotel Sete Colinas está em um amplo terreno com jardim e piscina pertinho do Convento de São Francisco. Os quartos têm ar-condicionado e varanda com rede. No epicentro do Carnaval, a Pousada dos Quatro Cantos fica em um casarão preservado do século 19 – o café da manhã é um dos pontos altos da estadia, com frutas e quitutes locais, como tapioca e macaxeira.

Também no burburinho, a charmosa Pousada do Amparo tem quartos com mobília antiga e preservada – a modernidade aparece na suíte com banheira de hidromassagem e na piscina no solário ajardinado. No Alto da Sé, a atmosfera histórica também é o destaque da Pousada Convento da Conceição, construção do século 16 aberta para hospedagem em 2018. Os quartos são mais simples, com chuveiro elétrico e camas estreitas. Em uma casa adaptada próxima à Ladeira da Misericórdia, a Pousada Flor de Olinda tem quartos com camas-box e ar-condicionado. Mais afastado da área histórica, o Hotel Pousada São Francisco têm quartos duplos e triplos em volta da piscina com bar. 

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Onde comer em Olinda

Assim como as hospedagens, muitos restaurantes de Olinda ficam em charmosos casarões históricos. Clássico local, o Oficina do Sabor serve receitas nordestina criadas pelo chef César Santos – o destaque é o jerimum (ou moranga) recheado com camarão, lagosta e lula, por exemplo, em cremes à base de frutas, como manga e coco. A mistura de pescados e frutas também é marca registrada do Beijupirá, restaurante de Porto de Galinhas com cinco unidades no estado.

Em Olinda, o salão tem bonita vista para a orla de Recife, assim como o Patuá – uma das sugestões do menu é a caldeirada de frutos do mar. No ambiente simplíssimo da Casa de Noca apenas um prato é preparado: uma camada macia de macaxeira cozida coberta por carne de sol e queijo de coalho. Com filial em Recife e ambiente para happy hour, o Bode do Nô serve iguarias regionais, como buchada. Há mais de duas décadas, o Don Francesco Trattoria serve massas com molhos artesanais, como uma afamada lasanha, em um avarandado com vista para o verde. 

VT RECOMENDA

A cena musical e boêmia de Olinda é uma atração à parte, capitaneada pelo Carnaval, que toma as ladeiras debaixo do sol quente entre blocos, bonecos gigantes e grupos de frevo e maracatu, entre outros ritmos regionais. Um deles, o samba de coco, também tem forte presença no estado – com origem no ritual da quebra do coco pelos negros escravizados, é marcado por tambores, pandeiros, ganzás (chocalhos) e palmas acompanhando a dança e a cantoria. Uma das rodas mais tradicionais é liderada por Mãe Beth de Oxum no Centro Cultural Coco de Umbigada, na Rua do Guadalupe. O evento ocorre no primeiro sábado de cada mês. 

A noite segue animada durante todo o ano na Bodega de Véio, boteco com jeito de armazém onde rolam atrações musicais. Para acompanhar o som, salada de bacalhau, empada e sanduíche de queijo do reino podem ser petiscados na calçada, com cerveja gelada e cachacinha. Criado na cidade em 2003 como um evento de música erudita, o Mimo Festival incorporou outros gêneros e se espalhou por destinos históricos no país, como Ouro Preto e Paraty, e em Portugal – já se apresentaram nomes como Tom Zé, Hermeto Pascoal e Emicida. 

SUGESTÃO DE ROTEIRO

Embora seja um bate e volta clássico a partir de Recife, Olinda vale ao menos um pernoite. Em dois dias dá para percorrer com calma o Centro Histórico e visitar as mais lindas igrejas locais, a Basílica de São Bento e o Convento de São Francisco. O almoço pode ser na varanda do Beijupirá, com vista para a orla da capital. Depois da refeição, aproveite para percorrer os ateliês das ruas do Amparo e Prudente de Moraes e subir até o Alto da Sé, para conhecer a igreja e tirar a foto clássica no fim da tarde, com o mar ao fundo. A última parada pode ser na Bodega de Véio, com petiscos caprichados e cerveja gelada (eventualmente há música ao vivo). No dia seguinte, vale conhecer o Mercado Eufrásio Barbosa, recém-reformado, e as novas instalações do Museu do Mamulengo. No almoço, escolha entre a cozinha regional do Oficina do Sabor e as massas artesanais da Don Francesco Trattoria. Depois de mais uma volta pelo centro histórico, se der tempo de a fome bater, despeça-se de Olinda nas icônicas barraquinhas de tapioca do Alto da Sé. 

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