Por que o trem da Luz até o aeroporto de Guarulhos não para no Brás?

Levando em conta que no sentido inverso ele para. Diz a CPTM: ao parar no Brás, o trem usaria a mesma plataforma de outra linha e confundiria passageiros

Estação Brás: por que não parou? Não parou por quê?

Estação Brás: por que não parou? Não parou por quê? (Fabrício Brasiliense/Viagem e Turismo)

No relato que fiz sobre a viagem de trem da Luz até o aeroporto de Guarulhos, um detalhe me passou despercebido: no sentido aeroporto, o trem para apenas na estação Guarulhos Cecap; já no sentido contrário, de Guarulhos até a Luz, o trem para também na plataforma da estação Brás. Quem me alertou para o fato foi o leitor Valdir Hermann, morador de Santo André, a quem dou a palavra:

Li o relato no seu blog sobre ir da capital paulista para o aeroporto de Guarulhos, sim, muito bom, concordo com tudo, só tem um detalhe.

Moro em Santo André e para eu ir até o aeroporto de Guarulhos pego a linha 10 Turquesa e vou até o Brás. Aí começa o erro dessa nova linha. Esqueceram as pessoas que vêm do ABC. Como a linha 10 só vai até o Brás, é necessário pegar outro trem ou metrô e ir até a Luz para então pegar o trem para o aeroporto e passar novamente pelo Brás. Li um relato do secretário estadual dos transportes dizendo que é para evitar que algum passageiro de outras linhas de trem do Brás se confunda e vá parar no aeroporto. Brincadeira, né?

Agora, a volta de Cumbica é uma beleza. O trem para no Brás e posso pegar o trem para o ABC numa boa. Poder sair do ABC e pegar o trem no Brás e aí sim ir direto até Guarulhos seria perfeito!

Procurei a assessoria de comunicação da CPTM e o motivo é exatamente esse que o Valdir mencionou. “A plataforma por onde passa o expresso para o aeroporto é a mesma utilizada pela Linha 11 (Coral) e alguém poderia entrar no trem para Guarulhos por engano”, disse a chefe do departamento de imprensa da CPTM, Patrícia Paz. Não daria para colocar algum sinal sonoro dentro do vagão e na plataforma?, perguntei. “Não adianta. As pessoas não ouvem, ficam distraídas falando no celular ou com fone de ouvido. Seria uma chuva de gente reclamando que entrou no trem para ir para Mogi das Cruzes e foi parar em Guarulhos”. Alguma previsão que isso mude daqui um tempo? “Nenhuma.”

Já imaginou o vagão adesivado com dicas turísticas sobre São Paulo?

Já imaginou o vagão adesivado com dicas turísticas sobre São Paulo? (Fabrício Brasiliense/Viagem e Turismo)

Tem um fato aí que é compreensível: se eu pego um metrô na direção errada posso descer na estação seguinte e mudar de plataforma. No caso da linha até Cumbica, a próxima estação depois do Brás seria lá em Guarulhos e, pelo fato de o trem sair de hora em hora, essa distração custaria para o passageiro pelo menos 1h30 de um já suado dia. E o fato da Linha Coral atender hoje um número de pessoas infinitamente superior ao de Guarulhos, até que faz sentido.

Mas como disse o adorável Merlí, professor de filosofia do seriado da Netflix, “as coisas serem de uma maneira não significa que elas não possam ser mudadas”. Qualquer modal de transporte precisa ter demanda e, algumas vezes, essa demanda precisa ser criada, mostrando ao usuário a conveniência. Ah, mas não para nos terminais e blá blá blá. De fato, mas já está muito melhor do que era e a tendência é melhorar mais depois que construírem o people mover até os terminais. E se tem uma coisa que São Paulo precisa é desafogar marginais e avenidas e mudar uma cultura do carro que parece entranhada no DNA do paulistano.

Deixo aqui uma pequena contribuição para que o expresso até o aeroporto possa ser facilmente identificado pelos usuários da estação Brás e, principalmente, para que mais pessoas sintam vontade de usar o trem em suas viagens:

– Insistir nos avisos sonoros em altíssimos decibéis, tanto dentro do trem quanto na plataforma. 

– Pintar o trem com alguma cor berrante do lado de fora, fazer um concurso para estimular grafiteiros e muralistas paulistanos a proporem desenhos de tempos em tempos. Quem sabe começar com Os Gêmeos ou o Kobra e assim incentivar quem nunca colocou os pés em um trem da CPTM na vida?

– Adesivar o vagão internamente como já fizeram na linha Amarela algumas vezes. Lembro de uma propaganda de cerveja que chegava a dar vertigem e era impossível não se perguntar: será que entrei no lugar certo?

– Melhor ainda seria adesivar vagões com dicas turísticas sobre São Paulo, se possível trilíngues, com passeios para se fazer a partir de estações de metrô e trem, com roteiros diversos (Paulista, Vila Madalena, Bom Retiro, Centro Histórico, Liberdade e por aí vai). Se mesmo assim a pessoa que queria apenas chegar em Mogi das Cruzes foi parar em Guarulhos, poderá voltar para casa com uma ideia do que fazer em São Paulo no dia em que estiver de folga.

Conta aí: fabricio.brasiliense@abril.com.br

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