Vacina para turistas no Alasca é fria, mas em Nova York é promissora

A vacina do Alasca requer duas doses (Pfizer ou Moderna), enquanto que a de NY, de uma dose apenas (da Janssen), tem potencial para atrair mais turistas

Passeio de caiaque pelo Glacier Valdez, um dos hits do Alasca

Passeio de caiaque pelo Glacier Valdez, um dos hits do Alasca (Piriya Wongkongkathep/Getty Images)

Nos últimos dias foi a vez do Alasca propagandear que vacinaria turistas que visitarem o destino a partir de 1 de junho. A notícia saiu no Twitter: “Anuncio hoje que qualquer pessoa que chegue de férias no Alasca em algum dos nossos aeroportos poderá tomar a vacina para a Covid sem custo”, disse o governador Mike Dunleavy.  

O Alasca depende muito das divisas geradas pelo turismo e o estado sofreu um baque enorme com a pandemia, principalmente o mercado de cruzeiros, que é o meio ideal para conhecer as paisagens geladas do Estado. Sem a perspectiva de retomada dos itinerários de navio e a fronteira marítima com o Canadá fechada, o Alasca quer incentivar o turismo por via aérea e por isso o plano é oferecer a vacina no momento em que a pessoa desembarcar nos aeroportos de Anchorage, Juneau, Ketchikan e Fairbanks.

Sem dúvida é um marketing interessante e pode ser oportuno para quem mora nos Estados Unidos. A CEO da Alaska Travel Industry Association, Sarah Leonard, disse ao Anchorage Daily News: “Reconhecemos que as pessoas que visitam o Alasca não costumem ficar 21 dias ou 28 dias, mas elas podem tomar a primeira dose aqui e a segunda em casa.” É aí que mora o gargalo.  Comentei lá em fevereiro sobre os primeiros sinais do surgimento de uma onda de turismo de vacinação, cujo entrave principal é o fato de que a pessoa precisa dispor de tempo e dinheiro para ficar fora do país praticamente um mês para tomar as duas doses.

A fala da diretora do turismo do Alasca faz sentido se a casa da pessoa for nos Estados Unidos, que têm como principais vacinas a da Pfizer e da Moderna. No Brasil, as vacinas que estão sendo mais largamente aplicadas são a CoronaVac e a de Oxford/AstraZeneca. E o mais importante: não é recomendado tomar a primeira dose de um laboratório e a segunda de outro porque não há estudos, ou seja, não há como saber se a pessoa estará imunizada para as formas graves da Covid-19. A eficácia que se conhece é para duas doses da vacina de um mesmo fabricante. “Ah, mas já temos a da Pfizer, posso tomar a segunda dose no Brasil.” Até o momento o que chegou por aqui foi um pouco mais de um milhão de doses, o que não dá nem para o cheiro, e não há como escolher a vacina que se vai tomar.

A epidemiologista Ethel Maciel, pós-doutora pela Universidade John Hopkins e professora da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), disse em entrevista ao portal IG que a vacinação precisa ter um olhar coletivo e não individual. “É certo que há vacinas mais eficazes que outras. Mas, o que a gente precisa entender é que a vacina não é como um remédio para proteger individualmente, mas sim uma estratégia coletiva e de saúde pública”. 

Isso quer dizer que na prática não adianta uma pessoa esperar para ser vacinada com um imunizante com a eficácia muito alta. “Enquanto isso, o vírus continua a se espalhar e pode sofrer mutações, como já tem acontecido, e aí a vacina, mesmo com a eficácia alta, não vai adiantar. Nesse momento, precisamos de um número alto de imunizados, mesmo que a vacina tenha uma eficácia menor”, concluiu Ethel na entrevista.

Um novo capítulo sobre o turismo de vacinação surgiu no dia 6 de maio com o anúncio do prefeito de Nova York convidando turistas a irem se vacinar na cidade. A ideia de Bill de Blasio é disponibilizar a vacina da Janssen, que é de dose única, em pontos de grande fluxo de turistas como o Central Park, a Times Square e a Ponte do Brooklyn. O prefeito precisa ainda da aprovação do governo do estado para que a intenção vire realidade. E por ora ainda temos um entrave maior, que é fazer quarentena de 15 dias no México ou algum país que não tenha restrição de entrada nos Estados Unidos.

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