Qual é melhor: Pastel de Belém ou da Manteigaria? Fizemos o teste

O pastel de nata é o doce mais famoso de Portugal. Avaliamos as duas marcas mais famosas em Lisboa

Fornadas na Antiga Fábrica dos Pastéis de Belém: quentinhos e deliciosos Fornadas na Antiga Fábrica dos Pastéis de Belém: quentinhos e deliciosos

Fornadas na Antiga Fábrica dos Pastéis de Belém: quentinhos e deliciosos (Bruno Barata/Reprodução)

O pastel de Belém é desses produtos que, de tão famosos, acabam arrematando o nome de toda uma categoria. Não à toa, muita gente acha que pastel de nata e pastel de Belém são coisas diferentes, quando, na verdade, o pastel de Belém é… um pastel de nata. Só que feito na antiga fábrica dos Pastéis de Belém

Passei anos com a certeza de que não havia concorrente à altura dos pastéis de Belém. Cada vez que ia à confeitaria, ao lado do Mosteiro dos Jerónimos, era um acontecimento especial que merecia pelo menos três unidades por pessoa. Com açúcar e canela, como manda o figurino.

(Parêntese para um pouquinho de história: acredita-se que a receita original do pastel de nata tenha nascido no Mosteiro dos Jerónimos e, em meados do século 19, com a extinção das ordens religiosas de Portugal como consequência da Revolução Liberal deflagrada em 1820, alguém do mosteiro teria levado o doce para ser vendido numa antiga refinaria de cana de açúcar vizinha que funcionava também como uma lojinha. Esta refinaria passou a produzir o doce – e nascia assim o pastel de Belém, que seria, portanto, o original.)

Pastéis recém-saídos do forno na Manteigaria: irresistíveis Pastéis recém-saídos do forno na Manteigaria: irresistíveis

Pastéis recém-saídos do forno na Manteigaria: irresistíveis (Bruno Barata/Reprodução)

Mas então, nos últimos anos, quando eu ainda morava em São Paulo antes de voltar para Lisboa, começaram a chegar boatos de que já havia, sim, um concorrente à altura: o pastel de nata da Manteigaria, loja que hoje tem duas unidades em Lisboa: uma no Largo de Camões, no Chiado, e outra no Mercado Time Out, na Ribeira.

Desde a primeira mordida que soube o meu preferido. Mas antes de dar opinião, vamos aos fatos:

  • O AMBIENTE
    Antiga Fábrica dos Pastéis de Belém: Um labirinto de salas forradas de azulejos tradicionais nos arredores do Mosteiro dos Jerónimos (onde nasceu a receita), em Belém. Recentemente ganhou uma simpática área com mesinhas ao ar livre, perfeita para os dias mais quentes.
    Manteigaria: Nos dois endereços as lojas têm apenas um balcão e a venda é expressa, vapt-vupt. Quem quiser comer in loco se aperta no balcão.
    VENCEDOR: Antiga Fábrica dos Pastéis de Belém
  • O ATENDIMENTO
    Antiga Fábrica dos Pastéis de Belém: As filas podem ser longas na porta e do lado de dentro. Quem tem pressa pode se irritar. Uma vez sentado, o atendimento tende para o eficiente, mas às vezes pode ser confuso e demorado (como foi na minha última visita).
    Manteigaria: Rápido e eficiente. Não há excessos nem pecados. Chegou, comprou, levou.
    VENCEDOR: Manteigaria
  • O DOCE NO DIA
    Antiga Fábrica dos Pastéis de Belém: Servido sempre quentinho, tem massa impecável – crocante, que faz barulhinho ao morder. O recheio é cremoso, de consistência bem mole. Gosto intenso de leite (afinal, é um doce de natas ).

    O pastel de Belém in loco: quentinho, massa crocante e recheio molinho O pastel de Belém in loco: quentinho, massa crocante e recheio molinho

    O pastel de Belém in loco: quentinho, massa crocante e recheio molinho (Bruno Barata/Reprodução)

    Manteigaria: Geralmente é servido quentinho, mas já aconteceu de estar morno e quase frio, um erro. Prefiro sempre quente. Também chega com a massa crocante e o recheio ligeiramente mais firme e uniforme, com um sabor menos enjoativo.

    O pastel de nata da Manteigaria in loco: recheio uniforme e equilibrado O pastel de nata da Manteigaria in loco: recheio uniforme e equilibrado

    O pastel de nata da Manteigaria in loco: recheio uniforme e equilibrado (Bruno Barata/Reprodução)

    VENCEDOR: Manteigaria (me julguem!  Mas atenção: trata-se de uma opinião estritamente pessoal)

  • O DOCE NO DIA SEGUINTE
    Como as duas confeitarias vendem o doce para viagem (há, inclusive, vendas no freeshop do aeroporto), avaliamos como ele se comporta depois de um dia.
    Antiga Fábrica dos Pastéis de Belém: A massa estava borrachuda e o recheio, mais durinho. Para quem pensa que, ao comprar no freeshop e levar pra casa, terá a mesma delícia saboreada em Lisboa, é uma decepção.

    O pastel de Belém 24 horas mais tarde: massa borrachuda e recheio mais durinho O pastel de Belém 24 horas mais tarde: massa borrachuda e recheio mais durinho

    O pastel de Belém 24 horas mais tarde: massa borrachuda e recheio mais durinho (Bruno Barata/Reprodução)

    Manteigaria: A massa não estava crocante, tampouco chicletosa. Estava ok.  Já o recheio estava praticamente igual ao experimentado no dia anterior: impecável.

    O pastel de nata da Manteigaria no dia seguinte: massa um pouco menos crocante e recheio impecável O pastel de nata da Manteigaria no dia seguinte: massa um pouco menos crocante e recheio impecável

    O pastel de nata da Manteigaria no dia seguinte: massa um pouco menos crocante e recheio impecável (Bruno Barata/Reprodução)

    VENCEDOR: Manteigaria

Não acho que comparações sejam sempre saudáveis. E neste caso, recomendo sempre uma ida às duas confeitarias. Mas fiquei feliz de saber que, em meio a tantas centenas de pastéis de nata servidos Portugal afora, pelo menos um deles está na mesma categoria de leveza, sutileza e sabor do original. Um viva aos frades e freiras!

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