Guia de Bolonha: a sábia, a vermelha, a gorda

Com construções medievais, essa cidade na Emília Romagna é berço de algumas das receitas gastronômicas mais suculentas da Itália

No coração da região da Emília Romagna, Bolonha é uma cidade medieval encantadora. A 2h30 de Milão e a 1h30 de Florença, ela pode ser visitada no caminho entre uma cidade e outra ou em um bate e volta de carro.

Ainda pouco visitada por turistas estrangeiros, ela recebe três apelidos carinhosos dos italianos.

O primeiro deles, la dotta (a sábia), vem do fato da cidade abrigar a mais antiga universidade italiana, onde o matemático polonês Nicolau Copérnico estudou.

Pátio interior do Archiginnasio de Bolonha, que guarda a sala de anatomia e a biblioteca municipal

Pátio interior do Archiginnasio de Bolonha, que guarda a sala de anatomia e a biblioteca municipal (RossHelen/iStock)

Fundada no século 11, ela continua em funcionamento e recebe estudantes do mundo inteiro. Algumas partes do complexo são abertas a visitação, entre elas a antiga sala de anatomia.

Há 500 anos, o local era usado pelos anatomistas para dissecar cadáveres na frente de alunos de medicina. Por questões de higiene, as sessões duravam 48 horas e só aconteciam nos dias frios de inverno. Ali, observe as duas estátuas de madeira que mostram a musculatura humana em detalhes.

A sala de anatomia da Universidade de Bolonha

A sala de anatomia da Universidade de Bolonha (Archiginnasio/Divulgação)

Mas esse é só um pedacinho do (ainda vivo) passado de Bolonha. O apelido la rossa (a vermelha) se refere a suas construções históricas, todas com o telhado vermelho.

A melhor maneira de constatar esse fato é subindo os 498 degraus da Torre degli Asinelli, que com 96 metros de altura é uma das mais altas da Itália. Em meados do século 12, isso fazia de Bolonha uma espécie de Manhattan medieval.

E se você acha que a Torre di Pisa é a única torre torta da Itália, está enganado. Bem ao lado da degli Ansinelli, a Torre della Garisenda tem uma inclinação tão acentuada que foi fechada para o público por medidas de segurança.

Repare em como a Torre della Garisenda, ao centro, é inclinada!

Repare em como a Torre della Garisenda, ao centro, é inclinada! (Jason Lee/Flickr)

Ambas ficam bem no centro da cidade, que é repleto de pórticos e ruas estreitas. Ali, não deixe de conhecer também a Piazza Maggiore, onde fica o gótico Duomo de San Petronio.

Com mais tempo, vale visitar a Pinacoteca Nacional, o Museu das Artes Industriais, com mobiliário e objetos do século XVI ao XVIII, e o Museu Cívico e Arqueológico , que abriga relíquias pré-históricas e etruscas.

Mas talvez você prefira se concentrar no terceiro apelido de Bolonha, o “la grassa” (a gorda). Acontece que o famoso molho à bolonhesa foi inventado na cidade, como o próprio nome indica. Lá, essa receita de molho à base de carne moída é chamado de ragù e costuma ser servido com o tagliatelle. Prove essa delícia na Osteria dell’Orsa

O típico tagliatelle al ragù de Bolonha

O típico tagliatelle al ragù</em (Bioncgrrr/Flickr)

Outra receita típica da cidade é o tortellini, massa recheada com uma mistura de carnes, que geralmente inclui a própria mortadela de Bolonha, e servida em um caldo de galinha ou de carne de vaca.

O prato é servido na Drogheria della Rosa, antiga farmácia que foi transformada em restaurante e ainda mantêm balanças e frascos de vidro na decoração.

O tal tortellini

O tal tortellini (PaPisc/Flickr)

Se a ideia for só tomar um lanche, visite o Mercato delle Erbe, que reúne os produtos típicos da região. Além das barracas, há duas praças de alimentação onde são vendidos sanduíches e pizzas.

Para a sobremesa, não deixe de visitar a Majani, que diz ser a primeira empresa a vender chocolates em forma sólida na Itália. Essa barra, chamada de Sfoglia Nera, ainda é vendida na loja.

Ali você encontrará também o Cremino Fiat, doce encomendado pela Fiat em 1911 que leva camadas de chocolate, creme de avelã e amêndoa.

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O Cremino Fiat e a Sfoglia Nera, ambas especialidades da Majani

O Cremino Fiat e a Sfoglia Nera, ambas especialidades da Majani (Majani/Divulgação)

 

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