Achados Por Blog Adriana Setti escolheu uma ilha no Mediterrâneo como porto seguro, simplificou sua vida para ficar mais “portátil” e está sempre pronta para passar vários meses viajando. Aqui, ela relata suas descobertas e roubadas

Como é viver em uma ilha sem coronavírus

Menorca, na Espanha, não tem casos de covid-19 há 40 dias

Por Adriana Setti Atualizado em 17 jun 2020, 11h11 - Publicado em 16 jun 2020, 13h52

Nesta terça-feria (16), Menorca completou 40 dias sem nenhum caso de coronavírus. Localizada no arquipélago das Baleares, na Espanha, a vizinha de Maiorca e Ibiza registrou 92 casos positivos de covid-19 e 12 óbitos desde o início da pandemia. Mas, atualmente, só há uma pessoa doente internada na ilha – e ela já saiu da UTI.

Quando a quarentena foi decretada na Espanha, em 14 de março, eu estava em Barcelona. E foi lá que fiquei confinada, ainda que minha condição de residente oficial em Menorca tivesse me permitido viajar para a ilha, mesmo durante o estado de emergência (que estará vigente até segunda-feira, 22 de junho). Ciente do risco de “fugir” de uma zona muito mais afetada, preferi esperar até o início do desconfinamento para fazer valer o meu direito de moradora. Então, só voltei para cá no final de maio, depois de dois meses de quarentena rígida.

  • Voar em plena pandemia foi estranho do início ao fim, começando por encontrar o aeroporto de Barcelona completamente deserto. Para conseguir embarcar, precisei mostrar o meu certificado de residente em três controles diferentes – e mais uma vez ao aterrissar aqui. Também foi necessário preencher um formulário com meus dados de saúde e passar por uma breve entrevista com um médico, que mediu a minha temperatura. Uma vez liberada, coloquei-me em quarentena voluntária por duas semanas adicionais, até me sentir no direito pleno de entrar na vibe muito mais relaxada que se vive por aqui.

    A partir da abertura para o turismo, na semana que vem, a regra nas praias será evitar aglomeração na base do bom senso Bruno Barata/Arquivo pessoal

    O uso de máscara é obrigatório nas ruas em toda a Espanha, quando é impossível manter uma distância de dois metros entre as pessoas. Aqui, porém, só chega perto de alguém quem realmente quer, já que as cidadezinhas são pequenas e tranquilas. Vivendo em um bairro afastado do centrinho de Ciutadella, eu praticamente só vejo pessoas mascaradas quando vou ao supermercado, onde o uso é compulsório – mas nem todo mundo cumpre, diga-se. Em Barcelona, isso seria impensável. Mas aqui, depois de 40 dias sem contágios e com a ilha fechada, a verdade é que as pessoas realmente vão mudando o chip.

    Mesmo tendo registrado menos de uma centena de casos, Menorca cumpriu uma quarentena tão rígida quanto o resto da Espanha. Mas, uma vez iniciado o processo de desconfinamento, os menorquinos estão vivendo uma espécie de shangri-lá. É quase verão, a ilha está fechada para “forasteiros”  e grande parte da população, que depende do turismo, está temporariamente desocupada… Mesmo sabendo que as consequências econômicas dessa situação serão nefastas, a maioria está no modo carpe diem, aproveitando a ilha como nunca.

  • Mesmo com a epidemia sob controle, as praias menorquinas só abriram três semanas atrás. Ao contrário do que acontece em outras regiões da Espanha, onde as areias estão sendo repartidas em lotes e há controle no acesso, aqui a regra é o bom senso. Na entrada das praias, um pequeno cartaz indica aquilo que estamos cansados de saber: é preciso manter distância de dois metros entre cada grupo e evitar aglomerações. Em uma ilha que tem 75 praias para 96 mil habitantes, isso não tem sido um problema, até porque o que os menorquinos realmente curtem é um bom piquenique nos bosques que cercam as praias virgens.

    No último fim de semana, presenciei o maior festival de piquenique da história recente de Menorca. Nos bosques de Son Saura e La Vall, famílias e numerosos grupos de amigos fizeram valer a grande novidade da fase 3 do desconfinamento, que é a permissão para reuniões de até 20 pessoas. Eles levam mesas, cadeiras, redes, toneladas de comida e bebida e passam o dia lá, felizes da vida (dá gosto de ver a felicidade das pessoas!).

    A partir da segunda-feira que vem, quando Menorca estará oficialmente aberta ao turismo, o governo das Ilhas Baleares seguirá apostando na mesma fórmula da responsabilidade individual para a divisão de território na praia, confiante de que o baixo número de turistas esperados para este ano permitirá manter esse acordo de cavalheiros nas areias do arquipélago. Veremos…

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