Achados Adriana Setti escolheu uma ilha no Mediterrâneo como porto seguro, simplificou sua vida para ficar mais “portátil” e está sempre pronta para passar vários meses viajando. Aqui, ela relata suas descobertas e roubadas

48 horas em Zurique no verão

Um roteiro com os melhores rooftops, banho de rio, jantares à beira do lago e outros programas ao ar livre

Por Adriana Setti Atualizado em 3 set 2021, 12h41 - Publicado em 1 set 2021, 13h31

Existe algo de mágico no verão dos países que vivem invernos rigorosos. Quando as temperaturas sobem, as pessoas vivem intensamente os dias mais longos do ano, exalando uma energia que se nota em cada palmo de chão ao ar livre onde possa bater um raio de sol. É assim em Zurique, a maior urbe da Suíçapaís que já está aberto a brasileiros vacinados.

De junho a setembro, as margens do rio Limmat e do lago que dá nome à cidade fazem as vezes da praia que o país não tem – e nem precisaria. Limpas e frescas, as artérias aquáticas da cidade são perfeitas para velejar, remar de stand up paddle (paixão nacional), pilotar um caiaque e – pasme – até nadar, em pleno centro.

Ávidos por vitamina D, os moradores da cidade dos bancos e das seguradoras, mas que inventou o louquíssimo movimento dadaísta, também lotam seus biergartens (“jardins de cerveja”), cafés e restaurantes ao ar livre, prestigiando uma série de eventos especiais que celebram a estação mais quente. A seguir, um roteiro completo pra mergulhar no verão de Zurique, repleto de programas ao ar livre:

Quando os termômetros sobem, a cidade é tomada por uma energia especial e a vida gira em torno do rio e do lago
Quando os termômetros sobem, a cidade é tomada por uma energia especial e a vida gira em torno do rio e do lago. Crédito: Getty Images/Getty Images
Que tal pescar em pleno centro da cidade?
Que tal pescar em pleno centro da cidade? Crédito: Adriana Setti/Arquivo pessoal

DIA 1

9h – Todos os caminhos levam ao lago

Convertidas em um grande parque (Quaianlagen) no século 19, as margens do Lago de Zurique fervem nas manhãs de verão, com gente correndo, passeando com o cachorro ou tomando uma brisa. O trecho mais bonito e animado é o que vai da Ópera até o Jardim Chinês. No caminho, faça um pequeno desvio para visitar o Pavilhão Le Corbusier, edifício em forma de cubo mágico estilizado que abriga o museu dedicado ao mais famoso dos arquitetos suíços. Enquanto passeia, você cruzará com famílias de propaganda de margarina fazendo piquenique, mansões da aristocracia local, árvores seculares e jardins impecáveis como só a Suíça sabe fazer.

À beira do lago, as árvores dão um show à parte
À beira do lago, as árvores dão um show à parte. Crédito: Adriana Setti/Arquivo pessoal
O Pavilhão Le Corbusier: museu em homenagem ao arquiteto suíço
O Pavilhão Le Corbusier: museu em homenagem ao arquiteto suíço. Crédito: Adriana Setti/Arquivo pessoal

11h – Mergulho no lago

Depois da caminhada, um refresco. Para quem mora no Brasil, nadar em um lago em pleno centro da maior cidade do país parece impensável. Mas, limpinho e abastecido com água que escorre dos glaciares alpinos, o Lago de Zurique é um playground para os esportes náuticos – rica que só ela, a cidade tem tantos barcos que a fila para conseguir comprar um lugar de atraque pode levar três gerações. Para cair na água, o melhor é usar um dos banhos públicos, que são simpáticas estruturas de madeira equipadas com vestiários, bar e deck para lagartear ao sol. Esses banhos também costumam ter uma “piscina” (pedacinho de lago emoldurado por um deck). Um dos mais tradicionais é o Seebad Utoquai, 10 minutos andando do Pavilhão Le Corbusier.

Nadando no rio em pleno centro da cidade: cena comum no verão de Zurique
Nadando no rio em pleno centro da cidade: cena comum no verão de Zurique. Crédito: Arthur Hofman / EyeEM/Getty Images
Entrada do Seebad Utoquai, um dos banhos públicos mais clássicos da cidade
Entrada do Seebad Utoquai, um dos banhos públicos mais clássicos da cidade. Crédito: Adriana Setti/Arquivo pessoal

12h – Nesse calor você merece uma cerveja

Ocupando uma ilhota quase no ponto em que o rio Limmat deságua no lago, o Bauschänzli é uma delícia de biergarten, com vistas altamente instagramáveis da Cidade Velha. Serve hambúrgueres sarados, receitas típicas suíças, pizzas etc. Nos fins de semana, é melhor reservar mesa pelo site.

14h – Rolê pela Cidade Velha

Perder-se pelo Altstadt, a Cidade Velha de Zurique, é um programaço pra fazer sem pressa, lambendo vitrines, descobrindo pracinhas escondidas e ticando da lista algumas das atrações mais famosas da cidade, como o museu de belas artes Kunsthaus, o mosteiro Grossmünster, a igreja de Fraumünster, com seus vitrais por Augusto Giacometti e Marc Chagall, e a St. Peterskirche, cuja torre ostenta o maior relógio da Europa (grande motivo de orgulho nacional na terra da Rolex, da Cartier, da TAG Heuer…).

A espetacular Cidade Velha de Zurique: ao fundo a Fraumunster
A espetacular Cidade Velha de Zurique: para se perder sem pressa. Crédito: Getty Images/Getty Images

16h – Um oásis na metrópole

Para ver Zurique de cima, suba até a Spielplatz Lindenhof, um oásis verde a poucos passos da Bahnhofstrasse, a rua comercial mais famosa da cidade, de fazer o cartão de crédito soltar faísca. Com uma vibe tranquila, jardins impecáveis e um tabuleiro de xadrez gigante, o lugar é uma delícia para um piquenique, para tomar sol ou simplesmente contemplar. Na hora do almoço, é onde muita gente que trabalha no centro leva a sua marmitinha para comer ao ar livre.

Spielplatz Lindenhof, um oásis verde a poucos passos da Bahnhofstrasse
Spielplatz Lindenhof, um oásis verde a poucos passos da Bahnhofstrasse. Crédito: Adriana Setti/Arquivo pessoal
Spielplatz Lindenhof: um dos melhores ângulos de Zurique
Spielplatz Lindenhof: um dos melhores ângulos de Zurique. Crédito: Adriana Setti/Arquivo pessoal
Jogo de xadrez gigante
Jogo de xadrez gigante. Crédito: Adriana Setti/Arquivo pessoal
Apenas contemplando...
Apenas contemplando… Crédito: Adriana Setti/Arquivo pessoal

18h – Aperitivo e jantar à beira do lago

Inaugurado pouco antes da pandemia, o Alex é um espetáculo de hotel boutique em Thalwil, a meia hora do centro de Zurique. O restaurante, aberto ao público, tem paredes de vidro, atmosfera informal e mesas no jardim, praticamente sobre as águas do lago. O cardápio é focado na cozinha mediterrânea com influências ecléticas. Adorei o ceviche de truta, com maracujá, quinoa, toranja e milho – um prato leve e colorido. O jeito mais gostoso de chegar até lá é reservando um transfer com o barco do próprio restaurante, que parte do píer do hotel Storchen – tome um drink no lindo rooftop antes de embarcar! Navegando até o Alex, aproveite a luz de fim de tarde para observar as montanhas dos arredores e ver a cidade de outra perspectiva. Depois, volte para Zurique de trem.

A vista do restaurante do hotel Alex e o barco com o qual cheguei até lá atracado no oíer
A vista do restaurante do hotel Alex e o barco com o qual cheguei até lá atracado no píer. Crédito: Adriana Setti/Arquivo pessoal
Ceviche do Alex: leve e colorido
Ceviche do Alex: leve e colorido. Crédito: Adriana Setti/Arquivo pessoal

21h – Fervo no banho

Um dos banhos públicos mais tradicionais de Zurique, o Frauenbadi, só pra mulheres, se transforma em um bar animadíssimo nas noites de verão – para todes. O Barfussbar, totalmente ao ar livre, tem programação de Djs e outros eventos.

DIA 2

A vibe do verão em Zurich West
A vibe do verão em Zurich West. Crédito: Adriana Setti/Arquivo pessoal
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9h – No fluxo do rio

Colocar a roupa dentro de um dry bag (todo morador de Zurique tem esse tipo de bolsa impermeável), pular no rio e flutuar até láááá na frente. Ou, então, descolar um bote e deixar fluir com os amigos. Nos dias quentes, a água cristalina do rio Limmat fica colorida de boias e afins. Quem fica em terra firme pode tomar sol nas várias plataformas posicionadas ao longo do rio, na região de Zurich West, que mais parece uma filial de Berlim dentro da engomadinha Suíça, com seus skate parks, paredes grafitadas e bares alternativos.

Todo mundo dá um jeito de estar perto do rio
Todo mundo dá um jeito de estar perto do rio. Crédito: Adriana Setti/Arquivo pessoal
Stazione Paradiso: pausa para um café ao ar livre na Berlim de Zurique
Stazione Paradiso: pausa para um café ao ar livre na Berlim de Zurique. Crédito: Adriana Setti/Arquivo pessoal

12h –  Café no Stazione Paradiso

Pare para tomar um café ou um drink no Stazione Paradiso, um bar com jeitão alternativo com mesas espalhadas por um jardim, ao lado de uma pista de skate. Também é uma boa pedida para uma noite de verão.

Cantinhos de Zurich West
Cantinhos de Zurich West. Crédito: Adriana Setti/Arquivo pessoal
Um rio verdinho e limpo no meio da cidade: coisas da Suíça
Um rio verdinho e limpo no meio da cidade: coisas da Suíça. Crédito: Adriana Setti/Arquivo pessoal
O animado murinho do Nude, com sua
O animado murinho do Nude, com sua “arquitetura de Toblerone”. Crédito: Adriana Setti/Arquivo pessoal

13h – Arquitetura Toblerone

Deu fome? Um lugar bacana para comer alguma coisa leve é no café Nude, dentro de uma escola de dança que chama a atenção por sua “arquitetura Toblerone”, com vários triângulos de concreto compondo a fachada. Sente-se em uma das mesinhas encaixadas na mureta, bem pertinho do rio, e curta o vaivém de boias e nadadores dentro da água.

Im Viadukt: um lindo viaduto de tijolos que abriga lojinhas e restaurantes bacanas em seus arcos
Im Viadukt: um lindo viaduto de tijolos que abriga lojinhas e restaurantes bacanas em seus arcos. Crédito: Adriana Setti/Arquivo pessoal
Um dos restaurantes do Im Viadukt
Um dos restaurantes do Im Viadukt. Crédito: Adriana Setti/Arquivo pessoal
Arredores do Im Viadukt: 500 metros de “criatividade, design e prazer”
Im Viadukt: 500 metros de “criatividade, design e prazer”. Crédito: Adriana Setti/Arquivo pessoal
Pracinha ao lado do Im Viadukt, ideal para um piquenique
Pracinha ao lado do Im Viadukt, ideal para um piquenique. Crédito: Adriana Setti/Arquivo pessoal
Mercado de delícias no Im Viadukt
Mercado de delícias no Im Viadukt. Crédito: Adriana Setti/Arquivo pessoal

16h – Embaixo da ponte

Deixe para tomar a sobremesa no Im Viadukt. Numa sacada genial, um lindo viaduto de tijolos em Zurich West teve os seus arcos ocupados por lojinhas de design, restaurantes, sorveteria e até um mercado gourmet, perfeito para garimpar delícias locais. São 500 metros de “criatividade, design e prazer”, bem perto de uma pracinha linda onde você pode fazer um piquenique com os quitutes recém adquiridos.

Urban Surf: para pegar onda ou tomar um drink vendo os tombos
Urban Surf: para pegar onda ou tomar um drink vendo os tombos. Crédito: Adriana Setti/Arquivo pessoal

17h – Surf Urbano

Quem disse que a Suíça não tem onda? No Urban Surf, uma espécie de piscina com correnteza gera uma onda eterna, onde os surfistas sem mar praticam suas manobras. Quem não se arrisca pode ficar no bar, em forma de arquibancada, e curtir os tombos alheios enquanto toma um aperitivo.

o Frau Gerolds Garten é um dos lugares mais badalados pra jantar nos dias quentes
O Frau Gerolds Garten é um dos lugares mais badalados pra jantar nos dias quentes. Crédito: Adriana Setti/Arquivo pessoal

19h – Jantar ao ar livre

Vizinho ao Urban Surf, o Frau Gerolds Garten é um dos lugares mais badalados para jantar nos dias quentes. Hipster até o último fio de barba, ocupa um grande jardim colorido com bandeirinhas, com várias barraquinhas que vendem hambúrgueres, peixe frito, receitinhas veganas, vinhos, drinks, sorvetes e outras gostosuras.

21h – Drink nas alturas

Com uma das melhores vistas do lago, o terraço do La Muña é o lugar perfeito pra um drink no verão. Fica no rooftop do hotel La Réserve, cujo interior foi projetado pelo onipresente arquiteto francês Philippe Starck.

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