Zurique: quando ir, como circular, passeios, hotéis e mais

Por Adriana Setti Atualizado em 22 dez 2023, 14h10 - Publicado em 26 set 2022, 18h11
Site: https://www.zuerich.com/en População: 410.000 hab Fuso horário: +5h (horário de Brasília) DDD: 44 Distância de outras cidades: Genebra 275 km, Lausanne 225 km, Zermatt 162 km

Flanando pelas margens do Lago de Zurique em um dia ensolarado, você começa a entender por que a maior cidade da Suíça foi considerada a sétima melhor do mundo para viver em 2021 pelo Índice de Habitação Global da The Economist Intelligence Unit. Em pleno centro, a água é tão limpa que dá para nadar – algo que os moradores da cidade adoram fazer no verão. Bicicletas caríssimas são deixadas na rua, às vezes sem cadeado. Os canteiros estão sempre impecáveis e árvores centenárias fazem sombra no calçadão, o Quaianlagen, perfeito para correr, passear com o cachorro ou tomar uma brisa. Caminhando da Ópera até o lindo Pavilhão Le Corbusier, também dá para sentir a riqueza no ar: mansões espetaculares, hotéis de luxo e carrões que valem seis dígitos (em francos suíços) estão por todo lado.

Com 400 mil habitantes de língua alemã, Zurique é rica desde a Idade Média e, hoje em dia, abriga a sede de 110 bancos, cuja mão de obra muito bem remunerada faz com que a renda média no município bata em US$ 7 000 – o que explica o preço ácido dos restaurantes e serviços em geral. Mas nem tudo gira em torno dos negócios no berço do dadaísmo, movimento artístico louquíssimo que deu o que falar no século 20. Nas últimas décadas, a cidade tornou-se mais aberta e cosmopolita. Abraçando a diversidade, é lar de descendentes de 170 nacionalidades e mostras dessas diferentes culturas estão nas ruas e nos mais de 100 museus e galerias de arte. Ponto de partida natural para conhecer a Suíça, onde aterrissam os voos da Swiss, diretos de São Paulo, a cidade ainda tem um belíssimo centro histórico, rooftops com vistas de enfartar e uma parte moderna e vanguardista, Zurich West, que mais se parece a uma filial de Berlim.

Pra curtir temperaturas amenas, vá de maio a setembro.
Pra curtir temperaturas amenas, vá de maio a setembro. (Turismo da Suíça/Divulgação)

QUANDO IR

Para quem quer clima mais ameno, o ideal é viajar entre maio e setembro, entre a primavera e o verão do Hemisfério Norte.

COMO CHEGAR

Os voos diretos do Brasil para a Suíça pousam em Zurique e são operados pela Swiss. Outras companhias aéreas fazem voos com escalas: Air France, via Paris; British Airways, via Londres; Iberia, via Madri; KLM, via Amsterdã; e TAP, via Lisboa. O Aeroporto Internacional de Zurique está interligado a uma estação de trem que leva ao Centro (trens partem a cada 10 minutos com destino à estação central) e outras cidades do país.

COMO CIRCULAR

Os táxis custam uma fortuna em Zurique. Em compensação, o sistema de transporte público é excelente. Operada pela ZVV, a malha de transporte público tem trens, ônibus e, especialmente, trams, que levam para todo lado. Os preços variam por número de zonas percorridas, e podem ser obtidos nas modalidades simples (a partir de CHF 2,70) e múltiplo (a partir de CHF 13,20).

Uma alternativa é comprar o Zürich Card, que dá direito a viagens ilimitadas, além de viagens curtas de barco pelo rio Limmat, ingressos e/ou descontos em cerca de 40 museus e um tour a pé pela cidade velha. As opções são para 24 horas (CHF 27) e 72 horas (CHF 53).

Para quem quer aproveitar a grande malha de ciclovias de Zurique, várias empresas distribuem suas magrelas de aluguel em estações pela cidade. No inverno e outono, a Züri Rollt, que oferece trabalho e cursos de mecânica de bikes para refugiados, aluga magrelas de graça durante o dia, mediante depósito caução de CHF 20.

PASSEIOS

No Centro Histórico, um passeio indispensável é subir as vielas tortuosas em direção ao Lindenhof, parque instalado numa colina onde os romanos mantinham um forte. Ali se vê o Rio Limmat, em cujas margens se concentram restaurantes, cafés e as principais atrações da área histórica. Entre elas, à vista, estão as torres duplas da igreja ortodoxa Grossmünster; a torre azul da gótica Fraumünster e a da Peterskirche, a Igreja de São Pedro, que ostenta o relógio com maior diâmetro da Europa. No horizonte, o Lago Zurique.

A vista do Lindenhof
A vista do Lindenhof (Adriana Setti/Arquivo pessoal)

Convertidas em um grande parque (Quaianlagen) no século 19, as margens do Lago de Zurique fervem nas manhãs de verão, com gente correndo, passeando com o cachorro ou tomando uma brisa. O trecho mais bonito e animado é o que vai da Ópera até o Jardim Chinês. No caminho, faça um pequeno desvio para visitar o Pavilhão Le Corbusier, edifício em forma de cubo mágico estilizado que abriga o museu dedicado ao mais famoso dos arquitetos suíços. Enquanto passeia, você cruzará com famílias de propaganda de margarina fazendo piquenique, mansões da aristocracia local, árvores seculares e jardins impecáveis como só a Suíça sabe fazer.

O pavilhão Le Corbusier, um dos bons museus da cidade
O pavilhão Le Corbusier, um dos bons museus da cidade (Adriana Setti/Arquivo pessoal)

Depois da caminhada, um refresco. Para quem mora no Brasil, nadar em um lago em pleno centro da maior cidade do país parece impensável. Mas, limpinho e abastecido com água que escorre dos glaciares alpinos, o Lago de Zurique é um playground para os esportes náuticos. Para cair na água, o melhor é usar um dos banhos públicos, que são simpáticas estruturas de madeira equipadas com vestiários, bar e deck para lagartear ao sol. Esses banhos também costumam ter uma “piscina” (pedacinho de lago emoldurado por um deck). Um dos mais tradicionais é o Seebad Utoquai, 10 minutos andando do Pavilhão Le Corbusier.

Pra ver o lado menos engomadinho de Zurique, gaste poucos minutos no tram até Zurique West, distrito trendy e boêmio que brotou do projeto de revitalização da antiga área industrial da cidade. Hoje, novos edifícios de ocupação mista, residencial e comercial, dividem a paisagem com grafites, skate parks e os antigos galpões, que, restaurados, servem de espaços culturais. Por ali, num edifício feito de contêineres empilhados, fica a sede da Freitag, a grife que ganhou o mundo hipster com sua linha de bolsas e sacolas coloridas feitas com lonas de caminhão. Perto está o Im Viadukt, complexo de lojas, ateliês e bares alinhados sob os arcos de um antigo viaduto ferroviário, ainda em uso.

Colocar a roupa dentro de um dry bag (todo morador de Zurique tem esse tipo de bolsa impermeável) e flutuar no rio Limmat é um programaço no verão em Zurich West. Quem fica em terra firme pode tomar sol nas várias plataformas posicionadas ao longo do rio. E quem disse que a Suíça não tem onda? No Urban Surf, uma espécie de piscina com correnteza gera uma onda eterna, onde os surfistas sem mar praticam suas manobras. Quem não se arrisca pode ficar no bar, em forma de arquibancada, e curtir os tombos alheios enquanto toma um aperitivo.

Urban Surf: quem disse que Zurique não tem onda?
Urban Surf: quem disse que Zurique não tem onda? (Adriana Setti/Arquivo pessoal)

O museu Kunsthaus tem acervo que inclui obras de Munch a Andy Warhol, além de Marc Chagall e Giacometti, que fizeram os vitrais da Fraumünster. Para os boleiros, o lugar a ir é o Fifa Museum, que repassa a história e a cultura do futebol. A exposição permanente tem mais de 1000 peças, entre memorabilia, fotos e troféus. Já os chocólatras não podem perder o novo museu interativo da Lindt, tradicional marca suíça, onde os visitantes podem elaborar o seu próprio chocolate.

ONDE FICAR

Nos últimos anos, a cidade ganhou vários hotéis. Uma das boas novidades é o Ameron Zurich Hotel Bellerive au Lac, onde o design faz uma releitura do estilo art deco. À beira do lago, tem um lindo lobby decorado com plantas, piso quadriculado, além de quartos amplos com enormes janelas que se abrem para o lago. Todos são equipados com escrivaninha, fribgobar, máquina de café Lavazza e menu de travesseiros. Logo ao lado, O La Réserve Eden au Lac é outro tinindo de novo, com interior projetado por Philippe Starck. Na categoria bom e barato para os padrões locais, as boas novas são o Ibis Styles Zurich City Center e o Apart Hotel Adagio, com previsão de inauguração em outubro de 2021. Na Bahnhofstrasse, o charmoso St. Gotthard é um must do Centro Histórico. Não muito longe, o Adler é outro cantinho charmoso perto do Rio Limmat. Em Zurique West, com preços mais acessíveis, opções são o Ibis Budget e, melhor ainda, o moderninho e coloridão 25hours.

ONDE COMER

A cena gastronômica de Zurique anda cheia de novidades. Inaugurado pouco antes da pandemia, o Alex é um espetáculo de hotel boutique em Thalwil, a meia hora do centro de Zurique. O restaurante, aberto ao público, tem paredes de vidro, atmosfera informal e mesas no jardim, praticamente sobre as águas do lago. Para almoçar ou jantar com vista para o Limmat, o elegante Terrasse serve pratos mediterrâneos e tem ótima carta de vinhos. Outra boa pedida é o Bauschänzli, uma delícia de biergarten, com vistas altamente instagramáveis da Cidade Velha. Serve hambúrgueres sarados, receitas típicas suíças, pizzas etc. Para provar a cozinha típica suíça, vá ao Gertrudhof, especialista em Cordon Bleu (filé de porco empanado, recheado com presunto e queijo), ou ao Zeughauskeller. Para levar pra casa, passe em alguma unidade da Laderach e confira as muitas opções em chocolate suíço.

Im Viadkt: o hype embaixo da ponte
Im Viadukt: o hype embaixo da ponte (Adriana Setti/Arquivo pessoal)

Em Zurich West, duas novidades são o Osso, onde a especialidade são as carnes na brasa, e o italiano La Santa Sete. Um lugar bacana para comer alguma coisa leve na mesma região é no café Nude, dentro de uma escola de dança que chama a atenção com sua “arquitetura Toblerone”, com vários triângulos de concreto compondo a fachada. Perfeito para o verão, o Frau Gerolds Garten é hipster até o último fio de barba, ocupando um grande jardim colorido com bandeirinhas e várias barraquinhas que vendem hambúrgueres, peixe frito, receitinhas veganas, vinhos, drinks, sorvete e outras gostosuras. Sob o Im Viadukt, fica o Restaurant Viadukt, que oferece pratos com ingredientes sazonais em três menus no almoço e outros variáveis ao longo do ano no jantar.

Frau Gerolds Garten: comidinhas e drinks ao ar livre
Frau Gerolds Garten: comidinhas e drinks ao ar livre (Adriana Setti/Arquivo pessoal)

ONDE BEBER

Pra ver Zurique de cima de diferentes ângulos, tome um drink no rooftop do hotel Storchen  e outro no terraço do La Muña, no hotel La Réserve. Um dos banhos públicos mais tradicionais de Zurique, o Frauenbadi, só pra mulheres, se transforma em um bar animadíssimo nas noites de verão – para todes. O Barfussbar, totalmente ao ar livre, tem programação de Djs e outros eventos. Em Zurich West, o Stazione Paradiso, tem jeitão alternativo, com mesas espalhadas por um jardim, ao lado de uma pista de skate.

A vibe do Nude, com sua arquitetura de Toblerone
A vibe do Nude, com sua arquitetura de Toblerone (Adriana Setti/Arquivo pessoal)

ONDE COMPRAR

Na saída da Hauptbahnhof, linda estação central, de cara se vê a Bahnhofstrasse, rua de compras entre as mais sofisticadas do mundo – destaque, naturalmente, para as vitrines polvilhadas de relógios. Mas não só das grandes grifes vivem as compras em Zurique. Pelo centro histórico, você topará com achados como a Thema Collection, de roupas femininas; a Limited Stock, de decoração; a Friends of Carlotta, de bijuterias criativas, entre muitas outras.

Zurique espelhada no rio Limmat, que faz as vezes de praia no verão
Zurique espelhada no rio Limmat, que faz as vezes de praia no verão (Switzerland Tourism/Divulgação)

DOCUMENTOS

Brasileiros não precisam de visto para até 90 dias de estadia – prazo que será contado a partir da primeira entrada em um dos países que integram o Espaço Schengen, mesmo que não tenha sido pela Suíça (da mesma forma, a contagem termina após a saída do Espaço Schengen). O passaporte deve ter validade superior a três meses quando da saída.

DINHEIRO

A moeda oficial é o Franco Suíço (CHF), mas euros são amplamente aceitos.

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Informações ao viajante

Línguas: Alemão, mas muitos falam francês, italiano e, minoritariamente, romanche – todas línguas oficias da Suíça. Além do inglês.

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