10 motivos para amar Belém do Pará

A capital paraense é uma das cidades mais exóticas do país; e só de você saber disso, já vale a pena ir. Veja mais 10 razões para visitar Belém

Cada vez que vou ao Brasil tento conhecer um lugar novo. Um tempo atrás, o destino escolhido foi Belém (com uma esticadinha até Ilha de Marajó). Antes disso, passei algumas semanas em São Paulo e perdi as contas de quantas vezes ouvi: “mas que diabos você vai fazer em Belém?”.

Vocês querem mesmo saber? Pois nada mais na mosca do que a frase que o Riq Freire – sempre ele – usou para definir a cidade (e o quão pouco grande parte dos brasileiros sabem sobre ela): “Belém é a cidade mais incrível que o Brasil ainda não descobriu”. Eis os meus motivos para ter gostado tanto:

1. É diferente de tudo

A devoção à Nossa Senhora de NazaréA devoção à Nossa Senhora de Nazaré

Zanzibar? Vietnã? Marrocos? Para tudo. Exótico mesmo é Belém. Cada menu de sucos tinha pelo menos 10 nomes que nunca tinha ouvido – incluindo aí a tal da muruci, um dos gostos mas alienígenas que minhas papilas gustativas já enfrentaram.

Aos cinco minutos do primeiro tempo, topei com um cidadão pilando uma jiboia pra dentro de uma garrafa numa barraquinha de… gente, como definir aquilo?

O céu desaba em chuva morna e a vida segue como se nada estivesse acontecendo. O rio que parece mar. A Amazônia. A devoção à Nossa Senhora de Nazaré. As revoadas de urubus. As mangueiras do tamanho de cogumelos atômicos. Tacacá na cuia no meio da tarde. Açaí salgado, farofa e pirarucu. Onde mais tem disso, criatura?

Todo mundo sentadinho na calçada na hora do tacacá, o chá das cinco de BelémTodo mundo sentadinho na calçada na hora do tacacá, o chá das cinco de Belém

Todo-poderoso tacacá da Maria, pertinho da igreja de Nazaré, um dos famosos da cidadeTodo-poderoso tacacá da Maria, pertinho da igreja de Nazaré, um dos famosos da cidade

2. O mercado Ver-o-Peso é uma lou-cu-ra

Urubus na linha de frente (no lugar onde os barcos descarregam o peixe na madrugada) e, lá no fundo, o Ver-o-PesoUrubus na linha de frente (no lugar onde os barcos descarregam o peixe na madrugada) e, lá no fundo, o Ver-o-Peso

O Ver-o-Peso não só é o coração da cidade, como um dos mercados mais incríveis do planeta, para onde confluem os ingredientes da Amazônia. Pripioca, jambu, mandioca brava, castanha-do-pará, pirarucu, surubim, filhote, curimata, tambaqui, açaí, taperebá, bacuri…. É um caos dos mais organizados.

Os peixes ocupam a parte fechada (a mais bonita, sob uma estrutura de ferro). Depois aparecem as barraquinhas das frutas e dos sucos.

Em seguida, a parte mais divertida do Ver-o-Peso, com as benzedeiras e seus milhares de pozinhos, loções e óleos para curar de unha encravada a dor de corno.

Outra ala tem as famosas barraquinhas de açaí com peixe frito. Na parte mais próxima do rio estão as bancas de comida mais incrementadinha, onde o carimbó e o brega rolam solto no fim de semana.

Castanhas de cajú e do Pará no Ver-o-PesoCastanhas de caju e do Pará no Ver-o-Peso

Belem_do_Para - 8Os peixes, na parte fechada do mercadão de Belém

Made in AmazoniaMade in Amazonia

Jogatina no Ver-o-PesoJogatina no Ver-o-Peso

Belem_do_Para - 11Óleos poderosos

Benzedeira ao vivo e sobretudo a cores no Ver-o-PesoBenzedeira ao vivo e sobretudo a cores no Ver-o-Peso

Garrafinhas mágicasGarrafinhas mágicas

3. Boa parte do centro histórico está impecável

Belém fez um esforço titânico nos últimos anos para se tornar mais interessante e palatável para o turista – e merece ser prestigiada.

O pedaço mais bacana do centro histórico hoje em dia é o complexo de Feliz Lusitânia, a parte mais antiga da cidade, que inclui o lindinho Forte do Presépio, a Casa das Onze Janelas (que abriga um museu), o Museu de Arte Sacra e a Catedral.

Caserio no centro da cidadeCasarões restaurados no centro da cidade

Namorico em frente à Casa das Onze JanelasNamorico em frente à Casa das Onze Janelas

O centro da cidade está cheio de casarões bacanasO centro da cidade está cheio de casarões bacanas

Outra rua meio caidinha do centro. Mas não é que tem a sua poesia?Aqui não está tudo super impecável, mas não é que tem a sua poesia?

As mangueiras de Belém, um caso à parteAs mangueiras de Belém, um caso à parte

Um quê de HavanaUm quê de Havana

Belem_do_Para - 15A vida segue nas ruazinhas do centro histórico da capital paraense

Um pedacinho bem roots do centro de BelémUm pedacinho bem roots do centro de Belém

4. A comida vale a viagem

Declaro sem medo de ser feliz: a culinária paraense é das mais complexas, ricas, gostosas e interessantes do Brasil. E Belém tem potencial para se tornar uma meca gastronômica de projeção mundial. Não é à toa que chefs como Alex Atala, o espanhol Andoni Aduriz (do Mugaritz) e tantos outros estão sempre em busca de referências por ali. Vou falar dos restaurantes mais famosos da cidade num post à parte. Eles merecem.

5. Os sorvetes da Cairu valem a viagem

Não é à toa que todo mundo fala maravilhas dessa sorveteria tradicional da cidade. Chupa, gelato italiano. Pouca coisa no mundo bate a Cairu.

6. A Estação das Docas é mesmo muito bacana

Depois de circular pelo Ver-o-Peso e pelo centro histórico, a Estação das Docas é o lugar ideal para relaxar com conforto (e ar condicionado, se for o caso).

A comparação é inevitável: eis o Puerto Madero de Belém, em menor escala. Uma grande sacada da cidade para revitalizar uma área decadente e criar uma atração turística de peso – que os locais também frequentam entusiasticamente.

Estação das Docas, o Puerto Madero de BelémEstação das Docas, o Puerto Madero de Belém

Durante os dias de semana, a Estação das Docas fica bem tranquila durante o dia. À noite a coisa muda de figura e os restaurante lotam. No meio da semana semana, a Estação das Docas fica bem tranquila durante o dia. À noite a coisa muda de figura e os restaurantes lotam.

7. Os turistas podem circular em paz

Eis uma surpresa muito positiva. Ninguém enche o saco do turista – como acontece em Salvador, por exemplo, onde você corre o risco de engasgar com uma pulseirinha do Senhor do Bonfim. O paraense tem um jeito doce e recatado, receptivo sem ser invasivo. Palmas.

8. O centro histórico é bem policiado

Estaria exagerando se dissesse que me senti super segura no centro de Belém. Como em toda cidade grande brasileira, com diferenças sociais brutais e a miséria acenando em cada esquina, é preciso ficar esperto.

Presenciei uma facada em pleno Ver-o-Peso – uma mulher em outra mulher, pelas costas. “É rixa delas, amiga”, me consolou uma local ao ver que ensaiei um princípio de pânico. E era mesmo, mas enfim… Apesar de todos esses pesares, achei o centro histórico extremamente bem policiado. Já é alguma coisa.

9. O Mangal das Garças é uma gracinha de lugar

Este jardim amazônico é outra atração relativamente recente que incrementou o potencial turístico da cidade. É bonitinho… e tem até guará (um dos pássaros mais lindos do planeta).

Guarás no Mangal das Garças #semfiltro (o bicho é dessa cor mesmo!)Guarás no Mangal das Garças #semfiltro (o bicho é dessa cor mesmo!)

O lindinho Mangal das GarçasO lindinho Mangal das Garças

10. Venta constantemente

Uma as coisas que me preocupava antes de ir era o excesso de calor. Não funciono muito bem quando os termômetros extrapolam os 30 graus. Mas Belém é abençoada por um vento forte e constante que deixa tudo mais ameno. Fui a pessoa mais descabelada da América Latina durante alguns dias. Mas fui feliz.

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