Veja os tesouros do Irã que podem estar na mira de Trump

O Irã guarda 24 atrações que são consideradas Patrimônios Mundiais pela Unesco – e elas foram ameaçadas pelo presidente norte-americano

Mesquita Imã Khomeini, em Isfahan, no Irã Mesquita Imã Khomeini, em Isfahan, no Irã: ameaçada?

Mesquita Imã Khomeini, em Isfahan, no Irã: ameaçada? (Robin Smith/Getty Images/Getty Images)

Tudo começou com a morte do importante general iraniano Qasem Soleimani. No dia 3, o presidente norte-americano Donald Trump ordenou um ataque ao Aeroporto de Bagdá, onde o militar estava. O Irã rapidamente se pronunciou sobre o ocorrido, prometendo retaliação.

No dia seguinte, em sua página oficial no Twitter, Trump retrucou com outra ameaça: “…temos como alvo 52 pontos do Irã, sendo que alguns deles são de grande importância para o país e a cultura iraniana”. Segundo o próprio presidente, o número 52 representa a quantidade de pessoas que foram feitas reféns na Embaixada dos Estados Unidos em Teerã, em 1979.

A possibilidade de os Estados Unidos dizimarem patrimônios culturais do país, que é considerado o berço das civilizações antigas, gerou uma série de críticas. Na segunda (6), o porta-voz do primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, chegou a se pronunciar sobre o caso, afirmando que o governo do Reino Unido não apoiaria um eventual ataque dos Estados Unidos a essas localidades. O ataque a patrimônios culturais e históricos são considerados criminosos pelas Nações Unidas e, por isso, se configuram como crime de guerra.

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Mesmo sob ameaça, ontem (7) o Irã cumpriu sua promessa de retaliação disparando foguetes que atingiram duas bases que abrigam tropas americanas no Iraque. Durante o ataque, porém, nenhum cidadão norte-americano foi morto. No mesmo dia Trump recuou na sua ameaça de destruir patrimônios do Irã.

Os primeiros vestígios da presença humana no país datam de 100 000 a.C. e seus monumentos históricos remetem ao Império Persa, que preservou sua identidade mesmo após diversas invasões estrangeiras – incluindo a de Alexandre, o Grande. No total, 24 atrações do país são consideradas Patrimônios Mundiais pela Unesco.

Apesar de Trump não ter especificado quais localidades estariam no alvo dos Estados Unidos, é possível listar pontos que são especialmente preciosos para o país e sua cultura. Conheça alguns deles e entenda sua importância:

1. Mesquita Shah Cheragh

Mesquita Shah Cheragh, Shiraz, Irã O efeito dos espelhos no interior da Mesquita Shah Cheragh

O efeito dos espelhos no interior da Mesquita Shah Cheragh (Getty Images/Getty Images)

Em Shiraz, a mesquita recebeu o nome de Shah Cherag, que significa “Rei da Luz”. Isso porque o seu interior foi decorado com complexos desenhos geométricos e mosaicos espelhados, que criam um show de luzes único.

2. Persépolis

Persépolis, Irã Ruínas de Persépolis, que ainda dão pistas de como era o poder do Império Persa

Ruínas de Persépolis, que ainda dão pistas de como era o poder do Império Persa (MrSnooks Creative Commons/Reprodução)

Entre os mais importantes do mundo, o sítio arqueológico guarda as ruínas de Persépolis, antiga capital do Império Persa. A 60 quilômetros da cidade de Shiraz, o lugar foi destruído durante a invasão de Alexandre, o Grande, mas ainda é possível ver colunas que cercavam palácios reais e muros com desenhos esculpidos. Seus remanescentes mais antigos datam do século 6 a.C.

3. Pasárgada

Pasárgada, Irã Vou-me embora para Pasárgada, mas lá agora é assim

Vou-me embora para Pasárgada, mas lá agora é assim (Leonid Andronov/Glow Images)

Basta percorrer os 138 quilômetros que separam Shiraz de Pasárgada para ver construções do Império Aquemênida, considerado o Primeiro Império Persa. Também é nesse sítio arqueológico que supostamente está enterrado Ciro, o Grande, um dos grandes líderes da história local que chegou a controlar boa parte da Ásia no século 6 a.C.

4. Tumba do Profeta Daniel

Tumba do Profeta Daniel, Susa, Irã O local homenageia um profeta reconhecido por muçulmanos, cristãos e judeus

O local homenageia um profeta reconhecido por muçulmanos, cristãos e judeus (Helen Bachari/Flickr)

O profeta bíblico Daniel, que aparece tanto em textos muçulmanos quanto cristãos e judaicos, supostamente está enterrado nesse local, dentro da cidade de Susa. A tumba possui uma cúpula em formato de cone e é um popular destino de peregrinação.

5. Catedral de Vank

Catedral de Vank, Isfahan, Irã Igreja Armênia aberta em 1655

Igreja Armênia aberta em 1655 (Jurriaan Persyn/iStock)

Não há apenas mesquitas no Irã: o país também tem uma longa história cristã devido à proximidade com a Armênia. Perto da cidade de Isfahan, a Catedral de Vank foi justamente construída por armênios e o seu interior é repleto de afrescos e esculturas douradas.

6. Praça de Naqsh-e Jahan

Praça Naqsh-e Jahan, Isfahan, Irã A grandiosa praça retangular Naqsh-e Jahan e, lá no fundo, a Mesquita Xeque Loftollah

A grandiosa praça retangular Naqsh-e Jahan e, lá no fundo, a Mesquita Xeque Loftollah (Mariusz_Prusaczyk/iStock)

A principal praça da cidade de Isfahan é também uma das maiores praças do mundo. No formato de um pátio retangular, a Naqsh-e Jahan guarda o Palácio Aali Qapu, do século 16, e a Mesquita Jame Abbasi, com um domo azul-turquesa.

7. Mesquita Sheikh Lotfollah

Sheikh Lotfollah Mosque, Esfahan, Irã Os detalhes minuciosos na decoração da Mesquita Sheikh Lotfollah

Os detalhes minuciosos na decoração da Mesquita Sheikh Lotfollah (Blondinrikard Fröberg/Flickr)

Ainda na Praça de Naqsh-e Jahan, em Isfahan, a Mesquita Sheik Lotfallah é uma atração à parte. Extremamente bem decorada, a mesquita foi construída para ser frequentada pelos membros da realeza e ficaria fechada para o público em geral. Hoje, qualquer um pode admirar alguns dos melhores trabalhos manuais que podem ser encontrados mundo afora. O destaque vai para sua cúpula, com complexos padrões geométricos que são resultado de incontáveis horas de dedicação humana.

8. Grande Mesquita de Isfahan

Grande Mesquita de Isfahan, Isfahan, Irã

 (Getty Images/Getty Images)

Outra atração incontornável da cidade, a Grande Mesquita de Isfahan é uma das maiores do Irã, resultado de uma obra que começou em 771 e se estendeu até o final do século 20. Por esse motivo, ela mostra a evolução da arquitetura islâmica ao longo de vários séculos e foi um exemplo para outras mesquitas da Ásia Central.

9. Palácio do Golestão

Palácio de Golestão, Teerã, Irã Um dos salões do Palácio de Golestão que eram usados pela família real

Um dos salões do Palácio de Golestão que eram usados pela família real (Hayk Hovhannisyan/Flickr)

No coração de Teerã, capital do Irã, esse opulento palácio era a residência da família real Qajar. Atração turística bastante popular, seus adornos mais significativos datam do século 19 e incluem o Trono de Mármore, sustentado por figuras humanas perfeitamente talhadas. A visita também passa por um belíssimo jardim, por azulejos pintados à mão e salões nababescos.

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