Tempos modernos

No Nepal, foi só recentemente que viram funcionar uma escada rolante. A tecnologia continua deixando muita gente pasma

Você se lembra da impressão que teve quando viu os primeiros telefones celulares, nos idos dos anos 1990? Ou quando conheceu a tela verde dos computadores mais arcaicos? Ou quando percebeu que não precisaria mais revelar fotos graças à nova tecnologia das câmeras digitais?

Eu, por exemplo, me lembro da primeira vez que conversei, num bate-papo, com alguém de outro país. Era uma menina do Chade, e eu devia ter uns 12 anos. Eu estava usando a internet discada na casa de uma amiga. Não sei se fiquei mais impressionada com o alcance daquela tecnologia ou com o fato de que existia um país chamado Chade, do qual eu nunca nem tinha ouvido falar (fica na África e tem um dos piores PIBs do mundo). Desde então, nada mais me impressionou tanto. Isso até o surgimento da tecnologia touch screen, aquela do iPhone (que ainda me deixa meio embasbacada).

A evolução tecnológica continua deixando um monte de gente pasma, mas em grau cada vez menor. O que pensar, portanto, quando deparamos com pessoas que ainda se surpreendem com as “modernidades” que a gente já conhece há décadas? Foi só recentemente que muitos nepaleses viram funcionar pela primeira vez uma escada rolante. E eu estava lá.

Foi em um pequeno shopping de Katmandu, a capital, que instalaram o artefato. Vi muita gente olhando aquilo assustada. E muitos velhinhos e crianças que preferiram usar as escadas tradicionais. Os que decidiram encarar a nova tecnologia passaram alguns minutos esperando na beiradinha, até criar coragem de, num pulo só, se equilibrar no “primeiro” degrau. Eu queria ter filmado a cena, mas achei que poderia ser grosseiro e inibir aqueles desbravadores. Em vez disso, eu e uma amiga nos aproximamos de uma dupla de senhoras que encarava a escada rolante com desconfiança e oferecemos nossas mãos como apoio. Elas aceitaram. Uma foi com minha amiga, e a segunda se agarrou a mim, apertando muito a minha mão.

Uma mão agarrada à minha e a outra no corrimão, a senhora olhava atenta para os degraus à sua frente, que “sumiam”. Até que, chegando ao andar de baixo, ela deu um pulinho para fora da escada, como crianças que se divertem no que poderia muito bem ser um brinquedo de parque. Um pulinho que eu mesma costumava dar, agarrada à mão de meu pai, quando descobri a escada rolante, uns 20 e tantos anos antes.

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