Quer apenas aprender um novo idioma?

Cursos no exterior: onde ir, quanto dinheiro levar e quanto tempo ficar

Por Eduardo Burckhardt e Ingrid Cristina dos Santos Atualizado em 5 jul 2021, 15h04 - Publicado em 8 set 2011, 16h30

Decidi estudar no exterior. Por onde começo?

Antes de sair correndo para uma operadora especializada, é bom pesquisar. Os especialistas das boas agências costumam ser experts no tema e certamente vão auxiliá-lo. No entanto, ter pelo menos uma ideia do país em que gostaria de estudar, do tempo disponível e da sua verba para a empreitada vai ajudá-lo na hora de selecionar o programa ideal. Vale também escarafunchar os blogs de pessoas que já passaram um tempo lá fora e conversar com amigos que viveram essa experiência. Além de ajudar a concretizar o projeto, essa pesquisa prévia pode contribuir para riscar de sua lista aqueles países e cursos que não servem para o objetivo primordial – o que já poupa um bom tempo e evita expectativas frustradas. A grana está curtíssima? Talvez Londres não seja uma boa ideia. Odeia frio? Canadá no inverno – no Hemisfério Norte, fique claro – nem pensar. Não quer ver vivalma brasileira durante a viagem? Evite embarcar em janeiro, fevereiro e julho, os meses preferidos dos brazucas. Não sabe o que significa “the book is on the table”? Que tal fazer um curso intensivo no Brasil e adiar seus planos de estudo no exterior para o ano que vem? Tem pânico extremo de viagens longas de avião? Pois é, a Austrália está do outro lado do mundo, logo…

É bom ter alguma noção do idioma ou posso ir sem saber falar nada?

Nada impede que alguém que entende um pouco mais que o básico parta direto para uma experiência no exterior – a maioria das escolas, aliás, aceita iniciantes. “Mas o aluno que já tem alguma base no idioma aproveita melhor o curso e tem rendimento maior nos estudos”, diz Eduardo Heidemann, diretor da agência de intercâmbio Travelmate. Ter conhecimento prévio da língua permite que o aprendizado não se restrinja apenas às paredes da escola. Comunicar-se com estudantes de diferentes nacionalidades e com nativos, além de aprender com as tarefas corriqueiras do dia a dia no país estrangeiro, entre elas ir ao supermercado, comprar ingressos para shows ou ler o jornal local, melhora a fluência no idioma tanto quanto as aulas do curso e tornam a experiência bem mais interessante.

Quanto tempo devo ficar para falar uma nova língua de forma fluente?

Depende principalmente do nível em que você se encontra no idioma escolhido. Mas também conta muito o esforço do aluno durante o curso e sua aptidão natural para aprender novas línguas. Na média, alguém que tem o nível inicial demora de nove meses a um ano para conseguir falar bem o idioma. Para quem está no nível intermediário, seis meses é um prazo recomendável para o curso. Caso você já tenha alcançado o grau avançado no Brasil, três meses costumam ser suficientes para garantir a fluência.

Tem uma idade mínima para estudar fora?

A maioria das escolas de idiomas aceita alunos só a partir dos 16 anos, mas há alguns programas para estudantes abaixo dessa faixa etária

DESDE OS 7 ANOS

Programa

Intercâmbio Teen

O que é

Durante quatro semanas, a criança faz um curso de idiomas na Suíça, na Inglaterra ou na Espanha. Ela viaja sozinha e, ao chegar ao destino, é acompanhada por um tutor

Quanto custa

Desde US$ 3 800

Quem leva

CI (11/3677-3609, www.ci.com.br)

DESDE OS 11 ANOS

Programa

Village

O que é

Uma turma de quatro a seis crianças passa 28 dias em acampamento de um dos 60 países ligados à organização mundial Children’s International Summer Villages (CISV), sempre acompanhada de um monitor

Quanto custa

Desde US$ 1 100

Quem leva

Cisv (11/4786-1236, www.br.cisv.org)

DE 12 A 17 ANOS

Programa

Young

O que é

É um curso de férias de duas a três semanas na Inglaterra, nos Estados Unidos, no Canadá ou na França. O estudante tem aula de línguas pela manhã e, à tarde, há passeios

Quanto custa

Desde US$ 3 100

Quem leva

STB (11/3038-1500, www.stb.com.br)

Sou aposentado. Não vou me sentir deslocado na turma?

Pode acontecer. Nas turmas em que a moçada ocupa grande parte das cadeiras, você pode se sentir um estranho no ninho caso não esteja disposto a interagir com eles. Se esse é o seu caso, vale optar pelos programas específicos para a maturidade. Muitos combinam o aprendizado do idioma com outras atividades, como aulas de história da arte, cultura, enologia ou gastronomia. “Esse público geralmente não sofre com a pressão de ter que aprender ou melhorar o idioma em um curto espaço de tempo. Por isso, prefere as modalidades que conciliam aprendizado com lazer”, diz Tereza Fulfaro, diretora educacional da CI, operadora especialista em intercâmbio.

É melhor estudar na capital ou em cidade do interior?

Esse é um dos grandes dilemas. No interior, conta o contato com nativos e com a cultura local – o que permite melhor rendimento no aprendizado do idioma. Nas capitais, mais atividades e opções de lazer. Em geral, para estadias longas, de alguns meses, o ideal é ficar em cidade pequena, mas que seja próxima a um grande centro, para onde você possa viajar nos fins de semana. Já em estadias curtas, de até um mês, o melhor mesmo é ficar numa cidade grande, como Nova York ou Londres, pois não haverá muito tempo para viagens a outros lugares.

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Quais são os países mais procurados por brasileiros?

Canadá: uma ótima relação custo/ benefício. Tem paisagens e atividades perfeitas para quem curte a vida ao ar livre, além de oferecer muita coisa para fazer em cidades como Vancouver, Toronto, Montreal ou Quebec. O país, no entanto, tem um inverno tenebroso e o visto de estudante para cursos de até seis meses não permite trabalhar.

Estados Unidos: reinam entre os preferidos dos brasileiros pela tradição, infraestrutura e possibilidade de aprender com os melhores. Porém, apesar da queda do dólar, os preços ainda podem ser altos. Além disso, tem gente que acha difícil lidar com o segregacionismo por parte dos americanos. Se é o seu caso, pense em outras alternativas.

Inglaterra: tem um sistema de ensino com ótimas escolas, não só na capital como em outras cidades. No entanto, é um dos lugares mais caros do mundo, o que pode ser impedimento para quem tem um orçamento apertado. Por outro lado, Londres é a metrópole mais cosmopolita do planeta: paraíso para quem gosta de arte e cultura.

Austrália: é um destino indicado para jovens que desejam passar um longo período no exterior. O cenário, que mescla praias, desertos, florestas tropicais, neve, sol, surfe e baladas, cai como uma luva para a moçada. Além disso, o país permite trabalhar legalmente por até 20 horas semanais durante as aulas ou em tempo integral nas férias.

Não devem ser desprezados países como África do Sul, Espanha e França. A Irlanda também vem despontando. Seus programas de trabalho permitem conciliar estudos com afazeres que vão ajudar a pagar as contas durante o período. Além disso, a proximidade com outros países da Europa torna mais fácil mochilar pelo continente.

Como escolher o país ideal?

Os especialistas em cursos no exterior recomendam que se observem cinco pontos nessa seleção: seu estilo (aventureiro, descolado, executivo); o objetivo da viagem (apenas estudo, diversão, estudo e trabalho); o clima local; o orçamento; e o tempo que deseja passar fora. É difícil encontrar um lugar que alcance 100% de contentamento em todos os tópicos, mas a maior média entre eles pode indicar aquele que mais se aproxima do ideal para cada pessoa. “É uma decisão muito particular”, diz Santuza Paolucci Nogueira Bicalho, diretora executiva do STB, operadora especialista no assunto. “Mas, às vezes, na primeira conversa com a pessoa conseguimos identificar quais os melhores países para ela e aqueles que não dariam certo de maneira alguma.”

No caso de uma graduação, o diploma vai valer no Brasil?

O certificado oficial obtido em outro país não é reconhecido pelo Ministério da Educação, ou seja, não é válido no Brasil. Para poder exercer a profissão, é necessário validálo por meio de uma universidade pública brasileira. Cada instituição tem autonomia para decidir se valida ou não, e a maioria delas exige que a pessoa cumpra mais alguns créditos para adaptar o currículo. Para quem vai cursar somente parte da graduação em outro país, é importante observar antes se os créditos que se pretende cursar fora serão validados pela sua universidade no Brasil e vice-versa. Pode haver maior dificuldade de equiparação de alguns cursos, como direito, medicina e odontologia.

Ouvi dizer que alguns estudantes fazem bicos nos horários de folga para ganhar dinheiro extra. Isso é legal?

Em muitos países, o visto de estudante não permite que se trabalhe. “Quem arrisca trabalhar ilegalmente corre o risco de ser deportado, situação que é muito constrangedora, pois não há chance sequer de voltar para casa pra pegar a bagagem”, explica Alexandra Apollaro, coordenadora de intercâmbio da Cultural Adventure. E o pior: a detenção pode inviabilizar as chances de se conseguir novamente um visto para aquele país. É o caso dos Estados Unidos, onde somente alunos de graduação podem trabalhar e, ainda assim, apenas dentro do campus universitário.

Conviver com um amigo brasileiro atrasa a vida durante o curso?

Com relação ao aprendizado do idioma, sim. Principalmente se o seu curso for de curta duração. Nesse caso, você deve aproveitar ao máximo para falar a língua nativa do país. Com um amigo brasileiro a tiracolo, por mais que vocês se policiem para não falar o português, em algum momento vão se cansar dessa história de conversar – e ter de pensar – no idioma local e soltarão o verbo na língua-mãe.

Quanto dinheiro preciso levar?

Há cidades com custo de vida mais alto, caso de Nova York e Londres. As mais turísticas, como Madri e Paris, também tendem a ter mais atrações culturais e passeios. Seria um desperdício não aproveitá-las numa viagem ao exterior, mas, você sabe, elas não saem de graça. Para quem vai para esses destinos, é necessário encher a carteira além da média recomendada para cada país. Levando em conta que a moradia já está incluída no pacote das operadoras na maioria dos casos, o cálculo mensal aproximado para transporte, alimentação e lazer nos países que mais recebem brasileiros é: US$ 2 000 para os Estados Unidos; US$ 1 500 para o Canadá; US$ 1 400 para a Austrália; US$ 1 400 para a Espanha; US$ 2 000 para a Inglaterra. Os estudantes que vão para o programa de high school têm gasto mensal menor, já que tudo está incluído no pacote. Nesse caso, cerca de US$ 250 cobrem suas necessidades do mês.

Quando devo começar a planejar a viagem?

Cursos de idiomas: de um a três meses de antecedência

High School: seis meses a um ano antes da viagem

Programas de trabalho: pelo menos seis meses antes

Pós-graduação no exterior: um ano antes de embarcar. Se quiser batalhar por uma bolsa, calcule pelo menos seis meses mais

Quais são os tipos de hospedagem mais comuns?

Casa de família

É onde fica a maioria dos estudantes. Esse tipo de hospedagem permite que você entre em contato direto com os hábitos, a cultura e a linguagem coloquial do país. O hóspede torna-se, digamos, parte da família. Se você não gostar da casa em que foi parar, pode pedir para sair. Informe a escola imediatamente, pois a troca dependerá da disponibilidade de outra casa. Também pode estar sujeita a multas de acordo com o contrato que você assinou no Brasil.

Dormitório e residência estudantil

Se você não está a fim de ganhar novos pais e irmãos, tem essas alternativas. Nelas, você divide o mesmo teto com outros estudantes estrangeiros e, em alguns casos, com alunos locais. Os dormitórios – individuais, duplos, triplos ou quádruplos – ficam dentro do campus universitário e podem estar em alas exclusivamente masculinas ou femininas. Os banheiros são compartilhados e, no geral, as refeições são feitas em refeitórios self service. Já as residências estudantis seguem mais o estilo das repúblicas brasileiras. Os alunos moram em quartos individuais ou com mais camas num prédio ou em casas e compartilham áreas comuns, como cozinha, sala e banheiro.

Apartamento ou flat alugado

Para total independência, pense nessa possibilidade. Em alguns países, essa pode ser uma saída barata e interessante.

Quais são os principais problemas de adaptação e como evitá-los?

Clima: saltar de Rio 40 graus para Toronto 10 graus negativos não é fácil. Você vai aprender que a neve é linda, mesmo, mas começa a perder um pouco de sua beleza quando tem de enfrentá-la todos os dias para ir à escola. Mas nada que um bom casacão e sapatos impermeáveis não resolvam. Depois de um tempo, você até vai se acostumar com o tira e põe de casacos.

Alimentação: as diferenças também são responsáveis por um baque inicial, especialmente nos Estados Unidos e na Inglaterra. O primeiro é a meca do fast food. Os ingleses também não são mestres da alimentação saudável. Mas não é necessário ir aos extremos. Demora um certo tempo para se acostumar aos temperos, sabores e receitas de outro país – mesmo que seja Itália ou França. Não à toa, muitos intercambistas voltam com alguns quilos a mais.

Horários: a vida corre em ritmos diferentes de acordo com o país. Nos Estados Unidos, por exemplo, as famílias costumam jantar cedo, às vezes com o dia claro. Na Inglaterra, os pubs fecham as portas às 23 horas; então, é necessário antecipar a balada. Já na Espanha, a noitada começa a ferver só na madrugada.

Em quais casos pode haver choque de culturas?

Quem opta pela acomodação em casa de família tem, logo de cara, uma aula in loco de diferenças culturais. Os níveis de conforto e de limpeza das casas geralmente não são os mesmos do Brasil. Nas famílias de classe média (a grande maioria que recebe intercambistas) é muito raro ter uma empregada para os afazeres domésticos. É elegante se oferecer para ajudar na arrumação da casa e essencial manter seu quarto em ordem e lavar sua roupa. À mesa os costumes também são outros. Em muitos países, como Inglaterra e França, se preza pelo não desperdício de comida. Nada de mesa farta e sobras que vão para o lixo. Não ligar avisando que decidiu jantar fora com os amigos, por exemplo, é considerado falta grave.

Como essa experiência vai ajudar na minha vida?

Os resultados mais objetivos são, claro, a fluência ou melhora no idioma – um dado extra para tornar seu currículo mais atrativo. No entanto, a experiência colabora para uma mudança interna muito significativa. “Altera nossa visão de mundo e nos ensina a conviver com as diferenças”, diz Marina Motta, autora do livro Intercâmbio de A a Z. “Você volta mais flexível, mais preparado para enfrentar as adversidades e craque no jogo de cintura.”

Estas e outras perguntas e respostas você encontra no especial Cursos no Exterior, nas bancas

 

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