Pérolas dos Bálcãs

Montenegro, nos Bálcãs, é um lugar de coisas curiosas, diferentes e belas. Nosso colunista ganhou de brinde uma deslumbrante riviera

Eu tinha pouca informação sobre Montenegro. Sabia que havia sido o último país a se desligar do que restou da Iugoslávia, em 2006, e teve uma princesa nascida ali, Elena de Montenegro, que acabou sendo rainha na Itália. Talvez a “memória” mais viva que eu tenha do país venha de um filme, Montenegro ou Pérolas e Porcos, um cult dos anos 1980 que tinha uma cena de sexo no chuveiro que deu o que falar.

Estávamos curtindo dias perfeitos em Dubrovnik, na Croácia, um dos países que fazem fronteira com Montenegro, quando resolvi dar uma esticada até lá, aproveitando o pretexto quase infantil, reconheço, de ter mais um carimbo no passaporte. O fato é que me surpreendi.

A riviera montenegrina é mais selvagem, mais escarpada e menos povoada que sua vizinha croata, mas o mar é igualmente deslumbrante. A comparação com pedras preciosas, apesar de clichê, é inevitável: a cor da água vai do verde-esmeralda ao azul-safira. Nossa primeira parada foi em Kotor, linda cidade murada, construída pelos venezianos que se alternaram no poder com austríacos e otomanos. O que torna Kotor tão especial é sua deslumbrante baía e as construções que “escalam” a montanha. Do alto é possível avistar todo o desenho da muralha medieval que contorna o vilarejo e os bosques.

A parada seguinte foi em uma ilhota artificial na Baía de Kotor, construída por pescadores para abrigar uma imagem de Nossa Senhora das Rochas que foi encontrada ali em 1452. A igreja onde está guardada a imagem ocupa quase toda a superfície. Todos os anos, em 22 de julho, data em que foi encontrada a imagem da santa, pescadores jogam pedras ao redor da ilhota para que ela não desapareça.

E, falando em ilhota, senti uma pontinha de arrependimento por não ter ido com mais tempo para conhecer o Villa Milocer, da sofisticada rede Aman. O resort está ligado ao continente por um pequeno istmo. Meu amigo Ricardo Jardim contou maravilhas do lugar, como a biblioteca que faz as vezes de lobby. Pequenos detalhes que fazem a diferença. Montenegro, afinal, mais que um nome charmoso, é um lugar de coisas curiosas, diferentes e belas. Mais pérolas que porcos.

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