Pequeno manual da… Segurança ao praticar esportes de aventura

Segurança ao praticar esportes de aventura não compromete a adrenalina; veja algumas dicas

Ninguém imagina um desfecho em suas viagens de férias como o de Aron Ralston, o alpinista americano que ficou célebre ao escrever 127 Horas, o livro que conta sua jornada de sofrimento e automutilação após sofrer um acidente numa montanha de Utah, e que ganhou recentemente sua versão cinematográfica homônima. Ralston é alpinista, e escalar montanhas traz riscos mais que evidentes. Mas, ao fazer esporadicamente um esporte de aventura, como rapel, rafting e asa-delta, ou até ao mesmo andar de bugue e banana boat, que sempre registram acidentes fatais pelo Brasil, você também se arrisca. Como saber que pilotos são realmente capacitados, e quais equipamentos, seguros? Com a nova Lei do Turismo, aprovada em dezembro de 2010, as empresas que exploram o turismo de aventura devem se adequar às normas de gestão de segurança da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Até o fechamento desta edição, apenas 63 das centenas de empresas do setor atendiam a essas exigências. Como denominador comum a elas, o fato de ser filiadas à Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura (Abeta). Outras aguardavam a conclusão dos processos de auditoria para se juntar às 63. Contratar serviços dessas empresas não é garantia de viagem sem sustos, mas, ao menos, de que parâmetros de segurança mais rígidos estarão sendo seguidos. Para acompanhar a lista dessas empresas, consulte o www.viajeaqui.com.br/aventura-segura.

Perto do chão

Atividades como caminhada não costumam matar mas é comum praticantes se perderem na mata ou serem picados por insetos ou cobras. É bem fácil evitar esses contratempos. A dica é sempre utilizar sapatos fechados, mochila (e assim ficar com as mãos livres), boné e roupa confortável. Um cantil e uma lanterna, com pilhas reservas, são essenciais. As trilhas devem ser demarcadas pelo grau de dificuldade, e é indicado haver um condutor e um auxiliar para cada grupo de dez pessoas. Se houver uma caverna no meio do caminho, o capacete sem abas também é obrigatório. A Venturas e Aventuras (www.venturas.com.br) é certificada para a atividade.

Nas cordas

A tirolesa está na moda entre os aventureiros. Os acidentes mais comuns acontecem por desgaste dos equipamentos utilizados, que se rompem durante a atividade. As regras da ABNT são claras em relação ao peso suportado e ao tempo de vida das cordas e dos freios. Para garantir total segurança, é preciso, por exemplo, que todo o equipamento individual seja colocado e regulado por um condutor. Deve haver um condutor na área de lançamento e outro na área de chegada. E até o turno de trabalho do profissional é estipulado pela norma: deve durar no máximo 4h. Para se pendurar nas maiores árvores do mundo, a boa é a agência manauara Amazon Tree Climbing (www.amazontreeclimbing.com).

Pesadelo de Ícaro

Pouca gente sabe, mas os voos duplos de asa-delta e parapente são proibidos pela legislação aeronáutica brasileira. Mesmo assim, eles ocorrem pelo país. Só no Rio estima-se que sejam 10 mil por ano. Os clubes e associações de voo livre vendem os passeios como “voos instrucionais” e, com a artimanha, conseguem afastar a fiscalização dos equipamentos e da qualificação dos pilotos. E um acidente no ar é gravíssimo. Em novembro de 2003, a turista Ana Rosa Lapa dos Santos e o piloto Edvaldo de Souza morreram ao cair no mar em São Conrado, no RJ. Em julho de 2009, no mesmo local, foi a vez de o piloto Marcelo Waubliat, o Parafina, morrer. Ele levava em voo duplo a carioca Diandria Bastos, que sobreviveu ao acidente. Nos dois casos, as asas estavam desgastadas e as associações de voo não se responsabilizaram.

Bugue e 4×4

“Com emoção ou sem emoção?” Por trás da pergunta clássica, há um grande risco: escolhendo a primeira opção, é provável que o condutor do bugue faça manobras arriscadas. Se optar pela segunda, talvez você perca o friozinho na barriga, mas evita, também, um acidente que pode ser fatal. No último verão, duas mortes aconteceram no Rio Grande do Norte e no Ceará. É difícil encontrar um bugueiro que atenda a todas as exigências, mas a regra é clara: condutor habilitado e cinto de segurança para todos os passageiros são obrigatórios. Se a aventura off-road for a bordo de um 4×4, já há algumas empresas certificadas. É o caso da Mandacaru Expedições (www.mandacaruexpedicoes.com.br).

Perigo na água

Vai mergulhar? Então, pela legislação brasileira, você deve demonstrar, por cinco minutos, que sabe nadar. Do contrário, não se arrisque em batismos por aí. Já no rafting, o condutor deve ter ficado no mínimo oito meses como condutor supervisionado e conhecer técnicas de resgate aquático. A Alaya Expedições (www.alaya.com.br), de Brotas, segue as normas da ABNT. E, na praia, ao vir um banana boat, cuidado. Quando o condutor faz uma manobra “emocionante”, os passageiros podem cair na água, bater a cabeça, desmaiar – e se afogar. E os banhistas também correm muitos riscos.

Fique de olho

Mesmo se não houver nenhuma empresa certificada no destino das suas próximas férias, não é preciso deixar de aproveitar a natureza. Siga estas dicas 

Exija nota fiscal: além de ser a prova da prestação de serviços, é sinal de que a empresa está regularmente estabelecida – e você tem alguém a quem, no limite, processar caso algo dê errado.

Certifique-se da existência de seguro e o que ele cobre.

Observe se a empresa tem registro no Ministério do Turismo e na associação profissional da cidade.

Verifique se há estojo de primeiros socorros.

Observe sempre os limites de peso, altura e idade estipulados para a atividade.

Desconfie de locais sujos e malconservados. Se o que está à vista do cliente é assim, imagine como é a manutenção dos equipamentos.

O preço está muito abaixo dos concorrentes? Tome cuidado. Reciclagem de pessoal e troca de materiais custam caro.

Pergunte, pergunte e pergunte. Na dúvida, não vá.

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