O Mundo Animal

Na África do Sul, Parque Kruger e Reserva Sanbona são duas belas reservas onde os animais vivem em harmonia  e o rei deles é branco

Por Luciano Candisani Atualizado em 14 dez 2016, 12h06 - Publicado em 8 set 2011, 11h35

A África do Sul tem inúmeros parques nacionais e reservas particulares dedicados à preservação da vida selvagem. O maior deles é o Parque Kruger, com 20 mil quilômetros quadrados espalhados em área de fronteira com Moçambique. Mas é no lado oposto do país, nos arredores da adensada Cidade do Cabo, que está um dos mais interessantes hábitats animais sul-africanos. Essa região, hoje tomada por prósperas áreas agrícolas, foi, num passado não tão distante, um lugar de vida selvagem típica das savanas. Leões, elefantes, rinocerontes, hipopótamos e outros bichos vagavam pelos campos onde hoje se assentam centros urbanos e fazendas agora famosas pela produção de vinhos de qualidade. O avanço da ocupação humana na área levou, como era de se esperar, ao desaparecimento quase total da fauna. Mas, paradoxalmente, uma bela amostra da vegetação original se manteve intacta bem no coração da famosa região vinícola do “Little Karoo”, a apenas três horas do waterfront da Cidade do Cabo.

Nesse local especial foi criada a Reserva Sanbona, com 54 mil hectares, quatro lodges de luxo e um programa ambiental destinado a devolver os grandes animais ao ecossistema local. Dos chamados big five (leão, rinoceronte-negro, elefante, leopardo e búfalo) apenas o búfalo ainda é mantido em área isolada até conseguir se reproduzir em número suficiente para sustentar a predação por felinos. Todos os demais convivem e lutam pela sobrevivência como se suas espécies jamais tivessem sido banidas do local. Eles podem ser observados em atividade durante um dos dois safáris regulares diários organizados pela reserva.

Os animais perambulam por campos rupestres cobertos por 600 espécies de plantas que floram e explodem em cores o ano todo. São paisagens belas e dramáticas, de encostas e vales das Montanhas Warmwaterberg. Mas esses cenários lindíssimos não passam de coadjuvantes esforçados da atração mais cobiçada da reserva: o leão branco. Não, ele não é albino. É um felino igual a qualquer outro leão africano, exceto por uma alteração genética que lhe confere uma pelagem imaculadamente branca, da cabeça à ponta das patas. O leão branco já aparecia em antigas lendas de tribos sul-africanas e nos relatos de exploradores e caçadores do início do século 20, mas a confirmação científica de sua ocorrência só veio em 1975, quando o pesquisador Chris McBride presenciou o nascimento de dois filhotes brancos de pais marrons, na Reserva Timbavati, próxima ao Kruger. Valorizada como troféu pelos caçadores, a pequena população logo desapareceu. Hoje, apenas poucas dezenas deles sobrevivem, todos em cativeiro. O único grupo em ambiente selvagem vive justamente em Sanbona, onde foram introduzidos em 2003. Desde então muitos filhotes já nasceram no local. A possibilidade de observá-los na natureza atrai muitos visitantes e isso ajuda a manter a sustentabilidade econômica do projeto e a conservação de milhares de hectares de ecossistemas nativos.

Esse programa de conservação é coordenado pelos mesmos profissionais que recuperaram a fauna da Reserva Shamwari, em Port Elizabeth, outro lugar que tem safáris em ecossistemas originais e lodges com belas acomodações. Seu proprietário, Alam Gardner, sonhava em ver aquelas terras repovoadas com a fauna nativa, considerada uma das mais ricas da África mas quase totalmente exterminada pela caça, no século 19. Ele então passou a comprar fazendas vizinhas e protegê-las. Mais tarde, associou-se a ambientalistas renomados e iniciou um grande programa de recuperação ambiental que culminaria com a reintrodução de todos os big five, outrora abundantes na região. Hoje, os cinco ecossistemas protegidos em Shamwari funcionam de forma natural, incluindo a relação presa/predador. Ou seja, os carnívoros têm de caçar para sobreviver e as manadas de her bívoros dependem das pastagens naturais. “Nosso objetivo é interferir cada vez menos no ambiente”, disse à VT Johan Joubert, atual responsável pelo programa de conservação da reserva.

Um dia típico em Shamwari inclui os tradicionais safáris ao nascer e ao pôr do sol. O resto do tempo pode ser dedicado a uma extensa lista de opções de relaxamento em meio à natureza com atrações tão diversas quanto piscinas com vista para a savana e sofisticados tratamentos de beleza e saúde em spas completos. São sete lodges na reserva, cada um com cara e estilo próprios, mas todos com ótimos restaurantes. O lounge Lee Manor abriga 32 hóspedes nos quartos espaçosos de um casarão em estilo vitoriano, construído em 1910. Há atividades para crianças, além do safári. O lodge Bayethe sugere um clima mais intimista. Suas nove luxuosas tendas com teto de palha são perfeitamente integradas à vegetação.

E, quanto a meus safáris em Shamwari, não poderiam ter sido melhores. Logo no primeiro dia, um serval saltou diante do jipe e parou ao lado da estrada por mais de dez minutos – uma eternidade em se tratando de um dos mais esquivos felinos das savanas africanas. Esse foi só o aperitivo para os dias de exibições de famílias completas de leões e guepardos com direito a brincadeiras de seus pequenos filhotes, além de zebras, girafas, hipopótamos, elefantes…

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Confira a galeria com imagens das duas reservas citadas na reportagem: Sanbona e Shamwari.

Três toques

    Brasil e Portugal, adversários na primeira fase da Copa, começaram a disputa bem antes do jogo de 26 de junho. Suas confederações queriam o mesmo hotel em Johannesburgo, o Fairways, dentro do Randpark Golf Club, que só será inaugurado em 12 de maio. Deu a lógica, e o Brasil fica lá.

    Na Cidade do Cabo está o 37º melhor restaurante do mundo, segundo a revista inglesa Restaurant: o Le Quartier Français (Huguenot Road, 16, 27-21/876-2151, lequartier.co.za; Cc: todos).

    Boa notícia para os shopaholics: Durban, que será uma das bases da torcida brasileira, tem o maior centro de compras do continente, o Gateway Theatre of Shopping (Palm Boulevard, 1, Umhlanga Ridge, 27-31/566-2332, gatewayworld.co.za).

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