Nada é permanente

O sujeito entra na sala de embarque, olha o painel, olha o bilhete e descobre que o portão mudou. Por que isso é tão comum nos nossos aeroportos?

Nada nesta vida é permanente. Pelo menos, não nos aeroportos brasileiros. Você tem o bilhete nas mãos, com horário, portão de embarque e assento definidos por escrito, mas quase nunca é pra valer. O delicado espaço de tempo entre o check-in e a chegada ao saguão de embarque é suficiente para aparecer alguma novidade nos monitores eletrônicos. Meu embarque, que no bilhete era no portão 4, na tela aparece no 26. E ainda não está valendo. O anúncio oficial vem pelos alto-falantes. Em algum momento chega ao microfone uma atendente com voz de gaita, bem diferente do timbre sensual de Íris Lettieri, antes locutora oficial das partidas e chegadas em São Paulo.

Sua atenção, por favor. Passageiros da XYZ, voo 171998, com destino a Belém, escalas no Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília e conexões para São Luís, Manaus, Rio Branco e Porto Velho. Informamos que a aeronave já se encontra em solo.

Incrível, o avião pousou! Nossa alegria é breve, pois, em seguida, ela recita o imenso texto em inglês ou algo parecido. E cada portão tem um balcão; cada balcão, um microfone; cada microfone, um volume e um voo a ser anunciado.

Sua atenção, por favor. Passageiros da XYZ, voo 171998, com destino a Belém, escalas no Rio… É a “nossa” moça de novo, a gente meio que já intui.

Informamos que, devido ao reposicionamento da aeronave, o embarque, quando autorizado, será efetuado através do portão de número 2.

Poxa, no fim das contas, era do lado do 4…

Isso é raro acontecer em outros aeroportos do mundo. E não é comum mesmo em outros sistemas complexos, como as linhas de trem da suíça ou o Terminal do Tietê, em São Paulo. Você chega, compra seu bilhete, no qual estão anotados a plataforma de embarque, o horário, o assento, e na hora certa vai lá e pronto. Ninguém nos molesta com mudanças de portão, excessos nos alto-falantes e outras balelas.

Leia mais:

Fevereiro de 2012 – Edição 196

A parada como destino

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