J.K. Rowling não se inspirou na Lello e jamais pisou na livraria

A autora de Harry Potter fez a revelação no Twitter. A Lello, na cidade do Porto, ficou tão famosa por conta do boato literário que passou a cobrar ingresso

Por Bárbara Ligero Atualizado em 28 jun 2020, 11h41 - Publicado em 29 Maio 2020, 18h04

A autora da saga Harry Potter veio a público dizer que nunca esteve na livraria Lello, no Porto. Logo, o lugar não serviu de inspiração para a criação de Hogwarts, como se acreditava até então. A revelação foi feita pela própria J.K. Rowling em sua conta no Twitter, em 21 de maio, e deixou muitos fãs decepcionados.

Quando tinha 25 anos, Rowling se mudou para a cidade do Porto para trabalhar como professora de inglês e viveu ali de 1991 a 1993, que são justamente os anos em que a história do menino bruxo começou a tomar forma e ela iniciou o primeiro livro, Harry Potter e a Pedra Filosofal.

  • Os anos se passaram, o sucesso foi estrondoso e a lenda em torno da livraria poderia até ser localizada nas obras: a de que a escola de bruxaria Hogwarts seria inspirada na Lello, mais precisamente as escadas curvas vermelhas. No livro, Rowling criou escadas labirínticas que mudam de lugar à revelia e fazem com que os estudantes se percam constantemente. Como diz o ditado italiano, se a história não é verdade, ao menos é bem contada.

    Livraria Lello, Porto, Portugal
    A notícia desapontou os fãs de Harry Potter que visitaram a livraria por conta do rumor Horacio Villalobos/Getty Images
    Hogwarts
    Nos filmes da saga, as escadarias de Hogwarts foram representadas dessa maneira Harry Potter / Universal/Reprodução

    O desmentido da escritora

    O boato começou a ser desmentido quanto J.K. Rowling publicou um primeiro tweet dizendo: “estava pensando em colocar uma seção no meu site sobre todas as supostas inspirações do nascimento de Potter”.

    J.K. Rowling
    Twitter/Reprodução

    Logo em seguida, em outro tweet, ela dá como exemplo de história falsa a Livraria Lello. “Nunca visitei esta livraria no Porto. Nunca soube da sua existência! É linda e gostaria de ter visitado, mas não tem nada a ver com Hogwarts!”, escreveu a autora.

    J.K. Rowling
    Twitter/Reprodução

    Diante da repercussão da postagem, que teve mais de 300 respostas e mil compartilhamentos, ela decidiu dizer que, sim, visitou com frequência um outro lugar da cidade. “Se isso animar as pessoas que ficaram desiludidas com a livraria no Porto. Esse é provavelmente um dos cafés mais bonitos onde eu já escrevi: o Café Majestic, na Rua Santa Catarina”, afirmou.

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    J.K. Rowling

    Uma outra curiosidade é que os estudantes da Universidade do Porto utilizam trajes acadêmicos bem parecidos com os uniformes usados pelos alunos de Hogwarts. A semelhança das capas pretas, comuns também em Coimbra, é indiscutível, mas resta aguardar a autora confirmar se a sua inspiração foi realmente essa ou não. Talvez não.

    Era uma vez uma livraria

    Considerada uma das livrarias mais bonitas do mundo, a Lello foi inaugurada em 1906 e possui, além da fachada em estilo neogótico, um interior único, com bustos de escritores portugueses, um enorme vitral no teto. Em suma, o lugar em si merece toda a fama que tem.

    Mas o empurrão criado pela suposta inspiração de J.K. Rowling ajudou e muito para que o lugar ganhasse filas na porta, nem sempre de gente em busca de literatura, mas de uma foto na mítica escadaria. Os donos, com isso, instituíram uma taxa de entrada de cinco euros a partir de 2015, dedutíveis em caso de compra de algum livro. Em tempo: durante os meses de quarentena rígida em Portugal, a Lello lançou um concurso para premiar com mil euros os melhores contos da quarentena.

    Mas o verdadeiro mistério ainda carece ser revelado por Rowling: como é possível uma então aprendiz de escritora ter morado três anos em uma cidade pequena e nunca ter pisado em sua mais tradicional livraria?

    Universidade do Porto, Porto, Portugal
    Na Universidade do Porto, o uso das capas pretas é uma tradição Wry2010/Flickr
    Harry Potter
    Hermione, Harry e Rony com seus uniformes no primeiro filme da saga Harry Potter / Universal/Reprodução

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