Paratodos Após viver o bug do milênio, no caso, ter ficado cadeirante em janeiro de 2000, Bruno Favoretto compartilha experiências que servem (mas não só) para quem tem algum problema de mobilidade, ainda que momentâneo

Como é mergulhar em Ilhabela (sendo cadeirante)

Na Ilha das Cabras, dá pra se divertir na boa, é só saber nadar

Por Bruno Favoretto Atualizado em 19 mar 2021, 20h01 - Publicado em 18 mar 2016, 01h44

Era madrugada de terça-feira e a insônia bateu. Volume morto dentro de um copo na cabeceira pra enxaguar as papilas. A mente foi lá em Fernando de Noronha, onde havia mergulhado pela primeira e única vez.

Eureka. Estava impedido de percorrer 2 674 quilômetros até o idílio pernambucano, mas não de cruzar 213 e aterrar na especialmente esbelta Ilhabela para imergir.

Robalos, garoupas, caranhas, sargos-de-beiço, sargos-de-dente, quiçá cavalos-marinhos, vivem a 100 metros da costa, na Ilha das Cabras, o ponto onde eu iria mergulhar. Beira o impossível estacionar por ali, mas quem pagou R$ 400 para fazer o batismo consegue parar na sede da Colonial Diver.

Ali, o instrutor Roney deu seu prólogo. Legal, quando ele explanou os sinais universais do mergulho, mas um saco no quesito doutrinador político incansável. Feito isso, atravessamos a movimentada avenida, e, claro, recebi aquela ajudinha básica na areia, já que cruzá-la de cadeira é aquele trampo, atola, sempre melhor é puxar de ré, já que a roda de trás é melhor que a da frente, que fica agarrada, presa.

Respirar durante o mergulho é como fumar, puxa e assopra, só que dá uma onda boa, você sai felizão. É só saber nadar e não se apavorar, sobretudo os bigodudos, que sofrem para ter aderência no bocal.

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Durante 40 minutos nesse domingo com sol e mar gelado, nadamos por um circuito demarcado por uma corda. Eram uns 7 metros de profundidade – ao contrário dos dois dígitos de Noronha.

O instrutor vai do lado o tempo todo, então, deficiente ou não, a gente não corre nenhum risco.

Tinha um chassi de caminhão naufragado, tinha até uma estátua do Netuno rodeada por inúmeros e cintilantes cardumes e estrelas-do-mar, mas nem sinal de peixes robustos ou tartaruguitas, muito menos tubarões e arraias.

Foi um programão de fim de semana, mas, após debutar no batismo em Noronha, nenhum mergulho será de novo do jeito já foi um dia.

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