Achados Adriana Setti escolheu uma ilha no Mediterrâneo como porto seguro, simplificou sua vida para ficar mais “portátil” e está sempre pronta para passar vários meses viajando. Aqui, ela relata suas descobertas e roubadas

Acredite: pagar pelas malas despachadas tem um lado bom

Novas regras de despacho da ANAC podem não ser tão ruim para o consumidor; saiba porquê

Por Adriana Setti Atualizado em 4 ago 2017, 16h27 - Publicado em 16 dez 2016, 13h24

As novas regras da ANAC para compra e venda de passagens aéreas, bem como para a bagagem, foram o assunto da semana no mundo viajante brasileiro. O Pelo Mundo explicou direitinho como vai funcionar a cobrança pelas malas despachadas. E o Viaje na Viagem fez uma análise completa dessa e de outras regras envolvidas no pacote.

Diante das medidas, a grande maioria espumou de raiva pelo fato de ter eventualmente que pagar para viajar com uma mala de mais de 10kg. Mas, acredite, pode sim haver um lado muito bom nessa história. Na Europa já é assim há muito tempo e ninguém mais acha estranho.

Passagens baratas podem se tornar realidade

Escrevo este post da ilha de Menorca, para onde voei com uma mala de mão de 10 quilos, pagando apenas €10 por um bilhete da Ryanair. Caso tivesse despachado uma bagagem de 20kg, a passagem teria custado cerca de €30. Ou seja, o triplo.

Esses bilhetes tão absurdamente baratos só existem porque as normas europeias permitem que as companhias aéreas ofereçam uma forma flexível de viajar, cobrando à parte por todos os itens que não são absolutamente essenciais: escolha de lugar, possibilidade de alterar a data, comida, espaço extra, malas embarcadas etc.

Nesse sentido, existe uma real possibilidade que as passagens das companhias nacionais se tornem mais acessíveis (ainda que isso dependa de vários outros fatores). Resta saber se as empresas aéreas REALMENTE cumprirão a promessa de reduzir as tarifas básicas significativamente em troca da flexibilidade alcançada. E isso, no Brasil, a gente só acredita vendo.

10kg é lindo

O pacote de medidas teve uma mudança muito positiva que pouca gente comemorou: poder embarcar com uma mala de 10kg na mão (ao invés de 5kg). Ao meu ver, a regra anterior era burra.

Como 5 kg não dão para nada, o passageiro era praticamente obrigado a despachar uma mala, o que implica pegar fila no balcão e depois ter que esperar pela mala ao chegar ao destino (o que, muitas vezes, pode demorar bastante).

Com o dobro do limite permitido, é perfeitamente viável levar tudo o que você precisa para uma viagem curta (de até 10 dias no verão, digamos). Pão dura que sou, só extrapolo esse limite (e, consequentemente, pago para embarcar a mala) em raríssimos casos.

No fim das contas, acabei me acostumando e acho sensacional ter desenvolvido essa habilidade de viajar leve (e barato). Aqui na Europa, uma mala de 20kg costuma sair por €15 a €40 por trecho.

Nos Estados Unidos os preços podem ser mais altos. Torçamos para que as tarifas no Brasil não sejam abusivas. Torçamos…

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Do radical ao equilíbrio

O que muita gente está especulando (e provavelmente se confirmará) é que, uma vez que as companhias aéreas possam cobrar pelo peso extra, serão chatérrimas com o limite do peso e do tamanho da bagagem de mão.

No entanto, dando tempo ao tempo, isso também deve ficar mais suave. Um exemplo claríssimo disso é o da Ryanair, a companhia que levou o sistema low cost às últimas consequências (e, por isso, aparece em tantos exemplos).

Houve uma época em que a empresa não permitia nem um outro volume a bordo além da mala de mão (nem uma pochete ou uma câmera pendurada no pescoço, por exemplo).

Também pesava tudo com tolerância zero e cobrava taxas absurdas para as malas despachadas de última hora, entre outras regras que fizeram com que ficasse com uma péssima fama, despertando ódio em alguns passageiros (eu mesma vi um cara ter um ataque de fúria no aeroporto: estraçalhou a mala na frente da comissária, que alegava que o volume tinha um excesso de alguns centímetros).

Recentemente, a Ryanair seguiu o exemplo de outras low cost e adotou uma política de mais flexibilidade, permitindo mais um volume a bordo (tipo uma mochila pequena) além da mala de 10kg e fazendo vista grossa para alguns excessos.

Ou seja, com o tempo, ficou claro que essa postura muito radical não se sustenta diante do clamor popular e da concorrência.

Calma, você não precisa se sentir um palhaço
Calma, você não precisa se sentir um palhaço Alexas Fotos/Pixabay

Confusão no embarque

Outra bola levantada foi a de que, uma vez que todo mundo queira viajar com mala de mão de 10 kg, o embarque será mais confuso. Sim, isso vai acontecer.

Em um voo lotado, nem todas caberão a bordo, obrigando as companhias a despachar algumas peças de última hora e sem cobrar. Diante disso, há duas coisas a fazer: ficar em pé na fila para tentar embarcar antes e garantir espaço ou relaxar e ver no que dá. Sempre opto pela segunda opção.

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