San Sebastián

Site: http://www.donostia.org, http://www.sansebastianturismo.com

População: 186.000 hab

Fuso horário: +4h (horário de Brasília)

Distância de outras cidades: Madri 452 km, Barcelona 570 km, Sevilha 914 km, Granada 875 km, Córdoba 852 km, Valência 572 km, Santiago de Compostela 734 km, Navarra 104 km, Toledo 543 km, Segóvia 397 km, Salamanca 450 km, Ilhas Baleares 785 km

Por Adriana Setti

Em meados do século 19, nem tudo era glamour na vida de Isabel II. Sofrendo com problemas dermatológicos, a rainha foi aconselhada a tomar banhos de mar para salvar a sua pele. E já que Madri está longe da praia, a corte espanhola decidiu passar os verões em San Sebastián, no País Basco, ditando tendência entre a aristocracia.

Foi nessa época que Donostia (em basco) viveu a sua belle époque, influenciada pelos hábitos e pela arquitetura da França – a fronteira da Espanha com a o país vizinho está a apenas 20km da cidade. O luxuoso hotel Maria Cristina, por exemplo, foi construído em 1912 pelo arquiteto francês Charles Mewès (o mesmo dos Ritz de Paris e de Londres) e tornou-se ponto de encontro do jet set internacional, assim como o antigo cassino, que hoje em dia abriga a prefeitura.

As marcas desse passado de glória estão por todos os lados em San Sebastián, onde os canteiros de flores são tão impecáveis quanto os donostiarras que circulam pelo Boulevard Zumardia, ladeado de palacetes dos séculos 19 e 20. Faixa de areia mais linda da cidade, à beira do Mar Cantábrico, a Playa de la Concha é amparada por um calçadão onde luzem postes e grades art nouveau, que fazem conjunto com o spa La Perla, célebre por seu circuito de talassoterapia. O arsenal arquitetônico ainda tem construções góticas, como a Iglesia de San Vicente, e barrocas, a exemplo da Basílica de Santa María del Coro.

Além de ser uma delícia de balneário, San Sebastián é uma das principais mecas gastronômicas do circuito internacional. Há três restaurantes com cotação máxima no guia Michelin na cidade (marca que nem Madri e Barcelona conseguiram alcançar). A maioria dos mortais, no entanto, circula pelo centro histórico se refastelando nos bares de pintxos, as tapas ao estilo basco que são pura alta cozinha em miniatura. Por essas e outras, dois dias podem até ser suficientes para conhecer o básico da cidade. Mas, dependendo do seu apetite, é melhor vir com muito  mais calma.

QUANDO IR

O verão (junho a setembro) é a melhor época do ano para conhecer San Sebastián com mais chances de pegar sol – o clima do País Basco é famoso por ser úmido e fresquinho. O agito na cidade tem seu ápice no festival de jazz Jazzaldia, no fim de julho, e na semana de 15 de agosto, quando é celebrada a Semana Grande, com muito folclore basco, comida e bebida. Donostia também ferve durante o Festival de Cinema, que rola em setembro, e na época do Gastronomika, um dos principais congressos internacionais de gastronomia de vanguarda, que acontece em outubro.

COMO CHEGAR

Não há voo direto do Brasil a San Sebastián. O caminho mais curto é via Madri, pela Iberia. A cidade está a 5h30 de trem de Madri e Barcelona (não há conexão por AVE, o trem de alta velocidade). De carro, a viagem dura 4h30 e 5h30, respectivamente.

COMO CIRCULAR

Praticamente tudo o que interessa na cidade está concentrado em uma área ao alcance das pernas, entre o Casco Antiguo (só para pedestres) e as praias de La Concha e Zuriola. Mas, para encurtar caminho, use o ótimo sistema de ônibus Dbus. Um bilhete único custa €1,75. Se for usar bastante o transporte público, compre o San Sebastián Card, que também dá descontos em lojas e atrações. Outra opção é aproveitar o novo sistema de bikes elétricas DBizi – compre um abono ocasional para 1, 3 ou 5 dias diretamente nos totens das estações.

PASSEIOS

Gaste a sola do sapato no calçadão que vai da Playa de la Concha até a escultura Peine del Viento, de Eduardo Chillida, instalada ao final da praia de Ondarreta . No meio do caminho, pare para respirar no magnífico jardim do Palácio de Miramar, erguido em estio inglês para servir de residência de veraneio da rainha Maria Cristina. Para ver a cidade do alto (e fotografá-la dos melhores ângulos), suba ao parque de diversões do Monte Igueldo de funicular ou tome fôlego para caminhar até o topo do Monte Urgull, coroado pela ruína de um castelo. Depois de um dia turistando, entregue-se ao circuito de talassoterapia do La Perla, belíssimo spa em estilo art nouveau de frente para o Mar Cantábrico. E,para saber mais sobre a vida marinha da região, vá ao Aquarium, um oceanário varado por um túnel de vidro que permite observar os animais de perto.

Um pouco fora de mão, o Museu Chillida Leku, vale o desvio (para chegar lá, pegue o ônibus G2 na frente do spa La Perla – a viagem demora 20 minutos). Reaberto recentemente, guarda a obra do escultor basco Eduardo Chillida (conhecido por suas obras de grandes dimensões em aço e concreto), em um imenso jardim. O circuito da arte contemporânea se completa com o Tabakalera, um centro cultural inaugurado em 2015. Instalado numa antiga fábrica de tabaco de 1913, promove mostras de cinema, exposições, workshops e debates – grátis. No verão, fique atento à programação do seu rooftop, onde costumam rolar eventos especiais. Para mergulhar na história e na cultura do País Basco, e entender o que torna a região tão diferente do resto da Espanha, visite o San Telmo Museoa. Fundado em 1902, funciona em um antigo convento, anexo a uma estrutura moderna adicionada em recente reforma. Repare no lindo jardim vertical na fachada.

ONDE FICAR

Reformado recentemente, o Hotel Maria Cristina mantém em dia a sua aura de glamour e continua recebendo as estrelas do festival de cinema. Já no quesito hotel boutique, nada bate o Akelarre, um impressionante caixote de pedra de frente para o mar, onde fica o QG do chef triestrelado Pedro Subijana.

Na Playa de la Concha, dois ícones belle época são o Londres e o Niza.

Bons, bonitos e baratos para os padrões locais, a Pensión Nuevas Artes e A Room in the City são boas pedidas entre o centro histórico e a praia. Um pouco mais afastado do centro, o Zenit tem tarifas acessíveis  e piscina na cobertura.

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ONDE COMER

Alta cozinha

A Santíssima Trindade da alta gastronomia de San Sebastián é formada pelos chefs Martín Berasategui, Pedro Subijana e Juan Mari Arzak, à frente dos restaurantes Martín Berasategui, Akelarre e Arzak. Localizado a 10 quilômetros do centro, posicionado na 9a posição da lista 50 Best 2019 o Mugaritz é o QG de Andoni Aduriz, que também pilota o Topa Sukaldería, de cozinha fusão mexicana e basca. Uma das melhores novidades dos últimos anos é o Amelia, premiado com uma estrela Michelin, do chef argentino Paulo Airaudo.

Pintxos

O Casco Antiguo é o epicentro do circuito dos bares de pintxos. Em meio às ruas estreitas do bairro, procure a portinha discreta do Goiz-Argi e abra o apetite com os espetinhos de camarão sem casca, temperados com o vinagrete da casa. Poucos passos o separam do Borda Berri, onde dois chefs dissidentes do mítico La Cuchara de San Telmo (onde você não pode deixar de ir) preparam receitas “de panela” em miniatura, como risoto de queijo idiazábal com cogumelos. Numa rua paralela está o Zeruko, que coleciona prêmios por suas preparações ousadas. Tome fôlego e continue a peregrinação até o Ganbara, um dos mais tradicionais. Para algo mais moderninho, vá ao A Fuego Negro, do chef Edorta Lamo, um dos responsáveis pela modernização dos pintxos bascos. Faça a digestão com um gim-tônica no Atari, sentado na escadaria da igreja de Santa Maria, bem na frente do bar. Há pelo menos dois bons motivos, além da praia com menos turistas, para atravessar o rio Urumea e explorar o bairro de Gros. Um deles é a tradicionalíssima Bodega Donostiarra, famosa por sua tortilla de batatas. O outro é o Bergara, premiadíssimo e célebre pela txalupa, um gratinado de cogumelos com camarões.

Outros

Pilotado pelo chef brasileiro Antonio Belotti, o Casa 887 é uma das boas novidades que surgiram na cidade nos últimos tempos, servindo cozinha basca de temporada com um twist internacional. Outro que trouxe novos ventos à cidade foi o Convent Garden, que tem vários ambientes, incluindo um restaurante e uma baladinha, a Cripta. Para traçar uma chuleta de respeito (uma tradução basca por excelência), vá ao Nestor. E para resgatar a influência francesa de San Sebastian, o lugar certo é o Geralds Bar, com jeitinho de bistrô. Dois lugares infalíveis para tomar café da manhã são o Botanika e o Sakona.

COMPRAS

As lojas das grandes redes europeias, como Zara, Mango, Oysho, Bershka, Massimo Dutti, entre outras, você encontra nos arredores da rua San Martzial. Já a Hitz, é uma mão na roda para garimpar achadinhos de marcas bascas.  Entre as ótimas lojas de decoração do centro da cidade, destacam-se a Koko Deko e a Kado.

DOCUMENTOS

Brasileiros não precisam de visto para entrar na Espanha. Em geral, basta apresentar o passaporte com validade mínima de seis meses, a contar da data de início da viagem. Mas, seguindo à risca as regras de imigração, o agente ainda pode solicitar a apresentação da passagem de volta, um seguro-viagem com cobertura mínima de € 30 mil para saúde, além de dinheiro suficiente para cobrir os gastos da sua estada no país (cerca de €600 por pessoa por semana). Você pode comprovar que dispõe de fundos apresentando cartões de crédito, de débito, travelers cheques ou dinheiro em espécie (o valor máximo permitido para entrar no país é de € 10 mil). Para dirigir na Espanha, basta apresentar a carteira de habilitação brasileira, além do passaporte.

DINHEIRO

A moeda da Espanha é o euro, que pode ser comprado diretamente nos bancos e corretoras brasileiros. Caso você viaje com dólar, terá que trocar a moeda em casas de câmbio ao chegar a San Sebastián e vai estar sujeito a taxas de conversão nem sempre favoráveis.

Você encontrará um cajero automático a cada esquina. No entanto, alguns bancos cobram comissões de € 3 a € 4 para saques com cartões internacionais – além das taxas do seu próprio banco  (consulte os valores antes de viajar) e do famigerado IOF de 6,38%. Para escapar dessa mordidinha extra, fuja do onipresente Caixa Bank e prefira caixas eletrônicos de entidades como BBVA.

Atualizado em 1/10/2019

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Informações ao viajante

Línguas: Espanhol e basco (euskara)

Saúde: Para entrar na Espanha, nenhuma vacina é obrigatória.


Melhor época para visitar: Em julho o Festival de Jazz agita a cidade. E em setembro o celebrado Festival Internacional de Cinema atrai visitantes para ver trabalhos de todo o mundo.

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